sexta-feira, julho 24, 2009

Cães e células


A técnica de adestramento de cães é muito simples. Cães não se importam em ser líderes ou liderados. Eles apenas assimilam as mensagens -diretas ou subliminares- que seus donos emitem. Ou seja, se você não assumir a liderança, ele -sim, seu cãozinho- assume. É assim: se você sempre caminhar atrás de seu cão, deixando-o puxar a coleira ou, mesmo, ir correndo à sua frente, isso é a mensagem de que ele é o líder. Aí, ele vai pular em você a hora que quiser, urinar em qualquer canto, latir sem controle, arrancar plantas... Afinal, ele não é o líder? Líderes fazem o que querem.

Com nossas células acontece o mesmo. Elas são "adestráveis".

Por que motivo iríamos adestrar nossas células? Pela qualidade do metabolismo. Um bom metabolismo significa tecidos e órgãos funcionando em harmonia, internamente e na relação entre eles. Significa melhor aproveitamento da energia disponível. Melhor eliminação de resíduos. Peso adequado, disposição, aparência rejuvenecida...

Pense. Que mensagens tem enviado a suas células? Que trabalhem à vontade, que continuem retirando de seu sangue o excesso de nutrientes -gordura, por exemplo-, que assumam uma velocidade desse processo plenamente adequada? Ou que atuem preguiçosamente, ocupem-se em "armazenar energia", com lentidão?

Grandes períodos em jejum, por exemplo, são recebidos por suas células como uma mensagem de que "vai faltar alimento". Resposta: reduzir a velocidade de processamento do que houver de nutrientes no sangue; "hibernar", pois haveria necessidade de se preparar para aquela falta. As células iniciam, aí, um processo preguiçoso e perigoso. Quando vier o alimento elas não estarão preparadas para processá-lo com eficiência, pois estarão em "marcha lenta"...

Outra forma de ativá-las é assumir em todo o equipamento -seu corpo- uma atitude positiva, ativa, enérgica, desperta. Pratique, sim, exercícios com disposição, não enrole na hora de levantar da cama, pela manhã, respire fundo, alongue-se, leia muito, esteja "suavemente alerta" no mundo... Assuma o comando de suas células. Senão elas serão as líderes e farão, simplesmente, o que quiserem...

quinta-feira, julho 23, 2009

Aprendendo com o esporte

Durante vários anos fui aluno de um excepcional professor de tênis. Ele era argentino, muito falante, mas brilhava pela didática. Além das indispensáveis aulas técnicas, com incansáveis repetições -saque, esquerda, direita, slice, top spin, smash...- ele ensinava tática.

Seriam inúmeros os exemplos, mas o mais interessante vale para toda a vida.

-Você errou. Errou feio. A bola pegou na fita, fez aquele barulhinho típico, e, teimosa, caiu do seu lado da quadra. Ponto para o adversário. O que as pessoas fazem? Ficam remoendo e visualizando sem parar a imagem da bola batendo na fita e caindo do lado de cá. O que você deve fazer? Apagar da memória aquele lance. Acabou. A bola caiu, então vai começar um novo lance, com milhares de possibilidades. Se conseguir, até, visualize a bola passando, certinha, caindo onde deve cair...

Ele dizia que, inclusive, estatisticamente, um erro nosso cria uma possibilidade maior de um acerto na próxima jogada. Ele mostrava no quadro:

- Você vai acertar, digamos, 60% das bolas. E errar os restantes 40%. Se você errou uma bola, é como se tivesse gasto um erro previsto. Maior a chance, então, de, na próxima, acertar!

E completava:

-Da mesma maneira, se o seu adversário conseguiu acertar uma bola impossível, aquela dificílima, no canto, no fundo, fique tranquilo. Às vezes ele acerta uma dessa por jogo. Foi aquela. Ele vai errar as próximas. Não se diminua perante aquele acerto.

