sexta-feira, março 19, 2010

Ação local, efeito global

Tenho refletido bastante a respeito dos icebergs. Não, não estou me referindo ao derretimento de blocos de gelo e a variação do nível dos oceanos. No "ambientalismo" há "pontas" visíveis e "uma imensidão de gelo" submersa e invisível. Sim, a este respeito há muito mais a se pensar do que interesses pessoais, individuais e, mesmo, ambientais locais. Estes, seriam as pontas de um grande iceberg.

"Think global, act local" foi uma ideia criada por Patrick Geddes em 1915! Faz sentido. Não adiantaria falar e falar dos problemas do planeta se não houvesse soldados a atuar nos fronts do desmatamento, da poluição do ar, dos resíduos das cidades...

Mas, também, é uma frase que pode confundir, ou ser utilizada para defender interesses extritamente individuais. Pode, então, incentivar o mais puro dos sentimentos inerentes à alma humana: o egoísmo. Cidadania ainda é uma arte retraída, tímida, uma solução a ser descoberta. Cuidar do que é de todos ainda é, infelizmente, um "mico" da modernidade.



Desde os primórdios de minha educação há registro da observação firme e melancólica de que o Brasil perdeu, literalmente, o trem da história ao optar pelas estradas, automóveis e caminhões. A economia adaptou-se, as indústrias se planejaram e, hoje, praticamente tudo que você está vendo agora -faça uma pausa e observe a seu redor- chegou até sua casa de... Caminhão! Isto significa uma imensa "pegada ecológica" e um custo desnecessário.



Estradas de ferro e portos são, ainda, em sua maioria, sucatas. "Cabotagem" é uma expressão desconhecida. Além de ser um título de um livro de memórias de Jorge Amado ("Navegação de Cabotagem"), significa navios carregados de bens que são produzidos em uma região e consumidos em outra, levando-os de porto a porto, inclusive fluviais, poupando estradas e combustível. Um navio equivale, em média a 684 carretas! Numa viagem de São Paulo a Belém consumiria 260 mil litros de combustível e as carretas, 1 milhão de litros... Sem falar nos acidentes, despesas com hospitais e as perdas de vidas, no desmatamento e na poluição. Ferrovias, também, são reconhecidas como eficientes meios de transporte, limpos e seguros. E há muito tempo clamamos por uma nova política de transportes. A mudança teria que ser gradual, mas os primeiros passos teriam que ser firmes. Seriam novos paradigmas e, claro, provocariam abalos em velhas estruturas.



E eis que numa certa região do Brasil (por coincidência, a terra de Jorge Amado) projeta-se a construção de um porto, onde seria uma das pontas de uma nova e moderna ferrovia. Tudo o que ambientalistas esperaram por toda sua vida. Vanguarda, economia, preservação de recursos naturais... Festas? Comemorações? Agradecimentos? União? Mobilização social para ajustar as necessidades da região às mudanças que chegarão?

Não.



Conflitos baseados em interesses intimistas, extremamente pontuais, têm sido deflagrados. É a ponta do iceberg. Há razão, sim, para muita atenção às ações, aos impactos, ao aumento da demanda por habitação, educação, saúde, energia, segurança e, claro, atenção para que não haja efeitos desnecessários sobre quaisquer recursos naturais e que eles possam, inclusive, receber maior proteção e ações de recuperação. Para isso, também, são criadas áreas protegidas. Para criar uma cultura, uma consciência que permita o debate com isenção e superior pensamento em considerar todo o "bloco de gelo" e, não , apenas sua ponta. A ponta é a visão pequena de que há impactos locais e eles inviabilizariam qualquer alteração, intervenção. O bloco total são os imensos benefícios nacionais e globais que podem advir deste novo paradigma, que deve ser, então, incentivado e monitorado.

É um ponto de vista. Simplesmente.

quarta-feira, março 17, 2010

Exterminadores do Futuro


A Fundação SOS Mata Atlântica lançou, na quarta-feira, 10 de março, em Brasília, a campanha “Os Exterminadores do Futuro”. O objetivo é elaborar uma lista, com a participação de toda a sociedade, que indicará os nomes dos políticos que vêm demonstrando, por meio de suas atitudes, desrespeito à legislação ambiental brasileira e ao patrimônio natural do País. Como a campanha sugere, esse grupo deixa como herança a Terra devastada e destruída, sem garantia de sobrevivência para a nossa e para as próximas gerações.

Os "exterminadores" têm uma regra básica: voltar ao passado e destruir o futuro. Querem explorar os bens da Natureza sem qualquer limite, eliminando todas as normas de proteção já criadas, deixando os efeitos da devastação para os que vierem depois. São 36 projetos de lei para alerar o Código Florestal! Querem eliminar ou minimizar a exigência de Área de Preservação Permanente e Reserva Florestal.

domingo, março 14, 2010

Plano Diretor para todas as cidades?


O texto abaixo foi emitido pela Agência Senado e cita uma possibilidade de obrigatoriedade de elaboração de Plano Diretor para cidades de todos os tamanhos. Fica o desafio de descobrir fontes de financiamento, interesse político e, principalmente, profissionais experientes em planejamento de pequenas cidades. O risco é de terem que construir mais gavetas para tanto papel.

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Proposta de Emenda à Constituição (PEC 39/09) aprovada pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), nesta quarta-feira (10), tem o objetivo de obrigar todas as cidades brasileiras a elaborar planos diretores.

