Direto ao assunto: para onde vai seu esgoto? Da sua casa, seu trabalho, dos hotéis onde tem se hospedado... É coletado por uma concessionária para ser tratado ou vai para uma fossa, a fossa séptica, construída para filtrá-lo antes de devolver parte dele ao ambiente? Parabéns! Mas esteja preparado para enfrentar a realidade, o fato de que a grande maioria das residências, das indústrias, despeja seus resíduos sem nenhum tratamento em locais absolutamente inadequados. Já comentei aqui que até o governo federal, em seu Censo 2010, igualou, ridiculamente, numa das perguntas, dois destinos de esgoto completamente distintos: rede coletora de esgotos e rede pluvial. Definitivamente: rede pluvial é rede de água de chuva! Coleta a água que escorre pela guia e penetra nas bocas de lobo. Não é lugar para receber esgoto!
Então, pergunto novamente: qual é o destino do seu esgoto? Não sabe? Pois saiba! Prefere varrer a sujeira para debaixo do tapete? Aquele rastro sujo e mal-cheiroso na areia da praia pode ter vindo de sua casa...
Então, alguns diriam: - Isto é função do governo! As prefeituras estão tomadas por incompetentes! É possível, mas enquanto os "incompetentes" não provêm redes de captação de esgoto, cada casa deve ter seu sistema próprio: uma fossa séptica de acordo com normas técnicas. Claro que há custo! Ter uma casa implica em custos: IPTU, energia, água, manutenção e... Uma fossa! É mais fácil, e barato, jogar nossos resíduos em qualquer lugar e ficar amaldiçoando gestores municipais.
Ok, mas nossos impostos devem ser bem utilizados, e isto significa cumprir a legislação, inclusive as recentes "Diretrizes Nacionais para o Saneamento Básico". Mobilização popular, debates, esclarecimento, convocação de vereadores e secretários municipais, criação e viabilização de conselhos, visibilidade... Há caminhos e podemos criar uma articulação maciça e eficiente. Mão à obra, em seu bairro, sua cidade, sua região!
Mas, enquanto isso, faça uma fossa!
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domingo, maio 13, 2012
sábado, abril 30, 2011
Apresentação às Secretarias
Representantes das Secretarias Municipais de Meio Ambiente, de Turismo, de Planejamento, e do Gabinete do Prefeito assistiram, na última sexta-feira, 29/4/2011, ao vídeo e conheceram o material elaborado pela Parkia para promover o Pólo de Ecoturismo 4 Cantos da Lagoa e conquistar patrocinadores para seus 17 Programas. Oficializaram total apoio à proposta. O próximo passo é apresentá-lo ao Conselho Gestor da APA da Lagoa Encantada e Rio Almada (em maio) e para as diversas comunidades!




terça-feira, abril 26, 2011
Projeto do Pólo de Ecoturismo: apresentação às Secretarias Municipais será nesta sexta-feira, às 10 hs
Em 26 de agosto de 2010 apresentamos às Secretarias Municipais o escopo geral do projeto de revitalização da região sob influência da Lagoa Encantada. Era o início dos trabalhos e havia o comprometimento de retornar após sua conclusão para o que a metodologia chamava de "consulta final".
Naquela época também estivemos na ATIL e em várias comunidades da região. Precisávamos coletar dados e permitir que todos participassem.
Agora, o projeto está pronto. Semana passada foi apresentado à ATIL (Associação de Turismo de Ilhéus) e sexta-feira, dia 29 de abril, será a vez de retornar ao Salão Nobre da Prefeitura Municipal e mostrar o fruto de meses de pesquisa, orçamentos, criação e trabalho, muito trabalho. A reunião está prevista para as 10 hs e deverá ter a presença dos principais secretários do município e representantes de diversas instituições que poderão participar das ações previstas no projeto.

O projeto do Pólo de Ecoturismo 4 Cantos da Lagoa foi formatado para que possa ser apresentado a empresários e convencê-los a patrocinar um dos seus 17 programas. Além da descrição e dos orçamentos completos dos programas, a Parkia desenvolveu o material que será utilizado para esta comunicação.
Naquela época também estivemos na ATIL e em várias comunidades da região. Precisávamos coletar dados e permitir que todos participassem.
Agora, o projeto está pronto. Semana passada foi apresentado à ATIL (Associação de Turismo de Ilhéus) e sexta-feira, dia 29 de abril, será a vez de retornar ao Salão Nobre da Prefeitura Municipal e mostrar o fruto de meses de pesquisa, orçamentos, criação e trabalho, muito trabalho. A reunião está prevista para as 10 hs e deverá ter a presença dos principais secretários do município e representantes de diversas instituições que poderão participar das ações previstas no projeto.

O projeto do Pólo de Ecoturismo 4 Cantos da Lagoa foi formatado para que possa ser apresentado a empresários e convencê-los a patrocinar um dos seus 17 programas. Além da descrição e dos orçamentos completos dos programas, a Parkia desenvolveu o material que será utilizado para esta comunicação.
segunda-feira, abril 18, 2011
Primeira reunião de consulta final: ATIL
Quem esteve lá pôde conhecer os detalhes e o material promocional a ser utilizado para conquistar patrocinadores para o futuro Pólo de Ecoturismo 4 Cantos da Lagoa, na região da Lagoa Encantada.
Este é um projeto da Parkia Consultoria e, agora, está pronto para correr o mundo. Aos poucos os detalhes serão postados aqui, na página da Parkia no Facebook e no site do pólo, em breve no ar.
A próxima reunião será com técnicos e equipes da Prefeitura e demais órgãos públicos; a seguir com as comunidades. Depois, com o Conselho Gestor da APA da Lagoa Encantada e Rio ALmada.
Banner promocional 1
sexta-feira, abril 15, 2011
Chegou a hora!
Amigos e empresários do turismo de Ilhéus, chegou a hora de conhecer o projeto da Parkia Consultoria para a região da Lagoa Encantada!
Nesta segunda-feira, às 8:30 hs (pontualmente!), na Pousada La Dolce Vita.
É um amplo projeto que propõe um conjunto de programas interligados. Estes programas serão apresentados a grandes empresas patrocinadoras, públicas ou particulares. Estas empresas estarão demonstrando responsabilidade social e ambiental e, ainda, poderão usufruir da grande visibilidade como contrapartida. Ao mesmo tempo, toda a infraestrutura e toda a operação serão assumidas gradualmente por moradores e pelas comunidades locais, devidamente preparados.
O papel deste projeto é apresentar os programas devidamente descritos e detalhados e, ainda, criar meios para convencer empresários e publicitários de que cada programa pode ser um investimento diferenciado e com grande repercussão na imagem de uma empresa.
Na apresentação desta segunda-feira, o Arquiteto Frederico Costacurta e sua equipe irão trazer o resultado de vários meses de trabalho e apresentar os detalhes de todo o processo e dos produtos finais.
Até lá!
Equipe Parkia
Nesta segunda-feira, às 8:30 hs (pontualmente!), na Pousada La Dolce Vita.
É um amplo projeto que propõe um conjunto de programas interligados. Estes programas serão apresentados a grandes empresas patrocinadoras, públicas ou particulares. Estas empresas estarão demonstrando responsabilidade social e ambiental e, ainda, poderão usufruir da grande visibilidade como contrapartida. Ao mesmo tempo, toda a infraestrutura e toda a operação serão assumidas gradualmente por moradores e pelas comunidades locais, devidamente preparados.
O papel deste projeto é apresentar os programas devidamente descritos e detalhados e, ainda, criar meios para convencer empresários e publicitários de que cada programa pode ser um investimento diferenciado e com grande repercussão na imagem de uma empresa.
Na apresentação desta segunda-feira, o Arquiteto Frederico Costacurta e sua equipe irão trazer o resultado de vários meses de trabalho e apresentar os detalhes de todo o processo e dos produtos finais.
Até lá!
Equipe Parkia
quinta-feira, janeiro 27, 2011
Fernando de Noronha: empresa gerenciará os serviços de uso público
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) concluiu o processo de licitação para a exploração de serviços de uso público no Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha, em Pernambuco. De acordo com o edital, a empresa Cataratas do Iguaçu, vencedora da licitação, terá que investir R$ 7,5 milhões no parque nos dois primeiros anos.