Sim, a gente fica se martirizando com momentos ruins que teríamos vivido e deixamos de iniciar uma "nova jogada", com mais atenção, com mais experiência, com mais envolvimento, na vida. O sucesso do outro tende a nos fazer sentir menores do que somos, mas todos erram de vez em quando, mesmo aquele outro que teria alcançado sucesso, mas continua falível, humano...

Os outros não deveriam ser nossa referência. Nós somos nosso maior adversário. Nossos limites é que devem ser alcançados. Tanto que aquele técnico dizia que devemos olhar para a bola, que é com o que temos contato, e, não, a pessoa do adversário.

Match Point!

quarta-feira, julho 22, 2009

Exemplo...


É tudo de bom.

Voltar à forma com exercícios sem impacto e completos. Natação. Diariamente.

No livro "A Fonte da Juventude", de que já falei tanto (lembra dos ritos tibetanos?) há um capítulo sobre alimentação. Lembrei muito de um livro que li há muito tempo. "Fit for life" em inglês e "Dieta sem fome", em português (deveria ser "Entre em forma pela vida", mas...). A teoria é a mesma: apenas frutas pela manhã. Muitas frutas. Alimentos com alto teor de líquidos nessa fase do dia contribuiriam para a digestão e a absorção dos nutrientes, assim como pela adequada eliminação de resíduos. Nas refeições, a idéia é não misturar carboidrato com proteína. Nem os diversos tipos de proteínas. Essas misturas dificultariam a digestão. Por exemplo, se você quiser um filé de frango grelhado, deveria comê-lo com verduras e legumes. E evitar arroz ou macarrão (carboidratos) e outra proteína (queijos, peixe etc.). Se o prato for uma massa, a sugestão é combiná-la, também, com verduras ou legumes: macarrão com brócolis e molho de tomate!

A sensação, após alguns dias é de leveza e bem-estar. Naquela época eu já havia experimentado e, agora, sinto um efeito muito parecido. Vamos ver!

Na foto, meu prato do café-da-manhã: mamão, banana, quiwi, maçã, graviola, linhaça, aveia, mel, canela.

segunda-feira, julho 20, 2009

Tribos e nada mais


Geoffrey Blainey descreve "numa única conversa" tudo o que aconteceu desde que o mundo foi criado.

Seu livro, "Uma breve história do mundo" é um bestseller. Fácil de ler. É como se falasse de nossa família, de nós mesmos. E, na verdade, fala mesmo!

Por mais que saibamos do contrário, vivemos como se o mundo tivesse a nossa idade, como se o mundo fosse morrer assim que nós morrêssemos. Vivemos como se tudo que existe tivesse surgido com o nosso nascimento.

Será que compreendemos, por exemplo, o sentimento de um palestino ou de um cidadão de Israel? Será que alcançamos o significado da escravidão? Será que nos permitimos perceber como as religiões nasceram e se desenvolveram?

Este estado, quase mágico, de equilíbrio social é uma conquista e tanto. Sim, eu sei, há uma guerra religiosa, há uma crise econômica, há uma devastação dos recursos naturais, há crise moral... Mas, interessante, é bom observar o que aconteceu antes e o que permanece, apesar de tudo.

Há comércio entre as nações. Há trânsito entre os cidadãos. Fora casos de exceção, você pode ir à Europa, à América, Austrália, Ásia... Há uma União Européia, uma ONU... Há comunicação quase instantânea entre todos os povos. Sim, quase todos, mas, se todos os governantes quisessem, teriam essa comunicação possível a todas as pessoas.

Ao mesmo tempo, continuamos agindo como tribos. Nosso instinto é tribal. Tudo se conquistou, na história humana, devido à força, à união, à determinação coletiva dos participantes das tribos. Romanos, Otomanos, Chineses, Gregos, Turcos, Japoneses, Americanos...