Atualmente, o texto constitucional faz essa exigência apenas para cidades com mais de 20 mil habitantes. A matéria segue agora para o Plenário do Senado.

Aprovado pela Câmara de Vereadores local, o plano diretor é o instrumento básico da política de desenvolvimento e de expansão urbana. Autor da PEC 39/09, o senador Jefferson Praia (PDT-AM) recordou, na justificação da proposta, que a percepção da necessidade de institucionalizar o planejamento urbano foi o que levou os constituintes de 1988 a determinarem a edição de uma lei federal de diretrizes da política urbana e a tornarem obrigatória a elaboração de um plano diretor para as cidades com mais de 20 mil habitantes.

Mas, ao definir a população mínima de 20 mil habitantes como critério, a Constituição teria deixado de alcançar, segundo Jefferson Praia, "milhares de municipalidades que se mantêm inertes em relação ao planejamento de seu desenvolvimento urbano".

O relator da PEC 39/09 na CCJ, senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), apresentou voto favorável à matéria, argumentando que o processo de desenvolvimento e de expansão urbana deve ser ordenado desde o seu início, inclusive nas pequenas localidades.

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Veja textos sobre Planos Diretores em http://desacelere.blogspot.com/search/label/Planos%20Diretores%20Municipais

quinta-feira, março 11, 2010

Discussão se ganha?

Você discute com alguém durante horas. Expõe seu ponto de vista com intensidade. Ouve a outra parte por necessidade. Aí, ele finalmente concorda. Vitória. Será que foi você quem ganhou? Não. Você ficou igual, com as mesmas idéias e sem nada de novo. Seu "opositor", sim, ganhou. Acrescentou novas formas de pensar e compreender antigas questões.

A edição de 23/12 da revista Veja apresentou uma entrevista com Bjorn Lomborg. Segundo a revista, é "o principal representante dos céticos em relação aos efeitos catastróficos do aquecimento global". Eles, os céticos, são poucos. A imensa maioria dos pesquisadores concorda com a ideia de que há efeitos da atividade humana sobre o clima e que devem ser tomadas medidas urgentes para evitar problemas como crises de produção de alimentos, redução da disponibilidade de água potável e aumento do nível dos oceanos. Céticos, ao contrário, costumam dizer que há grande exagero e questionam, inclusive, a seriedade das pesquisas sobre mudanças climáticas.

Apesar dos argumentos infantis (que confundem os leigos ao apresentar afirmações corretas) de que "meteorologistas mal prevêm o tempo para amanhã, como saberão a temperatura da Terra daqui a décadas ou séculos?" ou "há cientistas que forjam pesquisas catastrofistas apenas para receber recursos", os céticos, também são parte importante deste debate. São a necessária oposição ao que parece unânime. São a minha (nossa) chance de, verdadeiramente, "ganhar" algo nesta discussão.

Pois eu acredito, com base em tudo que leio, vejo, estudo e comparo, que há "algo sério no ar" e que precisamos nos preparar para lidar com novas realidades. E isto significa, também, sermos criteriosos e "aprender com quem não acredita como nós".



Por exemplo, Lomborg lembra que há grande movimentação (recursos financeiros) devido ao fato de que Tuvalu, um país insular com 12.000 habitantes, poderia desaparecer devido ao novo nível dos oceanos pós-aquecimento. Ele afirma, com justiça, que estamos falando de 12.000 pessoas que teriam que se mudar, com segurança, para outra localidade. É triste, mas ninguém morreria. Lembra que a cada sete horas e meia este mesmo número de pessoas morre em decorrência de doenças infecto-contagiosas facilmente curáveis e, claro, evitáveis (!). 15 milhões por ano. Há recursos para Tuvalu, mas há muito pouca atenção aos 12.000 que morreram nas últimas sete horas e meia. Sim, hipocrisia.

Mas, por outro lado, ele pisa em solo frágil ao falar de consumo. Ele parte do princípio que "querer ter ou gastar cada vez mais" é da natureza humana. Diz isso para concluir que a solução é desenvolver tecnologia para que aquela natureza seja suprida, independente do impacto ou das emissões de carbono. Ora, parece claro que o que ele considera "natureza" do ser humano é consequência de uma característica adquirida, uma necessidade imposta, uma "inclusão social" forçada, que leva nossa espécie, na versão industrializada, a querer possuir o que, absolutamente, não precisa.



A tecnologia de que precisamos é a que repensa os ciclos de produção e, especialmente, de energia. Em paralelo, a humanidade terá que enfrentar, forçosamente, a reflexão sobre seus hábitos. Seja o selvagem que derruba matas para obter lenha, seja o executivo que troca de celular a cada 2 meses. Sim, tecnologia e educação. Exatas e humanas. Novos valores e nova base tecnológica.



E, ao mesmo tempo, Lomborg acaba concordando com o efeito devastador do crescimento populacional e afirma que "para os pobres, crianças são fonte de renda. Para os ricos, representam despesa". Sugere, com razão, que para interferir preventivamente no tamanho das famílias, devemos torná-las mais ricas. Ou seja: menos ignorantes, mais educadas, mais conscientes. Ponto para a educação!

Perdi parte da discussão, pois continuo pensando como antes em muitas questões. Ganhei, no entanto, ao visualizar com maior clareza a hipocrisia existente nas políticas de combate ao aquecimento global.

terça-feira, março 09, 2010

Esqueceram Marina...

