quinta-feira, maio 26, 2011

A falência da "educação ambiental"

Então está combinado. A educação ambiental não funcionou. Estamos melhores do que estávamos há duas décadas? Rio ’92 frutificou?

Perdão, milhares de voluntários, estudiosos, profissionais, consultores!... Mas não conseguimos. Chegamos a inventar a “educomunicação ambiental”, um mix de educação e comunicação, mas, novamente, chegamos a lugar nenhum. Ou melhor, chegamos a uma votação politicamente dirigida, sobre um assunto que envolve, essencialmente, como nosso país pretende fazer a gestão dos recursos naturais. O Código Florestal. Um assunto de tamanha responsabilidade –técnica, humana, econômica-, que jamais poderia ser dirigido por interesses políticos, ou partidários. Para mim, isso é lugar nenhum.

Do que entendem deste assunto nossos nobres deputados? Se nossa educação ambiental tivesse sido eficiente todos –inclusive os deputados- saberiam, ao menos, que há técnicos que devem ser ouvidos e respeitados. Sim, eles não são uníssonos, não têm a mesma opinião. Mas são estudiosos e possuem os verdadeiros argumentos. Ao invés de votação na Câmara dos Deputados ou no Senado, deveria haver um debate e uma votação entre os que realmente entendem do tema. E o resultado seria referendado pelos deputados e senadores.



Nossos representantes aprenderam –e aprendem- facilmente os meandros da economia. A “educação econômica” funcionou. Todos sabem tudo sobre inflação, índices, consumo, PIB... Dominam a arte advocatícia. Redigem –quando não copiam, simplesmente- normas, regras, regimentos, leis, como poucos. A “educação legal” funcionou. Legislam sobre tarifas, agências regulatórias, mas não sabem nada de APP, reserva legal, Unidades de Conservação, sustentabilidade... A “educação ambiental” não funcionou.

Contrariando todos os técnicos, resolveram anistiar quem, deliberadamente, derrubou matas para plantar grãos ou criar gado, quando havia muita área sem mata para este fim. Contrariaram técnicos de áreas distantes, como ecologia, urbanismo, biologia, sociologia, e, com denúncias de “legislar em causa própria” (muitos são proprietários de fazendas já autuadas pelos órgãos ambientais), resolveram criar uma nova ordem na natureza. Muitos, até, realmente devem acreditar que “bichinhos e plantinhas” devem servir aos humanos, simplesmente. Muitos deputados, senadores e, claro, brasileiros. É, a “educação ambiental” não funcionou.

Várias sociedade colapsaram ao longo da trajetória humana na Terra. As poucas que reverteram situações dramáticas e salvaram-se do trágico destino apenas conseguiram porque a destruição do hábitat foi rápida e, na mesma geração, salvaram-se memórias de matas fechadas e rios caudalosos. Com isso, puderam adotar medidas emergenciais de recuperação, pois ainda se lembravam de como havia sido seu território. Na Ilha de Páscoa, por exemplo, a destruição foi lenta e total. Jared Diamond, autor de “Colapso” pergunta: -“O que teria pensado o pascoalês que derrubou a última árvore da ilha?”. Nada, o autor responde. Para ele, as árvores não faziam parte da sua vida.

A humanidade está conduzindo com lentidão o processo de destruição do hábitat da raça humana.

Para funcionar, a educação voltada à conscientização ambiental, deve, primeiro, surfar na onda da educação pura, aquela das escolas e aquela das residências, das famílias. Se esta base não funcionar, nada mais funcionará. Em segundo lugar, deve basear-se na disseminação dos princípios da cidadania e cooperação. Aí, sim, após, talvez, décadas de trabalho, poderá ressurgir o que chamaremos de “Educação Ambiental”.

Aliás, chega de palestrinhas, plantiozinhos de mudas, eventozinhos, cartilhazinhas, concursozinhos, programinhas... Não funcionaram. Precisamos de novas estratégias. Precisamos atingir, não centenas ou milhares, mas milhões de consciências!

domingo, maio 15, 2011

Chimpanzés um pouco diferentes


Já mostrei aqui uma interessantíssima entrevista com Jared Diamond, autor do excelente "Colapso". Retorno a este biólogo e cientista com a reflexão que ele próprio oferece em sua obra "O Terceiro Chimpanzé".

Para ele -e a partir de diversas pesquisas que ele cita- a humanidade tem pago um preço alto justamente pelas conquistas de que mais se orgulha. A evolução tecnológica, desde as mais rudimentares ferramentas ao mais moderno computador, assim como a imensa sequência de inovações nas técnicas agrícolas seriam "facas de dois gumes". A agricultura é um evento recente, na história da humanidade. Apenas surgiu há 10 mil anos (em mais de um milhão de anos de existência da espécie).

Quando nossos singelos 1,6% de genes que são, efetivamente, diferentes de nossos parentes, os chimpanzés, fizeram a diferença, pudemos abandonar a condição de coletores-caçadores e aventurarmo-nos na tecnologia. Coletores-caçadores buscavam na natureza seu alimento. Caçavam, e não criavam animais. Coletavam raízes e frutas, e não plantavam em hortas ou plantações como as vemos aos montes atualmente. Ou seja, o tempo todo estávamos envolvidos nas tarefas relacionadas à alimentação. Com ferramentas e com a agricultura, Jared lembra que surgiu, também, o tempo ocioso.

Ótimo! Foi a condição necessária para o desenvolvimento das artes, por exemplo (quem iria dedicar-se a pinturas, ou música, se estivesse com fome?!) e das linguagens.

Aos poucos, passamos a viver mais e o conhecimento foi sendo transferido às novas gerações que até então, sem sábios -sempre pessoas mais velhas-, precisavam reinventar a roda a cada geração.

O outro lado da moeda, para o autor, foram a criação da exploração do homem pelo homem, a divisão da sociedade em classes, a política, a desigualdade social e de gênero, as doenças e o despotismo. Aquele "tempo ocioso" acabou sendo usado na forma de comportamentos que afligem a existência humana moderna e que acabam sendo alguns dos principais diferenciais da espécie humana em relação aos demais primatas, outros descendentes de um ancestral comum.

"Dentre nossas qualidades singulares há duas que atualmente põem em risco nossa existência; a nossa propensão a matar nossos semelhantes e a destruir o meio ambiente. (...) Estas propensões são muito mais ameaçadoras em nós do que em outros animais devido ao nosso poder tecnológico e à nossa alta densidade populacional".

O livro é longo, cativante e aborda a evolução e o futuro do ser humano sob vários ângulos. Mais uma oportunidade de melhorar a visão de nossa verdadeira dimensão no universo...

sábado, abril 30, 2011

Apresentação às Secretarias

Representantes das Secretarias Municipais de Meio Ambiente, de Turismo, de Planejamento, e do Gabinete do Prefeito assistiram, na última sexta-feira, 29/4/2011, ao vídeo e conheceram o material elaborado pela Parkia para promover o Pólo de Ecoturismo 4 Cantos da Lagoa e conquistar patrocinadores para seus 17 Programas. Oficializaram total apoio à proposta. O próximo passo é apresentá-lo ao Conselho Gestor da APA da Lagoa Encantada e Rio Almada (em maio) e para as diversas comunidades!







terça-feira, abril 26, 2011

Projeto do Pólo de Ecoturismo: apresentação às Secretarias Municipais será nesta sexta-feira, às 10 hs

Em 26 de agosto de 2010 apresentamos às Secretarias Municipais o escopo geral do projeto de revitalização da região sob influência da Lagoa Encantada. Era o início dos trabalhos e havia o comprometimento de retornar após sua conclusão para o que a metodologia chamava de "consulta final".