E guerras. Muitas guerras. Como nem imaginamos. Hoje há uma "ética" (?) da guerra, até! Ao longo da história, guerra era... Guerra! Como são as guerras, hoje? Pela economia? Pelo petróleo? Pela água? Tribos...

E a ciência? Que papel teve na evolução da raça humana? Foguetes eram lançados, ou para destruir, ou, em tempos de paz, para levar satélites ao espaço. Simples, não é? Sempre haverá utilidade. E o choque da ciência com as religiões? Desde Copérnico aos cientistas atuais que pesquisam células-tronco, há o debate.

E os recursos naturais? Nunca se imaginou que ficariam escassos. Florestas sempre foram fonte de energia. Lenha. Desde o movimento dos continentes em direção ao desenho atual, as populações dependeram de energia e comida. Houve épocas, não muito distantes, que a agricultura produzia na proporção de 3 para 1. Ou seja, uma semente produzia outras três, após a colheita! Uma seria para replantio, duas para alimentação.

Vale a leitura. A gente se situa melhor no mundo e em nossa época.

Diana Krall - Fly me to the Moon

Já que a lua tem estado em evidência...

sábado, julho 18, 2009

É campeão!!


Fui cobrado e aqui corrijo: no disputado concurso nacional - Ballace - realizado em Camaçari, em junho, a Escola de Dança Tonus foi o máximo! Seu Grupo de Dança, com total suspense e direito a respiração presa até o anúncio da nota, foi 10 na categoria "Jazz". A melhor de toda essa região, o exemplo, a referência. Parabéns a todos.

Vamos sempre nos esforçar para a Dança ser uma carreira, uma possibilidade de inclusão social e um instrumento de verdadeira educação.

sexta-feira, julho 17, 2009

Assim como o vinho...

Quase 50 anos depois!


Pilates. Parece mágica.



Pelo menos o trabalho de Pilates em que eu acredito, que considera a realidade emocional para conquistar resultados físicos, é capaz de aproximar pessoas, umas das outras e, mais ainda, de si mesmas.

Depois de tanto tempo ao lado de "clientes", alunos e amigos, vejo uma incrível linearidade. Ou seja, é como se todos tivessem que passar pelas mesmas fases, até encontrar um estado de equilíbrio e prazer com os exercícios baseados nos ensinamentos de Joseph Pilates.

Duas frases que eles ouvem de mim, insistentemente:

-Meu trabalho de Pilates é 3 em 1. Sempre tem alongamento, sempre tem um trabalho muscular localizado e sempre tem trabalho abdominal. Sempre.

-É a única modalidade em que você paga por 2 horas por semana e pratica 24 horas por dia!

Hoje recebi o carinho de Lourdes, que vai passar algum tempo distante. Diz que retorna. Ela confirma o caminho correto desta minha proposta. Ela carrega, em si, um estímulo e um conhecimento insubstituíveis. Parabéns pelas conquistas!

quinta-feira, julho 16, 2009

Vida - Manual de instruções

A vida não vem com um manual de instruções.

Por algum motivo nos aproximamos e nos distanciamos das pessoas. Química. Interesses. Neuroses. Afinidades. A maior das afinidades me parece ser a forma de lidar com a própria vida. Com seus altos e baixos, com seus problemas, com suas soluções, fracassos e sucessos. A maneira de enfrentar limitações pessoais e dos outros diz muito de nós e de nossos relacionamentos. Do quanto nos identificamos com amigos, colegas, parceiros...

Você convive com quem te "eleva a alma"? Tuas companhias te alegram ou te deprimem? Você escolhe ou é escolhido? Como as pessoas à sua volta lidam com suas próprias vidas? Como elas enfrentam seus problemas e curtem seus sucessos?

Você observa o status de suas afinidades?

domingo, julho 05, 2009

Freud, liderança e política


Freud escreveu a Einstein, em 1932. O assunto era a guerra e ele especulava sobre o que poderia fazer um indivíduo realmente "destrutivo". E afirmou que havia dois tipos de homens: líderes e liderados. Muito poucos seriam os líderes e muitos seriam os liderados.