Correio Brasiliense, 08-03-2010, coluna de Denise Rothenburg

"Na homenagem às ambientalistas, feita pelo Ministério do Meio Ambiente, Marina Silva sequer é citada

(...) Quando se fala em mulher e defesa do Meio Ambiente, qual é um dos primeiros nomes que vem à sua mente, caro leitor? Na minha, com todo o respeito às demais ambientalistas e sem qualquer conotação eleitoral, é o da senadora Marina Silva, que saiu do PT no passado e se filiou ao PV.

Assim como Dilma, Marina é pré-candidata a presidente da República. Talvez por isso, esteja fora da homenagem e do debate organizado dentro do ministério que ocupou e pelo qual lutou e ajudou a fortalecer. Ela saiu de lá em maio de 2008 justamente por causa de uma trombada com a ministra da Casa Civil, que queria pressa nas obras de infraestrutura e jogava no Ministério do Ambiente a culpa por atrasos de cronograma.

A solenidade do ministério, organizada pela secretária de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental, Samyra Crespo, colocará os holofotes sobre quatro mulheres que vão comandar o debate “A contribuição das mulheres brasileiras ao ambientalismo brasileiro”. Como mediadora, a secretária-executiva do ministério, Izabella Texeira. À mesa, estarão Bertha Becker, Tereza Urban e Isabel Cristina Moura de Carvalho, todas relacionadas com a causa. As homenageadas terão suas biografias resumidas em marcadores de páginas que o ministério lança amanhã. Além da geógrafa Bertha Becker e de Magda Renner, pioneira na defesa do meio ambiente no Brasil, haverá uma homenagem póstuma a irmã Dorothy Stang e a Judith Cortesão.

Na homenagem às ambientalistas, feita pelo Ministério do Meio Ambiente, Marina Silva sequer é citada. É como se o PT quisesse sumir com a biografia daqueles que deixaram seus quadros. Nos bastidores, ela é vista como a “ameaça verde”. A homenagem de hoje, do Ministério, passou inclusive a alguns políticos a impressão de que o objetivo é mesmo levantar outras mulheres e colocar Marina no fundo do palco do ambientalismo nacional.(...)"

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Ao ser questionada, Marina Silva declarou:

"As mulheres têm uma facilidade muito grande de fazer processos mais abertos, mais democráticos. Apostam mais no consenso do que na disputa, têm mais facilidade de dividir a autoria das coisas, o reconhecimento, a realização. E isso quando é transferido para dentro das empresas, dos sindicatos, das associações, do poder público, tem uma força transformadora enorme."

Campanha Ficha Limpa


Há um movimento que tenta diminuir (ou acabar) com a corrupção no Brasil. A Campanha Ficha Limpa conseguiu levar adiante uma lei anti-corrupção e é importante pressionar nossos deputados a aprová-la. Se esta lei passar, políticos corruptos serão removidos das eleições!

É incrível, com a pressão das 15.506 mensagens que enviaram, venceram o primeiro obstáculo: os deputados responsáveis por encaminhar o Projeto de Lei "Ficha Limpa" concordaram em levá-lo para votação!

Esta lei proibirá a candidatura de políticos condenados por crimes como corrupção e desvio de verbas públicas nas eleições.

Porém, a etapa final ainda está por vir. Não basta terem apresentado a lei, agora os deputados devem votar "SIM". A ideia, agora, é juntar 2 milhões de nomes para deixar claro que caso eles não votem na lei da Ficha Limpa, perderão muitos votos em outubro! Este é o link, caso queira participar:

http://www.avaaz.org/po/brasil_ficha_limpa/98.php?CLICK_TF_TRACK

(copie e cole no seu navegador)

segunda-feira, março 01, 2010

Life - Coming Soon - Trailer

O Discovery Channel e a BBC apresentarão a partir de 18 de março uma série incrível em alta definição: Vida. São 10 episódios sobre as estratégias dos seres vivos para sobreviver e evoluir. Esta é apenas uma amostra...


sexta-feira, fevereiro 26, 2010

sexta-feira, fevereiro 19, 2010

Veneno tem gosto de mel


Por que o veneno tem gosto de mel?

Raul Seixas. Uma pérola de Raulzito. Sim, tem o dedo de Paulo Coelho, mas, na época, era Raul quem bancava a inspiração. E veio esta frase, perdida em meio a uma letra óbvia, simplista, rebelde e anti-religiões.

Pense. Veneno. Mel. Nada mais ameaçador à vida, à felicidade, ao equilíbrio, do que o veneno. Substância fatal, muitas vezes desconhecida. E poucas coisas são tão sedutoras como o mel. A maçã, talvez. Mas a doçura produzida pelas abelhas é referência em prazer do paladar.



O que mata, o que destrói, o que desequilibra, muitas vezes tem doce sabor. O preço do breve prazer, do êxtase das papilas gustativas, pode ser a destruição. Mas o que faz do mel um veneno? Simples. O exagero. A insistência. A repetição. O vício. A dependência. É crer que a felicidade pode estar num breve prazer e, pior, numa reles substância. O mel.

Veneno é o orgulho, que nos ilude com a doce sedução de poder. Veneno é o julgamento, que nos lambuza e nos faz sentir superiores à grande energia criadora. Veneno é a preguiça, que nos deixa inertes e embevecidos na lenta agonia do mundo paralelo. Veneno é o cigarro, a gordura, o stress, o sal...

Veneno é a inércia. É não fazer nada para mudar. O mel é a falsa segurança de ficar onde está. É o falso prazer do conhecido e do esperado.

