sábado, janeiro 30, 2010

Contraste

Recebi algumas imagens do metrô de Estocolmo, na Suécia.

São impressionantes, pela aventura do contraste, uma verdadeira volta às origens. Às cavernas.

Poucas coisas representam tão bem a modernidade como o Metrô. E muito poucas coisas representam com perfeição o antigo como as cavernas ("homem das cavernas"...).

Estocolmo escavou rochas e as deixou aparentes, rústicas. Pintou, tratou e envolveu os usuários com várias atmosferas...





A pedidos, mais imagens:







Adrian Rogers, 1931 (!!)

"É impossível levar o pobre à prosperidade através de legislações que punem os ricos pela prosperidade.

Por cada pessoa que recebe sem trabalhar, outra pessoa deve trabalhar sem receber.

O governo não pode dar para alguém aquilo que não tira de outro alguém.

Quando metade da população entende a idéia de que não precisa trabalhar, pois a outra metade da população irá sustentá-la, e quando esta outra metade entende que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira metade, então chegamos ao começo do fim de uma nação".


Sim, escrito em 1931...

Importância das Zonas Úmidas

quinta-feira, janeiro 28, 2010

Desacelere repercute

Meu colega Marlon Beisiegel, pai da Nivea, fez um profundo comentário sobre o texto "Andar com Fé" (http://desacelere.blogspot.com/2010/01/andar-com-fe.html):

"A cada dia percebo a dinâmica social cada vez mais tecnológica e as relações humanas menos intensas e sinceras. Acredito que isso acaba acontecendo pela falta de percepção ou evolução pessoal que acaba interferindo na de um grupo, devido a alienação pela dinâmica tecnológica da conquista de material, de posse, etc; mas neste momento posso respirar aliviado e compreender que devo mudar o meu pensamento e passar para o próximo movimento, andar com fé."

terça-feira, janeiro 26, 2010

Não reeleja ninguém!

Há 2065 anos...


"O orçamento nacional deve ser equilibrado. As dívidas públicas devem ser reduzidas, a arrogância das autoridades deve ser controlada e moderada. O pagamento a governos deve ser reduzido, se a Nação não quiser ir à falência. As pessoas devem aprender, novamente, a trabalhar, em vez de viver por conta pública."

Marcus Tulius, Roma, 55 a.C.

sábado, janeiro 23, 2010

Música de qualidade no Municipal

Guilherme Vergueiro tocou no Teatro Municipal de Ilhéus. Um repertório escolhido a dedo. Cartola, Garoto e outros compositores populares retornaram à vida em seu piano e sua voz. Um concerto imperdível.



Se contássemos 30 pessoas na plateia, seria muito. Um retrato do que a falta de exemplo em casa provoca na sociedade. Cultura, assim como pizza, passa a ser de consumo rápido e fácil. Paladares destreinados exigem menos e satisfazem-se com qualquer sabor.

Lá fora, misturando-se aos acordes do piano de cauda, ouvia-se o som metálico, a batida simplista e o burburinho de uma multidão acotovelando-se na praça para ouvir...

Ouvir o quê, mesmo?!

Marcelo Pfeifer, tocando Yesterday. By the Beatles

Marcelo Pfeifer, tocando Help! dos Beatles!

sexta-feira, janeiro 22, 2010

ENSAIO SOBRE O TRABALHO (1)

O trabalho enobrece. É verdade? Acabo de ler um trecho do livro de Luc Ferry, “A Nova Ordem Ecológica”. Ferry foi ministro da educação da França e é um premiado filósofo e autor de mais de 15 livros. Ele falava da “civilização” e de como alguns povos ficaram à margem, na periferia da cultura europeia. A Norte e a Sul. Sua teoria é de que a Terra teria sido povoada pela influência da guerra, das disputas. E justifica, com a pergunta: “Por que razão seres humanos teriam resolvido se estabelecer nas áreas hostis do Grande Norte?”. São regiões tão hostis, que os habitantes vivem em casas de gelo e comem carne crua de animais que caçam. Ele utiliza este raciocínio para combater, também, o conceito de racismo, pois teria sido a natureza, e não a raça, a levar o homem à marginalidade. Por que isto pode ser importante e o que tem a ver com trabalho? Veja como ele segue o pensamento. Vale a leitura. Ele fala de nós.