Sérgio Telles, psicanalista, escreveu, neste domingo no Estadão, referindo-se àquela correspondência e transportando-a aos dias de hoje. Ele recorda que, apesar de concordar que melhores níveis de escolaridade podem fazer diferença, escolher maus políticos não é exclusividade do subdesenvolvimento. Cita, como exemplos, Bush e Berlusconi.

Ele apresenta uma teoria em que a escolha do eleitor é "permeada por uma forte irracionalidade". Ou seja, seria uma escolha irracional, inconsciente. Portanto, Freud pode nos auxiliar a compreender esse processo. E ele explica.

Para Freud, o líder é pessoalmente identificado como uma forte figura paterna. E o grupo se reúne como irmãos a serem comandados por "esse pai poderoso de quem demanda amor e proteção".

Telles afirma, então, que Freud parece dizer que a grande maioria dos homens prefere e deseja ser comandada. Seriam desejos infantis -"infantilismo regressivo"- de um pai forte e poderoso, trocando, assim, independência e autonomia por proteção.

A escolha democrática, então, fica comprometida. Não pelo nível de escolaridade, mas pela tendência humana pela submissão em troca de afeto e proteção. A "destrutividade" citada por Freud na carta a Einstein, não seria bélica, nos dias de hoje. Para Telles, expressa-se como corrupção. Seria uma "manifestação predatória e fanática" do poder, desrespeitando a coletividade e colocando milhões na miséria e no desamparo.

Ainda assim, o psicanalista não vê sistema melhor que o democrático e que devemos lutar para que os eleitores se apropriem de seus direitos civis e que saibam reconhecer a diferença entre a escolha objetiva e a fantasia de reencontrar a proteção perdida.

sábado, julho 04, 2009

Pensamento em longo prazo?

Já há bastante tempo recorro a exemplos para tentar motivar obesos, diabéticos, hipertensos a adotar hábitos renovados para seus dia-a-dias. Um dos mais eficientes funciona assim:

-O que vocês adoram comer? Uma torta de chocolate? Uma lasanha? Então imaginem que aqui no centro há uma suculenta lasanha. Quentinha, borbulhando... E eu digo para vocês que podem comer à vontade. Quanto quiserem. Sem medo. E digo que não vão engordar, nem prejudicar sua saúde com isso. Bom, não é?

Todos salivam e respondem afirmamente como uma coreografia de cabeças.

-Mas, esperem um pouco. Tem uma condição. O sabor. Ela vai estar deliciosa, a melhor que já experimentaram. Mas o sabor, este vocês apenas vão sentir daqui a um mês. Sim, trinta dias. Mas eu garanto, vão sentir o melhor dos sabores. Daqui a trinta dias.

Desânimo geral. Quebrei a magia. Aí, inverto o raciocínio:

-Imaginem agora que estão fazendo exercícios. Uma caminhada na esteira. Simples, não é? Pensem que após alguns minutos vocês começam a reduzir seu peso. Logo passam a sentir-se melhor, animados, com mais fôlego e disposição. Antes de descer da esteira, vocês percebem a musculatura mais rígida. Olham-se no espelho e já estão mais bonitos, elegantes, atraentes... Verificam a pressão arterial e ela está estabilizada. Já podem deixar imediatamente de tomar os remédios. Alguns minutos de caminhada e tudo isso acontece.

Quase todos se mexem nas cadeiras como se quisessem iniciar seus exercícios antes de terminar nossa conversa. Eu, então, finalizo:

-O problema é que acontece justamente o inverso. O sabor, ele nos satisfaz no ato. Os exercícios têm um prazo para produzir seus efeitos. Nós acabamos nos rendendo ao curto prazo. E ficamos doentes no longo prazo. No início -especialmente para os sedentários de carteirinha- exercitar-se é um sacrifício. Os músculos dóem, ficamos suados, "perdemos tempo", temos que pagar "para sermos torturados"... No longo prazo -para aqueles que persistem- somos premiados por todos aqueles resultados de que falei. Imediatamente sentimos o doce sabor da torta, mas com o tempo instalamos doenças que nos fazem perder nossa produtividade como pessoas.