As obras incluem construção de mirantes e trilhas suspensas, novas escadarias, recuperação de estradas de acesso e a instalação de uma exposição permanente avaliada em R$ 700 mil no Centro de Visitantes. A empresa ajudará ainda a controlar a linhaça, uma das principais espécies invasoras de Noronha.
A Cataratas do Iguaçu fará ainda o controle da cobrança de ingresso. Com isso, serão gerados 30 empregos diretos, o que, para a ilha, que tem uma população fixa em torno de mil pessoas, é algo importante.
INGRESSOS – Os ingressos passarão a ser cobrados a partir do final de fevereiro de 2011. O valor será de R$ 60 para brasileiros e R$ 120 para estrangeiros. Ao pagar a taxa, o visitante poderá permanecer no parque durante 10 dias. Ou seja, o valor diário fica em apenas R$ 6, no caso dos brasileiros.
Ainda conforme o edital, 15% da arrecadação serão repassados ao ICMBio, por meio do orçamento geral da União. O dinheiro será reinvestido na unidade de conservação. A empresa adotará as mesmas regras de isenção seguidas pela Administração do Distrito Estadual de Fernando de Noronha, vinculado ao Governo de Pernambuco, na cobrança da taxa de preservação.
Esse é o quarto parque nacional do País a ter o serviços de uso público terceirizados. Os outros são Foz do Iguaçu, no Paraná, e Tijuca e Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro.
TAXA ATUAL – Atualmente, o visitante paga R$ 38,24 para cada dia de permanência em Noronha. O valor aumenta exponencialmente a partir do quinto dia. Não pagam a taxa moradores, funcionários a serviço e parentes de primeiro grau dos residentes na ilha.
O Governo do Estado calcula em R$ 10 milhões a arrecadação anual e diz que a verba é destinada à limpeza urbana, transporte de suprimentos de navio, hospedagem, alimentação e transporte aéreo dos funcionários em trânsito na ilha.
O total de visitantes no ano passado, segundo dados da Administração de Fernando de Noronha, foi de 60.673 pessoas. O número não inclui os passageiros dos transatlânticos em cruzeiro à ilha. Esses navios, que aportam em Noronha em escalas semanais, permanecendo por um dia e meio, transportam em média 600 passageiros.
O PARQUE – Criado em 1988, o parque tem 112 quilômetros quadrados, dos quais 17 quilômetros quadrados estão em terra firme e o restante no mar. A ilha principal tem mil moradores, a maioria trabalhando no serviço público e com turismo. O trecho que não está no Parque Nacional Marinho (Parnamar) faz parte da Área de Proteção Ambiental (APA), outra unidade de conservação federal.
Fonte: ICMBio

As obras incluem construção de mirantes e trilhas suspensas, novas escadarias, recuperação de estradas de acesso e a instalação de uma exposição permanente avaliada em R$ 700 mil no Centro de Visitantes. A empresa ajudará ainda a controlar a linhaça, uma das principais espécies invasoras de Noronha.
A Cataratas do Iguaçu fará ainda o controle da cobrança de ingresso. Com isso, serão gerados 30 empregos diretos, o que, para a ilha, que tem uma população fixa em torno de mil pessoas, é algo importante.
INGRESSOS – Os ingressos passarão a ser cobrados a partir do final de fevereiro de 2011. O valor será de R$ 60 para brasileiros e R$ 120 para estrangeiros. Ao pagar a taxa, o visitante poderá permanecer no parque durante 10 dias. Ou seja, o valor diário fica em apenas R$ 6, no caso dos brasileiros.
Ainda conforme o edital, 15% da arrecadação serão repassados ao ICMBio, por meio do orçamento geral da União. O dinheiro será reinvestido na unidade de conservação. A empresa adotará as mesmas regras de isenção seguidas pela Administração do Distrito Estadual de Fernando de Noronha, vinculado ao Governo de Pernambuco, na cobrança da taxa de preservação.
Esse é o quarto parque nacional do País a ter o serviços de uso público terceirizados. Os outros são Foz do Iguaçu, no Paraná, e Tijuca e Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro.
TAXA ATUAL – Atualmente, o visitante paga R$ 38,24 para cada dia de permanência em Noronha. O valor aumenta exponencialmente a partir do quinto dia. Não pagam a taxa moradores, funcionários a serviço e parentes de primeiro grau dos residentes na ilha.
O Governo do Estado calcula em R$ 10 milhões a arrecadação anual e diz que a verba é destinada à limpeza urbana, transporte de suprimentos de navio, hospedagem, alimentação e transporte aéreo dos funcionários em trânsito na ilha.
O total de visitantes no ano passado, segundo dados da Administração de Fernando de Noronha, foi de 60.673 pessoas. O número não inclui os passageiros dos transatlânticos em cruzeiro à ilha. Esses navios, que aportam em Noronha em escalas semanais, permanecendo por um dia e meio, transportam em média 600 passageiros.
O PARQUE – Criado em 1988, o parque tem 112 quilômetros quadrados, dos quais 17 quilômetros quadrados estão em terra firme e o restante no mar. A ilha principal tem mil moradores, a maioria trabalhando no serviço público e com turismo. O trecho que não está no Parque Nacional Marinho (Parnamar) faz parte da Área de Proteção Ambiental (APA), outra unidade de conservação federal.
Fonte: ICMBio
segunda-feira, agosto 16, 2010
Parkia Consultoria

