quinta-feira, dezembro 31, 2009

2009

2009, o ano da desaceleração!

300 postagens (!!), como desabafos. Contato direto com cada um que lê e, de alguma forma, recebe um pouco de minha consciência.

Desacelerar é um desafio. Tudo exige rapidez e agilidade. Mas, é uma necessidade...

Fim de ano, fim de década. Escrevi, aqui, e relembro Pink Floyd:

...and then one day you find, ten years have passed behind you, no one told you when to run, you missed the starting gun...

Estejamos em contato em 2010! Estejamos junto na nova década!

Um remedinho resolve

Cicatrizes torácicas desfilam, aos grupos, na praia. Orgulhosos, seus proprietários atestam uma cultura, infelizmente, disseminada em tempos "modernos":

- Como o que eu quero, bebo o quanto quiser, exercito-me se der vontade.

- Se ficar diabético, se meu coração falhar, se algo errado me acontecer, um remedinho, uma cirurgiazinha, resolvem...

As campanhas pela prevenção são tímidas e fracassam. O resultado é uma imensa despesa para os serviços de saúde e muito sofrimento para as famílias e a sociedade. Há, no ar, uma ilusão de uma medicina mágica e soberana a se sobrepor ao verdadeiro suicídio coletivo contido na vida urbana e "civilizada".

Seus filhos não são seus filhos

Assim começava o prefácio de Erich Fromm. O livro era Summerhill - Liberdade sem medo, que mostrava a experiência de uma escola no Reino Unido em que reinava a liberdade. Crianças e adolescentes "escolhiam o que fazer". O desempenho era superior, assim como os indicadores de felicidade e realização.

"Seus filhos não são seus filhos. Você é o arco que os arremessa ao futuro."


Apenas.

Na verdade, tenho mudado minha estratégia ao buscar caminhos que incentivem adultos a aderirem a um programa regular de exercícios e alimentação, no mínimo, saudável. Quando dizia que as "crianças" precisavam dele, pai -ou dela, mãe-, sem querer eu afastava o foco do motivo central que faz alguém cuidar de si: amor próprio.

Quando me dizem:

-Eu não corro, nem vou a academias, porque, em casa, trabalho o dia todo. Fico, até, cansada e dolorida!

Retorno dizendo que, sim, é melhor que ficar deitada o dia todo, mas o ato de exercitar-se, para ser plenamente eficiente, precisa de um botão a mais, aquele em que está escrito:

PARE O MUNDO QUE AGORA VOU CUIDAR DE MIM

Voltando às crianças, estou, agora, insistindo que não devem ser seus filhos o incentivo para que você cuide de sua saúde, mas, sim, seus próprios desejos, suas próprias necessidades.

- Seus filhos já são do mundo e, claro, vão se virar muito bem sem você. Há inúmeros exemplos de sucesso sem as figuras de pai ou mãe. Você é que deseja muito acompanhar a vida deles! Formatura do ensino médio, primeiros flertes, namoros, entrada na faculdade, casamento, formatura, seus netos... Você é que precisa disso, para continuar querendo cuidar de si e continuar vivo!

As pessoas param, pensam e... Concordam. De uma forma diferente adquirem novo estímulo para dar uma virada e corrigir certos hábitos que as estavam matando...

É. Definitivamente seus filhos não são seus. Já são do mundo e você os arremessou!

domingo, dezembro 20, 2009

COP 15: não importa a causa, estamos em perigo...



Agora que passou a conferência, a poeira está começando a assentar e nós podemos refletir. Sim, há muita ênfase na questão dos motivos reais das mudanças percebidas em certos aspectos do clima. O gelo do ártico derrete. Temperaturas maiores, em média, já são registradas. Há mais tormentas, a Grande Barreira de Corais na costa da Austrália perde vida com as maiores temperaturas da água marinha, rios perdem volume, da Amazônia às regiões subtropicais... Mas é devido à ação humana?

Não importa.

Em primeiro lugar, é interessante perceber grandes líderes (?) mundiais com as mesmas dificuldades de síndicos de condomínios de classe média, ou vereadores de pequenas e grandes cidades por aí afora. Estive próximo a diversas Câmaras Municipais nos últimos 10 anos e, realmente, é muito parecido. Lembro sempre da história que me contaram sobre certa característica de árabes, mas que se aplica a qualquer humano: ele briga com seu irmão, mas une-se a ele para brigar com seu vizinho. Briga com o vizinho, mas estão juntos para atacar moradores de outros bairros. Estes transformam-se em parceiros, se os inimigos são de outra cidade. Moradores de duas cidades lutam lado a lado contra interesses de outros estados. Juntos, cidadãos de todos os estados de um país, que antes eram sérios oponentes, descobrem laços fortíssimos ao enfrentar exércitos de outros países.

Mas, e agora? Onde está o inimigo comum para unir aqueles líderes? A ameaça ao planeta não tem um emissor palpável, não tem sede, nem exército. A ameaça, ainda, pode ser os próprios moradores do planeta...



Em segundo lugar, para mim o grande, o supremo problema do planeta é a superpopulação. Se ela é a causadora do suposto aquecimento, ou das alterações na dinâmica do clima, não importa. Ela causa, sim, o esgotamento dos recursos naturais. Causa, também, o choque de realidades e a intolerância. Causa a fome, a má distribuição de riquezas, a cegueira perante necessidades de semelhantes. Degrada, através da desenfreada geração de esgoto e lixo, os recursos hídricos e aumenta o risco da disputa pelo líquido precioso, a água potável. Causa a ansiedade de "se dar bem" antes de todos, já que "tudo está perdido, mesmo".



Em terceiro lugar, essa história de emissão de carbono. Sim, ela é real. Queimamos combustível com nossos veículos, inclusive aviões. Isso é emissão direta. Aceitamos desmatamento, pois compramos produtos de madeira sem certificarmo-nos de sua origem; desperdiçamos, ridiculamente, energia elétrica com nossos chuveiros elétricos e geladeiras abertas ou mal fechadas; consumimos carne de gado criado em confinamento e alimentado com rações (produzidas às custas de áreas imensas desmatadas para plantio) que os fazem, sim, produzir e emitir metano e contribuir com 25% das emissões de GEE, os gases efeito estufa. Entupimos lixões e raros aterros sanitários com matérias primas e material orgânico que poderiam ser aproveitados. Isso que fazemos é emissão indireta. Estas emissões são causa de algo significativo? Muitas, a maioria, das pesquisas dizem que sim. Algumas dizem que não. Mas, claro, de novo: não importa. Faz sentido, agora, não arriscar e iniciar mudanças no "jeito de viver". Energia "limpa", ou renovável, ou, ainda, que não degrada recursos naturais, é realidade possível. Por que não investir nela? Deixemos os debates "científicos" e mudemos nossa maneira de consumir. Por que alagar áreas imensas, deslocar comunidades, submergir fauna e flora, para imensas hidroelétricas para atender um consumo desenfreado, se isto pode ser evitado? Não é lógico? Como evitar? Energia inteligente! Hidrogênio, solar, eólica, termoelétricas acionadas pela queima do lixo e aproveitamento das cinzas...

Mas, nossos "líderes" (entre aspas, porque não agem como tal) atuam como síndicos inexperientes ou vereadores defendendo o asfalto da rua em que moram, ou uma obra para contratar uma empreiteira do cunhado...

De Obama ao "o cara", de Ahmadinejad a Chavez, fizeram um "acordo" pífio. Não que este acordo fosse tããããão importante, mas, pelo menos agiriam como naquela suposta história dos árabes. Unidos contra... Contra o quê, mesmo?!

sábado, dezembro 19, 2009

Fogo no Morro do Pernambuco

Está em chamas o topo do Morro do Pernambuco. Hoje, às 19hs, liguei para 190 para perguntar se os bombeiros estavam sabendo. Informação: "O telefone do Corpo dos Bombeiros é 192". Liguei 192. "SAMU, boa noite!". Ops, não é 192. "Por favor, qual é o número dos bombeiros?". Ok, 193.

-"Corpo de Bombeiros, boa noite!"

Informei do incêndio e o atendente solicitou meu nome completo e telefone. Perguntou se eu estava próximo ao local e disse que algumas pessoas tinham ligado, mas não informaram telefone e nome. Perguntou alguns dados e informou que estariam a caminho. Em menos de meia hora estavam chegando. As chamas estão ainda à vista, subiram a encosta voltada para a baía e dirigem-se ao farol.

Na foto, ao fundo, as chamas. 20:15 de hoje.


Em tempo: agora são 23:00 e há apenas pequenos clarões no morro. Os Bombeiros chegaram e resolveram. Obrigado!

Você tem filhos adolescentes? Veja essa pesquisa inédita do IBGE!

A Pesquisa Nacional da Saúde do Escolar (Pense) apresenta informações sobre as condições de vida do estudante, em investigação inédita no IBGE sobre o tema e, também, a primeira na história do Instituto em que os próprios entrevistados responderam ao questionário diretamente no computador de mão. Essa forma de coleta de informações deu privacidade aos informantes para responderem questões sobre família, saúde, violência, uso de álcool e drogas e comportamento sexual.