Naquela época também estivemos na ATIL e em várias comunidades da região. Precisávamos coletar dados e permitir que todos participassem.

Agora, o projeto está pronto. Semana passada foi apresentado à ATIL (Associação de Turismo de Ilhéus) e sexta-feira, dia 29 de abril, será a vez de retornar ao Salão Nobre da Prefeitura Municipal e mostrar o fruto de meses de pesquisa, orçamentos, criação e trabalho, muito trabalho. A reunião está prevista para as 10 hs e deverá ter a presença dos principais secretários do município e representantes de diversas instituições que poderão participar das ações previstas no projeto.



O projeto do Pólo de Ecoturismo 4 Cantos da Lagoa foi formatado para que possa ser apresentado a empresários e convencê-los a patrocinar um dos seus 17 programas. Além da descrição e dos orçamentos completos dos programas, a Parkia desenvolveu o material que será utilizado para esta comunicação.

segunda-feira, abril 18, 2011

Polo de Ecoturismo 4 Cantos da Lagoa - Lagoa Encantada, Ilhéus, BA

Primeira reunião de consulta final: ATIL



Quem esteve lá pôde conhecer os detalhes e o material promocional a ser utilizado para conquistar patrocinadores para o futuro Pólo de Ecoturismo 4 Cantos da Lagoa, na região da Lagoa Encantada.

Este é um projeto da Parkia Consultoria e, agora, está pronto para correr o mundo. Aos poucos os detalhes serão postados aqui, na página da Parkia no Facebook e no site do pólo, em breve no ar.

A próxima reunião será com técnicos e equipes da Prefeitura e demais órgãos públicos; a seguir com as comunidades. Depois, com o Conselho Gestor da APA da Lagoa Encantada e Rio ALmada.

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sexta-feira, abril 15, 2011

Chegou a hora!

Amigos e empresários do turismo de Ilhéus, chegou a hora de conhecer o projeto da Parkia Consultoria para a região da Lagoa Encantada!

Nesta segunda-feira, às 8:30 hs (pontualmente!), na Pousada La Dolce Vita.

É um amplo projeto que propõe um conjunto de programas interligados. Estes programas serão apresentados a grandes empresas patrocinadoras, públicas ou particulares. Estas empresas estarão demonstrando responsabilidade social e ambiental e, ainda, poderão usufruir da grande visibilidade como contrapartida. Ao mesmo tempo, toda a infraestrutura e toda a operação serão assumidas gradualmente por moradores e pelas comunidades locais, devidamente preparados.

O papel deste projeto é apresentar os programas devidamente descritos e detalhados e, ainda, criar meios para convencer empresários e publicitários de que cada programa pode ser um investimento diferenciado e com grande repercussão na imagem de uma empresa.

Na apresentação desta segunda-feira, o Arquiteto Frederico Costacurta e sua equipe irão trazer o resultado de vários meses de trabalho e apresentar os detalhes de todo o processo e dos produtos finais.

Até lá!

Equipe Parkia

sábado, março 19, 2011

Chorinho! Única modalidade musical genuinamente brasileira!

O Dia Nacional do Choro é comemorado em 23 de abril, em homenagem à data de nascimento de Pixinguinha, uma das figuras exponenciais da música popular brasileira, e em especial do choro.

O choro



O choro entra na cena musical brasileira em meados e finais do século 19, e nesse período se destacam Callado, Anacleto de Medeiros, Chiquinha Gonzaga e Ernesto Nazareth. Inicialmente, o gênero mesclava elementos da música africana e européia e era executado principalmente por funcionários públicos, instrumentistas das bandas militares e operários têxteis. Segundo José Ramos Tinhorão, o termo choro resultaria dos sons plangentes, graves (baixaria) das modulações que os violonistas exercitavam a partir das passagens de polcas que lhes transmitiam os cavaquinistas, que induziam a uma sensação de melancolia.

O século 20 traria uma grande leva de chorões, compositores, instrumentistas, arranjadores, e entre eles, com destaque, Pixinguinha.

Pixinguinha

Alfredo da Rocha Vianna Júnior nasceu em 23 de abril de 1887. Cedo dedicou-se à música e deixou um legado de inúmeros clássicos, arranjos e interpretações magistrais, como flautista e saxofonista. Carinhoso, Lamento, Rosa, 1 x 0, Ainda Me Recordo, Proezas de Solon, Naquele Tempo, Vou Vivendo, Abraçando Jacaré, Os Oito Batutas, Sofres Porque Queres, Fala Baixinho, Ingênuo, estão entre algumas de suas principais composições.



O apelido Pixinguinha veio da união de pizindim – menino bom – como sua avó o chamava, e bexiguento, por ter contraído a varíola, que lhe marcou o semblante. Mário de Andrade registrou a presença do mestre na cena carioca, criando em seu livro “Macunaíma”, um personagem: “um negrão filho de Ogum, bexiguento e fadista de profissão” (Andrade, 1988). A passagem se dá quando o “herói sem nenhum caráter” freqüenta uma “macumba” em casa de tia Ciata. A caracterização de Mário de Andrade ficou difundida com a biografia de Pixinguinha elaborada por Marilia T. Barboza da Silva e Arthur L. de Oliveira Filho: “Filho de Ogum Bexiguento” (Rio de Janeiro, FUNARTE, 1979).


Chorinho às sextas-feiras no Bataclan, em Ilhéus!!

sábado, março 05, 2011

Low Hanging Fruits



Às vezes aprendemos com expressões ancestrais de outras culturas. Foi o caso, aqui no Desacelere, em 18/01/2009, de Rust Never Sleeps. Uma pérola que já foi, inclusive, título de um álbum memorável de Neil Young.

Agora, em "A Empresa Verde", um livro de Elizabeth Laville, encontro outra intrigante expressão: "Low Hanging Fruits"...

A princípio, é simples. Em administração, ou em planejamento, ocupemo-nos, primeiro, das tarefas mais simples e que tenham efeito imediato. Devemos -ou deveríamos- colher os frutos mais baixos e mais fáceis de serem colhidos, antes de nos preocupar com aqueles "mais altos" ou de alcance dificultado.

Uma versão britânica da Lei do Menor Esforço.



Tudo faz sentido. Até lembrarmos que muitos apenas colhem os Low Hanging Fruits. No trabalho, na vida, nos relacionamentos. Afinal, eles são atraentes pela facilidade. Por outro lado, quantos frutos muito mais saborosos, carnudos, coloridos simplesmente foram desperdiçados, apodreceram ou apenas foram saboreados pelos que ousaram escalar a árvore, correr os riscos, inventar instrumentos...

Low Hanging Fruits deve ser, então, o início e, nunca, o objetivo.

domingo, fevereiro 27, 2011

Entenda esta discussão do salário mínimo

Republico aqui texto de Stephen Kanitz com uma abordagem diferente e esclarecedora sobre os meandros da CLT e do salário mínimo.

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1. Quem paga somente Salário Mínimo no Brasil é basicamente o Estado, via Previdência. Estima-se que 80% dos que recebem SM são do Estado.