Nome científico: Parkia pendula (Willd.) Benth. ex Walp.
Família: Fabaceae.
Sinônimos botânicos: Inga pendula Willd., Mimosa pendula (Willd.) Poir.
Outros nomes populares: andirá, boloteiro, faveira, faveira-bolota, pão-de-arara, arara-tucupi, visgueiro, boloteria, rabo-de-arara, jupuuba, fava-bolota, faveira-de-chorão, visgueira, joerana, joeirana, arara-petiu, faveirão, joarana, juerana, jupiuba, jupuuba, macaqueiro, mafua, muira-rema, muirareina, paricá, pau-de-arara, procaxi, sabiu, pau-de-sândalo.
Propriedades medicinais e indicações: assepsia de úlceras e feridas, hemorragias.
FOCO
Meio Ambiente
Ações socioambientais
Turismo Sustentável
Arquitetura e Urbanismo Bioclimáticos
Desenvolvimento Humano
Pioneira no Programa de Certificação em Turismo Sustentável – PCTS / Bem Receber. Responsável pela integridade da aplicação (Fases I e II) do programa na região de Ilhéus e Itacaré, Bahia. Responsável pela Fase I da aplicação do programa na Chapada Diamantina, Bahia. 2005/06.
Treinamento e capacitação da comunidade indígena Tupinambá, em Olivença, distrito do município de Ilhéus, Bahia, com ênfase na inclusão na atividade turística. 2006.
Planejamento, projeto e implantação da Hospedaria Morro de Pedra, em Boa Vista do Tupim, com ênfase em turismo sustentável, rural e científico. A partir de 2005.
Coordenação local do evento internacional promovido pelo TOI – Tour Operators Initiative, associação das maiores operadoras turísticas internacionais, pela sustentabilidade da atividade turística. Realizado em Itacaré em 2005.
Criação e formatação do abrangente projeto "Revitalização Urbanística, Ambiental, Social e Econômica da região sob influência da Lagoa Encantada, Ilhéus, Bahia", com finalização prevista para outubro de 2010.
fred@parkia.com.br
sábado, janeiro 09, 2010
Angra dos Reis: MP sai na frente
"Há fortes indícios de omissão por parte das autoridades públicas na remoção da ocupação ilegal das encostas e na fiscalização das áreas de proteção."
São palavras do promotor do Ministério Público, Bruno Lavorato, do Rio de Janeiro. Ele investigará as responsabilidades dos agentes públicos nos deslizamentos ocorridos na Enseada do Bananal, na Ilha Grande e no Morro da Carioca, em Angra dos Reis, que provocaram a morte de 52 pessoas.
Houve, em 2002 (!!) um Termo de Ajustamento de Conduta firmado entre autoridades municipais, estaduais e federais, para implementar um plano de ocupação do solo da Ilha Grande e adotar medidas relacionadas ao saneamento e a gestão de resíduos sólidos. O promotor informou que o MP entrou com inúmeras ações para o cumprimento do termo. Não obteve resultado, pois "os processos são demorados"... Em 2004, o MP criou um grupo de trabalho para analisar as condições de habitabilidade na Área de Proteção Ambiental Tamoios, que inclui a Ilha Grande.
Agora, apenas depois de uma tragédia, a Prefeitura de Angra dos Reis anunciou que não vai mais permitir construções na Enseada do Bananal e que os imóveis construídos irregularmente na região serão demolidos após a conclusão do estudo realizado geológico e geotécnico realizado pela Geo Rio, que deverá ficar pronto em seis meses.
Planos Diretores Municipais deveriam conter, obrigatoriamente, programas de levantamento geológico e geotécnico, como prevenção. Sem dúvida, o custo direto e indireto* de eventos como o de Angra dos Reis supera, em muito, aquele referente aos estudos necessários para proteger a população e programas tanto para evitar invasões ou construções "ingenuamente" localizadas em áreas de risco como para realocar populações que já estejam naquelas áreas.
*Perdas materiais, como construções, equipamentos, infraestrutura urbana; reflexos na economia local e regional, com perda de renda e empregos, redução da produtividade, diminuição da visitação...
Leia mais em http://desacelere.blogspot.com/2010/01/ilha-grande-app-e-responsabilidades.html
São palavras do promotor do Ministério Público, Bruno Lavorato, do Rio de Janeiro. Ele investigará as responsabilidades dos agentes públicos nos deslizamentos ocorridos na Enseada do Bananal, na Ilha Grande e no Morro da Carioca, em Angra dos Reis, que provocaram a morte de 52 pessoas.
Houve, em 2002 (!!) um Termo de Ajustamento de Conduta firmado entre autoridades municipais, estaduais e federais, para implementar um plano de ocupação do solo da Ilha Grande e adotar medidas relacionadas ao saneamento e a gestão de resíduos sólidos. O promotor informou que o MP entrou com inúmeras ações para o cumprimento do termo. Não obteve resultado, pois "os processos são demorados"... Em 2004, o MP criou um grupo de trabalho para analisar as condições de habitabilidade na Área de Proteção Ambiental Tamoios, que inclui a Ilha Grande.
Agora, apenas depois de uma tragédia, a Prefeitura de Angra dos Reis anunciou que não vai mais permitir construções na Enseada do Bananal e que os imóveis construídos irregularmente na região serão demolidos após a conclusão do estudo realizado geológico e geotécnico realizado pela Geo Rio, que deverá ficar pronto em seis meses.
Planos Diretores Municipais deveriam conter, obrigatoriamente, programas de levantamento geológico e geotécnico, como prevenção. Sem dúvida, o custo direto e indireto* de eventos como o de Angra dos Reis supera, em muito, aquele referente aos estudos necessários para proteger a população e programas tanto para evitar invasões ou construções "ingenuamente" localizadas em áreas de risco como para realocar populações que já estejam naquelas áreas.
*Perdas materiais, como construções, equipamentos, infraestrutura urbana; reflexos na economia local e regional, com perda de renda e empregos, redução da produtividade, diminuição da visitação...
Leia mais em http://desacelere.blogspot.com/2010/01/ilha-grande-app-e-responsabilidades.html
terça-feira, janeiro 05, 2010
Ilha Grande, APP e responsabilidades
Logo após o deslizamento de milhares de toneladas de terra sobre casas e uma pousada na Ilha Grande tive o impulso de comentar aqui o fato de que tais edificações estavam em área de proteção permanente e nunca deveriam ter sido ali construídas. Eu sei que é uma APA -que deve ter um zoneamento ecológico-econômico-, mas, mesmo que não fosse, há uma Lei Federal que deixa claro que não se deve intervir em restingas (praias), margens de rios, encostas...
O governador Sergio Cabral apressou-se em acusar as invasões dos morros -no continente- e que, "na Ilha Grande a situação é diferente". Eu estranhei.