As informações, divulgadas ontem (18/12/2009) mostram que mais da metade dos 618,5 mil estudantes de escolas particulares e públicas, que frequentam o 9º ano do ensino fundamental, nas capitais e no Distrito Federal - a maioria na faixa de 13 a 15 anos - são inativos ou insuficientemente ativos1 em relação à prática da atividade física. Considerando somente as alunas, o percentual chega a quase 70%. Aproximadamente 80% deles assiste TV por duas horas ou mais por dia, quando duas horas é o limite recomendado pela Organização Mundial de Saúde. Já o consumo de guloseimas e de refrigerantes superou o de frutas frescas. O consumo de frutas frescas foi de 31,5%, enquanto a proporção de alunos que consumiram guloseimas, em cinco dias ou mais na semana anterior à coleta da pesquisa, foi de 50,9%, e o percentual de estudantes que consumiram refrigerantes foi de 37,2%.

Feijão é o alimento saudável mais consumido entre os estudantes

Dentre os marcadores de alimentação saudável foram verificados maiores percentuais de consumo para o feijão (62,6%), sendo mais elevado entre os escolares do sexo masculino (68,3%) que do feminino (57,4%) e entre alunos das escolas públicas (65,8%) em comparação aos das escolas privadas (50,1 %).

A maioria dos estudantes nas capitais brasileiras e Distrito Federal tinha o costume de fazer cinco ou mais refeições na semana com a presença da mãe ou responsável, chegando a 62,6% do total, sendo a menor freqüência observada em Salvador (54,3%) e a maior, em Florianópolis (72,7%).

No consumo de hortaliças em cinco dias ou mais na última semana, a diferença maior ficou entre os alunos das escolas privadas (34,3%) diante os das escolas públicas (30,4%). Não foram observadas diferenças significativas entre os sexos (feminino: 31,3% e masculino: 31,2%) para o total da pesquisa.

As frutas frescas foram consumidas em cinco dias ou mais, na semana anterior à investigação, por 31,5% dos escolares, não havendo diferença significativa por sexo ou dependência administrativa da escola para o total das capitais e do Distrito Federal. Já o consumo de leite foi maior entre os escolares do sexo masculino (58,3%), do que entre os do sexo feminino (49,4%), assim como foi maior entre alunos de escolas privadas (60,7%) do que entre os de escolas públicas (51,7%).



O número de alunos se achando magros era maior que o de se achando gordos

A pesquisa avaliou a percepção dos alunos sobre sua própria imagem corporal, nas categorias: magro ou muito magro, normal, gordo ou muito gordo. Achavam-se magros ou muito magros 22,1%. A proporção de escolares do sexo masculino que se perceberam magros ou muito magros foi de 23,0%, enquanto no sexo feminino foi de 21,4%. Já 17,7% disseram estar gordos ou muito gordos. Os escolares do sexo feminino observaram-se desta forma em 21,3% dos casos.

Estavam fazendo alguma coisa seja para perder, ganhar ou manter o peso 62,8% dos alunos. O percentual era maior entre as mulheres (65,0%). Porém, chama a atenção que um terço das alunas (33,3%) estava fazendo alguma coisa com a intenção de perder peso. Para o sexo masculino, a freqüência encontrada foi de 60,2%. Esse percentual foi distribuído da seguinte forma: perder peso (20,9%), ganhar peso (17,9) e manter peso (21,4%). Por fim, 6,9% relataram que vomitaram e/ou ingeriram medicamentos ou fórmulas para controle do peso sendo o menor percentual encontrado em Florianópolis (4,7%) e o maior em Boa Vista (9,8%).



Você pode ver e baixar o relatório completo, com os comentários e a análise dos resultados, em (copie e cole no seu navegador): http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/pense/comentarios.pdf

Hawaii Five 0 Intro

Muitos não sabem de onde veio esta música que dançam nas pistas. Eu esperava até tarde só para ver esta introdução, aquela onda quebrando... Magia havaiana!

sexta-feira, dezembro 18, 2009

"Suspiro", no Natal na Praça, Tonus, Ilhéus

Coreografia de Ballet Clássico "Suspiro", da Escola de Dança Tonus, apresentada ao ar livre, na Praça São João, em Ilhéus (16/12/2009).

quarta-feira, dezembro 16, 2009

Dança e arte na praça, onde o povo está!...

Mais uma vez a Escola de Dança Tonus enfeitou a praça São João e encheu os olhos de todos que estavam ali, uma m-u-l-t-i-d-ã-o! Dança de verdade, cultura real...

A Praça São João é do povo, como o céu é do avião!

16 de dezembro, 2009.





Tonus Tai Chi na praia

Aula de encerramento do ano. Um local incrível, pessoas passando, olhares de surpresa... Bom para... Desacelerar!


domingo, dezembro 13, 2009

Jean Manzon: relíquias em video


Juscelino Kubitschek e Lucio Costa onde hoje é Brasília - Fotografia de Jean Manzon


Encontrei o acervo de Jean Manzon. Disponível na internet.

Os que são jovens há mais tempo lembram das reportagens ufanísticas, nacionalistas e com belas imagens sobre nosso país. Canal 100! Antes dos filmes, nos cinemas, vinham imagens de grandes obras, jogos importantes no Maracanã, notícias do governo e notícias do grande Brasil...

Está em http://www.acervojeanmanzon.com.br/

Copie esse endereço para seu navegador e acesse o site. Vale a pena. Veja em "videos", por exemplo, imagens de Santos Dumont, dos bondes circulando pela Rio de Janeiro de 1957, das obras da ponte Rio-Niterói em 1969, da Amazônia, da Salvador de 1982, de tantos lugares em épocas que ficam apenas na memória...



No final dos anos 70 (sim, anos 1970!) fui professor particular de Louise, uma requintada menina, delicada e talentosa filha de Jean Manzon. Ensinei desenho e fiquei sabendo que, hoje, ela é artista, reside na França há muito tempo. Desde aquela época eu assistia os documentários de Jean Manzon com interesse especial. Ele já tinha mais idade e faleceu em 1990, deixando um riquíssimo acervo de fotografias e documentários. Eu admirava seu trabalho e sua personalidade. Tudo isso, sem dúvida, permanece em meu inconsciente e influencia minha visão do mundo...

Condição física e desempenho intelectual

A mais recente edição da revista Proceedings of the National Academy of Sciences apresenta uma pesquisa que indica uma relação entre a boa condição física (no caso, a condição cardiovascular) e o desempenho intelectual.

Para os pesquisadores, exercícios aeróbicos podem ser o "mediador e conector fisiológico" entre exercício físico e cognição (inteligência).



Pesquisadores suecos estudaram mais de 1,2 milhões (!) de pessoas nascidas de 1950 a 1976. Concluíram que:

1. Condicionamento cardiovascular, e não força muscular, estava associado com superior performance cognitiva.

2. Condicionamento cardiovascular aos 18 anos poderia indicar futuros status socioeconômico e conquistas educacionais.


Mais, ainda. Os autores sugerem que o ambiente e, não, a genética, influencia maciçamente a associação entre condicionamento físico e inteligência. As descobertas dão mais força à teoria de que promover incentivos à prática de atividades físicas pode servir como estratégia de saúde pública para conquistas na área da educação.



Quem me conhece sabe o quanto reforço a importância da oxigenação promovida pela melhor condição cardiovascular. Pedalar, nadar, correr, caminhar, pular, dançar, tudo isso, agora está comprovado, aumenta, também, a condição de pensar e raciocinar.

Mais oxigênio, mais nutrientes e as células, todas elas, funcionam melhor. Inclusive as células do cérebro.

Inclusive neurônios!

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Está em http://www.pnas.org/content/106/49/20551

“Cardiovascular fitness is associated with cognition in young adulthood” by Maria A. I. Åberg, Nancy L. Pedersen, Kjell Torén, Magnus Svartengren, Björn Bäckstrand, Tommy Johnsson, Christiana M. Cooper-Kuhn, N. David Åberg, Michael Nilsson, and H. Georg Kuhn (see pages 20906–20911).

sábado, dezembro 12, 2009

Diário de Luana

Publico aqui também o simpático comentário sobre o "Diário de Luana". Quem participou está, agora, vivendo emoções que só eles compreendem!

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Foi emocionante rever este diário!!!
Aquela conversa criativa foi ÓTIMA!
E vale repetir...a fantástica fábrica de chocolates foi uma delícia de espetáculo!
Abç
Mônica

12/dezembro/2009

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Quer ver? Vá a http://desacelere.blogspot.com/2009/02/diario-de-luana-apresentado-na-conversa.html

sexta-feira, dezembro 11, 2009

Ferrovia Oeste - Leste

Uma das principais críticas ao modelo de desenvolvimento nacional adotado a partir da segunda metade do século passado foi a clara, oficial e exagerada preferência pelo transporte de cargas por via rodoviária. Caminhões.