“No Sul, a situação, mais favorável na aparência, é pior na verdade. Por um motivo simétrico, porém inverso: o índio vive em condições naturais tão generosas que não há nenhuma necessidade de enveredar por essa aventura estranha e desenraizante que é a cultura. O clima lhe permite não se vestir, os frutos do mar e da terra o autorizam a se poupar do trabalho da criação ou da agricultura.”

O objetivo desta sequência de informações era chegar ao direito que teriam os animais, pois, por não possuírem uma cultura –não se estuda a história dos cavalos...-, se justificaria estarem à disposição dos humanos. Ele queria mostrar que ter ou não uma cultura, ou se a cultura é rica ou pobre, não é justificativa para depreciar uma espécie, no caso, todos os animais, que sofrem em mãos dos humanos. Ao invés de racismo, seria, segundo ele, um “especismo”.

Mas, voltemos à teoria sobre o trabalho. É uma necessidade proporcional à expectativa e ao que lhe é, naturalmente, oferecido. Se lhe trouxessem agasalho no frio, abanos no calor, bebidas na sede e alimento, na fome, você trabalharia? Lembro de “Admirável Mundo Novo”. Uma ficção (?) em que seres humanos eram fabricados em laboratório e não existiam famílias. Todos sabiam muito bem sua função na estrutura social, e não pretendiam ascender. Como? Simples. No processo de desenvolvimento dos fetos, oxigênio era suprido na proporção suficiente para limitar ou expandir capacidades cognitivas, intelectuais. Pouco oxigênio, operários. Muito oxigênio, gênios. Todos eram orgulhosos, por determinação de seus líderes, de seu degrau social.

Vejo, então, um rapaz esguio, provavelmente muito pobre, empurrando um pequeno carrinho de sorvetes, esses sorvetes feitos com água suspeita. É este trabalho que lhe coube em nossa sociedade. Claro que ele não gosta de vender sorvetes. Claro que ele só faz isso porque não lhe passou pela cabeça outra maneira “eficiente” e digna de ganhar dinheiro e, assim, alimentar-se e consumir. Em nossa sociedade há a possibilidade de ascensão social. Este é o objetivo, então, do trabalho. É, sim, uma necessidade. Temos que nos acostumar com ela e fazer com que possa ser minimamente prazerosa.

Ao contrário de meus colegas na época pré-universitária, hoje é muito mais comum encontrar jovens cujo objetivo “profissional” é prestar concurso para um órgão público qualquer e esbaldar-se à sombra de suas garantias. Sim, pode ser uma noção de realidade superior.

- Já que temos que trabalhar, que seja um ofício que ofereça bom salário e garantias.

Um figurão de um órgão qualquer, burocrático e cuja função implique em baixíssima criatividade, trabalha feliz? Vive feliz? Tem um emprego, uma família, imóveis, frequenta clubes... Mas é feliz? Sim, não nego, pode ser feliz. Se criatividade não for seu talento. Se liberdade não for sua ferida. Isso faria um artista, ou um professor, mais felizes? Depende do quanto seus talentos são desenvolvidos e aproveitados. Depende do quanto eles sentem-se livres para escolher rumos.

Há pouco tempo uma pesquisa desmascarou de vez a felicidade como algo proporcional à posse de bens materiais. Garantido um mínimo de renda e posses, aquele nível em que a dignidade esteja garantida, nada indicou que, daquele ponto em diante, a felicidade seria aumentada. Ou seja, vale a pena comprometer talento e criatividade em nome da “estabilidade” e recursos materiais?

Ferry também cita o argumento de alguns autores de que seria, justamente, a liberdade de decisão que nos diferenciaria em relação aos animais. Podemos decidir não comer, mesmo famintos. Podemos decidir matar um touro, mesmo que não faça o menor sentido na relação de nossas espécies. Para ele esta liberdade é uma característica da espécie humana, mas não nos habilita a sermos os donos do planeta.