É como cartão de crédito. Usufruimos do prazer de comprar hoje. Só vamos passar pelo desprazer de pagar, depois. Ou, ainda com exemplos de finanças: se pudermos escolher, normalmente preferimos ficar com R$ 50 hoje, em vez de, digamos, R$ 100 daqui a dois anos.

Qual o peso que o curto prazo possui nas suas atitudes? O quanto você está preparado para os efeitos -positivos ou negativos- numa perspectiva de longo prazo?

sexta-feira, julho 03, 2009

Psicologia Humanista

Há muito tempo Abraham Maslow disse:

"Se o núcleo essencial (natureza interna) da pessoa for frustrado, negado ou suprimido, o resultado é a doença".

Deepak Chopra, já falei aqui algumas vezes, em "As sete leis espirituais do sucesso", nos convida a compreender nossa vocação especial e disponibilizá-la para a humanidade.

J. Reeve, ainda em "Motivação e Emoção", insiste que quando a cultura tenta substituir a natureza íntima da pessoa por um estilo apenas socialmente valorizado, o resultado é o "desajuste". Dá o exemplo de uma pesquisa realizada por Kasser & Ryer. As pessoas que dedicam a vida a perseguir dinheiro, fama e popularidade sofrem mais angústias psicológicas do que as pessoas que vão em busca de orientações internas, como a auto-realização. E pior: isto acontece mesmo quando alcançam dinheiro, fama e popularidade!

E os desajustes se manifestam em forma de doenças.

Quais são as suas "orientações internas"? O que sua saúde demonstra sobre o quanto você tem "se adaptado" ao que a sociedade espera de você? Quanto você respeita sua "natureza íntima"?

quinta-feira, julho 02, 2009

Dois caminhos, apenas uma escolha


Recordo sempre uma crônica de Luís Fernando Veríssimo em que ele descreve uma situação fictícia, claro, mas bem-humorada e que nos ajuda a aceitar a vida... Procurei nos "googles" e nos livros que ainda estão comigo e não encontrei, para, aqui, publicá-la integralmente. Segue "minha versão". Homenagem a uma de minhas referências literárias. Até porque na relação de admiração há um certo ódio... Odeio o fato de não ter sido o autor daquele texto...

Mas a história é simples. Ele encontra-se, só, em um bar, desanimado e desiludido com sua vida. Pensa em tantas coisas que poderia ter feito caso suas decisões tivessem sido diferentes... Aí, vê que há outra mesa ocupada. E reconhece a pessoa. É ele, mesmo. Um pouco diferente, mas não há dúvida. Seria ele próprio, na mesa ao lado!

Curioso, aproxima-se e puxa uma conversa. -"Quem é você?"

-"Eu sou você. O você que casou com a Ritinha."

-"O quê?! A Ritinha?! Todos queriam casar com ela! A mais desejada do bairro, da escola, da faculdade! Que maravilha! E como ela está?"

-"Não sei... No início foi ótimo, felizes, fogosos... Mas, depois de alguns anos ela se revelou. Sumia por dias... Sim, me traiu com todos do bairro, da escola, da faculdade... Entrei em depressão. Perdi o emprego. E, agora, estou aqui, jogado neste bar..."

Ainda sob o impacto da revelação, ele vê outra pessoa em outra mesa. É outro "ele", como o primeiro. Não resiste e aproxima-se.

-"Eu sou você. Só que defendi aquele penalti."

-"Não acredito! Escolhi o canto errado e aquilo arruinou minha vida! Larguei a carreira, meus amigos me culparam e muitos se afastaram... E depois?"