Mas há, sim, mel que não envenena. Mel com verdadeiro sabor. Mel que não abusa da sedução fácil. É o prazer contido na compaixão e na aceitação. É o doce sabor de respeitar cada um pela frente e trabalhar pelo sucesso de todos.

sábado, fevereiro 13, 2010

Pilates

Sua postura corporal reflete um estado interior. Ela foi construída ao longo da vida e baseia-se na auto-imagem. Ou seja, você apresenta ao mundo a imagem que faz de si mesmo. E nem sempre esta imagem é real. Muitas vezes ela é sequer reconhecida, percebida como algo que se incorporou à rotina motora (a forma como nos movimentamos e realizamos tarefas). Mexemo-nos automaticamente, acionados por uma programação incontrolável, que teve início na vida intra-uterina e, segundo especialistas, solidificou-se até o final da primeira infância. Isto significa que as experiências por que passamos até a idade aproximada de sete anos estão presentes em toda a vida, em hábitos, pensamentos, emoções e... Movimentos!

Chegamos à idade adulta e percebemos que nossa postura (nossos vícios) cria tensões e dores. Sentimos que a forma como nos apresentamos provoca reações sutis nas pessoas ao nosso redor. De acolhimento ou de repulsa, de admiração ou de compaixão, de sintonia ou de afastamento. E a sensação é de uma grande incompreensão. “Por que será que meus alunos não me respeitam?” ou “O que acontece que todos se empenham em ajudá-la e, diferentemente, me deixam de lado?”



Estamos falando de algo maior do que a “linguagem corporal”. Trata-se de relacionamentos intuitivos e baseados em estímulos emocionais. E podemos “consertar” esses estímulos. Pode ser possível deixá-los mais naturais, mais autênticos. Eles podem assumir uma versão atual, de acordo com a realidade do momento e livres (ou quase) da influência de uma época de maior vulnerabilidade emocional.



Alguém poderia argumentar que, assim, estaríamos “deixando de ser nós mesmos”, pois seríamos resultado de todas as experiências pelas quais estivemos expostos. Sim, confrontar o momento presente, o status conquistado, com vivências anteriores e seus resultados práticos, é, também, uma “experiência” construtora e transformadora de realidade.

Chegamos, então, a uma fantástica ferramenta. Um exercício que revoluciona o movimento, as ações de força e a expressão de nossa realidade interior. Esta revolução é algo, ainda, pouco percebido por instrutores e praticantes de Pilates. É uma técnica de exercícios que, mesmo quando aplicados de forma mecânica e conservadora, já produz resultados animadores. Seu potencial pode ser ampliado exponencialmente. Joseph Pilates captou a essência “muscular” das emoções e propôs práticas modeladoras diferenciadas. Mas, a consideração da “realidade interior”, pelo menos por parte do instrutor –a princípio–, transforma-se no passaporte para esse benefício extra. Caso seja um praticante, ou deseja sê-lo, reflita sobre o que suas conquistas “físicas” estão provocando na sua auto-estima e nos seus relacionamentos.

Procure perceber o que surge em seu imaginário ao posicionar seu queixo na horizontal, cervical alongada, ombros relaxados, abdômen acionado e respiração natural, lenta e profunda. Sinta-se e pergunte: “Esta pessoa existe?!”

Agora?!

Angra (RJ) terá mapeamento de áreas de risco

O secretário de Meio Ambiente de Angra dos Reis informou hoje que os morros do Centro da cidade e a Ilha Grande irão passar por um mapeamento de áreas de risco. Na virada do ano deslizamentos de terra provocados por fortes chuvas que atingiram a região deixaram 53 mortos na Enseada do Bananal, na Ilha Grande e no Morro da Carioca, no Centro.


Angra ganha sistema de monitoramento meteorológico para prevenir desastres

A Prefeitura de Angra dos Reis vai implantar um sistema de monitoramento, previsão e alerta meteorológico para a cidade, visando oferecer mais segurança à população. O objetivo da análise será o de promover a construção de um banco de informações que possibilitará a previsão de situações com potencial de risco de desastres decorrentes de intempéries, visando a mobilização do sistema de alerta da Defesa Civil.

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

Revista Horizonte Geográfico, de meu amigo Peter Milko



A edição 127 da revista Horizonte Geográfico faz uma retrospectiva, desde os anos 1970 aos dias de hoje, do Projeto Tamar. Uma justa homenagem aos criadores do projeto, Guy Marcovaldi e sua esposa, Neca.

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

Leia com o cérebro!

35T3 P3QU3N0 T3XTO 53RV3 4P3N45 P4R4 M05TR4R COMO NO554 C4B3Ç4 CONS3GU3 F4Z3R CO1545 1MPR3551ON4ANT35! R3P4R3 N155O!NO COM3ÇO 35T4V4 M310 COMPL1C4DO, M45 N3ST4 L1NH4 SU4 M3NT3 V41 D3C1FR4NDO O CÓD1GO QU453 4UTOM4T1C4M3NT3, S3M PR3C1S4R P3N54R MU1TO, C3RTO? POD3 F1C4R B3M ORGULHO5O D155O! SU4 C4P4C1D4D3 M3R3C3! P4R4BÉN5!

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

Cartilha sobre orgânicos





O Ministério da Agricultura publicou, em 2009, uma cartilha. Ilustrada por ninguém menos do que o grande Ziraldo, explica em linguagem simples tudo que é preciso saber sobre este método de produção agrícola tão importante e cada vez mais reconhecido como importante ferramenta de preservação socioambiental. Aqui você pode ver as primeiras páginas. Quer receber o arquivo em pdf? Solicite por email ou faça um comentário a seguir.

sábado, janeiro 30, 2010

Contraste

Recebi algumas imagens do metrô de Estocolmo, na Suécia.