Por outro lado, ainda, o pescador da aldeia sente-se feliz ao suprir demais moradores com o fruto de seu trabalho. É recompensado com sapatos de couro, utensílios para sua moradia e outros alimentos importantes. Seus vizinhos, na aldeia, também realizam-se por sentirem-se úteis. A discórdia, atritos, desgastes, apenas aparecem quando alguém dali resolve não contribuir em proporções satisfatórias com a “coletividade”. Estes, encostam-se e usufruem sem esforço. Ou são expulsos ou acabam sendo referência para outros e, então, responsáveis pela decadência da aldeia.

Nossa “grande aldeia” precisa, então, de membros que, por seu talento e usufruto de sua liberdade, sirvam à coletividade e sejam recompensados por isso. E, não, daqueles que escondem seus talentos e pensam ganhar a felicidade como “os povos do sul”: caindo do céu!

quarta-feira, janeiro 20, 2010

Andar com fé

Acreditar é sempre um início. Tenho falado aqui do poder do pensamento, da palavra, do subconsciente... Ora, isso é uma visão de fé!

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Andar com fé
é saber que cada dia é um recomeço,
é ter certeza que os milagres acontecem
e que os sonhos podem se realizar.

Andar com fé
é saber que temos asas invisíveis,
é fazer pedidos a estrelas cadentes
e abrir as mãos para o céu.

Andar com fé é olhar sem temor
as portas do desconhecido,
ter a inocência dos olhos da criança,
a lealdade do cão,
a beleza da mão estendida
para dar e receber.

Andar com fé
é usar a força e a coragem
que habitam dentro de nós
quando tudo parece acabado.



Andar com fé
é saber que temos tudo a nosso favor,
é compartilhar as bênçãos multiplicadas,
é saber que sempre seremos surpreendidos
com presentes do Universo,
é a certeza de que o melhor sempre acontece
e que tudo aquilo que almejamos
está totalmente ao nosso alcance.

Basta só Andar com Fé !

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Autor desconhecido

sexta-feira, janeiro 15, 2010

Raízes profundas, árvore resistente

Recebi há alguns dias um texto que falava de um médico. Ele, além de atender seus pacientes, cuidava de uma pequena, porém frondosa, floresta. Ele pessoalmente cuidava de levar água a cada uma das árvores. Certo dia alguém lhe perguntou:

- Se a água é abundante em sua propriedade, qual é a razão de não molhar bastante o solo onde estão estas árvores?

Ele explicou, com sabedoria, que quando molhava em excesso a base das plantas, a princípio elas agradeciam, crescendo e mostrando um grande número de brotos verdes sobre seus galhos. Mas o problema viria pouco mais tarde. As raízes, cuja principal função é enfiar-se no solo à busca de água, resultavam superficiais. Elas "aprendiam" que sem esforço teriam toda a água que precisavam. Resultado: árvores instáveis, sem estrutura e vulneráveis à ação do vento. Muitas caíram, outras quebraram.



Por outro lado, caso conseguisse a dosagem correta de água, aquela que deixava as raízes, ainda, com sede, forçava-as a buscar hidratação complementar nas profundezas do solo. Com isso, nenhuma sofreu abalos significativos. Todas cresceram sadias e fortes.

Com as pessoas, acontece fenômeno semelhante. Pais que passaram por dificuldades quando crianças procuram prover seus filhos de todo o conforto e afastam-nos, artificialmente, das dificuldades. Com esta atitude, criam "raízes razas", ou uma base frágil. Não se trata de fabricar ou criar problemas para "fortalecer" os jovens, mas, sim, deixar que enfrentem, por si próprios, as inevitáveis dificuldades da vida. E, com isso, criar referências para continuar enfrentando -e resolvendo- problemas pela vida.



Ou você não se sente mais forte ao lembrar de fases difíceis da sua vida e de como as viveu, enfrentou e criou soluções? Como você ajuda seus filhos ou as pessoas à sua volta a aprofundarem suas raízes?

quarta-feira, janeiro 13, 2010

Ana Carolina

Ouça e reflita. Profundo e intrigante. Reserve alguns minutos e curta...

terça-feira, janeiro 12, 2010

Mude sua vírgula

A ABI (Associação Brasileira de Imprensa) fez um texto interessante para comemorar seus 100 anos.