Resultado: grande desperdício de combustível, altos índices de acidentes nas estradas, poluição atmosférica acentuada e sem controle. Sim, as indústrias de veículos agradecem, assim como as petrolíferas, mas a economia, como um todo, sofre e recursos importantes para pesquisas de alternativas, por exemplo, são escoados no asfalto (quando há pavimentação). Acidentes não representam apenas (?!) riscos para as vidas, mas custos com resgate, tratamento, aposentadoria e perda de produtividade. Poluição atmosférica afeta diretamente populações à volta das rodovias, mas, significa, ainda mais, crescente emissão de gases relacionados ao efeito estufa.

Participei da apresentação do RIMA da FIOL. Não sabe o que é isso? Desculpe, mas é importante saber... RIMA é o relatório de impactos ambientais, em linguagem simplificada e acessível, uma espécie de resumo do EIA, o Estudo de Impactos Ambientais. O EIA é a principal exigência para que uma obra obtenha a licença dos órgãos ambientais (no caso de uma ferrovia, o IBAMA). FIOL é a Ferrovia de Integração Oeste Leste. Um mega projeto de transporte que deverá unir Figueirópolis, no Tocantins, a Ilhéus, Bahia. 1.500 quilômetros! Grãos, álcool e minérios que atendem o mercado internacional terão escoamento facilitado.



Sim, a prefeitura de Ilhéus convidou interessados para conhecer o RIMA. Dá para imaginar, não é? Auditório lotado, empresários, ambientalistas, políticos, imprensa, técnicos, sindicalistas... Afinal de contas, como escrevi acima, é difícil imaginar um assunto mais importante para uma cidade que clama por empregos e alternativas de desenvolvimento.



Não. Nada disso. Um constrangedor vazio nas cadeiras. É melhor falar do time de futebol da cidade. Um pouco antes era este o tema e todas as cadeiras estavam ocupadas. Prefeito falando, vereadores discursando, empresários ouvindo... Quem me conhece sabe que não os culpo. A pressão vem da sociedade. Ou, no caso, não vem. Não há pressão. Ninguém se interessa, por que gestores públicos vão se interessar? Especialmente aqueles que poderão estar longe quando os benefícios chegarem...



Mas a verdade é que eu estive lá e tive acesso ao texto e imagens do relatório; o projeto existe e há grandes vantagens sociais e econômicas. Há, também, algumas oportunidades de recuperação e manutenção da qualidade de ambientes naturais, como nascentes, margens de rios, restingas, mangues e ecossistemas em risco, que poderão ser "adotados" por alguns dos empreendimentos esperados na região. Há de se experimentar, acima de tudo, muitos debates e honestidade técnica.

Desacelerando há um ano!!

283 postagens em um ano. Em 14 de dezembro de 2008 publiquei uma entrevista que concedi à revista Pesca Brasil, sobre "megacidades". Era a primeira...

São textos sobre muitos assuntos, passando por psicologia, urbanismo, meio ambiente, educação, saúde, alimentação e muitas situações do cotidiano.

11.000 acessos! É bom saber que, de alguma forma, participo do dia das pessoas e deixo um pouco da minha energia!

quinta-feira, dezembro 10, 2009

quarta-feira, dezembro 09, 2009

Qual é o problema mais grave?

Esta pergunta foi feita a mais de 2.000 pessoas em todas as regiões do Brasil. Era uma pesquisa do Instituto Datafolha, citada na edição de domingo passado no jornal A Folha de São Paulo. As respostas deviam apontar o problema mundial considerado mais urgente.

Em meus treinamentos para empresas (pousadas, por exemplo), criei uma dinâmica em que todos refletiam sobre os "problemas". Deviam debater, em grupos, e chegar a uma opinião conjunta (dentro de cada grupo) sobre o maior problema do planeta, da América do Sul, do Brasil e de seu estado. Além do objetivo de vivenciar o debate coletivo e exercitar o "abrir mão" e o "impor sua opinião", eu buscava uma melhor consciência sobre a verdade nua e crua dos problemas. Explico. Muitas vezes, o que consideramos problema é, na verdade, a ponta do iceberg. É o resultado de um problema maior e, este sim, seria, então, o "maior problema". Claro que havia um confronto do tipo ovo-galinha. A fome é causada pela corrupção ou é a causa dela? Mas o importante era o debate.



Sim, a pesquisa do Datafolha. Pobreza é o que mais preocupa. E mesmo ricos desconhecem as causas da mudança climática. O brasileiro não considera o aquecimento global (ou a possibilidade dele) uma prioridade e "erra feio ao apontar suas causas". Mas, surpresa! Declaram-se dispostos a pagar para amenizar o impacto da degradação. 58% pagariam mais impostos para preservar a Amazônia.

Numa lista de 10 grandes problemas mundiais (minha crítica: ali estavam problemas de verdade ao lado de "pontas de icebergs"), apenas 5% dos entrevistados citaram o aquecimento global como sua maior preocupação. Pobreza, violência e fome (para mim, são parte de um único problema) aparecem nos primeiros lugares. Depois aparecem mortalidade infantil, falta de acesso à educação e terrorismo.

E para você? Qual é o problema mais grave do planeta? Ele é um problema, em si, ou é causado por outro maior e, claro, mais importante?

Aqui estão exemplos do que foi apontado em nossas dinâmicas nas empresas:

- Má distribuição das riquezas
- Corrupção
- Crise moral
- Superpopulação
- Escassez de recursos
- Superconsumismo
- Egoísmo
- Intolerância religiosa
- ...

terça-feira, dezembro 08, 2009

Obesidade e seu vírus

Intrigante, o artigo publicado no jornal A Folha de São Paulo domingo passado. Mostra resultados de pesquisas sociais nos Estados Unidos. Relata que certos comportamentos são... Contagiosos!

Claro que não é na forma concreta de um vírus biológico, mas o efeito é parecido, como uma epidemia.

O principal exemplo é a obesidade. E diz que uma das conclusões dos cientistas é que "as pessoas engordam em grupos". E que isto acontece porque "são as pessoas mais próximas a você que criam a sua noção de normal e de bizarro". E afirma, de modo assumidamente cruel, que se você tem amigos gordos, sua chance de também engordar é 57% maior! Isso não aconteceria por comer junto com os amigos, mas, aos poucos, por parar de considerar que se alimentar mal é, na verdade, um problema.

Mas há um ângulo positivo neste conjunto de pesquisas.



Cada amigo feliz aumentava em 15% a chance de que alguém também se declarasse feliz. Sim, a novidade é que cientistas descobriram o que todos já sabemos: ficamos mais felizes quando temos pessoas felizes ao nosso lado!

Ou seja: quer emagrecer? Não precisa abandonar seus amigos que estão acima do peso. Ao contrário. Aproxime-se dos amigos sadios e estes, de seus amigos obesos. O grupo vai, em bloco, emagrecer!

Está deprimida? Procure ambientes que sejam frequentados por pessoas "para cima", aquelas que alegram quem estiver a seu redor.

E entenda que algumas pessoas podem querer se afastar um pouco de você, caso esteja muito acima do peso ou melancólica. Este "afastamento" pode ser usado como mais um motivo de uma virada na vida, não é? Acredite: o ambiente influencia. Você pode não selecionar, à vontade, as emoções e sensações que experimenta. Mas, sem dúvida, você pode escolher os ambientes que frequenta!

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Na foto, os "Doutores da Alegria", que frequentam hospitais e, com muita alegria, diminuem o sofrimento de pacientes e, quem sabe, curam vários deles!

domingo, dezembro 06, 2009

Tenista de primeira!


Marcelo competiu na categoria 14 anos da Copa TV Santa Cruz de Tênis, realizada neste fim-de-semana no Hotel Jardim Atlântico. Ele tem 12 anos e foi vice-campeão!

Eu (o pai coruja) e o atleta


Marcelo, Charinho (o professor) e Valdivio (campeão)

quarta-feira, dezembro 02, 2009

Copenhage 2010

Faltam alguns dias para o início da reunião de cúpula sobre mudanças climáticas e a Greenpeace e a Tictactictac, ONGs ambientalistas, expõem cartazes criticando a imobilidade dos líderes mundiais e a falta de ações e comprometimentos formais sobre a questão.





O cartaz diz, simulando uma manifestação de culpa, no caso, de Lula, envelhecido no ano de 2020:

- "Desculpe, nós poderíamos ter impedido mudanças climáticas catastróficas... mas não impedimos"

- Incompetente, eu?!!

- O problema é que você é incompetente!

A frase ficou fincada em seu coração por alguns segundos. Minutos, talvez. Ela revoltou-se, pois era uma respeitada profissional, excelente professora, apaixonada pela profissão. Incompetente, para ela, eram aqueles "colegas" acomodados, muitas vezes frustrados, mesquinhos, interesseiros, superficiais, invejosos do carinho que ela recebia dos alunos que, estes sim, a princípio, seriam os únicos que poderiam avaliar sua competência.