São impressionantes, pela aventura do contraste, uma verdadeira volta às origens. Às cavernas.

Poucas coisas representam tão bem a modernidade como o Metrô. E muito poucas coisas representam com perfeição o antigo como as cavernas ("homem das cavernas"...).

Estocolmo escavou rochas e as deixou aparentes, rústicas. Pintou, tratou e envolveu os usuários com várias atmosferas...





A pedidos, mais imagens:







Adrian Rogers, 1931 (!!)

"É impossível levar o pobre à prosperidade através de legislações que punem os ricos pela prosperidade.

Por cada pessoa que recebe sem trabalhar, outra pessoa deve trabalhar sem receber.

O governo não pode dar para alguém aquilo que não tira de outro alguém.

Quando metade da população entende a idéia de que não precisa trabalhar, pois a outra metade da população irá sustentá-la, e quando esta outra metade entende que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira metade, então chegamos ao começo do fim de uma nação".


Sim, escrito em 1931...

Importância das Zonas Úmidas

quinta-feira, janeiro 28, 2010

Desacelere repercute

Meu colega Marlon Beisiegel, pai da Nivea, fez um profundo comentário sobre o texto "Andar com Fé" (http://desacelere.blogspot.com/2010/01/andar-com-fe.html):

"A cada dia percebo a dinâmica social cada vez mais tecnológica e as relações humanas menos intensas e sinceras. Acredito que isso acaba acontecendo pela falta de percepção ou evolução pessoal que acaba interferindo na de um grupo, devido a alienação pela dinâmica tecnológica da conquista de material, de posse, etc; mas neste momento posso respirar aliviado e compreender que devo mudar o meu pensamento e passar para o próximo movimento, andar com fé."

terça-feira, janeiro 26, 2010

Não reeleja ninguém!

Há 2065 anos...


"O orçamento nacional deve ser equilibrado. As dívidas públicas devem ser reduzidas, a arrogância das autoridades deve ser controlada e moderada. O pagamento a governos deve ser reduzido, se a Nação não quiser ir à falência. As pessoas devem aprender, novamente, a trabalhar, em vez de viver por conta pública."

Marcus Tulius, Roma, 55 a.C.

sábado, janeiro 23, 2010

Música de qualidade no Municipal

Guilherme Vergueiro tocou no Teatro Municipal de Ilhéus. Um repertório escolhido a dedo. Cartola, Garoto e outros compositores populares retornaram à vida em seu piano e sua voz. Um concerto imperdível.



Se contássemos 30 pessoas na plateia, seria muito. Um retrato do que a falta de exemplo em casa provoca na sociedade. Cultura, assim como pizza, passa a ser de consumo rápido e fácil. Paladares destreinados exigem menos e satisfazem-se com qualquer sabor.

Lá fora, misturando-se aos acordes do piano de cauda, ouvia-se o som metálico, a batida simplista e o burburinho de uma multidão acotovelando-se na praça para ouvir...

Ouvir o quê, mesmo?!

Marcelo Pfeifer, tocando Yesterday. By the Beatles

Marcelo Pfeifer, tocando Help! dos Beatles!

sexta-feira, janeiro 22, 2010

ENSAIO SOBRE O TRABALHO (1)

O trabalho enobrece. É verdade? Acabo de ler um trecho do livro de Luc Ferry, “A Nova Ordem Ecológica”. Ferry foi ministro da educação da França e é um premiado filósofo e autor de mais de 15 livros. Ele falava da “civilização” e de como alguns povos ficaram à margem, na periferia da cultura europeia. A Norte e a Sul. Sua teoria é de que a Terra teria sido povoada pela influência da guerra, das disputas. E justifica, com a pergunta: “Por que razão seres humanos teriam resolvido se estabelecer nas áreas hostis do Grande Norte?”. São regiões tão hostis, que os habitantes vivem em casas de gelo e comem carne crua de animais que caçam. Ele utiliza este raciocínio para combater, também, o conceito de racismo, pois teria sido a natureza, e não a raça, a levar o homem à marginalidade. Por que isto pode ser importante e o que tem a ver com trabalho? Veja como ele segue o pensamento. Vale a leitura. Ele fala de nós.



“No Sul, a situação, mais favorável na aparência, é pior na verdade. Por um motivo simétrico, porém inverso: o índio vive em condições naturais tão generosas que não há nenhuma necessidade de enveredar por essa aventura estranha e desenraizante que é a cultura. O clima lhe permite não se vestir, os frutos do mar e da terra o autorizam a se poupar do trabalho da criação ou da agricultura.”

O objetivo desta sequência de informações era chegar ao direito que teriam os animais, pois, por não possuírem uma cultura –não se estuda a história dos cavalos...-, se justificaria estarem à disposição dos humanos. Ele queria mostrar que ter ou não uma cultura, ou se a cultura é rica ou pobre, não é justificativa para depreciar uma espécie, no caso, todos os animais, que sofrem em mãos dos humanos. Ao invés de racismo, seria, segundo ele, um “especismo”.