Desde o início desta tragédia me senti bastante envolvido. A Baía da Ilha Grande é minha velha conhecida. Conheço cada uma das enseadas, por ali ter velejado e mergulhado muito, durante vários anos. Trabalho com consultoria a pousadas parecidas com a Sankay. Bem planejada, construída com carinho, um empreendimento familiar. Conheço os perigos de deslizamentos de encostas, assunto sempre presente nos debates em oficinas e audiências de planos diretores e projetos para orlas. Sei das restrições à ocupação de áreas protegidas e o quanto nossa sociedade perde com isso.

Mas, agora, veio à tona a realidade. O próprio governador assinou uma lei estadual -que jamais deveria se sobrepor à Lei Federal (Código Florestal)- simplesmente autorizando a ocupação na APP (área de preservação permanente) dentro da APA. A APA é estadual, mas há uma lei superior que trata desta questão e, agora, Ministério Público, IBAMA, ONGs deverão aprofundar e tomar as providências.

O deslizamento não aconteceu devido à ocupação da restinga, mas, claro, um ambiente natural havia sido invadido indevidamente e -quem não sabe?- a natureza é imprevisível. Claro que o invasor não é o culpado. Poder público existe para isso. Regulamentar, orientar e fiscalizar.
O Estatuto da Cidade, outra Lei Federal, determina como devem ser os Planos Diretores Municipais. Municípios com mais de 20 mil habitantes ou municípios turísticos são obrigados a elaborar sua lei municipal nos moldes deste estatuto. É fundamental ser participativo e, dentre outras exigências, deve criar o Conselho da Cidade, um órgão que reúne entidades públicas e da sociedade civil e deve gerir o próprio Plano Diretor. Onde está o PD de Angra dos Reis? O que diz o Conselho da Cidade?
O SNUC -Sistema Nacional de Unidades de Conservação- é outra Lei Federal. Esta, trata das áreas protegidas e diz que o Conselho Gestor de uma Unidade de Conservação -no caso, uma APA- deve ser consultado para concessão de Licença de Construção ou alteração -criação- de seu zoneamento. Onde está este Conselho?
O poder público deve fazer acontecer o que dizem as leis.
Além das mortes e do prejuízo direto, a imagem da Ilha Grande e do turismo de natureza no Brasil, dos quais tantas pessoas dependem, ficou absurdamente prejudicada.
Quem foi "beneficiado" com aquela lei transversal? Mais de mil assinaturas demonstraram que havia oposição a ela, na época. A lei vale para poucos ou para todos?
O governador Sergio Cabral apressou-se em acusar as invasões dos morros -no continente- e que, "na Ilha Grande a situação é diferente". Eu estranhei.

Desde o início desta tragédia me senti bastante envolvido. A Baía da Ilha Grande é minha velha conhecida. Conheço cada uma das enseadas, por ali ter velejado e mergulhado muito, durante vários anos. Trabalho com consultoria a pousadas parecidas com a Sankay. Bem planejada, construída com carinho, um empreendimento familiar. Conheço os perigos de deslizamentos de encostas, assunto sempre presente nos debates em oficinas e audiências de planos diretores e projetos para orlas. Sei das restrições à ocupação de áreas protegidas e o quanto nossa sociedade perde com isso.

Mas, agora, veio à tona a realidade. O próprio governador assinou uma lei estadual -que jamais deveria se sobrepor à Lei Federal (Código Florestal)- simplesmente autorizando a ocupação na APP (área de preservação permanente) dentro da APA. A APA é estadual, mas há uma lei superior que trata desta questão e, agora, Ministério Público, IBAMA, ONGs deverão aprofundar e tomar as providências.

O deslizamento não aconteceu devido à ocupação da restinga, mas, claro, um ambiente natural havia sido invadido indevidamente e -quem não sabe?- a natureza é imprevisível. Claro que o invasor não é o culpado. Poder público existe para isso. Regulamentar, orientar e fiscalizar.
O Estatuto da Cidade, outra Lei Federal, determina como devem ser os Planos Diretores Municipais. Municípios com mais de 20 mil habitantes ou municípios turísticos são obrigados a elaborar sua lei municipal nos moldes deste estatuto. É fundamental ser participativo e, dentre outras exigências, deve criar o Conselho da Cidade, um órgão que reúne entidades públicas e da sociedade civil e deve gerir o próprio Plano Diretor. Onde está o PD de Angra dos Reis? O que diz o Conselho da Cidade?
O SNUC -Sistema Nacional de Unidades de Conservação- é outra Lei Federal. Esta, trata das áreas protegidas e diz que o Conselho Gestor de uma Unidade de Conservação -no caso, uma APA- deve ser consultado para concessão de Licença de Construção ou alteração -criação- de seu zoneamento. Onde está este Conselho?
O poder público deve fazer acontecer o que dizem as leis.
Além das mortes e do prejuízo direto, a imagem da Ilha Grande e do turismo de natureza no Brasil, dos quais tantas pessoas dependem, ficou absurdamente prejudicada.
Quem foi "beneficiado" com aquela lei transversal? Mais de mil assinaturas demonstraram que havia oposição a ela, na época. A lei vale para poucos ou para todos?
segunda-feira, novembro 09, 2009
Turismo e transformação social
Com o fortalecimento do "turismo de massa", alguns destinos sofrem com visitantes "inadequados".

- Eu não sabia que teria que caminhar 40 minutos numa trilha para chegar na praia!
- Cadê as cabanas? Cadê a cerveja gelada? E a piscina?
- O sol tá muito quente... As muriçocas estão me atacando... O carro tá sacudindo muito... Isso são férias?