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Vírgula pode ser uma pausa... ou não.
Não, espere.
Não espere.

Ela pode sumir com seu dinheiro.
23,4.
2,34.

Pode ser autoritária.
Aceito, obrigado.
Aceito obrigado.

Pode criar heróis.
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.

E vilões.
Esse, juiz, é corrupto.
Esse juiz é corrupto.

Ela pode ser a solução.
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.

A vírgula muda uma opinião.
Não queremos saber.
Não, queremos saber.

Uma vírgula muda tudo.

ABI: 100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação.

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Detalhes Adicionais

SE O HOMEM SOUBESSE O VALOR QUE TEM A MULHER ANDARIA DE QUATRO À SUA PROCURA.

Se você for mulher, certamente colocou a vírgula depois de MULHER.
Se você for homem, colocou a vírgula depois de TEM.

sábado, janeiro 09, 2010

Angra dos Reis: MP sai na frente

"Há fortes indícios de omissão por parte das autoridades públicas na remoção da ocupação ilegal das encostas e na fiscalização das áreas de proteção."

São palavras do promotor do Ministério Público, Bruno Lavorato, do Rio de Janeiro. Ele investigará as responsabilidades dos agentes públicos nos deslizamentos ocorridos na Enseada do Bananal, na Ilha Grande e no Morro da Carioca, em Angra dos Reis, que provocaram a morte de 52 pessoas.

Houve, em 2002 (!!) um Termo de Ajustamento de Conduta firmado entre autoridades municipais, estaduais e federais, para implementar um plano de ocupação do solo da Ilha Grande e adotar medidas relacionadas ao saneamento e a gestão de resíduos sólidos. O promotor informou que o MP entrou com inúmeras ações para o cumprimento do termo. Não obteve resultado, pois "os processos são demorados"... Em 2004, o MP criou um grupo de trabalho para analisar as condições de habitabilidade na Área de Proteção Ambiental Tamoios, que inclui a Ilha Grande.

Agora, apenas depois de uma tragédia, a Prefeitura de Angra dos Reis anunciou que não vai mais permitir construções na Enseada do Bananal e que os imóveis construídos irregularmente na região serão demolidos após a conclusão do estudo realizado geológico e geotécnico realizado pela Geo Rio, que deverá ficar pronto em seis meses.

Planos Diretores Municipais deveriam conter, obrigatoriamente, programas de levantamento geológico e geotécnico, como prevenção. Sem dúvida, o custo direto e indireto* de eventos como o de Angra dos Reis supera, em muito, aquele referente aos estudos necessários para proteger a população e programas tanto para evitar invasões ou construções "ingenuamente" localizadas em áreas de risco como para realocar populações que já estejam naquelas áreas.

*Perdas materiais, como construções, equipamentos, infraestrutura urbana; reflexos na economia local e regional, com perda de renda e empregos, redução da produtividade, diminuição da visitação...

Leia mais em http://desacelere.blogspot.com/2010/01/ilha-grande-app-e-responsabilidades.html

terça-feira, janeiro 05, 2010

Gota D'Água


Faço aqui minha homenagem à emocionante performance de minha amiga "Joana" no espetáculo "O Musical dos Musicais" apresentado no auditório da UESC dezembro passado.


Com um texto apurado, retirado da peça de mesmo nome e a música de Chico Buarque, merecia, mesmo, um cuidado especial.




Os demais que me perdoem, mas este, sim, foi o ponto alto da apresentação. Uma doce mistura de voz afinada, linguagem corporal e muita, muita emoção...

Pode ser a gota d'água!...

Ilha Grande, APP e responsabilidades

Logo após o deslizamento de milhares de toneladas de terra sobre casas e uma pousada na Ilha Grande tive o impulso de comentar aqui o fato de que tais edificações estavam em área de proteção permanente e nunca deveriam ter sido ali construídas. Eu sei que é uma APA -que deve ter um zoneamento ecológico-econômico-, mas, mesmo que não fosse, há uma Lei Federal que deixa claro que não se deve intervir em restingas (praias), margens de rios, encostas...