-"Foi ótimo! Fui contratado por um grande clube, ganhei muito dinheiro. Depois meu passe foi vendido para um time da Europa. As mulheres me assediavam. Aí, comecei a beber. Muito. Nenhuma droga me satisfazia. Fiquei viciado. Vários escândalos afetaram minha imagem. Em pouco tempo nenhum clube me queria, voltei ao Brasil, joguei na segundona, tentei carreira como técnico, mas nada me salvava... Agora, estou aqui, jogado, sozinho, neste bar..."

Assim, em cada mesa havia um "ele" e todos tinham histórias parecidas. A sala ficou lotada, todas as mesas ocupadas por vários "ele". Ele achava que as decisões que tomara tinham arruinado sua vida, mas as outras decisões haviam provocado problemas muito maiores. Problemas de verdade. O que ele achava que era ruim -sua vida- poderia ter sido muito pior.

Sem arrependimento e culpa. Sua vida passou a ter novo significado.

terça-feira, junho 30, 2009

NIEMEYER

Mais de 100 anos de idade. Mais de 75 anos atuando como arquiteto. Oscar Niemeyer, quem diria, está lançando uma revista. Quer estar perto dos jovens, quer influenciar ainda mais a juventude.

No final da década de 1970, eu cursava arquitetura na FAU e sempre assistia as aulas abertas que Niemeyer já podia oferecer. "Já podia", porque a ditadura agonizava e os "comunistas" -assumidos e supostos, todos que ousavam pensar- estavam de volta, aos poucos, às funções que exerciam antes da cassação -ou perseguição. Sem polemizar quanto a ideologias, seu exemplo é notável.



E, agora, volta a um tema de que já tratei aqui. A importância de "vivenciar" o mundo. Além de nossa formação específica. No caderno .EDU, do jornal O Estado de São Paulo de hoje, a ele é perguntado sobre "dicas" a jovens estudantes de arquitetura. Ele insiste que os estudos não devem se limitar a assuntos da profissão. Ao contrário, devem ocupar-se de tudo que "caracteriza esse mundo estranho que o espera". Ler muito, que pela leitura irá compreender que a vida com seus problemas é mais importante do que a arquitetura (ou qualquer atividade profissional).

"Ele pode se transformar em um excelente especialista, mas sem condições de participar da luta por um mundo melhor."

Ele lembra do melhor conselho que recebeu: "É preciso ler, sobretudo os clássicos."

E explica: "Tudo se entrelaça, neste mundo perverso em que vivemos. A leitura pode nos levar a entendê-lo melhor e fazer-nos mais simples e generosos."

Sintonia total com o Desacelere, não é?

segunda-feira, junho 29, 2009

Motivação e auto-estima



Quem me conhece sabe o quanto insisto na importância da auto-estima. É comum me ouvir dizer que o caminho em direção à solução para "a" crise mundial passa pelo cuidado com a auto-estima das crianças. o livro "A Auto-estima de seu Filho" é um dos que mais recomendo, até mesmo para quem não tem crianças em casa -com certeza tem uma dentro de si-.

J. Reeve, em "Motivação e Emoção", oferece uma abordagem diferente -ou complementar-. Ele confirma que a auto-estima está relacionada positivamente com a sensação de felicidade. Mas afirma que não há comprovação de que ela possa exercer qualquer influência sobre a motivação. É como se a auto-estima fosse um "indicador", uma consequência de sucessos que não possuiria poder de influenciar realizações posteriores.

"O que é preciso melhorar não é a auto-estima, mas nossas habilidades de lidar com o mundo"


Sim, nos esforçamos para aprender a lidar melhor com os conflitos, os problemas. Depois, aplicamos nosso aprendizado em ações, em comportamento. Funcionou? Basta verificar como ficou nossa auto-estima.

