




Para Marx e Engels, a sociedade é o lugar do conflito entre opressores e oprimidos. “Capitalistas” teriam se apropriado dos meios de produção e estariam a explorar os que não têm meios de produzir sua subsistência. Haveria uma “obsessão pelo lucro” e, em conjunto com a “competição desenfreada” entre os capitalistas, teriam causado a enorme proletarização da humanidade.

Esta sociedade fictícia, em que os meios de produção estariam nas mãos do “povo”, teria uma estratificação “achatada”, com muitos, senão quase todos, cumprindo tarefas semelhantes e vivendo vidas iguais, embora usufruindo de assistência médica, educação, segurança, moradia e alimentação de qualidade aceitável. E esta sociedade –imaginária, insisto– apenas seria possível após intensa luta de classes.
A grande maioria das pessoas, que pouco ou nada têm, precisaria se mobilizar e rebelar-se contra uma minoria detentora do capital e da propriedade. Estes seriam expulsos e o povo se encarregaria de continuar a produção.
A luta de classes, na sociedade moderna, possui aspectos muito diferentes das lutas que aconteceram no século passado, em especial a primeira metade. Mesmo em organizações sociais socialistas há elite, opressores e oprimidos. Ou seja, há classes.
Por outro lado, alguém poderia dizer que assim como o cidadão cubano não pode deixar a ilha, há milhares de brasileiros que, igualmente, não podem deixar o local onde vivem, pois não têm consciência de si e do mundo, não têm dinheiro nem patrimônio. São presos numa terra de liberdade.
No mundo capitalista há empresas. E empresas precisam viver. E sobreviver. Um saudável objetivo para uma empresa é a longevidade, e, não, simplesmente, o lucro. Para ter uma vida longa uma empresa precisa aplicar o que a ciência, os práticos e os estudiosos afirmam. Lucro não seria o fim, mas o meio. Sim, há estudos e há empresários que pensam assim. O capitalismo é menos selvagem em certas cabeças e certas paragens. Quando falam em capitalistas, de quem estão falando? Até o século passado, eram homens de meia idade, cartola na cabeça, poucas palavras e sem escrúpulos no coração. Suas empresas sumiram ou adaptaram-se.

A realidade é outra. A ditadura é atribuída ao mercado e, este sim, não perdoa: corta cabeças e esquarteja o corpo. E é esta adrenalina que leva milhares de “aventureiros” à trilha do empresariado. Sim, o canto da sereia de ser seu próprio patrão (e agora, como fica a luta de classes, se sou opressor e oprimido?) e uma possível ascensão social também contam. E esta é a grande diferença no mundo capitalista e democrático: ascensão social. Ela é possível e muito mais acessível do que se faz crer. Observamos isso a cada dia.
Uma contradição, então, habita os corações de quem “não possui meios para sua sobrevivência” (visão marxista do proletariado):
A opção de tentar melhorar de vida é, na verdade, uma tentativa de mudar sua própria classe social. Aos poucos, um trabalhador pode ser promovido a gerente, conquistar um cargo de direção, acumular experiência e treinamentos e -quem sabe?- tornar-se um pequeno empresário. Qual é o tamanho limite para que ainda não seja um “capitalista opressor”? Não, não se trata do tamanho da empresa, mas da atitude do empresário.
Se a opção é pela luta de classes, descarta-se completamente a luta por ascensão social e decreta-se a eternidade do status “trabalhador” (como se fosse deixar de trabalhar ao tornar-se empresário!).
-Luto contra a “burguesia”, tenho ódio dos ricos, abomino as empresas e o capitalismo. Ao mesmo tempo preciso trabalhar e não me conformo em produzir riqueza para quem eu tanto abomino.
Sim, chegamos, então, ao mal maior, senão o único: a distribuição da riqueza. Quem possui bens, capital, patrimônio, não deseja perdê-los. Na verdade, não deseja perder a ponto de retornar a classes às quais já tenha pertencido e tanto suor custou para deixá-las. Querem manter o status conquistado, seja por ele próprio ou por seus antepassados.