Itacaré e Bonito são bons exemplos. A CVC, principal e maior operadora turística nacional, despeja dúzias de turistas ali semanalmente. São destinos que estão nas capas das revistas de viagens, bem cotadas nos guias especializados e "na boca do povo" que já esteve lá. O pensamento geral é de que a viagem foi "mal vendida", que aquele visitante nunca deveria estar lá e, sim, numa capital, hospedado num hotel de conforto e satisfazendo sua ânsia por civilização.
Mas, para mim, há outra abordagem.
Após minha apresentação no Seminário Internacional de Turismo, em Curitiba, no sábado passado (07/11), foi aberto um breve debate. Além da minha fala, sobre avaliação socioambiental de pousadas, colegas discorreram sobre turismo de aventura e sobre sustentabilidade no turismo. E uma participante expôs uma situação vivida em sua rotina de trabalho em uma empresa de receptivo em Bonito. Com a exposição na mídia dos atrativos dali, muitos resolveram visitar a região sem saber exatamente o que os esperava. Nos questionários de avaliação, por exemplo, é comum anotarem que as estradas de terra que levam aos passeios deveriam ser... Asfaltadas! Todos, ali, reagiram com o mesmo "paradigma": aqueles visitantes estavam no lugar errado. Não eram ecoturistas. Tentei mostrar o outro lado:

- Acredito no poder transformador do turismo. As pessoas estão desarmadas e sob efeito de uma emoção positiva. Por um lado, é muito fácil atender e convencer pessoas que esperam exatamente o que temos a oferecer. O verdadeiro desafio, por outro lado, é envolver e convencer aquelas arredias à nossa mensagem. Não queremos mais ecoturistas?! Não precisamos de mais e mais pessoas com consciência socioambiental?!
Expressões de espanto e de concordância.
- Sim!
- Então, vamos desenvolver nossa arte e nos preparar para trazer aqueles "não-ecoturistas" para o lado dos ecoturistas. Desenvolver estratégias para mostrar a eles que a "vida pode ser bela" ou "a vida pode ser melhor" se a observarmos do ponto de vista do respeito à Natureza, às diversas culturas, à sua própria saúde. É por isso que penso tanto que a arquitetura da pousada pode ser a primeira experiência socioambiental de um "não-ecoturista". É o que, na literatura, chama-se "experiência ecoturística". Ele vai ver climatizadores que não são ar-condicionado, sistemas de ventilação natural, sistemas de descarga sanitária que utilizam menos água, madeira certificada e outras coisas. Mas, se o guia torce o nariz para aquele que chega reclamando, vai criar uma resistência e ele vai voltar para a cidade mais convicto de que essas coisas de meio ambiente são muito desagradáveis...
Acho que consegui que todos ali sentissem uma nova responsabilidade como atores no mundo do turismo.

- Eu não sabia que teria que caminhar 40 minutos numa trilha para chegar na praia!
- Cadê as cabanas? Cadê a cerveja gelada? E a piscina?
- O sol tá muito quente... As muriçocas estão me atacando... O carro tá sacudindo muito... Isso são férias?
Itacaré e Bonito são bons exemplos. A CVC, principal e maior operadora turística nacional, despeja dúzias de turistas ali semanalmente. São destinos que estão nas capas das revistas de viagens, bem cotadas nos guias especializados e "na boca do povo" que já esteve lá. O pensamento geral é de que a viagem foi "mal vendida", que aquele visitante nunca deveria estar lá e, sim, numa capital, hospedado num hotel de conforto e satisfazendo sua ânsia por civilização.
Mas, para mim, há outra abordagem.
Após minha apresentação no Seminário Internacional de Turismo, em Curitiba, no sábado passado (07/11), foi aberto um breve debate. Além da minha fala, sobre avaliação socioambiental de pousadas, colegas discorreram sobre turismo de aventura e sobre sustentabilidade no turismo. E uma participante expôs uma situação vivida em sua rotina de trabalho em uma empresa de receptivo em Bonito. Com a exposição na mídia dos atrativos dali, muitos resolveram visitar a região sem saber exatamente o que os esperava. Nos questionários de avaliação, por exemplo, é comum anotarem que as estradas de terra que levam aos passeios deveriam ser... Asfaltadas! Todos, ali, reagiram com o mesmo "paradigma": aqueles visitantes estavam no lugar errado. Não eram ecoturistas. Tentei mostrar o outro lado:

- Acredito no poder transformador do turismo. As pessoas estão desarmadas e sob efeito de uma emoção positiva. Por um lado, é muito fácil atender e convencer pessoas que esperam exatamente o que temos a oferecer. O verdadeiro desafio, por outro lado, é envolver e convencer aquelas arredias à nossa mensagem. Não queremos mais ecoturistas?! Não precisamos de mais e mais pessoas com consciência socioambiental?!
Expressões de espanto e de concordância.
- Sim!
- Então, vamos desenvolver nossa arte e nos preparar para trazer aqueles "não-ecoturistas" para o lado dos ecoturistas. Desenvolver estratégias para mostrar a eles que a "vida pode ser bela" ou "a vida pode ser melhor" se a observarmos do ponto de vista do respeito à Natureza, às diversas culturas, à sua própria saúde. É por isso que penso tanto que a arquitetura da pousada pode ser a primeira experiência socioambiental de um "não-ecoturista". É o que, na literatura, chama-se "experiência ecoturística". Ele vai ver climatizadores que não são ar-condicionado, sistemas de ventilação natural, sistemas de descarga sanitária que utilizam menos água, madeira certificada e outras coisas. Mas, se o guia torce o nariz para aquele que chega reclamando, vai criar uma resistência e ele vai voltar para a cidade mais convicto de que essas coisas de meio ambiente são muito desagradáveis...
Acho que consegui que todos ali sentissem uma nova responsabilidade como atores no mundo do turismo.
segunda-feira, outubro 26, 2009
Os primeiros hotéis certificados como "sustentáveis" pela ABNT...
...estão em Lençóis, na Chapada Diamantina. A certificação é fruto de um trabalho de mobilização que teve início com o Conselho Brasileiro de Turismo Sustentável. O CBTS desenvolveu, a partir de 2004, o Programa de Certificação em Turismo Sustentável -PCTS, cuja implementação ficou a cargo do Instituto de Hospitalidade -IH. Para a primeira fase do apoio técnico aos meios de hospedagem na Chapada Diamantina, em 2006, o IH contratou a Parkia Consultoria. Frederico Costacurta e Eliana Fonseca. Somos consultores deste programa desde esta época. Hoje é chamado "Bem Receber" e a Norma do CBTS transformou-se em uma Norma ABNT, a 15.401.
Sim, nós estávamos lá. Os primeiros passos desta certificação foram dados por nós, com toda a dificuldade e satisfação que têm os pioneiros. Afinal, já havíamos passado por isso na região de Ilhéus e Itacaré.
"Ações sociais, trabalho centrado no bem estar da comunidade, e o extenso projeto de sustentabilidade no estabelecimento, aliado aos 02 anos de consultoria levou o Hotel de Lençóis a adquirir o importante certificado da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), um grande diferencial entre os Hotéis de todo o Brasil", diz o comunicado da Chapada Convention.