A questão é que o mundo acaba sendo gerido justamente pelos incompetentes. Por quê? Veja: nossa competente professora recusa-se a participar de grupinhos ou utilizar métodos, digamos, suspeitos, para, por exemplo, conseguir recursos para seus projetos. São excelentes projetos, bem preparados, justos, justificados, mas... O recurso acaba sendo destinado aos que "jogam o jogo", aos que são, então, competentes para fazer política. Vendem a alma ao diabo para serem considerados competentes.

Para obter poder, para conseguir recursos, há os que aprenderam desde cedo a identificar membros das máfias e aproximar-se deles. Os idealistas, os visionários, os "amantes da arte" são transformados em ingênuos-gênios a serviço da ... Incompetência!

Dois caminhos, sugeri, para sair deste círculo vicioso. Ela não merece frustrar-se e deprimir-se. Ou aprende técnicas de liderança e persuasão e inicia um "trabalho do bem" para influenciar formadores de opinião e grupos cada vez maiores, ou alia-se a quem possui esse talento e compartilha de sua visão de mundo.

Claro que uma terceira via é a compreensão de que a realidade é soberana, mas os idealistas acreditam que podem reverter os caminhos que ela nos apresenta.

Ainda bem que existem idealistas!

domingo, novembro 29, 2009

Impaciência

Olho para todos os lados e quase só vejo pessoas impacientes.

As redes de contatos que se formam são aleatórias. Às vezes estamos frente a frente com alguém e sequer percebemos quem verdadeiramente é aquela pessoa. O que pensa, o que sente, que fantasmas carrega e em que momento está. Alguém numa recepção, ou um frentista no posto de gasolina. Um cliente ou, então, alguém que pensamos contratar para uma pequena reforma ou consertar um televisor.

Cada um com seus problemas, não é?!

Perceber o outro não quer dizer carregá-lo no colo. Muitas vezes, exatamente pelo contrário. Pode ser para... Evitá-lo. Para não confrontá-lo. Para, justamente, compreender que um possível rancor, uma possível explosão ou, ao invés disso, uma súbita demonstração de afeto, pode ser algo que, sim, diga respeito apenas ao outro. É parte da história dele e suas setas -de cupido ou cheias de veneno- dirigem-se ao mundo e, não, a você.

Quanto mais nos fechamos em nossos próprios modelos, mais acabamos nos envolvendo como se tudo que acontece em nossa volta fosse a nós direcionado. Absorvemos, lutamos, reagimos, perdemos considerável energia num processo que não nos diz respeito.

O "outro" tem, sim, seus problemas. Ele deve procurar resolvê-los.

Eu, no meu lado, reconheço isso e não "sofro" como se flechas fossem enviadas em minha direção. Sei que não sou o alvo. Distancio-me o suficiente para, inclusive, colaborar com a solução do problema.

A impaciência, então, parece surgir da falta de compreensão. De si próprio e da realidade dos outros. Da nossa própria dimensão no mundo (insignificante) e daquilo que, no outro, nos incomoda.

Aprendi que se algo em alguém nos incomoda -e nos deixa impacientes-, é porque aquilo faz parte, também, de nossos modelos. São, também, fantasmas de nossa coleção! Podem estar disfarçados, escondidos, com uma roupagem diferente, mas estão em nossa coleção!

Observe o que te impacienta. Pode ser uma boa forma de começar a fazer uma lista de seus fantasmas!

Em tempo: além disso, o "superconsumismo" nos cria uma cachoeira de desejos insaciáveis e nos deixa frustrados e, sim, impacientes... Deixamos de buscar o que verdadeiramente nos completaria e ficamos a esperar o que jamais virá. Parece, então, razoável, refletir sobre o que realmente podemos -e devemos- esperar do mundo, das pessoas, da vida. E agir, planejar, estudar, preparar-se, trabalhar, merecer... (acrescentado em 30/11)

sábado, novembro 28, 2009

Localização

Dubai. Desacelere antecipou!


Em 16 de fevereiro, fiz um comentário sobre uma reportagem do jornal O Estado de São Paulo, sobre a crise econômica mundial e seus efeitos nos Emirados Árabes Unidos. está em http://desacelere.blogspot.com/2009/02/consumo-sustentavel-em-dubai.html .

Os jornais desta semana, sim, em novembro de 2009, escancaram a crise em Dubai. Mostram imagens de edifícios suntuosos e do desequilíbrio nascido justamente no "superconsumismo". Falam de "colapso econômico" da cidade e o desafio dos mercados internacionais.

São mais de 80 bilhões de dólares em um incrível calote. Ontem o jornal O Correio do Brasil publicou que "o impacto sobre o Brasil deverá ser pequeno. Além de as duas economias serem pouco conectadas, os investidores brasileiros ainda não descobriram o mercado islâmico. Ao contrário, as incursões dos bancos brasileiros no Oriente Médio são muito mais para buscar dinheiro do que para investir".

Mas além da preocupação com importantes parceiros do Brasil, resta a reflexão sobre nossos hábitos individuais de consumo. Sobre como educamos nossas crianças e nossa "comunidade" a respeito de como tratar os bens, especialmente aqueles que dependem intrinsicamente de recursos naturais (há algum que não dependa?).

Ouvi uma frase intrigante, de um educador:

- De que adianta nos preocuparmos com o mundo que deixaremos para nossas crianças, se não nos preocupamos com as crianças que deixaremos para nosso mundo?

quarta-feira, novembro 25, 2009

PROJETO DE LEI DO SENADO, Nº 480 de 2007

Autor: SENADOR - Cristovam Buarque
Ementa: Determina a obrigatoriedade de os agentes públicos eleitos matricularem seus filhos e demais dependentes em escolas públicas até 2014.
Data de apresentação: 16/08/2007
Situação atual: Local: 02/09/2009 - Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania
Situação: 17/04/2009 - AGUARDANDO INSTALAÇÃO DA COMISSÃO
Indexação da matéria: Indexação: FIXAÇÃO, OBRIGATORIEDADE, AGENTE PÚBLICO, OCUPANTE, CARGO ELETIVO, EXECUTIVO, LEGISLATIVO, REPÚBLICA FEDERATIVA, ESTADOS, (DF), MUNICÍPIOS, MATRÍCULA, FILHOS, DEPENDENTE, ESCOLA PÚBLICA, EDUCAÇÃO BÁSICA, ENSINO FUNDAMENTAL, ENSINO DE PRIMEIRO GRAU, DEFINIÇÃO, PRAZO MÁXIMO, APLICAÇÃO, NORMAS.

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Está em http://www.senado.gov.br/sf/atividade/Materia/detalhes.asp?p_cod_mate=82166

Parece simples, não é? Quem sabe os governantes não acabam realmente investindo no ensino público?!

domingo, novembro 22, 2009

Casa cheia 3 noites!


Tonus e sua Fantástica Fábrica de Chocolate. Um delicioso espetáculo de Dança! Sucesso total! Três apresentações e a platéia esteve lotada em todas elas. Muita emoção, rostinhos felizes... Muita luz de flashes e a sensação de missão cumprida. No ano que vem tem mais!!


Fila na porta do Teatro Municipal


Platéia feliz!


Nos bastidores, concentração, amizade e muita alegria!

quinta-feira, novembro 19, 2009

Após 3 anos, será criado o Conselho da Cidade de Ilhéus

Com todas as dificuldades, internas e externas, concluímos o Plano Diretor Municipal Participativo de Ilhéus, em 2006. Participei como coordenador e reconheço a fragilidade por apenas determinar prazos para que leis complementares, por exemplo, fossem aprovadas.

Mas, além do orçamento participativo, a Lei 3265/2006 acertou ao definir em seu texto a composição do Conselho da Cidade, um dos mais importantes instrumentos de gestão urbanística previstos e exigidos pelo Estatuto da Cidade, uma Lei Federal de 2001. Foi uma conquista acertar a seguinte formação do ConCidade: seis representantes do Poder Público Municipal (sendo um de cada órgão e entidade a seguir indicados: secretarias de Planejamento, Meio Ambiente, Turismo, Governo, Assistência Social e Agricultura, Pesca e Interior); cinco representantes dos movimentos sociais e populares; dois representantes de entidades das área empresarial; dois representantes de entidades ligadas aos trabalhadores (sindicatos); três representantes de entidades da área profissional, acadêmica e de pesquisa; e dois representantes de organizações não governamentais (Ongs).

Três anos se passaram e, finalmente, na segunda-feira, dia 23 de novembro, serão escolhidas as entidades que receberão a tarefa de representar a população no acompanhamento e nas decisões relacionadas ao Plano Diretor e às políticas públicas decorrentes. Saneamento, habitação, transporte, planejamento territorial são temas que provocarão debates e serão objeto de gestão democrática.

Eu, pessoalmente, acredito e sou admirador do Estatuto da Cidade. Cabe à população fazer valer plenamente seus direitos, com ajuda do Ministério Público, imprensa, organização social. Parabéns aos que facilitaram para que esse dia chegasse.