2. No Salário Mínimo da Previdência, aposentado merece inflação, mas não os ganhos de produtividade daqueles que continuam trabalhando. Por isto, não faz sentido ter o mesmo SM como benchmark de trabalhador e de aposentado.

3. Salário Mínimo custa para a empresa R$ 1.200,00 por posto de trabalho. (O cálculo certo exige um computador e 40 horas de cálculo. O primeiro computador do Brasil, um

trazido pelo Unibanco, era usado não para analisar empréstimos, mas para calcular a Folha de Empregados.)
4. Nas férias, empresas precisam empregar outro funcionário, por isto por Posto de Trabalho é 8% mais caro. Pior, quem ganha salário mínimo trabalha nas férias sim, mas é obrigado a fazer um bico, com metade da produtividade anterior.

5. Décimo Terceiro é mais um engodo dos "bem intencionados", que querem reforçar a ideia de ganhar produzindo nada.

O 13º salário simplesmente posterga por 12 meses o que o trabalhador produziu 12 meses antes.

6. O valor de R$ 545,00 é o que SOBRA depois que os impostos são tirados do trabalhador, que ainda tem que pagar 8% de contribuição para a aposentadoria dos outros.

Ele é mínimo devido à desorganização do Estado, e não devido à ganância dos administradores de empresas.

7. Mulheres custam R$ 1.400,00, porque estimamos que elas possam ter 3 filhos e vivem 10 anos a mais, o que custa em termos de aposentadoria.

8. Uma nação que nem contabiliza corretamente os seus custos, que divulga dados com erro de precisão de 50%, realmente gera pobreza como afirmou a Dilma.

9. Leva a nação inteira a acusar empresários de que pagam pouco, achando que discriminam mulheres e que pagam menos, e gera discórdia em vez de mostrar quem é que realmente está desorganizando o Brasil.

sábado, fevereiro 26, 2011

Mehmet Oz, especialista em retardar os efeitos do envelhecimento

Às vezes aparecem algumas entrevistas que correspondem exatamente ao que penso de certos assuntos. Retratam o que nossa experiência demonstra há algum tempo. É o caso da longa -mas necessária- entrevista que foi publicada recentemente na revista Veja. Vale a leitura!

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A especialidade do cirurgião cardíaco turco e cidadão americano Mehmet Oz, de 47 anos, é retardar ao máximo os efeitos da idade em seus pacientes. Diretor do Programa de Medicina Integrada da Universidade Colúmbia, em Nova York , ele é consultor da famosa clínica antienvelhecimento do médico Michael Roizen, criador do conceito de que é possível manter o organismo mais jovem do que aponta a idade cronológica. Oz e Roizen também assinam a quatro mãos uma série de livros de sucesso que ensinam como manter um estilo de vida que adia a velhice. O mais recente deles, You Staying Young (Você Sempre Jovem), lançado há um mês nos Estados Unidos, já vendeu meio milhão de exemplares. Nos últimos quatro anos, Oz se tornou uma celebridade ao participar de um quadro fixo no programa de TV da apresentadora Oprah Winfrey. Ele também apresenta documentários no Discovery Channel. Nos dois casos, dá dicas aos telespectadores sobre como viver mais com boa saúde. Esse é justamente o tema da entrevista que ele deu a VEJA.



BREVE BIOGRAFIA DO DR.OZ

Dr.Mehmet Oz nasceu em Cleveland, Ohio (EUA), dos pais turcos. Ele é casado e pai de quatro filhos. Ele se formou da Harvard University em 1982, depois fez mestrado e MBA na Universidade de Pennsylvania.

Ele é autor de mais de 350 publicações e vários livros. Em maio de 2005 estava na lista de New York Times Bestseller.

ENTREVISTA DA VEJA

Veja - Existe uma fórmula para se manter jovem por mais tempo?
Oz - Sim. Há catorze agentes principais envolvidos no envelhecimento. Sete retardam o processo, como os antioxidantes, e sete nos enfraquecem, como a atrofia muscular. É preciso manter esses agentes sob controle. O primeiro passo para alcançar esse objetivo é pensar não na possibilidade de ficar doente, mas na necessidade de manter o organismo saudável.. Deve-se tirar o foco da prevenção dos males e direcioná-lo para a preservação da saúde. Se ninguém mais morresse de câncer e de doenças cardiovasculares, a expectativa de vida média do ser humano subiria apenas nove anos. Isso mostra que, para aumentar consideravelmente a expectativa de vida, não basta evitar doenças. É preciso cuidar do corpo para que ele não enfraqueça. Quando uma pessoa envelhece, doenças potencialmente fatais, como o câncer e o infarto, não aparecem de imediato. Antes que elas se instalem, o corpo torna-se mais frágil e vulnerável.

Veja - O que fazer para evitar que o corpo se torne frágil e vulnerável?
Oz - Meu novo livro, You Staying Young (Você Sempre Jovem, ainda sem previsão de lançamento no Brasil), trata exatamente desse tema. Os exercícios físicos são uma ferramenta essencial. Eles combatem o primeiro sinal do envelhecimento, que é a perda de força muscular. Outros recursos importantes são alimentar-se bem e meditar. Uma boa recomendação é a prática do tai chi chuan, exercício oriental que combina equilíbrio, coordenação motora e também meditação. Se todos adotassem essas medidas, a vida média da população poderia subir para 110 anos. Quanto à alimentação, não podem faltar nutrientes como o resveratrol da uva e o licopeno do tomate, que são poderosos antioxidantes. O principal, mas também o mais difícil, é controlar a quantidade dos alimentos. De qualquer forma, todo mundo deve comer um pouco menos do que tem vontade.

Veja - Fazer várias pequenas refeições por dia, como recomendam alguns médicos, faz bem para a saúde?
Oz - Deve-se comer de três em três horas. Se o intervalo é maior, a taxa de hormônio grelina, que estimula a fome, começa a subir. O problema é que, após uma refeição, ainda demora trinta minutos para que a taxa desse hormônio volte a baixar. Em conseqüência disso, acaba-se comendo mais do que se deveria. O mais importante, além de comer alguma coisa a cada três horas, é trocar as refeições grandes por pequenas, intercaladas por lanchinhos. Esse conceito não foi criado por mim. É o que mostram as pesquisas científicas.

Veja - O que o senhor considera refeições grandes e pequenas?
Oz - Uma refeição grande ultrapassa 1 000 calorias. Uma pequena tem, no máximo, 500. Quem consome por volta de 2 000 calorias diárias pode fazer duas refeições de 300 calorias cada uma e outra maior, de até 800. Os lanchinhos podem ter até 250 calorias.

Veja - O que deve ficar de fora do cardápio?
Oz - Existe uma regrinha fácil de ser usada, a regra dos cinco. Para isso, é preciso examinar o rótulo dos alimentos. Cinco ingredientes não podem estar entre os primeiros listados no rótulo. São eles: gorduras saturadas, gorduras trans, açúcar simples, açúcar invertido e farinha de trigo enriquecida. Dois desses nutrientes são gorduras, dois são açúcares. Os dois tipos de gordura podem estimular processos inflamatórios no fígado que forçam a produção de substâncias deletérias, como o colesterol. Também fazem com que o fígado fique menos sensível à insulina, aumentando o risco de diabetes. Os açúcares listados fazem mal por estimular a produção de insulina, o que aumenta o depósito de gordura corporal.. O pior é que esses cinco itens são os mais comuns nas dietas atuais.