Mas, voltemos à teoria sobre o trabalho. É uma necessidade proporcional à expectativa e ao que lhe é, naturalmente, oferecido. Se lhe trouxessem agasalho no frio, abanos no calor, bebidas na sede e alimento, na fome, você trabalharia? Lembro de “Admirável Mundo Novo”. Uma ficção (?) em que seres humanos eram fabricados em laboratório e não existiam famílias. Todos sabiam muito bem sua função na estrutura social, e não pretendiam ascender. Como? Simples. No processo de desenvolvimento dos fetos, oxigênio era suprido na proporção suficiente para limitar ou expandir capacidades cognitivas, intelectuais. Pouco oxigênio, operários. Muito oxigênio, gênios. Todos eram orgulhosos, por determinação de seus líderes, de seu degrau social.

Vejo, então, um rapaz esguio, provavelmente muito pobre, empurrando um pequeno carrinho de sorvetes, esses sorvetes feitos com água suspeita. É este trabalho que lhe coube em nossa sociedade. Claro que ele não gosta de vender sorvetes. Claro que ele só faz isso porque não lhe passou pela cabeça outra maneira “eficiente” e digna de ganhar dinheiro e, assim, alimentar-se e consumir. Em nossa sociedade há a possibilidade de ascensão social. Este é o objetivo, então, do trabalho. É, sim, uma necessidade. Temos que nos acostumar com ela e fazer com que possa ser minimamente prazerosa.

Ao contrário de meus colegas na época pré-universitária, hoje é muito mais comum encontrar jovens cujo objetivo “profissional” é prestar concurso para um órgão público qualquer e esbaldar-se à sombra de suas garantias. Sim, pode ser uma noção de realidade superior.

- Já que temos que trabalhar, que seja um ofício que ofereça bom salário e garantias.

Um figurão de um órgão qualquer, burocrático e cuja função implique em baixíssima criatividade, trabalha feliz? Vive feliz? Tem um emprego, uma família, imóveis, frequenta clubes... Mas é feliz? Sim, não nego, pode ser feliz. Se criatividade não for seu talento. Se liberdade não for sua ferida. Isso faria um artista, ou um professor, mais felizes? Depende do quanto seus talentos são desenvolvidos e aproveitados. Depende do quanto eles sentem-se livres para escolher rumos.

Há pouco tempo uma pesquisa desmascarou de vez a felicidade como algo proporcional à posse de bens materiais. Garantido um mínimo de renda e posses, aquele nível em que a dignidade esteja garantida, nada indicou que, daquele ponto em diante, a felicidade seria aumentada. Ou seja, vale a pena comprometer talento e criatividade em nome da “estabilidade” e recursos materiais?

Ferry também cita o argumento de alguns autores de que seria, justamente, a liberdade de decisão que nos diferenciaria em relação aos animais. Podemos decidir não comer, mesmo famintos. Podemos decidir matar um touro, mesmo que não faça o menor sentido na relação de nossas espécies. Para ele esta liberdade é uma característica da espécie humana, mas não nos habilita a sermos os donos do planeta.



Por outro lado, ainda, o pescador da aldeia sente-se feliz ao suprir demais moradores com o fruto de seu trabalho. É recompensado com sapatos de couro, utensílios para sua moradia e outros alimentos importantes. Seus vizinhos, na aldeia, também realizam-se por sentirem-se úteis. A discórdia, atritos, desgastes, apenas aparecem quando alguém dali resolve não contribuir em proporções satisfatórias com a “coletividade”. Estes, encostam-se e usufruem sem esforço. Ou são expulsos ou acabam sendo referência para outros e, então, responsáveis pela decadência da aldeia.

Nossa “grande aldeia” precisa, então, de membros que, por seu talento e usufruto de sua liberdade, sirvam à coletividade e sejam recompensados por isso. E, não, daqueles que escondem seus talentos e pensam ganhar a felicidade como “os povos do sul”: caindo do céu!

quarta-feira, janeiro 20, 2010

Andar com fé

Acreditar é sempre um início. Tenho falado aqui do poder do pensamento, da palavra, do subconsciente... Ora, isso é uma visão de fé!

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Andar com fé
é saber que cada dia é um recomeço,
é ter certeza que os milagres acontecem
e que os sonhos podem se realizar.

Andar com fé
é saber que temos asas invisíveis,
é fazer pedidos a estrelas cadentes
e abrir as mãos para o céu.

Andar com fé é olhar sem temor
as portas do desconhecido,
ter a inocência dos olhos da criança,
a lealdade do cão,
a beleza da mão estendida
para dar e receber.

Andar com fé
é usar a força e a coragem
que habitam dentro de nós
quando tudo parece acabado.



Andar com fé
é saber que temos tudo a nosso favor,
é compartilhar as bênçãos multiplicadas,
é saber que sempre seremos surpreendidos
com presentes do Universo,
é a certeza de que o melhor sempre acontece
e que tudo aquilo que almejamos
está totalmente ao nosso alcance.

Basta só Andar com Fé !

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Autor desconhecido

sexta-feira, janeiro 15, 2010

Raízes profundas, árvore resistente

Recebi há alguns dias um texto que falava de um médico. Ele, além de atender seus pacientes, cuidava de uma pequena, porém frondosa, floresta. Ele pessoalmente cuidava de levar água a cada uma das árvores. Certo dia alguém lhe perguntou:

- Se a água é abundante em sua propriedade, qual é a razão de não molhar bastante o solo onde estão estas árvores?