Desafio gramatical

Este é um teste muito criativo e desafiador, proposto num processo de seleção da American Airlines. Tente descobrir e mate a "charada"! Escreva sua solução em "comentários".

A frase abaixo deve receber duas vírgulas e um ponto para ficar coerente. De que maneira será?

MARIA TOMA BANHO PORQUE SUA MÃE DISSE ELA PEGUE A TOALHA.

Criança é diferente de adulto

Criança é que só come o que gosta. Adulto deve aprender a gostar do que precisa comer.

quarta-feira, novembro 18, 2009

Dois conselhos

Se eu posso dar um conselho para alguém, eu digo:

- Alongue-se.

Se eu posso dar dois conselhos:

- Alongue-se e acalme-se.

segunda-feira, novembro 16, 2009

domingo, novembro 15, 2009

Chico Buarque - Geni e o Zepelim

Fiz um trocadilho (http://desacelere.blogspot.com/2009/11/joga-pedra-na-geisy.html) e, aqui, se justifica. "Joga pedra na Geny!" era o refrão criado por Chico Buarque para uma dama suspeita. Geisy e Geny, algumas coincidências. Jogaram pedras e outras coisas...

sexta-feira, novembro 13, 2009

Simplicidade - Luis Fernando Veríssimo

Mais uma vez, um texto de Veríssimo que, oras bolas, não fui eu que escrevi...

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Sei direitinho o que faz bem e o que faz mal prá minha saúde.
Prazer faz muito bem. Dormir me deixa 0 km.
Ler um bom livro, faz-me sentir novo em folha.
Viajar me deixa tenso antes de embarcar, mas, depois, rejuvenesço uns cinco anos!
Viagens aéreas não me incham as pernas; incham-me o cérebro, volto cheio de idéias!
Brigar, me provoca arritmia cardíaca.
Ver pessoas tendo acessos de estupidez, me embrulha o estômago!


Testemunhar gente jogando lata de cerveja pela janela do carro, me faz perder toda a fé no ser humano...
E telejornais...
Os médicos deveriam proibir...
Como doem!
Caminhar faz bem, namorar faz bem, dançar faz bem, ficar em silêncio quando uma discussão está pegando fogo faz muito bem: você exercita o autocontrole e ainda acorda no outro dia sem se sentir arrependido de nada.
Acordar de manhã, arrependido do que disse ou do que fez ontem à noite, isso sim, é prejudicial à saúde.
E passar o resto do dia sem coragem para pedir desculpas, pior ainda.
Não pedir perdão pelas nossas mancadas, dá câncer, guardar mágoas, ser pessimista, preconceituoso ou falso moralista, não há tomate ou muzzarela que previna!
Ir ao cinema, conseguir um lugar central nas fileiras do fundo, não ter ninguém atrapalhando sua visão, nenhum celular tocando e o filme ser espetacular, uau!
Cinema é melhor prá saúde do que pipoca.
Conversa é melhor do que piada.
Exercício é melhor do que cirurgia.
Humor é melhor do que rancor.
Amigos são melhores do que gente influente.
Economia é melhor do que dívida.
Pergunta é melhor do que dúvida.
Sonhar é o melhor de tudo e muito melhor do que nada

quinta-feira, novembro 12, 2009

10.000 acessos!

Tenho me esforçado bastante! Tem muita gente acompanhando. Participem e desacelerem!

terça-feira, novembro 10, 2009

Gestores de UC ameaçam paralisar atividades na Bahia

Vivi pessoalmente a realidade descrita nesta Carta Aberta. Solidarizo-me com meus ex-colegas da Secretaria Estadual de Meio Ambiente -SEMA (BA)- e, especialmente, com as comunidades e a sociedade como um todo, que deixam de receber os serviços fundamentais desta categoria. O texto é longo, mas merece ser lido por que se interessa por Unidades de Conservação, como as APAs, Parques, Monumentos Naturais, Reservas Particulares...

Para quem quiser conhecer mais sobre este assunto, ou a minha visão sobre ele, veja no "desacelere por assunto", o tema "Unidades de Conservação".

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CARTA ABERTA

A Secretaria de Meio Ambiente do Estado da Bahia – SEMA, criada em dezembro de 2002, entre outras atribuições, é a instituição responsável, pela gestão e manejo das Unidades de Conservação – UCs, no Estado.

Os Especialistas em Meio Ambiente e Recursos Hídricos, são os servidores desta Secretaria, que entre suas atribuições, apresentam a competência profissional para atuar e executar as atividades finalísticas legais elencadas para a gestão de Unidades de Conservação.

Com a falta dos principais instrumentos de gestão, as 41 Unidades de Conservação, distribuídas nos diferentes biomas baianos, estão impossibilitadas de cumprir com seus objetivos e vêm sofrendo cortes continuados inexplicáveis quer sejam de pessoal, infra estrutura e de recursos financeiros.

Com baixíssima execução orçamentária a Superintendência de Biodiversidade, Florestas e Unidades de Conservação ligada a SEMA, não atendeu as metas previstas no seu Plano Operativo Anual com grandes prejuízos às atividades de formação Conselho Gestor, Plano de Manejo, Projeto Sócio-ambiental e Criação de Unidades de Conservação, entre outras.

Os únicos e poucos projetos sócio-ambientais em andamento só se concretizaram devido ao esforço dos gestores destas Unidades de Conservação, que em articulação com o Conselho Gestor e com alguns empreendedores, conseguiram viabilizar tal demanda, mesmo com ausência de incentivo desta Secretaria. Assim, apesar da importância da realização destes projetos na Unidade de Conservação, os quais promovem atividades em prol do meio ambiente e estimula geração de emprego e renda sustentável para a população local, a SEMA não se comprometeu sequer com a divulgação destas atividades, muito menos com recursos financeiros para este fim. O que deveria ser política pública desta Secretaria passou a ser responsabilidade e empenho pessoal exclusivo do gestor de Unidade de Conservação.

Ate 2006 a SEMA contava com 23 Conselhos Gestores formados, com reuniões regulares e apoio previsto em orçamento para manutenção e fortalecimento destes Conselhos. Desde 2007 ate a presente data nenhum conselho foi formado e os conselhos que continuam funcionando (cerca de apenas 40% dos inicialmente existentes) contam com o esforço voluntarioso dos gestores e conselheiros para evitar o verdadeiro colapso na gestão participativa das Unidades de Conservação.

Os planos de manejo, que tem por objetivo promover o disciplinamento de uso e ocupação do solo nestes espaços, não são elaborados nem implementados desde 2007, constituindo-se em incerteza para a implantação de empreendimentos no território baiano, uma vez que são estes planos que orientam o investidor em alocar de forma segura as suas atividades e viabilizar com maior rapidez os processos de licenciamento ambiental.

Em 2008, a SFC perdeu atribuições das atividades florestais desempenhada pela Diretoria de Áreas Florestais - DAF para o Instituto de Meio Ambiente – IMA, além da extinção da Diretoria de Biodiversidade – DBIO; sem agregar nesta reforma administrativa à SFC/DUC seu quadro funcional. Neste contexto, não houve nenhuma reestruturação da DAF o que a transformou em uma Diretoria sem atribuições, guardando, contudo, cargos e postos que atendem majoritariamente as demandas meramente políticas da Superintendência.

Atividades da extinta Diretoria de Biodiversidade, como a proposição de lista de espécies de fauna e flora ameaçadas de extinção para o Estado da Bahia, de estudos para áreas prioritárias para conservação, e inúmeros outros projetos de proteção a biodiversidade, simplesmente foram abandonados por esta Secretaria, que até hoje não tem um destes projetos realizado.

Atribuições que deveriam ser minimamente acompanhado pelo Superintendente, como a aprovação de Normas Técnicas para suas atividades, interlocução na aprovação de Planos de Manejo e de empreendimentos em UC junto ao CEPRAM, bem como à casa civil e outras instituições, somente foram consolidadas quando a construção e a defesa foram assumidas pelos servidores de carreira, um inequívoco descaso da Superintendência ou da Diretoria de Unidades de Conservação e Biodiversidade.

Ressalta-se ainda que durante estes três últimos anos a Superintendência jamais promoveu e/ou participou de uma única reunião técnica com os servidores o que se traduz em falta de diretriz e prioridades fundamentais para execução das políticas publicas desta Superintendência.

A emissão de Anuência Prévia nas Unidades de Conservação de uso sustentável perfazem um total de investimento na ordem de R$ 500 milhões/anos em empreendimentos com base sustentável, apenas no segmento turístico, contudo, estes dados são totalmente desconhecidos/desconsiderados pela SFC. Vale ressaltar que a APA do Litoral Norte, a principal em fluxo turístico do Estado, encontra-se há 90 dias sem gestor nomeado. Esse quadro não é exclusivo desta UC visto que no extremo sul do Estado um único servidor assume 3 UCs e no Baixo Sul, Litoral Norte, Recôncavo e Oeste, a média é de 2 Unidades de Conservação por Especialista, quando o esperado é que as Unidades de Conservação tenham equipes de trabalho.