Veja - O cardápio básico do brasileiro, composto de arroz, feijão, carne e salada, é saudável?
Oz - A princípio, sim. Esse cardápio contém exatamente os nutrientes para os quais a digestão humana está preparada. Mas os brasileiros comem carnes muito gordas, o que é errado.. Antigamente, no mundo inteiro, quando os métodos de criação do gado eram mais simples, a porcentagem de gordura dos melhores cortes da carne bovina era, em média, de 4%. Hoje é de 30%. Outro problema dos hábitos alimentares do brasileiro é que ele come arroz em excesso, o que não traz nenhum benefício. Melhor seria adotar o arroz integral. Os alimentos integrais têm mais fibras, o que os mantém mais tempo no intestino e diminui a absorção de açúcar pelo organismo. Uma vantagem dos brasileiros é ter à disposição enorme variedade de frutas e vegetais maravilhosos, por preço razoável.

Veja - Os hábitos que o senhor propõe para prolongar a vida são relativamente simples, mas exigem controle estrito sobre as atividades do dia-a-dia. Como exercer esse controle?
Oz - A palavra-chave é automatizar. Ou seja, fazer desses hábitos uma rotina, sem precisar pensar muito neles.. Acordar, escovar os dentes e passar o fio dental, para reduzir a quantidade de bactérias prejudiciais à saúde. Beber muito líquido ao longo do dia, principalmente água e chá verde. Dormir ao menos sete horas por noite. Durante o sono se produz o hormônio do crescimento, essencial mesmo para quem já é adulto, pois prolonga a juventude. Caminhar meia hora por dia e praticar exercícios que façam suar três vezes por semana. Meditar cinco minutos diariamente, o que pode estar embutido na prática de ioga ou tai chi chuan. Evitar alimentos que estejam na regra dos cinco, que mencionei anteriormente. Uma última coisa: estreitar o relacionamento com as pessoas próximas e abster-se de julgá-las. Em vez de julgar os outros, é melhor tomar conta de si próprio.

Veja - Abster-se de julgar os outros ajuda a manter a juventude?
Oz - Sim, da mesma forma que resolver situações de conflito. O conflito não traz nada de positivo. É apenas desgastante. Costumo recomendar a meus pacientes que procurem as pessoas com quem mantêm uma relação de animosidade e tentem resolver o impasse. Essa é uma atitude para o bem-estar próprio. Não há nada de altruísta nela. É uma atitude egoísta.

Veja - O que o senhor acha das dietas para emagrecer que surgem e viram moda a cada seis meses?
Oz - Essas dietas fazem sucesso, mas são péssimas para a saúde. A alimentação não deve ser encarada como uma maratona para a perda de peso. Uma dieta que tenha como chamariz o emagrecimento rápido não é confiável. Comer menos do que o corpo necessita é uma agressão à fisiologia. Ou seja, aos processos químicos que fazem o organismo funcionar. Quando a fisiologia é desprezada, os resultados das dietas são transitórios.

Veja - Por que o senhor recomenda cuidados com o jantar?
Oz - Na verdade, há uma única regra a observar: deve-se jantar pelo menos três horas antes de dormir. Deitar logo após a refeição facilita o acúmulo de gordura, principalmente na cintura. Além disso, comer muito tarde prejudica o sono.

Veja - O senhor recomenda beber muita água durante o dia. Quanto se deve beber exatamente?
Oz - Deve-se beber uma quantidade suficiente para que a urina esteja sempre clara. Isso varia de um dia para o outro. Em dias quentes, sua-se muito e, por isso, é preciso beber mais água. Para quem não abre mão da cafeína, sugiro chá verde. Em lugar de quatro cafezinhos por dia, beba quatro copos de chá verde. Essa bebida concentra muitos antioxidantes e nutrientes bons para a saúde.

Veja - Muitos ambientalistas condenam o consumo de água engarrafada. Do ponto de vista da saúde, ela é melhor que a água da torneira?
Oz - Eu acho um erro beber água engarrafada. Há dois problemas principais com ela. O primeiro é que, se a garrafa plástica não for reciclada, pode contaminar os mares e os rios. Isso prejudica o meio ambiente e, indiretamente, a saúde. O plástico das embalagens vai parar nos peixes que comemos. O resultado é que 97% das pessoas apresentam resíduos de plástico no organismo, o que interfere no sistema hormonal. Esses resíduos estimulam os receptores de estrogênio, o hormônio feminino. Em excesso, o estrogênio pode causar câncer e outros problemas. As toxinas contidas no plástico também aceleram o envelhecimento. O segundo problema é que, como a água engarrafada não apresenta vantagens com relação à água da torneira, trata-se de um desperdício de dinheiro.

Veja - O senhor recomenda exercícios físicos que provoquem suor. Exercícios leves são inúteis?
Oz - Essas recomendações visam à saúde cardiovascular. Para essa finalidade, apenas os exercícios moderados ou intensos, que fazem suar, apresentam benefícios. Mas os exercícios suaves e de baixo impacto têm valor. Mesmo a caminhada movimenta grandes músculos, como os das coxas e dos quadris, que consomem muita energia. Como o gasto calórico muscular é maior durante o exercício, a queima de calorias aumenta.

Veja - Os suplementos vitamínicos são criticados em muitos estudos científicos. O que o senhor acha deles?
Oz - Eles são eficazes, mas prometem mais do que cumprem. Na verdade, os médicos saem da faculdade sem conhecimentos suficientes sobre os suplementos e são forçados a tirar suas próprias conclusões. De modo geral, uma suplementação só é necessária quando as vitaminas não são obtidas naturalmente com a alimentação. Por outro lado, acredito que determinadas vitaminas podem melhorar a qualidade de vida e a longevidade. Entre elas estão as vitaminas A, B, C, D e E, além de cálcio, magnésio, selênio e zinco. A vitamina D é importantíssima, pois previne câncer e osteoporose. Principalmente nos países mais frios, onde a exposição solar é restrita, os suplementos são essenciais.

Veja - Além dos procedimentos já descritos nesta entrevista, o que mais o senhor faz para adiar o envelhecimento?
Oz - Minha receita principal de juventude é brincar com meus filhos. Também procuro descobrir coisas novas todos os dias. Aprendo ao conversar com os outros e, apesar de ser muito assediado para responder a perguntas, por causa de minha atuação na TV, prefiro perguntar, saber como é a vida das pessoas, como elas trabalham. Isso faz minha mente exercitar-se.

Veja - Nos últimos anos, o aperfeiçoamento do tratamento clínico fez cair o número de cirurgias cardíacas. Essa é uma tendência em outras especialidades médicas além da cardiologia?
Oz - Sem dúvida. Os recursos clínicos tornaram-se mais eficazes tanto para a prevenção de doenças quanto para seu tratamento. Por isso, assim como na cardiologia, a cirurgia deixou de ser a primeira opção em outras áreas. Há poucos anos, quando o paciente machucava o joelho, ia direto para a sala de operação. Agora, ele vai para a sala de fisioterapia. Essa tendência também é evidente nos casos de diverticulite, uma inflamação do intestino, que passou a ser tratada com o consumo de fibras. O mesmo acontece com pacientes que apresentam doença arterial obstrutiva periférica. Antes eles iam para a faca. Agora, recebem como orientação deixar de fumar e caminhar. Mesmo que sintam dor num primeiro momento, essa é uma maneira de estimular o crescimento de novos vasos sanguíneos para substituir os danificados.