Aquecimento solar da água, reciclagem de água para irrigação dos jardins, uso preferencial de papéis reciclados, utilização de lâmpadas de baixo consumo de energia e uso de luz natural através de construções que favorecem o seu uso; transformação de todo lixo orgânico em composto orgânico para uso nas áreas verdes, seleção do lixo destinado a reciclagem local; uso preferencial de madeira renovável (com certificação do IBAMA), preservando as matas naturais, além do uso de madeira de demolição; plantação de centenas de árvores e arbustos em 05 hectares de área verde do hotel.
“Nós, do Hotel de Lençóis, temos orgulho de estar contribuindo para preservação do meio ambiente e da melhoria da qualidade de vida da comunidade de Lençóis”. Da gestão da sustentabilidade à arquitetura bioclimática, trabalhamos com Stephanie Martins e Dário Campos individualmente (foto 1) e nas oficinas (foto 2). Criamos metodologia e plantamos uma nova consciência.
O resultado é colhido hoje e todos estamos realizados e confiantes de que uma grande e sustentável porta está aberta para os meios de hospedagem do Brasil!
Sim, nós estávamos lá. Os primeiros passos desta certificação foram dados por nós, com toda a dificuldade e satisfação que têm os pioneiros. Afinal, já havíamos passado por isso na região de Ilhéus e Itacaré.
"Ações sociais, trabalho centrado no bem estar da comunidade, e o extenso projeto de sustentabilidade no estabelecimento, aliado aos 02 anos de consultoria levou o Hotel de Lençóis a adquirir o importante certificado da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), um grande diferencial entre os Hotéis de todo o Brasil", diz o comunicado da Chapada Convention.

Aquecimento solar da água, reciclagem de água para irrigação dos jardins, uso preferencial de papéis reciclados, utilização de lâmpadas de baixo consumo de energia e uso de luz natural através de construções que favorecem o seu uso; transformação de todo lixo orgânico em composto orgânico para uso nas áreas verdes, seleção do lixo destinado a reciclagem local; uso preferencial de madeira renovável (com certificação do IBAMA), preservando as matas naturais, além do uso de madeira de demolição; plantação de centenas de árvores e arbustos em 05 hectares de área verde do hotel.
“Nós, do Hotel de Lençóis, temos orgulho de estar contribuindo para preservação do meio ambiente e da melhoria da qualidade de vida da comunidade de Lençóis”. Da gestão da sustentabilidade à arquitetura bioclimática, trabalhamos com Stephanie Martins e Dário Campos individualmente (foto 1) e nas oficinas (foto 2). Criamos metodologia e plantamos uma nova consciência. O resultado é colhido hoje e todos estamos realizados e confiantes de que uma grande e sustentável porta está aberta para os meios de hospedagem do Brasil!
domingo, outubro 25, 2009
Ponte sobre o Rio de Contas!
De Saquaíra (no meio da península de Maraú) a Ilhéus em 1 hora e meia.
Duas importantes Unidades de Conservação estão unidas por um novo e direto laço. Uma ponte sobre um grande rio, o Rio de Contas. As APA da Baía de Camamu e a de Serra Grande - Itacaré têm um novo desafio. O rio não é a divisa dos municípios -Itacaré e Maraú- mas a travessia com veículos apenas era feita por uma balsa bastante precária, próxima à foz, ou na distante BR 101.
Todos parecem estar surpresos, apesar de terem se passado vários meses desde o início da obra e a abertura da ponte, esta semana. A mudança na vida de muita gente será imensa. Acesso incrivelmente rápido entre Maraú (Barra Grande, Saquaíra, Taipus...), Camamu, todo o Baixo Sul e, claro, Salvador, com Itacaré e Ilhéus. Explosão imobiliária, aumento da atividade econômica, pressão sobre florestas e recursos naturais, choque de culturas, são alguns dos impactos esperados. Que moradores, empresários, comunidades e poder público estejam preparados!
Participamos de reuniões do Grupo de Acompanhamento da obra, testemunhamos o cuidado -às vezes maior, às vezes menor- para cumprir as exigências do Estudo de Impacto Ambiental e, agora, temos a oportunidade de vivenciar a realidade que se apresentará.
Tudo ainda é muito novo e há tempo para associações promoverem ações de prevenção dos impactos negativos e otimização dos positivos. Conversei com empresários do turismo, moradores e comerciantes locais e já demonstram intenção e capacidade de organização para este fim. Estejamos alertas!
Ah, antes da ponte, o tempo de Ilhéus até Saquaíra era pelo menos 3 horas...
quinta-feira, outubro 22, 2009
segunda-feira, setembro 21, 2009
Mini-curso aprovado em evento de ecoturismo

