sábado, fevereiro 13, 2010

Pilates

Sua postura corporal reflete um estado interior. Ela foi construída ao longo da vida e baseia-se na auto-imagem. Ou seja, você apresenta ao mundo a imagem que faz de si mesmo. E nem sempre esta imagem é real. Muitas vezes ela é sequer reconhecida, percebida como algo que se incorporou à rotina motora (a forma como nos movimentamos e realizamos tarefas). Mexemo-nos automaticamente, acionados por uma programação incontrolável, que teve início na vida intra-uterina e, segundo especialistas, solidificou-se até o final da primeira infância. Isto significa que as experiências por que passamos até a idade aproximada de sete anos estão presentes em toda a vida, em hábitos, pensamentos, emoções e... Movimentos!

Chegamos à idade adulta e percebemos que nossa postura (nossos vícios) cria tensões e dores. Sentimos que a forma como nos apresentamos provoca reações sutis nas pessoas ao nosso redor. De acolhimento ou de repulsa, de admiração ou de compaixão, de sintonia ou de afastamento. E a sensação é de uma grande incompreensão. “Por que será que meus alunos não me respeitam?” ou “O que acontece que todos se empenham em ajudá-la e, diferentemente, me deixam de lado?”



Estamos falando de algo maior do que a “linguagem corporal”. Trata-se de relacionamentos intuitivos e baseados em estímulos emocionais. E podemos “consertar” esses estímulos. Pode ser possível deixá-los mais naturais, mais autênticos. Eles podem assumir uma versão atual, de acordo com a realidade do momento e livres (ou quase) da influência de uma época de maior vulnerabilidade emocional.



Alguém poderia argumentar que, assim, estaríamos “deixando de ser nós mesmos”, pois seríamos resultado de todas as experiências pelas quais estivemos expostos. Sim, confrontar o momento presente, o status conquistado, com vivências anteriores e seus resultados práticos, é, também, uma “experiência” construtora e transformadora de realidade.

Chegamos, então, a uma fantástica ferramenta. Um exercício que revoluciona o movimento, as ações de força e a expressão de nossa realidade interior. Esta revolução é algo, ainda, pouco percebido por instrutores e praticantes de Pilates. É uma técnica de exercícios que, mesmo quando aplicados de forma mecânica e conservadora, já produz resultados animadores. Seu potencial pode ser ampliado exponencialmente. Joseph Pilates captou a essência “muscular” das emoções e propôs práticas modeladoras diferenciadas. Mas, a consideração da “realidade interior”, pelo menos por parte do instrutor –a princípio–, transforma-se no passaporte para esse benefício extra. Caso seja um praticante, ou deseja sê-lo, reflita sobre o que suas conquistas “físicas” estão provocando na sua auto-estima e nos seus relacionamentos.

Procure perceber o que surge em seu imaginário ao posicionar seu queixo na horizontal, cervical alongada, ombros relaxados, abdômen acionado e respiração natural, lenta e profunda. Sinta-se e pergunte: “Esta pessoa existe?!”

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