O Núcleo de Geoprocessamento, responsável pela confecção de mapas que dão suporte aos processos de licenciamento de empreendimentos desta Secretaria, também vem sofrendo consideráveis perdas de capital intelectual. Atualmente encontra-se sem coordenador nomeado e apenas 01 Especialista, 2 REDAS e um estagiário para responder por todas as demandas das 41 Unidades de Conservação, além das demandas especificas da própria Superintendência.

Apesar de todo o esforço da equipe de especialistas na elaboração de procedimentos para as atividades de controle e comando, este fato não se reverteu na celeridade e qualidade esperada para emissão de Anuência Previa nos processos de licenciamento ambiental nas UCS, pois as equipes não foram ampliadas e a substituição de Especialistas em Meio Ambiente por Regime Especial de Direito Administrativo - REDAS na gestão de UC comprometeu ainda mais o desempenho já que os mesmos não foram capacitados para dar respostas a estas demandas com a celeridade esperado pelo setor produtivo. Ademais, muitos dos REDAS contratados, apesar de serem nomeados gestores, se quer estão lotados na área ou próximo da área para qual foi designado, e suas funções foram desviadas para atividades que não as de gerir uma Unidade de Conservação.

Outro fato que nos causa indignação foi a forma com que os REDAs foram contratados na SEMA. Eles não passaram por processo seletivo público, ao contrario das praticas democráticas que ocorrem em outras Secretarias do Estado e mesmo nas autarquias vinculadas à SEMA, caso do Instituto de Meio Ambiente – IMA ou do Instituto de Gestão das Águas e Clima – INGÁ. Este fato tem como conseqüência direta a perda da qualidade no desempenho das funções principalmente na gestão de UCs por se tratar de atividade técnica e não política.

Destaca-se ainda que, na contramão do que vem ocorrendo em outros órgãos do sistema SEMA e de outras secretarias do Estado, os Especialistas vem perdendo espaço no preenchimento de cargos comissionados. A Associação de Especialistas – ASSERF vem sistematicamente reforçando junto a esta Secretaria a importância de que os cargos técnicos sejam ocupados por esta categoria, uma vez estes servidores possuem larga experiência e capacitação no desempenho das funções de suas carreiras. Porem o que se tem verificado é ocupação destes postos por indicação política com total desvio de suas funções.

Esta questão é ainda mais problemática quando ocorre a nomeação de servidores da SFC, em municípios que não possuem nenhuma UC, causando desconforto para os demais Especialistas, que se vêm obrigados a assumir responsabilidade, por mais de uma Unidade de Conservação para não deixá-las ao abandono.

É sabido que o escritório regional de Jequié, município que não possui UC, apresenta 4 REDAs (sendo 2 da Diretoria de Unidades de Conservação), com evidencias claras de desvio de suas funções uma vez que estes atendem demandas político partidária, o que é totalmente inaceitável tendo como norte as premissas deste governo de gestão transparente.

A Associação de Especialistas – ASSERF vem cobrando desta Secretaria a adoção de medidas emergenciais e irrevogáveis de reestruturação da Superintendência, sem contudo obter qualquer retorno por parte dos seus dirigentes.

Esta associação presta apoio incondicional ao Governo Jacques Wagner e por isso cumpre o seu papel de informar a sociedade da situação de fragilidade e inoperância em que se encontra a Gestão das Unidades de Conservação Estaduais no âmbito da Secretaria Estadual de Meio Ambiente – SEMA.

Em face do exposto, os Gestores de Unidades de Conservação e demais técnicos que atuam na gestão destas áreas protegidas, associados a ASSERF, sentem se na obrigação de paralisar as suas atividades e não desempenhar mais a função de gestor de unidades de conservação, caso esta situação não seja revertida.

Em 05 de novembro de 2009
DIRETORIA DA ASSERF

Joga pedra na Geisy!



Nada justifica a agressão. O reitor da Uniban, conservador, intempestivo, ex militante da ARENA -suporte da ditadura-, ex candidato a vice -e amigo pessoal- de Paulo Maluf, pôs os pés pelas mãos... Há erros por toda a parte, nessa história, mas o maior parece ser o dele, um empresário e, não, um educador.

segunda-feira, novembro 09, 2009

De que geração eu sou?!

Li com atenção uma postagem de meu amigo Julio em seu blog Bolinha de Gude (nosso planeta é algo mais do que uma bolinha de gude?). Falava do orgulho que sente por seus pais terem sido contra a ditadura, nos anos 60 e 70, mas via neles uma certa desesperança. Achei interessante aquele rapaz ter pais que provavelmente têm minha idade. Afinal meus filhos têm 10 e 12 anos... Fiz um comentário breve, que transcrevo aqui, a seguir.

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Pude ver, na USP dos anos 70 (!!!), a Libelú. Liberdade e Luta… A luta era por direitos democráticos. Para eleger o reitor da universidade, ou, pois é, o prefeito, o governador… Qual é a luta hoje?

Eu não era um “engajado total” nessa história, pois sentia que a História só seria compreendida quando estivesse nos livros. Ou, quem diria, nos blogs.

E não é que ela está?!

É, o capitalismo, a democracia, têm falhas. Mas, não importa. É a r-e-a-l-i-d-a-d-e. Têm regras. E regras às vezes são seguidas e, graças a Deus, às vezes não são. Cabe a nós, compreendê-las, como ETs, que monitoram essa estranha raça e a estudam.

Turismo e transformação social

Com o fortalecimento do "turismo de massa", alguns destinos sofrem com visitantes "inadequados".


- Eu não sabia que teria que caminhar 40 minutos numa trilha para chegar na praia!

- Cadê as cabanas? Cadê a cerveja gelada? E a piscina?

- O sol tá muito quente... As muriçocas estão me atacando... O carro tá sacudindo muito... Isso são férias?


Itacaré e Bonito são bons exemplos. A CVC, principal e maior operadora turística nacional, despeja dúzias de turistas ali semanalmente. São destinos que estão nas capas das revistas de viagens, bem cotadas nos guias especializados e "na boca do povo" que já esteve lá. O pensamento geral é de que a viagem foi "mal vendida", que aquele visitante nunca deveria estar lá e, sim, numa capital, hospedado num hotel de conforto e satisfazendo sua ânsia por civilização.

Mas, para mim, há outra abordagem.

Após minha apresentação no Seminário Internacional de Turismo, em Curitiba, no sábado passado (07/11), foi aberto um breve debate. Além da minha fala, sobre avaliação socioambiental de pousadas, colegas discorreram sobre turismo de aventura e sobre sustentabilidade no turismo. E uma participante expôs uma situação vivida em sua rotina de trabalho em uma empresa de receptivo em Bonito. Com a exposição na mídia dos atrativos dali, muitos resolveram visitar a região sem saber exatamente o que os esperava. Nos questionários de avaliação, por exemplo, é comum anotarem que as estradas de terra que levam aos passeios deveriam ser... Asfaltadas! Todos, ali, reagiram com o mesmo "paradigma": aqueles visitantes estavam no lugar errado. Não eram ecoturistas. Tentei mostrar o outro lado:


- Acredito no poder transformador do turismo. As pessoas estão desarmadas e sob efeito de uma emoção positiva. Por um lado, é muito fácil atender e convencer pessoas que esperam exatamente o que temos a oferecer. O verdadeiro desafio, por outro lado, é envolver e convencer aquelas arredias à nossa mensagem. Não queremos mais ecoturistas?! Não precisamos de mais e mais pessoas com consciência socioambiental?!

Expressões de espanto e de concordância.

- Sim!

- Então, vamos desenvolver nossa arte e nos preparar para trazer aqueles "não-ecoturistas" para o lado dos ecoturistas. Desenvolver estratégias para mostrar a eles que a "vida pode ser bela" ou "a vida pode ser melhor" se a observarmos do ponto de vista do respeito à Natureza, às diversas culturas, à sua própria saúde. É por isso que penso tanto que a arquitetura da pousada pode ser a primeira experiência socioambiental de um "não-ecoturista". É o que, na literatura, chama-se "experiência ecoturística". Ele vai ver climatizadores que não são ar-condicionado, sistemas de ventilação natural, sistemas de descarga sanitária que utilizam menos água, madeira certificada e outras coisas. Mas, se o guia torce o nariz para aquele que chega reclamando, vai criar uma resistência e ele vai voltar para a cidade mais convicto de que essas coisas de meio ambiente são muito desagradáveis...

Acho que consegui que todos ali sentissem uma nova responsabilidade como atores no mundo do turismo.

sexta-feira, novembro 06, 2009

A voz do povo...

Conversa atrás de mim, durante um vôo. Dois jovens, vinte e poucos anos. Falavam de forma que todos na cabine podiam ouvir.