O governador Sergio Cabral apressou-se em acusar as invasões dos morros -no continente- e que, "na Ilha Grande a situação é diferente". Eu estranhei.

Desde o início desta tragédia me senti bastante envolvido. A Baía da Ilha Grande é minha velha conhecida. Conheço cada uma das enseadas, por ali ter velejado e mergulhado muito, durante vários anos. Trabalho com consultoria a pousadas parecidas com a Sankay. Bem planejada, construída com carinho, um empreendimento familiar. Conheço os perigos de deslizamentos de encostas, assunto sempre presente nos debates em oficinas e audiências de planos diretores e projetos para orlas. Sei das restrições à ocupação de áreas protegidas e o quanto nossa sociedade perde com isso.

Mas, agora, veio à tona a realidade. O próprio governador assinou uma lei estadual -que jamais deveria se sobrepor à Lei Federal (Código Florestal)- simplesmente autorizando a ocupação na APP (área de preservação permanente) dentro da APA. A APA é estadual, mas há uma lei superior que trata desta questão e, agora, Ministério Público, IBAMA, ONGs deverão aprofundar e tomar as providências.


O deslizamento não aconteceu devido à ocupação da restinga, mas, claro, um ambiente natural havia sido invadido indevidamente e -quem não sabe?- a natureza é imprevisível. Claro que o invasor não é o culpado. Poder público existe para isso. Regulamentar, orientar e fiscalizar.

O Estatuto da Cidade, outra Lei Federal, determina como devem ser os Planos Diretores Municipais. Municípios com mais de 20 mil habitantes ou municípios turísticos são obrigados a elaborar sua lei municipal nos moldes deste estatuto. É fundamental ser participativo e, dentre outras exigências, deve criar o Conselho da Cidade, um órgão que reúne entidades públicas e da sociedade civil e deve gerir o próprio Plano Diretor. Onde está o PD de Angra dos Reis? O que diz o Conselho da Cidade?

O SNUC -Sistema Nacional de Unidades de Conservação- é outra Lei Federal. Esta, trata das áreas protegidas e diz que o Conselho Gestor de uma Unidade de Conservação -no caso, uma APA- deve ser consultado para concessão de Licença de Construção ou alteração -criação- de seu zoneamento. Onde está este Conselho?

O poder público deve fazer acontecer o que dizem as leis.

Além das mortes e do prejuízo direto, a imagem da Ilha Grande e do turismo de natureza no Brasil, dos quais tantas pessoas dependem, ficou absurdamente prejudicada.

Quem foi "beneficiado" com aquela lei transversal? Mais de mil assinaturas demonstraram que havia oposição a ela, na época. A lei vale para poucos ou para todos?

segunda-feira, janeiro 04, 2010

Beatles e a história de uma época


Acabo de ler um magnífico livro de 700 páginas.

Can't Buy me Love descreve como o mundo viveu os anos 60 do século XX. A partir da trajetória dos Beatles, analisa com intensidade o momento político-cultural desde o pós-guerra até o declínio da contracultura.

Mostra como aqueles quatro simplórios liverpudlianos transformaram-se no maior fenômeno comercial de todos os tempos e como influenciaram a vida de tanta gente com muito mais que sua música: com seus trejeitos, seu deboche, sua forma de ver o mundo e com muita sorte -ou destino- de estarem no lugar certo, no momento certo, com as pessoas certas.

Tece uma análise muito rica das músicas e, de forma fria, do comportamento de cada um dos Fab Four. Mostra como o assassinato de John Kennedy criou um clima altamente favorável à aceitação de uma banda de rock inglesa que mostrava quatro rapazes unidos pela aparência e, como um grupo adolescente, falava, vestia-se e comportava-se de forma idêntica. Revela como foram "fabricados" e como descobriram e desenvolveram talentos. Como foram manipulados e o quanto manipularam. E como se saturaram de poder, dinheiro, fama...

Uma leitura densa e provocante. Para quem viveu ou para quem se interessa pela época e pelo resultado dela.

Simplesmente, somos o que somos devido às transformações sociais decisivas que aconteceram naquele período.