Veja - O senhor já esteve no Brasil. Como foi sua experiência no país?
Oz - Visitei o Brasil há muitos anos, quando ainda era estudante de medicina. Fui ao Rio de Janeiro e conheci o doutor Ivo Pitanguy. Também fiquei deslumbrado com as frutas brasileiras e com as lojas de sucos. Elas misturam frutas e outros vegetais, uma combinação pouco convencional. Conheci o açaí, que até hoje está no meu cardápio. Compro açaí em Nova York mesmo. É um dos alimentos com maior concentração de antioxidantes. Planejo voltar ao Brasil em meados do ano que vem para gravar um programa. Quero muito ir à Amazônia e conhecer as plantas medicinais da região.

quinta-feira, janeiro 27, 2011

Fernando de Noronha: empresa gerenciará os serviços de uso público

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) concluiu o processo de licitação para a exploração de serviços de uso público no Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha, em Pernambuco. De acordo com o edital, a empresa Cataratas do Iguaçu, vencedora da licitação, terá que investir R$ 7,5 milhões no parque nos dois primeiros anos.



As obras incluem construção de mirantes e trilhas suspensas, novas escadarias, recuperação de estradas de acesso e a instalação de uma exposição permanente avaliada em R$ 700 mil no Centro de Visitantes. A empresa ajudará ainda a controlar a linhaça, uma das principais espécies invasoras de Noronha.

A Cataratas do Iguaçu fará ainda o controle da cobrança de ingresso. Com isso, serão gerados 30 empregos diretos, o que, para a ilha, que tem uma população fixa em torno de mil pessoas, é algo importante.

INGRESSOS – Os ingressos passarão a ser cobrados a partir do final de fevereiro de 2011. O valor será de R$ 60 para brasileiros e R$ 120 para estrangeiros. Ao pagar a taxa, o visitante poderá permanecer no parque durante 10 dias. Ou seja, o valor diário fica em apenas R$ 6, no caso dos brasileiros.

Ainda conforme o edital, 15% da arrecadação serão repassados ao ICMBio, por meio do orçamento geral da União. O dinheiro será reinvestido na unidade de conservação. A empresa adotará as mesmas regras de isenção seguidas pela Administração do Distrito Estadual de Fernando de Noronha, vinculado ao Governo de Pernambuco, na cobrança da taxa de preservação.

Esse é o quarto parque nacional do País a ter o serviços de uso público terceirizados. Os outros são Foz do Iguaçu, no Paraná, e Tijuca e Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro.

TAXA ATUAL – Atualmente, o visitante paga R$ 38,24 para cada dia de permanência em Noronha. O valor aumenta exponencialmente a partir do quinto dia. Não pagam a taxa moradores, funcionários a serviço e parentes de primeiro grau dos residentes na ilha.
O Governo do Estado calcula em R$ 10 milhões a arrecadação anual e diz que a verba é destinada à limpeza urbana, transporte de suprimentos de navio, hospedagem, alimentação e transporte aéreo dos funcionários em trânsito na ilha.

O total de visitantes no ano passado, segundo dados da Administração de Fernando de Noronha, foi de 60.673 pessoas. O número não inclui os passageiros dos transatlânticos em cruzeiro à ilha. Esses navios, que aportam em Noronha em escalas semanais, permanecendo por um dia e meio, transportam em média 600 passageiros.

O PARQUE – Criado em 1988, o parque tem 112 quilômetros quadrados, dos quais 17 quilômetros quadrados estão em terra firme e o restante no mar. A ilha principal tem mil moradores, a maioria trabalhando no serviço público e com turismo. O trecho que não está no Parque Nacional Marinho (Parnamar) faz parte da Área de Proteção Ambiental (APA), outra unidade de conservação federal.

Fonte: ICMBio

domingo, janeiro 23, 2011

Entrevista de Jared Diamond ao jornal O Estado de São Paulo

O livro "Colapso" foi uma das leituras mais densas e completas dos últimos anos. Envolve a visão do meio ambiente, das civilizações, dos processos de urbanização, dos relacionamentos entre pessoas e seus grupos -ou tribos...

Hoje, o jornal O Estado de São Paulo publica, em seu caderno "Aliás", uma longa, interessante e indispensável entrevista com este cientista. Transcrevo aqui, pois deve ser lida, relida e, como fiz, retransmitida...




Rubbish! É a resposta - em bom inglês - do biogeógrafo americano Jared Diamond para a pergunta sacada com frequência pelos "céticos do clima" no afã de congelar o debate ambiental: o aumento da temperatura do planeta, ao qual se atribui a intensificação dos ciclos de calor e frio testemunhada hoje por toda a parte, pode ser o resultado de um ciclo natural da Terra? Rubbish - lixo, besteira. "A ideia de que as mudanças climáticas que estamos presenciando hoje são naturais é tão ridícula quanto a que nega a evolução das espécies", fustiga o autor de Colapso (Record, 2005), um tratado multidisciplinar de 685 páginas na edição brasileira que analisa as razões pelas quais grandes civilizações do passado entraram em crise e virtualmente desapareceram. E a questão assustadora que emerge de seu olhar sobre as ruínas maias, as estátuas desoladoras da Ilha de Páscoa ou os templos abandonados de Angkor Wat, no Camboja, é: será que o mesmo pode acontecer conosco?

A resposta de Diamond, infelizmente, é sim. Ganhador do Prêmio Pulitzer por sua obra anterior, Armas, Germes e Aço (Record, 1997), em que focaliza as guerras, epidemias e conflitos que dizimaram sociedades nativas das Américas, Austrália e África, o cientista americano há anos nos adverte sobre os cinco pontos que determinaram a extinção de civilizações inteiras. O primeiro, é a destruição de recursos naturais. O segundo, mudanças bruscas no clima. O terceiro, a relação com civilizações vizinhas amigas. O quarto, contatos com civilizações vizinhas hostis. E, o quinto, fatores políticos, econômicos e culturais que impedem as sociedades de resolver seus problemas ambientais. Salta aos olhos em sua obra, portanto, a centralidade que tem a ecologia na sobrevivência dos povos.



Foi na semana subsequente à pior catástrofe natural da história do País, na região serrana do Rio de Janeiro - a mesma em que um arrepiante tornado surgiu nos céus de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense -, que Jared Diamond falou por telefone ao Aliás. Às vésperas do lançamento no Brasil de um de seus primeiros livros, O Terceiro Chimpanzé (1992), o professor de fisiologia e geografia da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, fala das providências cruciais que o ser humano deverá tomar nos próximos anos para garantir sua existência futura. Diz que as elites políticas, seja nos EUA, na Europa, nos países pobres e nos emergentes, tendem a tomar decisões pautadas pelo retorno em curto prazo - até um ponto em que pode não haver mais retorno. Avalia que o Brasil dos combustíveis verdes tem sido "uma inspiração para o mundo", mas também um "mau exemplo" na preservação de suas florestas tropicais. E fala da corrida travada hoje, cabeça a cabeça, entre "o cavalo das boas políticas e aquele das más", que vai determinar o colapso ou a redenção das nossas próximas gerações.

O Brasil enfrentou tempestades de verão que mataram mais de 700 pessoas. Debarati Guha-Sapir, do Centro de Pesquisas sobre a Epidemiologia de Desastres da ONU, disse que o tamanho da tragédia é indesculpável, pois o País tem apenas um desastre natural para gerenciar. Como evitá-lo no futuro?