Ele explicou, com sabedoria, que quando molhava em excesso a base das plantas, a princípio elas agradeciam, crescendo e mostrando um grande número de brotos verdes sobre seus galhos. Mas o problema viria pouco mais tarde. As raízes, cuja principal função é enfiar-se no solo à busca de água, resultavam superficiais. Elas "aprendiam" que sem esforço teriam toda a água que precisavam. Resultado: árvores instáveis, sem estrutura e vulneráveis à ação do vento. Muitas caíram, outras quebraram.



Por outro lado, caso conseguisse a dosagem correta de água, aquela que deixava as raízes, ainda, com sede, forçava-as a buscar hidratação complementar nas profundezas do solo. Com isso, nenhuma sofreu abalos significativos. Todas cresceram sadias e fortes.

Com as pessoas, acontece fenômeno semelhante. Pais que passaram por dificuldades quando crianças procuram prover seus filhos de todo o conforto e afastam-nos, artificialmente, das dificuldades. Com esta atitude, criam "raízes razas", ou uma base frágil. Não se trata de fabricar ou criar problemas para "fortalecer" os jovens, mas, sim, deixar que enfrentem, por si próprios, as inevitáveis dificuldades da vida. E, com isso, criar referências para continuar enfrentando -e resolvendo- problemas pela vida.



Ou você não se sente mais forte ao lembrar de fases difíceis da sua vida e de como as viveu, enfrentou e criou soluções? Como você ajuda seus filhos ou as pessoas à sua volta a aprofundarem suas raízes?

quarta-feira, janeiro 13, 2010

terça-feira, janeiro 12, 2010

Mude sua vírgula

A ABI (Associação Brasileira de Imprensa) fez um texto interessante para comemorar seus 100 anos.

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Vírgula pode ser uma pausa... ou não.
Não, espere.
Não espere.

Ela pode sumir com seu dinheiro.
23,4.
2,34.

Pode ser autoritária.
Aceito, obrigado.
Aceito obrigado.

Pode criar heróis.
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.

E vilões.
Esse, juiz, é corrupto.
Esse juiz é corrupto.

Ela pode ser a solução.
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.

A vírgula muda uma opinião.
Não queremos saber.
Não, queremos saber.

Uma vírgula muda tudo.

ABI: 100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação.

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Detalhes Adicionais

SE O HOMEM SOUBESSE O VALOR QUE TEM A MULHER ANDARIA DE QUATRO À SUA PROCURA.

Se você for mulher, certamente colocou a vírgula depois de MULHER.
Se você for homem, colocou a vírgula depois de TEM.

sábado, janeiro 09, 2010

Angra dos Reis: MP sai na frente

"Há fortes indícios de omissão por parte das autoridades públicas na remoção da ocupação ilegal das encostas e na fiscalização das áreas de proteção."

São palavras do promotor do Ministério Público, Bruno Lavorato, do Rio de Janeiro. Ele investigará as responsabilidades dos agentes públicos nos deslizamentos ocorridos na Enseada do Bananal, na Ilha Grande e no Morro da Carioca, em Angra dos Reis, que provocaram a morte de 52 pessoas.

Houve, em 2002 (!!) um Termo de Ajustamento de Conduta firmado entre autoridades municipais, estaduais e federais, para implementar um plano de ocupação do solo da Ilha Grande e adotar medidas relacionadas ao saneamento e a gestão de resíduos sólidos. O promotor informou que o MP entrou com inúmeras ações para o cumprimento do termo. Não obteve resultado, pois "os processos são demorados"... Em 2004, o MP criou um grupo de trabalho para analisar as condições de habitabilidade na Área de Proteção Ambiental Tamoios, que inclui a Ilha Grande.

Agora, apenas depois de uma tragédia, a Prefeitura de Angra dos Reis anunciou que não vai mais permitir construções na Enseada do Bananal e que os imóveis construídos irregularmente na região serão demolidos após a conclusão do estudo realizado geológico e geotécnico realizado pela Geo Rio, que deverá ficar pronto em seis meses.

Planos Diretores Municipais deveriam conter, obrigatoriamente, programas de levantamento geológico e geotécnico, como prevenção. Sem dúvida, o custo direto e indireto* de eventos como o de Angra dos Reis supera, em muito, aquele referente aos estudos necessários para proteger a população e programas tanto para evitar invasões ou construções "ingenuamente" localizadas em áreas de risco como para realocar populações que já estejam naquelas áreas.

*Perdas materiais, como construções, equipamentos, infraestrutura urbana; reflexos na economia local e regional, com perda de renda e empregos, redução da produtividade, diminuição da visitação...

Leia mais em http://desacelere.blogspot.com/2010/01/ilha-grande-app-e-responsabilidades.html

terça-feira, janeiro 05, 2010

Gota D'Água


Faço aqui minha homenagem à emocionante performance de minha amiga "Joana" no espetáculo "O Musical dos Musicais" apresentado no auditório da UESC dezembro passado.


Com um texto apurado, retirado da peça de mesmo nome e a música de Chico Buarque, merecia, mesmo, um cuidado especial.




Os demais que me perdoem, mas este, sim, foi o ponto alto da apresentação. Uma doce mistura de voz afinada, linguagem corporal e muita, muita emoção...

Pode ser a gota d'água!...

Ilha Grande, APP e responsabilidades

Logo após o deslizamento de milhares de toneladas de terra sobre casas e uma pousada na Ilha Grande tive o impulso de comentar aqui o fato de que tais edificações estavam em área de proteção permanente e nunca deveriam ter sido ali construídas. Eu sei que é uma APA -que deve ter um zoneamento ecológico-econômico-, mas, mesmo que não fosse, há uma Lei Federal que deixa claro que não se deve intervir em restingas (praias), margens de rios, encostas...