- Político bom é político morto.
- Fala sério, o Lula até que é bom. Trouxe a copa, as olimpíadas...
- É pra ganhar mais dinheiro, bróder! Com toda a grana que vão gastar...
- Ó, lá, é o rodoanel. Mario Covas.
- Esse é um bom político, tá ligado?
- Ué, você disse que político não presta!...
- Esse é bom porque está morto.
- Ah, acho que vou dar uma carta de alforria pra minha mulher. Vou falar que até que ela é da hora, mas, bróder, minha sogra não dá, não. Uma peste!
- Faz que nem eu. Foi casar, se deu mal.
- 32 graus em São Paulo. Pô, cara, só quero uma piscina. Vamos pro Pinheiros?...

Foi assim, mesmo.

quinta-feira, novembro 05, 2009

Para saber mais sobre o Projeto de Lei 6.424

A votação foi suspensa, na Câmara. O debate continua.

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O Projeto de Lei 6.424, de 2005, em tramitação na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e encaminhado pelo Presidente da Câmara dos Deputados à Comissão de Agricultura constitui um enorme risco para a integridade dos biomas brasileiros.

O atual código florestal Brasileiro estabelece a necessidade de que cada propriedade rural tenha uma área mínima de florestas e outros ecossistemas naturais conservados. Essa área mínima é a soma das áreas de preservação permanente (como topos de montanha, margens dos rios, lagos e outros cursos d’água) e a área chamada Reserva Legal. A função da Reserva Legal é de manter dentro de cada propriedade, uma percentagem mínima de vegetação nativa, que cumpre uma importante função ecológica como habitat para a biodiversidade e fornece diversos serviços ambientais como o estoque de produtos florestais, controle de pragas e incêndios, melhoria da produção de água; na proteção do solo e corpos d’água evitando erosão e assoreamento; e
captação de carbono da atmosfera.

A legislação brasileira estabelece que a área de reserva legal deva ser de 80% na Amazônia Legal, 35% na região de cerrado que esteja nos estados da Amazônia Legal e 20% nas demais regiões do país.

A grande maioria das propriedades rurais brasileiras não possui as áreas de preservação permanente (APPs) e de reserva legal (RL), conforme determina o código florestal. O PL 6424 é uma tentativa de estimular os proprietários rurais a regularizarem sua situação perante o código florestal. A legislação brasileira atual já prevê, em alguns casos específicos, mecanismos de compensação, onde o proprietário compensa o dano ambiental causado em sua propriedade por meio de aquisição direta de uma área com vegetação nativa em região próxima à sua propriedade ou através de cotas de reserva florestal.

O PL 6424 aumenta de forma inconseqüente e sem o devido embasamento técnico-cientifico as formas de compensação, permitindo novos mecanismos que terão um impacto significativo na biodiversidade e conservação das florestas brasileiras e no ordenamento territorial da paisagem rural brasileira.

As ONGs abaixo assinadas indicam os seguintes pontos do PL 6424/2005 consistem em ameaças a conservação das florestas:

1. A possibilidade de recuperação de 30% da Reserva Legal na Amazônia com espécies exóticas, incluindo palmáceas.
Na prática, esse dispositivo significa a redução da Reserva Legal na Amazônia para 50%, pois o uso de espécies exóticas reduz as funções ecossistêmicas das florestas nas propriedades privadas.

2. A Possibilidade de compensação de reserva legal em outra bacia, no mesmo estado e bioma.
Este dispositivo estabelece a possibilidade de manter bacias hidrográficas sem áreas de floresta, com impactos ecológicos significativos, desestimulando a recuperação de áreas degradadas e a conseqüente recuperação de sua função de fornecedora de serviços ambientais tais como a produção de água e chuva para outros estados brasileiros.

3. A Possibilidade de cômputo da Área de Preservação Permanente no percentual de Reserva Legal.
Em algumas regiões do País isso pode significar que a Reserva Legal deixa de existir, pressupondo equivocadamente que a função ecológica e econômica da Reserva Legal possa ser cumprida pelas áreas de preservação permanente, onde o seu manejo é mais restritivo.

4. A Compensação da Reserva Legal mediante doação de área para regularização fundiária de terras de comunidades tradicionais ou a recuperação ambiental de áreas degradadas no mesmo estado em territórios de povos e populações tradicionais, assentamentos rurais ou em florestas públicas destinadas a comunidades locais.
Trata-se da transferência de ônus da regularização da reserva legal de propriedades privadas para comunidades tradicionais, restringindo a possibilidade dessa comunidade em decidir sobre o uso do seu território. A compensação obrigará a comunidade a manter essa área sob o mesmo regime da Reserva Legal. Trata-se de uma transferência de responsabilidade do poder público a terceiros. No caso da recuperação cria um ônus pela responsabilidade de manutenção das áreas a serem recuperadas.

5. A falta de vinculação da concessão de crédito à regularização ambiental das propriedades rurais.
Com isso, mantém-se a possibilidade de acesso ao crédito rural pelas propriedades que desmataram áreas acima do permitido pelo código florestal brasileiro.

6. Falta de incentivos econômicos para recuperação e manutenção da Reserva Legal.
Perde-se a oportunidade de propor mecanismos econômicos para viabilizar um modelo de desenvolvimento econômico baseado na floresta em pé, explorando os seus produtos e serviços de forma sustentável, Além disso, tendo em vista a rapidez com que vêm se dando as negociações em torno da proposta, houve pouca participação de representantes de organizações da sociedade civil, em especial das instituições que atuam em outros biomas igualmente importantes, como caatinga e cerrado, e do envolvimento da opinião pública brasileira. É fundamental que as conseqüências das propostas para estes biomas sejam devidamente analisadas e as mudanças avalizadas pela sociedade. Propostas de alteração do código floresta devem estar baseadas em critérios objetivos, evitando-se um elevado grau de subjetividade a ser definido por regulamentações posteriores e a transferência da responsabilidade para os estados cuja estrutura de gestão ambiental precária ou inexistente. Aprimorar o Código Florestal, na lógica de otimizar o uso de áreas desmatadas e impedir novos desmatamentos é uma perspectiva positiva do ponto de vista socioambiental. Para tanto, é fundamental que as mudanças consolidem um entendimento comum de valorização da floresta e que estejam de acordo com as expectativas da opinião pública brasileira.

As entidades ambientalistas reconhecem que é indispensável para o país promover o desenvolvimento econômico e a geração de empregos. Combinar esses fatores à conservação dos recursos naturais, garantindo a integridade dos ecossistemas é fundamental para a um desenvolvimento sustentável a longo prazo.

Entretanto, a crise climática global e o papel dos desmatamentos na emissão de gases do efeito estufa exigem uma postura enérgica de controle dos desmatamentos e manutenção dos ativos florestais existentes no País. A proposta tal como apresentada, ao contrário, contribui para a redução da cobertura florestal em um momento em que surgem os primeiros sinais de um aumento nos índices de desmatamento ao longo da fronteira agrícola brasileira.

É fundamental que a proposta como um todo seja revista de forma cuidadosa, com um amplo debate envolvendo a sociedade brasileira.

Greenpeace
Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN)
Fundação CEBRAC
WWF - Brasil
Instituto Socioambiental (ISA)
Instituto Centro de Vida (ICV)
Conservação Internacional (CI)
Amigos da Terra – Amazônia Brasileira
Rede Cerrado de ONGs
Instituto de Estudos Sócio-econômicos (INESC)
Centro dos Trabalhadores da Amazônia (CTA)
Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (MAFLORA)
Associação de Preservação do Meio Ambiente do Alto Vale do Itajaí -
APREMAVI

terça-feira, novembro 03, 2009

Votação importante na Câmara nesta quarta-feira

A sessão da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (4 de novembro), às 10h em Brasília, pode entrar para a história como um marco no retrocesso e no caminho contrário aos esforços de proteção ambiental. A Comissão votará o projeto de Lei 6424, de 2005, de relatoria do deputado Marcos Montes (DEM-MG), com os apensos PL 6.840/2006 e PL 1.207/2007. As propostas alteram o Código Florestal (Lei 4771 de 1965), permitindo flexibilidades perigosas como a recuperação de Reservas Legais com espécies exóticas, anistia para os desmatamentos realizados antes de julho de 2006 (sem obrigatoriedade de recuperação) e definição das Áreas de Preservação Permanentes (APPs) pelos poderes locais.

O Código Florestal brasileiro é um exemplo de lei moderna e no momento em que o mundo todo discute a redução das emissões de carbono e estratégias internacionais de proteção e mitigação, o Brasil – que poderia ser um exemplo positivo – coloca em risco uma parte ainda maior das nossas riquezas naturais”, alerta Mario Mantovani, diretor de mobilização da Fundação SOS Mata Atlântica. “O povo brasileiro tem que garantir a proteção deste patrimônio que é seu. Este projeto de lei vinha sendo discutido e acordado democraticamente (com a participação de setores mais avançados do agronegócio, ambientalistas, empresas, etc), mas foi modificado à surdina, encaminhado num golpe de segmentos atrasados da CNA (Confederação Nacional de Agricultura) através dos deputados da bancada ruralista na última semana. O relator anterior, deputado Jorge Khoury (DEM-BA), foi destituído e este novo projeto surgiu, colocando em ameaça as políticas públicas no País. Não podemos permitir tamanho absurdo”.