Precisamos estar preparados para um número cada vez maior de tragédias humanas relacionadas a mudanças climáticas. O clima se tornará mais variável. O úmido será mais úmido e o seco, mais seco. A Austrália, por exemplo, acaba de sair da maior seca de sua história recente e agora enfrenta o período mais úmido já registrado no país. Em Los Angeles, onde moro, recentemente tivemos o dia mais quente da história e, há algum tempo, o ano mais chuvoso e também o mais seco que a cidade já viu.

Em seus escritos, o sr. aponta a Austrália como um país com estilo de vida antagônico às suas condições naturais. Mas, em comparação com o Brasil, os australianos se saíram melhor: enfrentaram a pior enchente em 35 anos, mas contabilizaram apenas 30 mortos. Como explicar isso?

É verdade que o modo de vida dos australianos não está em harmonia com suas condições naturais. Mas o estilo de vida dos americanos e dos brasileiros tampouco. O modo de vida do mundo não está em harmonia com as condições naturais deste próprio mundo. No caso da Austrália, o país fica no continente que tem o meio ambiente mais frágil, o clima mais variável e o solo menos produtivo. Mas a Austrália é um país rico e dispõe de mais dinheiro que o Brasil para criar uma infraestrutura que gerencie tais problemas. Em Los Angeles, onde as enchentes são recorrentes, não resta um rio em seu leito natural: todos receberam canais de concreto para reduzir o risco de enchentes. A minha casa fica literalmente em cima de um córrego coberto por uma estrutura de concreto. Nos 34 anos em que vivi nessa casa, apenas duas vezes a água invadiu o porão.

Em Colapso, o sr. lista cinco razões que explicam o declínio das sociedades. Elas continuam as mesmas?

Sim. Os cinco fatores que levo em consideração ao tentar entender por que uma sociedade é mais ou menos propícia a entrar em colapso são, em primeiro lugar, o impacto do homem sobre o meio ambiente. Ou seja, pessoas precisam de recursos naturais para sobreviver, como peixe, madeira, água, e podem, mesmo que não intencionalmente, manejá-los erradamente. O resultado pode ser um suicídio ecológico. O segundo fator que levo em conta é a mudança no clima local. Atualmente, essa mudança é global, e resultado principalmente da queima de combustíveis fósseis. O terceiro fator são os inimigos que podem enfraquecer ou conquistar um país. O quarto são as aliados. A maioria dos países hoje depende de parceiros comerciais para a importação de recursos essenciais. Quando nossos aliados enfrentam problemas e não são mais capazes de fornecer recursos, isso nos enfraquece. Em 1973, a crise do petróleo afetou a economia americana, que dependia da importação do Oriente Médio de metade dos combustíveis que consumia. O último fator recai sobre a capacidade das instituições políticas e econômicas de perceber quando o país está passando por problemas, entender suas causas e criar meios para resolvê-los.

O colapso da sociedade como hoje a conhecemos é evitável ou apenas prorrogável?

É completamente evitável. Se ocorrer, será porque nós, humanos, o causamos. Não há segredo sobre quais são os problemas: a queima exagerada de combustíveis fósseis, a superexploração dos pesqueiros no mundo, a destruição das florestas, a exploração demasiada das reservas de água e o despejo de produtos tóxicos. Sabemos como proceder para resolver essas coisas. O que falta é vontade política.

O Brasil tem feito sua parte?

Nunca estive no Brasil, portanto não posso falar a partir de uma experiência de primeira mão. Mas pelo que entendo, vocês adotaram uma solução imaginativa para a questão energética, com a produção de etanol. O Brasil é uma inspiração para o resto do mundo em relação aos carros flex. Por outro lado, mesmo que o País esteja consciente dos riscos de se desmatar a maior floresta tropical do mundo, muito ainda precisa ser feito. A Amazônia é muito importante para os brasileiros, pois ela regula o clima do país. Se a destruírem, o Brasil inteiro sofrerá com as secas.

De que maneira as elites tomadoras de decisão podem encabeçar a solução dos problemas ou ser responsáveis por conduzir sociedades à autodestruição?

Uma elite que foi competente em solucionar problemas é a composta por políticos dos Países Baixos, que têm grandes dificuldades com o manejo de água, já que um terço da área desses países está abaixo do nível do mar. A Holanda investiu uma quantidade enorme de dinheiro no controle de enchentes. Uma coisa que motivou os políticos holandeses é que muitos deles vivem em casas que estão sob o nível do mar. Eles sabem que se não resolverem a coisa vão se afogar com os demais. Outra elite razoavelmente bem-sucedida é a realeza do Butão, nos Himalaias. O rei butanês disse ao seu povo que o país precisa se tornar uma democracia quer queira, quer não. Ele também anunciou que a meta do país não é aumentar o PIB, mas elevar o índice que mede a felicidade nacional. Isso é verdadeiramente uma meta maravilhosa. Nos EUA, temos políticos poderosos com uma visão curta e destrutiva. Acho que contamos com um bom presidente, mas temos uma oposição cujos objetivos no presente momento se resumem a ganhar a próxima eleição presidencial e, repetidamente, tem negado a existência da mudança climática e do aquecimento global.

De que forma o declínio de sociedades antigas pode nos servir de lição?

Algumas sociedades do passado cometeram erros decisivos, outras agiram com sabedoria e tiveram longos períodos de estabilidade. Um vizinho de vocês, o Paraguai, é um exemplo de país que cometeu um erro crucial, há 120 anos: lutar simultaneamente contra Brasil, Argentina e Uruguai. Isso resultou na morte de 80% dos homens e um terço da população. Tomando como exemplo o Paraguai, precisamos aprender a adotar metas realistas. Podemos aprender também com os países que manejam bem seus recursos, como a Suécia e a Noruega, ou tomar como mau exemplo a Somália - que desmatou suas florestas e hoje sofre com a seca. Em defesa da Somália, podemos argumentar que o país não conta com um grande número de ecologistas capacitados, ao contrário de Brasil e EUA.

O sr. estudou a ascensão e queda de sociedades no passado, mas o que se discute agora é o futuro da própria humanidade. Sua teoria é capaz de explicar os desafios do mundo globalizado?

Sim. É verdade que esta é a primeira vez na história que enfrentamos o risco de o mundo inteiro entrar em colapso. No passado, o colapso do Paraguai, por exemplo, não teve nenhum efeito na economia da Índia ou da Indonésia. Hoje, até mesmo quando um país remoto, como a Somália ou o Afeganistão, entra em colapso isso repercute ao redor do mundo. Mas, por analogia, é possível tirar conclusões semelhantes.

O geógrafo brasileiro Milton Santos (1926-2001) enfatizou aspectos socioculturais para explicar os dilemas da sociedade, enquanto seu trabalho é considerado por alguns como geodeterminista. Aspectos culturais não teriam mais influência sobre o futuro das sociedades que os naturais?