O governador Sergio Cabral apressou-se em acusar as invasões dos morros -no continente- e que, "na Ilha Grande a situação é diferente". Eu estranhei.

Desde o início desta tragédia me senti bastante envolvido. A Baía da Ilha Grande é minha velha conhecida. Conheço cada uma das enseadas, por ali ter velejado e mergulhado muito, durante vários anos. Trabalho com consultoria a pousadas parecidas com a Sankay. Bem planejada, construída com carinho, um empreendimento familiar. Conheço os perigos de deslizamentos de encostas, assunto sempre presente nos debates em oficinas e audiências de planos diretores e projetos para orlas. Sei das restrições à ocupação de áreas protegidas e o quanto nossa sociedade perde com isso.

Mas, agora, veio à tona a realidade. O próprio governador assinou uma lei estadual -que jamais deveria se sobrepor à Lei Federal (Código Florestal)- simplesmente autorizando a ocupação na APP (área de preservação permanente) dentro da APA. A APA é estadual, mas há uma lei superior que trata desta questão e, agora, Ministério Público, IBAMA, ONGs deverão aprofundar e tomar as providências.


O deslizamento não aconteceu devido à ocupação da restinga, mas, claro, um ambiente natural havia sido invadido indevidamente e -quem não sabe?- a natureza é imprevisível. Claro que o invasor não é o culpado. Poder público existe para isso. Regulamentar, orientar e fiscalizar.

O Estatuto da Cidade, outra Lei Federal, determina como devem ser os Planos Diretores Municipais. Municípios com mais de 20 mil habitantes ou municípios turísticos são obrigados a elaborar sua lei municipal nos moldes deste estatuto. É fundamental ser participativo e, dentre outras exigências, deve criar o Conselho da Cidade, um órgão que reúne entidades públicas e da sociedade civil e deve gerir o próprio Plano Diretor. Onde está o PD de Angra dos Reis? O que diz o Conselho da Cidade?

O SNUC -Sistema Nacional de Unidades de Conservação- é outra Lei Federal. Esta, trata das áreas protegidas e diz que o Conselho Gestor de uma Unidade de Conservação -no caso, uma APA- deve ser consultado para concessão de Licença de Construção ou alteração -criação- de seu zoneamento. Onde está este Conselho?

O poder público deve fazer acontecer o que dizem as leis.

Além das mortes e do prejuízo direto, a imagem da Ilha Grande e do turismo de natureza no Brasil, dos quais tantas pessoas dependem, ficou absurdamente prejudicada.

Quem foi "beneficiado" com aquela lei transversal? Mais de mil assinaturas demonstraram que havia oposição a ela, na época. A lei vale para poucos ou para todos?

segunda-feira, janeiro 04, 2010

Beatles e a história de uma época


Acabo de ler um magnífico livro de 700 páginas.

Can't Buy me Love descreve como o mundo viveu os anos 60 do século XX. A partir da trajetória dos Beatles, analisa com intensidade o momento político-cultural desde o pós-guerra até o declínio da contracultura.

Mostra como aqueles quatro simplórios liverpudlianos transformaram-se no maior fenômeno comercial de todos os tempos e como influenciaram a vida de tanta gente com muito mais que sua música: com seus trejeitos, seu deboche, sua forma de ver o mundo e com muita sorte -ou destino- de estarem no lugar certo, no momento certo, com as pessoas certas.

Tece uma análise muito rica das músicas e, de forma fria, do comportamento de cada um dos Fab Four. Mostra como o assassinato de John Kennedy criou um clima altamente favorável à aceitação de uma banda de rock inglesa que mostrava quatro rapazes unidos pela aparência e, como um grupo adolescente, falava, vestia-se e comportava-se de forma idêntica. Revela como foram "fabricados" e como descobriram e desenvolveram talentos. Como foram manipulados e o quanto manipularam. E como se saturaram de poder, dinheiro, fama...

Uma leitura densa e provocante. Para quem viveu ou para quem se interessa pela época e pelo resultado dela.

Simplesmente, somos o que somos devido às transformações sociais decisivas que aconteceram naquele período.

quinta-feira, dezembro 31, 2009

2009

2009, o ano da desaceleração!

300 postagens (!!), como desabafos. Contato direto com cada um que lê e, de alguma forma, recebe um pouco de minha consciência.

Desacelerar é um desafio. Tudo exige rapidez e agilidade. Mas, é uma necessidade...

Fim de ano, fim de década. Escrevi, aqui, e relembro Pink Floyd:

...and then one day you find, ten years have passed behind you, no one told you when to run, you missed the starting gun...

Estejamos em contato em 2010! Estejamos junto na nova década!

Um remedinho resolve

Cicatrizes torácicas desfilam, aos grupos, na praia. Orgulhosos, seus proprietários atestam uma cultura, infelizmente, disseminada em tempos "modernos":

- Como o que eu quero, bebo o quanto quiser, exercito-me se der vontade.

- Se ficar diabético, se meu coração falhar, se algo errado me acontecer, um remedinho, uma cirurgiazinha, resolvem...

As campanhas pela prevenção são tímidas e fracassam. O resultado é uma imensa despesa para os serviços de saúde e muito sofrimento para as famílias e a sociedade. Há, no ar, uma ilusão de uma medicina mágica e soberana a se sobrepor ao verdadeiro suicídio coletivo contido na vida urbana e "civilizada".