Mais um trabalho de nossa autoria aprovado. Desta vez foi uma proposta de mini-curso no evento chamado Congresso Nacional de Ecoturismo e Encontro Interdisciplinar de Ecoturismo em Unidades de Conservação, a ser realizado em novembro na cidade de Vitória, ES. Informações em http://www.ecoturismocapixaba.org.br/conecotur/ecouc2009/.
AVALIAÇÃO SOCIOAMBIENTAL DE MEIOS DE HOSPEDAGEM COM ÊNFASE EM UNIDADES DE CONSERVAÇÃO
Resultado esperado
Ao final do mini-curso, espera-se que os participantes compreendam um processo de avaliação socioambiental, estejam capacitados para aplicá-lo em meios de hospedagem de qualquer região do país ou planeta e analisar criticamente os resultados.
Justificativa
Turismo e ecoturismo são atividades econômicas de grande crescimento em todo o mundo. Há vários estudos sobre o impacto –positivo e negativo- de tais atividades sobre comunidades e o meio ambiente. Apesar da polêmica sobre permitir ou não a instalação de meios de hospedagem dentro de áreas protegidas, há uma crescente demanda por instalações que permitam experiência ecoturística e é justamente em Unidades de Conservação –UC– que se encontra o ambiente apropriado. Gestores de UC, ONG, técnicos e representantes de Conselhos Municipais, técnicos de secretarias municipais e estaduais, empreendedores, agências, operadoras, turismólogos, consultores, precisam conhecer o que distingue um meio de hospedagem que, efetivamente, respeita a comunidade local e as condições ambientais de seu entorno. Precisam saber que há uma arquitetura “ecológica” ou bioclimática, em que medidas simples –e muitas vezes de baixo custo- e decisões refletidas nos detalhes arquitetônicos criam diferenciais mercadológicos e reduzem em muito o impacto negativo. Este curso apresenta uma ferramenta prática que permite uma visualização do status socioambiental do meio de hospedagem e de fácil utilização por profissionais de diversas origens.
Resumo
A revisão temática abordará questões como áreas protegidas, arquitetura bioclimática, ecoturismo, turismo sustentável, matriz ponderal e servirá de base para o debate entre os participantes em que se definirão pontuações de cada parâmetro da MASArq – Matriz de Avaliação Socioambiental da Arquitetura. A MASArq será aplicada a pousadas voluntárias locais, a partir de questionários respondidos por seus representantes durante o curso. Os resultados serão tabulados na hora, analisados e confrontados livremente com aqueles obtidos em pesquisa similar no sul da Bahia.
Público-alvo
Estudantes de Turismo e turismólogos; estudantes de Arquitetura e arquitetos; empresários, gerentes e demais colaboradores de meios de hospedagem, agências de turismo e operadoras; consultores e auditores de turismo sustentável; estudantes de Gestão Ambiental e gestores ambientais; gestores de Unidades de Conservação; técnicos, gestores e legisladores públicos (municipais, estaduais e federais); técnicos, consultores e representantes de ONGs, associações, conselhos; editores de guias turísticos.
domingo, setembro 13, 2009
Direito coletivo sobre a paisagem
Desde os tempos da FAU -e olha que lá se vão quase 30 anos!- fala-se sobre o direito que qualquer um teria de construir uma casa, um edifício, um imóvel qualquer, de qualidade estética, digamos, "inferior".
Você não pode fechar os olhos ao passar por uma construção feia. Você -e seus olhos- são invadidos pelo mau gosto. Uma fachada esquisita, uma combinação de cores infeliz, materiais feios, acabamento incompleto...
Não falo do kitsch, um respeitado estilo retrô, que considera arte a manifestação autêntica popular, como os célebres anões de jardim, azulejos na fachada e o pinguim sobre a geladeira.
Falo, sim, do simples mau gosto.
Ok, concordo... O que é, então, mau gosto? Para mim e para você? Para meu vizinho e para quem mora na periferia?... E até que ponto alguém pode definir o que é correto e o que não é, do estrito ponto de vista estético? Este é o debate, e, mais uma vez pode ser aquela situação em que técnicos, com sua experiência e conhecimento, devem interferir no que é coletivo. Já não definem recuos, gabaritos, coeficientes de aproveitamento? E mais: há praticamente consenso em questões básicas.
Veja a foto. Morro de Pernambuco, Ilhéus, Bahia. Um monumento natural para o qual existe uma lei que limita intervenções que alterem seu visual -intervenção de técnicos. Uma casa amarela "grita", assim como uma caixa d'água suspensa, azul...