Com frequência as pessoas me perguntam se isso ou aquilo é mais importante para explicar o declínio das sociedades. Questões como essas são ruins. É o mesmo, por exemplo, que perguntar sobre as causas que levaram ao fracasso de um casamento. O que é mais importante para manter um casamento feliz? Concordar sobre sexo ou dinheiro, ou crianças, ou religião, ou sogros? Para se ter um casamento feliz é preciso estar de acordo a respeito de sexo e crianças e dinheiro e religião e sogros. O mesmo se dá no entendimento do colapso de sociedades. Fatores culturais são importantes, mas diferenças ambientais não podem ser ignoradas. Por exemplo, as regiões Sul e o Sudeste do Brasil são mais ricas que a Norte. Isso é por causa do meio ambiente, não porque as pessoas no norte sejam burras e as do sul mais inteligentes ou cultas. A explicação é que o norte do país é mais tropical e áreas tropicais tendem a ser mais pobres porque têm menos solos férteis e mais doenças. O mesmo é verdade nos EUA, onde até 50 anos atrás o sul foi sempre mais pobre que o norte. Ao redor do mundo, esse padrão é repetido: países tropicais tendem a ser mais pobres que os de zonas temperadas.

Que sociedades estão em colapso hoje?

Todas as sociedades do mundo estão em risco de colapso. Se a economia mundial colapsar isso afetará todos os países. Nós vimos o que houve dois anos atrás, quando o mercado financeiro americano quebrou, afetando todas as bolsas do mundo. Então, embora todos os países estejam em risco de colapso, alguns estão mais próximos dele do que outros - por uma maior fragilidade ambiental, porque são menos maduros política ou ecologicamente ou por qualquer outro motivo. Por exemplo, o Haiti, que retornou agora às manchetes com a volta do ditador Baby Doc, viu seu governo virtualmente colapsar e continua em grande dificuldade. O México enfrenta dificuldades gravíssimas relacionadas a problemas ecológicos, com a aridez de suas terras, e políticos, com a onda de assassinatos ligada ao tráfico de drogas. Paquistão é um exemplo óbvio, Argélia, Tunísia, que também estão no noticiário... Do outro lado, dos países com menos risco de colapso estão a Nova Zelândia, o Butão e, na América Latina, a Costa Rica. Chile também vai bem. E o Brasil tem melhores perspectivas que vizinhos como a Bolívia, claro.

Países podem se recuperar do colapso?

O colapso normalmente não é definitivo. Houve colapsos no passado que foram sucedidos por retomadas. O Império Romano caiu e, apesar disso, a Itália é hoje um país de Primeiro Mundo.

A Europa, onde o debate a as leis de proteção ambiental mais avançaram, também entrou em crise. Quando isso ocorre, há risco de retrocesso nas políticas ambientais?

É possível. Muita gente sustenta que, quando a economia está fraca, não se consegue investir como se deve no meio ambiente. O colapso econômico de fato põe em risco os avanços em sustentabilidade. Só que os problemas ambientais só são fáceis de resolver nos estágios iniciais. Nesse ponto custam menos, mas se aguardamos 20 ou 30 anos, eles se tornarão muito caros ou impossíveis de solucionar.

Nos EUA, quando o presidente Obama condicionou empréstimos às montadoras americanas ao investimento em carros mais baratos e menos poluentes, a crise não ajudou?

Tanto as crises econômicas podem ter bons efeitos para a política ambiental como fazê-la retroceder. Nos EUA, antes do crash financeiro, estava muito em moda o Hummer, um jipe de 3 toneladas, versão civil de um veículo militar utilizado no Iraque. Era caríssimo e gastava horrores em combustível. Aparentemente, suas vendas despencaram e isso é um efeito positivo da crise econômica. Ainda assim, há americanos ignorantes que ainda insistem em dizer que, uma vez que estamos em crise, podemos deixar a agenda ecológica de lado.

Há modelos econômicos melhores e piores no que diz respeito aos danos ecológicos?

No momento em que falamos, tenho que dizer que o modelo econômico americano não parece ser o mais adequado. Por outro lado, somos uma democracia, com maus políticos, mas também bons - que denunciam os problemas que põem em risco o futuro. Numa ditadura comunista, por exemplo, isso seria impossível. Gosto do sistema capitalista porque ele pressupõe competição, inclusive de ideias. Mas aprecio também o papel do Estado em interferir no capitalismo, evitando os monopólios e enfrentando grupos cujos interesses vão de encontro aos da maioria da população. Em comparação, eu diria que o modelo europeu de capitalismo, mais socializado e comprometido com o bem comum, é atualmente a alternativa menos ruim.

Alguns cientistas afirmam que não se pode dizer ao certo que o aquecimento global seja culpa da ação do homem; pode ser parte de um ciclo natural da Terra.

Sabe a palavra inglesa rubbish? Significa lixo, mas é usada em linguagem coloquial em referência a ideias ridículas. O argumento de que as mudanças climáticas que estamos presenciando hoje sejam apenas naturais é simplesmente ridículo. Tanto como aquele que nega a evolução das espécies. As evidências de que tais mudanças se devem a causas humanas são irrefutáveis. Os anos mais quentes registrados em centenas de anos se concentram nos últimos cinco que passaram. O planeta já enfrentou flutuações de temperatura no passado, mas nunca nos padrões registrados hoje. Não conheço um único cientista respeitável que afirme que as atuais mudanças de clima não se devam à ação humana. É por isso que eu digo: rubbish.

Seis anos depois do lançamento de Colapso, o sr. está mais otimista ou pessimista em relação ao futuro de nossa civilização?

Diria que me mantenho mais ou menos no mesmo nível. Tenho visto coisas ruins piorarem e boas tornarem-se melhores. O que mais me preocupa é que continuamos vendo um aumento vertiginoso do consumo no mundo, seja nos EUA, na China, na Índia ou no Brasil. O que me anima é que cada vez mais pessoas reconhecem a gravidade da situação e estão tomando iniciativas. Uma metáfora que gosto de usar é a da corrida de cavalos. Há dois deles correndo agora, o cavalo da destruição e o cavalo das boas políticas. Nestes últimos seis anos, eu diria que os dois têm corrido cada vez mais rápido, disputando cabeça a cabeça. Não sei qual vencerá a corrida, mas diria que as chances do cavalo do bem vencer são de 51%, enquanto o das más políticas tem 49%. E, se nossa destruição não é certa, nem um destino inescapável, é preciso saber que se não tomarmos medidas urgentes vamos ter grandes problemas.

A indústria do entretenimento mostra, cada vez mais, imagens do fim do mundo, prédios em ruínas, cidades abandonadas. Por que somos tão fascinados por nossa destruição?

Parte disso se deve à força romântica das imagens de civilizações passadas que entraram em colapso, como as ruínas dos maias, incas e astecas. Ou os escombros das guerras no Iraque e no Irã. E pensamos: quem construiu aqueles templos e monumentos, tinha uma cultura e arte admiráveis, podia imaginar que isso aconteceria? Por que essas civilizações entraram em colapso, sem poder evitar? E nos angustiamos: será que isso também vai acontecer conosco?

quarta-feira, janeiro 19, 2011

Voluntariado, prevenção e o custo da tragédia

A emoção é incontrolável. Imagens de crianças de olhos molhados e assustados acolhidas por pessoas que não as conheciam, mas que se apresentaram para atenuar o sofrimento. Em todo o país há organização, recolhimento e envio de donativos. Em dinheiro e em bens.

- Precisamos de papel higiênico, água, leite...

- Anotem a conta corrente que está recebendo doações.

Realmente é animador e, sim, emocionante. Pessoas que pouco têm compartilham este pouco com quem ficou sem nada. E, de alguma forma, é bom que seja assim.

Mas há uma questão que, para mim, não pode ser deixada de lado. O poder público está incumbido de zelar pela segurança da sociedade. Deveria planejar em médio e longo prazo, aplicar recursos em prevenção, fiscalizar, monitorar, orientar... Não, não é "choradeira" de alguém que apenas esperaria atitudes do governo e não cumpre a sua parte.