A sessão da Comissão é aberta ao público e qualquer pessoa pode acompanhar, no plenário 2, do Prédio das Comissões da Câmara dos Deputados. Além disso, os eleitores podem exigir esta postura dos deputados que elegeram, lembrando-os que interesses eles representam. Os integrantes da Comissão que vota amanhã o Projeto de Lei que ameaça o futuro ambiental brasileiro são:

Roberto Rocha (presidente – PSDB/MA), Marcos Montes (1º vice-presidente e relator do Projeto de Lei, DEM/MG), Jurandy Loureiro (2º vice-presidente, PSC/ES), Leonardo Monteiro (3º vice-presidente, PT/MG), André de Paula (DEM/PE), Antonio Carlos Mendes Thame (PSDB/SP), Antônio Roberto (PV/MG), Edson Duarte (PV/BA), Gervásio Silva (PSDB/SC), Givaldo Carimbão (PSB/AL), Jorge Khoury (DEM/BA), Marina Maggessi (PPS/RJ), Mário de Oliveira (PSC/MG), Paulo Piau (PMDB/MG), Rebecca Garcia (PP/AM), Rodovalho (DEM/DF), Sarney Filho (PV/MA) e Zé Geraldo (PT/PA). Os suplentes são: Aline Corrêa (PP/SP), Antonio Feijão (PTC/AP), Arnaldo Jardim (PPS/SP), Cezar Silvestri (PPS/PR), Fernando Gabeira (PV/RJ), Fernando Marroni (PT/RS), Germano Bonow (DEM/RS), Homero Pereira (PR/MT), Luiz Carreira (DEM/BA), Miro Teixeira (PDT/RJ), Moacir Micheletto (PMDB/PR), Moreira Mendes (PPS/RO), Nilson Pinto (PSDB/PA), Paulo Roberto Pereira (PTB/RS), Paulo Teixeira (PT/SP), Valdir Colatto (PMDB/SC), Wandenkolk Gonçalves (PSDB/PA) e Zezéu Ribeiro (PT/BA).

quinta-feira, outubro 29, 2009

Cultura de verdade em Ilhéus

Selo PROCEL é diferencial para IPI reduzido

Veja que interessante. Não deixa de ser um fato notável para quem pensa que todos podem fazer um pouco pela preservação dos recursos naturais.

O IPI estava reduzido para a linha branca -geladeiras, micro-ondas, freezers, fogões, tanquinhos- e a previsão era de voltar às alíquotas anteriores. A questão, antes, era a crise mundial e esperava-se um estímulo à produção e consumo.

Para não desacelerar (!) demais -e repentinamente- o consumo, a opção parece inteligente. Sim, a redução é mantida, mas apenas para aqueles equipamentos que incluem em seu sistema de produção e de operação tecnologia que permite a economia de energia. Eficiência energética. Aquele selo, colado nas geladeira nas lojas, indicam o quanto ela gasta de energia, se ela é econômica recebe classificação A. Para estas, o estímulo fiscal é mantido, por enquanto.


85% dos produtos já possuem este selo e há movimentação para que este número aumente, inclusive, agora, com esta medida e a visibilidade que o debate permite. Vamos esperar para ver o resultado!

quarta-feira, outubro 28, 2009

Bicicletas, ciclovias, cidades, cidadãos (1)

Artigo a ser publicado na edição 2 do Jornal Mileto

Em pesquisa realizada pela BBC de Londres, a bicicleta foi considerada a melhor invenção dos últimos 200 anos. Ficou à frente do computador e da Internet.

Em uma das páginas do famoso Atlanticus Codex, de Leonardo da Vinci, há relatos de um projeto de um aparato semelhante a uma bicicleta, com transmissão por corrente e roda dentada, de 1490. O Barão Von Drais inventou, em 1817, uma máquina para ajudá-lo a locomover-se através dos jardins reais. Toda de madeira, apresentava duas rodas em linha e o impulso era gerado pelos pés no chão. Apenas em 1870 surgiu a primeira máquina em metal, a High Weel Bicycle (bicicleta de roda alta, veja na ilustração), com pedais presos à roda frontal e pneus de borracha maciça. Foi a primeira a ser chamada de “bicicleta”. No período pós-guerra, nos anos que se seguiram a 1945, a bicicleta, bastante semelhante àquela que hoje conhecemos, popularizou-se em todo o mundo, que observava a reconstrução física e econômica dos países recém saídos do conflito. Foi neste contexto que as bicicletas chegaram ao Brasil e os operários das indústrias paulistas as utilizaram para seus deslocamentos. Em 1948 duas indústrias estabeleceram-se no Brasil, a Caloi e a Monark. Apesar do grande crescimento deste mercado, já na década de 1950 as bicicletas perderam espaço. Foram anos de mudanças de hábitos: eletrodomésticos, televisão e... Automóveis com gasolina barata e abundante.


Com isso, o Brasil perdeu outra oportunidade de consolidar uma cultura envolvendo mobilidade de seus cidadãos que poderia ser responsável por reflexos altamente positivos na qualidade de vida nas cidades nos dias atuais. Sim, a outra teria sido a incorporação prioritária do transporte ferroviário para carga e passageiros...
Apesar dos inúmeros exemplos, em todo o mundo, de políticas de sucesso envolvendo bicicletas, cidades e cidadãos, no Brasil ela é praticamente considerada, ainda, um brinquedo. Poucos levam a sério a idéia de usar bicicletas como meio de transporte regular. Washington Luis governou “abrindo estradas” e, assim, na encruzilhada da história, definiu o destino de milhões de pessoas. A partir daquela política, na década de 1920, o automóvel foi se transformando em ícone de status, ascensão social, sedução e falsa auto-estima do brasileiro.

As cidades cresceram expulsando o cidadão e cultuando o automóvel. Grandes estacionamentos em lugar de parques arborizados. Sistemas de transporte coletivo precários ao invés de total e eficiente conexão entre trens e ônibus. Redes viárias complexas, longas, com cruzamentos excessivos, vias estreitas, passeios espremidos e invadidos, quando poderia ter havido profundo planejamento de trajetos, distribuição espacial, riscos... As cidades perderam-se no tempo e apenas cirurgias delicadas poderão iniciar o processo de reabilitação.

(continua...)

terça-feira, outubro 27, 2009

Crianças, objetivos e metas

Lembro-me bem de ter lido com atenção uma pesquisa que buscava identificar o que levava uma criança -ou um jovem- a ter bom desempenho na escola. Nos EUA e na Europa. Acreditava-se que o diferencial estivesse na inteligência, ou no QI. O resultado caminhou num sentido diferente e inesperado.

Mesmo jovens inteligentes tiravam notas baixas sucessivamente. Alguns, até, perdiam o ano. Afinal, por que motivos um jovem de inteligência mediana -ou inferior- apresentava notas superiores? A resposta é simples: visão de longo prazo. Um objetivo.

- O que é objetivo?

As mãozinhas apareceram, chamando por espaço para falar. Eram crianças de 10 anos e estavam ali para que eu conversasse com elas sobre saúde, atividades físicas, alimentação... Contei a história da pesquisa. E fiz a pergunta. Será que eles têm objetivos?


- Aquilo que a gente tem que fazer!

- Aquilo que a gente vai fazer!

Estavam próximos, mas eu queria despertá-los para o "desejo" de ser algo, de realizar algo, de proporcionar algo a alguém. Resumi.

- É aquilo que a gente quer conquistar.

Perguntei, então, se eles conheciam alguém que não tivesse nenhum objetivo. Nenhuma preocupação com o futuro, que não estivesse "nem aí" para o que vai acontecer. Tanto na turma da manhã quanto na da tarde, a resposta foi rápida: os mendigos. Eu insisti e perguntei se algum outro tipo de pessoas demonstra que o futuro não preocupa, que tanto faz o que fizer hoje, que tudo já está garantido. Respostas também rápidas: os ricos. Era onde eu queria chegar. Precisamos criar horizontes a perseguir, sonhos reais.

- O que você quer ser quando crescer?


Jogador de futebol, professora, médico... Sim, eles demonstraram interesse pela vida. Objetivos em curto prazo, como tirar uma nota boa na prova de português, ou passar de anos direto, são de fácil compreensão. Ir à casa da avó, passear com os pais, conhecer um lugar novo, seriam objetivos para as férias. Mas lembrei que é muito útil pensar que objetivos também existem em prazos mais longos e esta era a diferença dos que iam bem na escola. Se a imagem que o jovem tem é a de que "tudo está garantido", por que estudar? E eu queria acrescentar a esta lista uma meta necessária: querer ser um adulto sadio. Falei da importância de apreender a gostar de fazer esportes, atividades físicas, de se alimentar de forma a não "machucar" o corpo por dentro.

Sim, eles querem ser adultos sadios e sabem como alcançar isso. Saíram com alguns estímulos a mais e algumas notas melhores nas provas que estão chegando. Vamos ver!