Em nossas consultorias para o PCTS -Programa de Certificação em Turismo Sustentável- era raro não encontrar uma pousada com uma caixa d'água elevada, azul e contrastante. Sugestão inevitável:
-Pinte a caixa de verde, faça uma "cortina" com palhas de bananeiras e refaça-a a cada 2 ou 3 meses. É simples!
Todos acatavam e ficavam satisfeitos. No caso da pousada havia um interesse comercial. Hóspedes sentiam-se mais integrados com a natureza. Mas, em meio urbano? Haveria direito do poder público para intervir? No caso do Morro de Pernambuco, não parece óbvio que deveria haver tal intervenção?
Em nossas participações em elaboração de planos diretores municipais reforçamos a importância dos Conselhos da Cidade, formados por representantes do poder público e da sociedade civil. Este Conselho haveria de decidir e intervir em situações como as descritas, mas há uma condicionante vital: todos devem estar devidamente informados e capacitados para exercerem seu "poder", esse mesmo que tanto seduz e desvirtua boas intenções...
Você não pode fechar os olhos ao passar por uma construção feia. Você -e seus olhos- são invadidos pelo mau gosto. Uma fachada esquisita, uma combinação de cores infeliz, materiais feios, acabamento incompleto...
Não falo do kitsch, um respeitado estilo retrô, que considera arte a manifestação autêntica popular, como os célebres anões de jardim, azulejos na fachada e o pinguim sobre a geladeira.
Falo, sim, do simples mau gosto.
Ok, concordo... O que é, então, mau gosto? Para mim e para você? Para meu vizinho e para quem mora na periferia?... E até que ponto alguém pode definir o que é correto e o que não é, do estrito ponto de vista estético? Este é o debate, e, mais uma vez pode ser aquela situação em que técnicos, com sua experiência e conhecimento, devem interferir no que é coletivo. Já não definem recuos, gabaritos, coeficientes de aproveitamento? E mais: há praticamente consenso em questões básicas.
Veja a foto. Morro de Pernambuco, Ilhéus, Bahia. Um monumento natural para o qual existe uma lei que limita intervenções que alterem seu visual -intervenção de técnicos. Uma casa amarela "grita", assim como uma caixa d'água suspensa, azul...
Em nossas consultorias para o PCTS -Programa de Certificação em Turismo Sustentável- era raro não encontrar uma pousada com uma caixa d'água elevada, azul e contrastante. Sugestão inevitável:
-Pinte a caixa de verde, faça uma "cortina" com palhas de bananeiras e refaça-a a cada 2 ou 3 meses. É simples!
Todos acatavam e ficavam satisfeitos. No caso da pousada havia um interesse comercial. Hóspedes sentiam-se mais integrados com a natureza. Mas, em meio urbano? Haveria direito do poder público para intervir? No caso do Morro de Pernambuco, não parece óbvio que deveria haver tal intervenção?
Em nossas participações em elaboração de planos diretores municipais reforçamos a importância dos Conselhos da Cidade, formados por representantes do poder público e da sociedade civil. Este Conselho haveria de decidir e intervir em situações como as descritas, mas há uma condicionante vital: todos devem estar devidamente informados e capacitados para exercerem seu "poder", esse mesmo que tanto seduz e desvirtua boas intenções...
sexta-feira, setembro 11, 2009
Trabalho aprovado!
A Comissão Técnica Avaliadora aprovou sem alterações nosso trabalho para apresentação no Seminário Internacional de Turismo, que acontecerá nos dias 6 e 7 de novembro, em Curitiba. O tema central desta edição é "Hospitalidade e Sustentabilidade no Turismo - Planejamento, Gestão e Controle".
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Avaliador 1: "Como pontos fortes do trabalho avaliado, destacam-se a originalidade, a relevância, a inovação do tema abordado e a contribuição à área. São também bastante coerentes a argumentação desenvolvida e as evidências apresentadas."
Avaliador 2: "O trabalho enfoca uma temática de extrema importância, no contexto do turismo na natureza, aplicando metodologias diferenciadas (com a adaptações inéditas) de avaliação da infraestrutura turística, embasadas em experiências em outras áreas protegidas. Apresenta clareza nos objetivos e seus resultados são de relevante interesse aos gestores das UCs e ao público usuário (turista) dos serviços e/ou atividades oferecidos."
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Título:
MATRIZ DE AVALIAÇÃO SÓCIO-AMBIENTAL DA ARQUITETURA: UM ESTUDO DOS MEIOS DE HOSPEDAGEM EM ÁREA PROTEGIDA DE USO SUSTENTÁVEL NO LITORAL SUL DA BAHIA, BRASIL
Resumo:
Em todo o mundo estudos indicam grande crescimento das atividades econômicas relacionadas ao turismo, especialmente aquele desenvolvido em regiões com atrativos naturais. Ao mesmo tempo, esforços preservacionistas resultam em criação de novas áreas protegidas e constante aperfeiçoamento das ferramentas de controle das existentes. No Brasil, o Sistema Nacional de Unidades de Conservação – SNUC prevê a possibilidade de exploração econômica em alguns tipos de Unidades de Conservação, como a Área de Proteção Ambiental – APA, e é comum ali encontrar meios de hospedagem instalados. Estas pousadas e hotéis, normalmente, diferenciam-se por oferecer experiências ecoturísticas, aquelas em que o visitante entra em contato com a natureza e a população local e contribui, de alguma forma, para a sua sustentabilidade.
Estes meios de hospedagem também são potenciais impactantes e, como dependem da preservação dos recursos naturais, sociais e culturais para a sua longevidade, buscam formas de reduzir os efeitos negativos de sua presença em uma área especial. Há diversos exemplos de empreendimentos bem sucedidos nesta tarefa. Esta pesquisa investigou a arquitetura de meios de hospedagem localizados na APA Costa de Itacaré – Serra Grande, no litoral sul da Bahia, para descobrir o seu verdadeiro diferencial, comparando com a arquitetura de empreendimentos localizados fora de áreas protegidas, no caso, litoral do município de Ilhéus. Utilizou o conceito de matriz ponderal para criar a MASArq, Matriz de Avaliação Sócio-Ambiental da Arquitetura, definindo pesos para seis parâmetros com ajuda de especialistas consultados. Os dados foram coletados com um questionário – formulário com 40 perguntas em 51 meios de hospedagem, a partir de um universo de 104.
O resultado demonstrou haver, sim, uma arquitetura mais sensível às questões sócio-culturais nos meios de hospedagem localizados dentro da APA, em relação àquela dos situados fora da APA. No entanto, a pontuação média geral deste grupo (dentro da APA) resultou bastante abaixo da pontuação máxima a ser obtida: 400 pontos em 1000. O grupo localizado fora da APA conquistou apenas 310 pontos. Em parâmetros como “energia” e “condições sanitárias” os dois grupos obtiveram pontuação semelhante; nos demais, “água”, ”conforto ambiental” (melhor desempenho do grupo de dentro da APA, com 70% da pontuação máxima), “biota” e “condições sócio-econômicas”, todos os resultados foram favoráveis ao grupo localizado na APA. No entanto, nos dois parâmetros considerados mais importantes como “água” e “energia” este grupo alcançou, respectivamente, apenas 21% e 18% da pontuação máxima, o que indica ainda haver muito espaço para melhorias das instalações dos meios de hospedagem em áreas protegidas. Há poucas exigências e padrões para edificações de meios de hospedagem nas Unidades de Conservação e, sem fiscalização e orientação, a sustentabilidade da arquitetura acaba dependendo da consciência eventual de empreendedores idealistas com visão de futuro para investir em detalhes que deverão fazer grande diferença para a sociedade e para o negócio.
segunda-feira, julho 27, 2009
RPPN MÃE DA MATA EM ILHÉUS, BAHIA, BRASIL
Reportagem sobre a RPPN de de nossos amigos Ronaldo, Carla e Leonardo Sant'Anna, com a minha participação.
domingo, fevereiro 15, 2009
Lagoa Encantada, Ilhéus, Bahia
Participei, em 12/02, de um reunião convocada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Ilhéus sobre a Lagoa Encantada. Uma conversa necessária sobre fiscalização, monitoramento e ação coordenada entre secretarias municipais, CONDEMA, Câmara de Vereadores e instituições como Capitania dos Portos, IBAMA, Ingá, SEMA, Colônia de Pescadores Z-34, Associação dos Moradores do São Miguel...
Deixei claro que, além de uma ação imediata de fiscalização, especialmente da pesca predatória, é urgente a coordenação de um trabalho que faça a ligação entre turismo e meio ambiente. Este projeto já está pronto. Desenvolvi uma metodologia a partir de outra chamada "Ecoturismo de Base Comunitária". Na minha proposta, os investimentos são modulados e vinculados a um projeto central seriam efetivados à medida em que sensibilizasse investidores, tanto dos poderes municipal, estadual e federal, como da iniciativa privada e ONGs. Nenhum tema estaria deixado de lado e, no final, a estrutura seria entregue à gestão democrática, transparente e capacitada de forma permanente dos próprios moradores e membros das comunidades de Areias, Sambaituba, Aritaguá, por exemplo, sob supervisão de um conselho.
Saneamento, transporte, marketing, cozinha comunitária, artesanato, monitoramento ambiental, esportes náuticos, pesca esportiva e vários outros módulos seriam satélites de uma administração única. Os recursos captados seriam distribuídos de forma justa e de acordo com negociação prévia. É um projeto complexo, de complexa execução, mas, a meu ver, única saída para a degradação social e ambiental constante a que está sujeita a Lagoa Encantada, ainda um excepcional potencial de ecoturismo e de geração de ocupação e renda de forma organizada e permanente.
A reunião foi um primeiro passo. Vamos aguardar os próximos. Deve-se formar um "núcleo gestor" interinstitucional para coordenar as ações na Lagoa Encantada. Se a vaidade não atrapalhar, o futuro promete boas notícias!
Boa sorte a todos nós!
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