A luta útil, portanto, é aquela para sair da situação atual para outra melhor, mais realizadora, mais produtiva para toda a sociedade. Não precisamos destruir classes para melhorar a sociedade, mas abrir, escancarar as portas para que a entrada (ou, claro, a saída) das “classes” seja facilitada, mas como uma conseqüência dos esforços (ou falta deles) de cada um. Estudou? Dedicou-se? Produziu? Atuou com integridade? Bem vindo, a classe é sua, você merece! Ao invés disso, ficou parado, pouco produziu, zombou da sorte e das oportunidades? Volte uma casa e jogue o dado novamente!

Chegamos à conclusão mais determinante: empresas também são assim. Nada de “lucro a qualquer custo”. Isto não promove saúde financeira, administrativa, comercial. Sim, o objetivo passa a ser estabilidade financeira, projeção no mercado, crescimento seguro, responsabilidade administrativa, para, então, gerar mais empregos, educar colaboradores e clientes, influenciar positivamente mais pessoas, gerar, simplesmente, mais felicidade. A empresa que sobrevive nada tem a ver com aquela corporação “capitalista” das cartilhas que incentivam a luta de classes. Ela cria oportunidade de crescimento pessoal de todos envolvidos. Ela é o cenário em que a ascensão social pode acontecer.






Acabo de receber uma mensagem de reflexão polêmica sobre o momento "7 bilhões" da humanidade. Discordo.
"As Nações Unidas chamam a atenção para o 'perigo da superpopulação mundial e a conseqüente falta de recursos', como se o grande mal do ser humano fosse sua capacidade de se reproduzir."
"Desde quando excesso de gente é a causa da degradação ambiental? Do sub-desenvolvimento econômico? Da instabilidade política? Os 20% mais ricos do mundo se apropriam de 82,7% da renda, enquanto os dois terços mais pobres ficam com apenas 6%. Então será que há pobres demais, ou será que há ambição demais no mundo? O que significa excesso de gente, afinal? Você realmente acredita que menos bebês significariam justiça social?"
Em várias situações realizei dinâmicas coletivas para abrir a discussão sobre "o que é, efetivamente, um problema". A ideia é provocar o pensamento sobre os verdadeiros problemas por trás daquilo que consideramos "o problema", ou seja, será que o que consideramos um problema -na vida, na empresa, na família...- não é a "ponta do iceberg" e que a resolução definitiva depende de tomar consciência de todo o corpo escondido, dos probleminhas e problemões causadores daquilo que, finalmente, conseguimos observar?

A primeira pergunta, naqueles encontros, era: "Qual é o maior problema do planeta?". Polêmica na mesa, o debate variava dos "práticos" aos "filosóficos", da pobreza à degradação moral, da corrupção à falta de espiritualidade... E não foi incomum a conclusão de que a disputa por espaço e recursos (alimentos e água, principalmente), e as intolerâncias religiosa, étnica, de gênero, de opção sexual, de filosofia política e outras, teriam origem na imensa aceleração do crescimento demográfico.
Os avanços da ciência (medicina, alimentação, prevenção...) permitem vidas mais longas e menos perdas de habitantes do planeta. Resultado? Mais gente. Muito mais gente. Ao todo, 7 bilhões!
Sim, ao invés de educar para ter menos filhos, que tal proporcionar saúde e qualidade de vida a todos, de forma que cada um possa decidir quantos filhos ter, e criá-los dignamente? A ideia parece simples e respeitosa, repleta de boas intenções e valoriza direitos humanos. Mas peca pela falta de realidade. Não temos tanto controle sobre os fatos quanto poderíamos pensar. A expansão populacional acontece desenfreadamente e, queiramos ou não, é ainda maior nas regiões mais pobres e despreparadas para lidar com os problemas por ela causados. Resultado? A proporção entre “pobres” e “ricos” aumenta e cria-se uma bomba relógio, representada tanto nos conflitos cotidianos urbanos e rurais, quanto nos grandes eventos bélicos da atualidade.
Não precisamos de um novo holocausto, evidentemente. Mas a ciência, tão evoluída, precisa de uma fórmula –respeitosa e natural- para conter, com urgência, a explosão demográfica.