Todos sabem que o custo de reparação é muito maior que o de prevenção. No Japão, consideram uma relação de 7 para 1. Cada unidade monetária investida em prevenção promove a economia de 7 unidades que seriam gastas com a reconstrução. Políticas não planejadas ou efetivadas, então, têm o poder de gerar tragédias e, com licença aos sofridos parentes das vítimas -vidas não têm valor-, resultar em uma despesa imensa.

Ora, se houvesse uma única entidade chamada "poder público", ela estaria assumindo para si o risco de não prevenir adequadamente desabamentos, inundações, e mortes, muitas mortes. A despesa para recuperar cidades, plantações, vias, escolas, hospitais e também os recursos para atender desabrigados e a multidão que sobrevive nos hospitais deveria estar prevista nos orçamentos públicos.



É bonito, mas muito injusto que a população, que não criou o risco e a despesa, "ajude" os governos a suprir as vítimas de tragédias como as que aparecem a toda hora nos telejornais e em nossa memória. O governo precisa de ajuda? Ele preferiu correr o risco! São, na grande maioria, tragédias anunciadas e previstas, de causas muito bem conhecidas!!

Alguém poderia dizer que, ok, mas se o governo não comparece, que venham os voluntários e os doadores! Faz sentido. Mas que fique claro que estamos, assim, fazendo o papel do governo e, até, criando um fator de acomodação.

O governo arrecada. E muito. Como direciona estes recursos é problema de toda a sociedade. Ao invés de nos mobilizarmos para verificar -e, se for o caso, contestar!- as decisões orçamentárias dos governos, passamos nosso tempo mobilizados para atender vítimas. Parece que precisamos desta "emoção da solidariedade" para nos sentirmos úteis, participativos, bondosos...



Realmente, "prevenção" parece ser tabu e palavrão, tanto para os políticos quanto para a sociedade.

A energia reunida em momentos como o atual, de mobilização social para suprir vítimas de tragédias, poderia, também, ser canalizada para um grande movimento social pela prevenção.

quinta-feira, janeiro 13, 2011

Histórias que se repetem

Há um ano, a mesma tragédia.

Você remove um, chegam dois. Você cria uma lei, ninguém respeita, não há fiscais, não há punições. O solo, as águas, as coberturas vegetais são utilizados como uma "coisa" de ninguém.

Leia meu texto sobre os fatos de Angra dos Reis, no início de 2010. Nada de novo. Infelizmente.

Planejar cidades é arte e ciência. Antiga e necessária. O crescimento e a aglomeração populacionais têm travado qualquer criatividade.

Na foto, a absurda situação de construções de grande porte, nas encostas de Nova Friburgo. As que sobraram...



Enquanto os gestores não forem obrigados a prestar contas de suas ações preventivas -refiro-me a planejamento urbano e saúde, segurança, mobilidade...- eles continuarão a centrar-se naquilo que lhes será permitido colher no prazo de um mandato. Ações preventivas também custam e o efeito fará parte da colheita de um sucessor. Não há motivos para investir em prevenção...

Nossa geração ainda é responsável pelo que sobrará para as próximas. E, convenhamos, na maior parte do planeta só está piorando... À minha volta, também.

sábado, janeiro 08, 2011

Ligue o chuveiro e mate um índio


A matriz energética brasileira baseia-se na geração em usinas hidrelétricas, não é? Ao invés de queimar óleo ou carvão (vegetal ou mineral), deixamos, simplesmente, a água passar e... Surpresa! Energia limpa!

Não é bem assim.

Além da conhecida destruição ambiental e social (quem, com idade além dos 30 não cantou "o sertão vai virar mar"?!) dos grandes alagamentos decorrentes da construção de represas, há um exemplo, para mim chocante e altamente simbólico do estado de "senhor do mundo" a que chegou nossa pobre espécie, a humana.

Conheci os dados e uma história muito atual que se passa no interior do estado do Mato Grosso. Uma tribo -ou uma comunidade- Nhambiquara, que vive isolada e, quem diria, em equilíbrio ambiental, está ameaçada, justamente, por seus hábitos alimentares. Apenas comem peixes. E há um projeto, já há obras, ações e movimentação para a construção de mais de 15 pequenas hidrelétricas (PHE) e duas grandes usinas geradoras de energia naquela região. Não vai haver grandes alagamentos, mas... É possível que caia enormemente o estoque de peixes, afetados pela dificuldade de migração e outras características das espécies nativas.

"Ah, mas estamos resolvendo isso!", dizem. A solução, imaginem, é "tentar" fazer, a cada usina, "escadas" no rio (espécie de comportas), para permitir a migração de peixes. Fico imaginando: "por favor, senhor peixe, por aqui, pode ir entrando...".

Se não der certo (pelo menos eles vislumbram esta possibilidade), "estamos tentando mudar os hábitos alimentares dos indígenas. Quem sabe eles não passam a alimentar-se de galinhas ou carne bovina?".

!!!!!

Ok, eles já tentaram e, claro e ainda bem, não deu certo. Nada de outras carnes, apenas peixes. Um dos melhores hábitos deste povo e estariam tentando alterá-lo para adequá-los a uma nova realidade a eles imposta.

E por que tudo isso? Ora, a demanda por eletricidade é imensa. O Brasil está crescendo, não é? Mais ou menos... Há expansão econômica, mas ao mesmo tempo há imenso desperdício de energia e muito pouca energia verdadeiramente "verde", ou "social", com base na energia solar ou eólica, por exemplo.

Ligue o chuveiro e, se ele for elétrico, você estará auxiliando a retirar os peixes do cardápio daquela tribo e terminando por exterminá-la. Você pode estar participando do evitável aumento da demanda por eletricidade e, portanto, da demanda por unidades geradoras. As usinas do Mato Grosso, por exemplo...

Enquanto os custos -e preços- da energia elétrica e dos combustíveis fósseis, por exemplo e também, não refletirem a verdadeira escada de despesas complementares e corretivas decorrentes de sua utilização, os meios "limpos" serão inviáveis. Não haverá interesse efetivo por pesquisas e utilização.

domingo, janeiro 02, 2011

Mandamentos para atrair a pobreza

André Lima escreveu, Stephen Kanitz publicou e, agora, compartilho aqui, incluindo a ilustração. Vale a leitura!

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Os 10 Mandamentos Para Continuar Pobre são:

1. Fale mal dos ricos.

2. Fale mal do dinheiro.

3. Reclame das contas que você tem a pagar.

4. Seja mesquinho: Não doe nada nunca. O que é seu é seu.

5. Leia e colecione todo tipo de notícia ruim sobre a economia.

6. Atribua a sua situação econômica e a dos outros à sorte ou ao azar.

7. Fique revoltado quando souber de alguém que ganha um salário altíssimo. Quem sabe, assim o salário deles diminui e o seu cresce.

8. Pechinche o máximo, sempre: Quando for contratar alguém para realizar qualquer tipo de serviço, sinta-se feliz em conseguir fechar tudo a um preço inacreditavelmente baixo.

9. Culpe os outros pela sua situação financeira, os Bancos por exemplo.

10. Tenha vergonha de prosperar: Quando alguém elogiar algo que você tenha, diga que comprou na promoção.

Andre Lima

Tire suas próprias conclusões

Henri Matisse


Telluride Foundation
http://www.telluridefoundation.org


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