Sua auto-estima anda em baixa? Observe, então, como estão suas habilidades para enfrentar seus problemas, seus obstáculos, seus conflitos. Na dúvida, procure aperfeiçoá-las. Leia, informe-se e aplique novos conhecimentos, tente novos caminhos. Aprenda natação. Faça um curso de oratória. Converse com amigos. Faça novas amizades. Estude filosofia. Escolha novos caminhos. Sua auto-estima deve recuperar-se e... Sua felicidade também!

sexta-feira, junho 26, 2009

Caridade e Generosidade


Ao discorrer sobre a forte relação entre os aspectos do psiquismo e as doenças, Dr. Marco Aurélio nos provoca um suspense, em "Quem ama não adoece"...

Se o que somos -e como é nossa saúde hoje- reflete conflitos do passado, em especial da primeira infância, como "corrigir" esta sina? Como provocar mudanças e, com isto, melhorar nossa saúde, curar doenças?...

No capítulo que ele próprio chama de "espinha dorsal" de seu livro, ele fala da possível chave para a questão: a generosidade.

Parece óbvio, repetitivo, mas a simplicidade é ilusória: "amar a nós mesmos".

Ele explica. Fortalecermo-nos interiormente e, por esta via, amarmos as outras pessoas, deixando de vê-las como inimigos em potencial.

Usar de generosidade. Há pessoas caridosas, que dão esmolas nas esquinas, organizam bingos beneficentes, distribuem sobras de comida na porta de casa. São, sim caridosas. Mas, às vezes são pessoas intolerantes, humilham seus empregados, trapaceiam nos negócios, são rancorosas e vingativas. Elas não são, então, generosas. Neste caso a caridade apenas serve para ocultar e aliviar sentimentos de culpa, grande "construtores de doenças".



A generosidade tem mais a ver com dar emoções, ao invés de dar coisas. É sua postura diante das pessoas. A capacidade de tolerar fraquezas e defeitos, procurar entender as razões das atitudes e dos comportamentos, mesmo aqueles que nos atingem. Não guardar ódio, nem alimentar sentimentos de vingança. Sentir-se como o outro se sente.

Sim, é exatamente como Dr. Marco Aurélio sugere que evitemos adoecer.

quinta-feira, junho 25, 2009

Otimismo


"Ser otimista não é achar que tudo dará certo e o mundo é um mar de rosas. Ser otimista é achar -e sentir- que a vida e a luta valem a pena, independentemente dos resultados."
Havel

quarta-feira, junho 24, 2009

Postura, coluna e estado emocional

Ainda em referência ao "Quem ama não adoece", há, ali, descrições que aproximam-se em muito à minha maneira de descrever a importância de se prestar atenção à postura e, por consequência, à coluna vertebral.

Dr. Marco Aurélio afirma que as "dores nas costas" merecem especial destaque pelo que "encerram de simbólico e pelo que influenciam a vida e o bem-estar das pessoas". Para ele, o bom funcionamento da coluna afeta a capacidade de levantar pesos, executar trabalhos e, até, na atividade sexual. Para ele (e também cita Haynal), a região lombar possui papel importante nas atividades básicas da vida, como "opor-se", "manter-se", "curvar-se", "ceder"... Seria o nó das lutas e dos fracassos.

Conclui, então, que situações que afetam a estabilidade e a segurança do indivíduo podem ser causadoras de dores nas costas.

E diz que a própria postura pode refletir o "estado de seu psiquismo", expressando uma linguagem corporal. Quem está triste apresenta uma postura arqueada, com os ombros curvados, como se carregasse "o mundo em suas costas". É uma posição que favorece o aparecimento de dores.

Cita Walters: No good back, no good job, no good home, no good anything. Ou seja, se as costas estão em mau estado, nada de bom emprego, bom lar, nada de bom...

Sim. E agora? Trato minhas costas, melhoro a postura e recupero a felicidade? Simples, assim?!

Não. As informações acima nos ajudam a compreender a origem de certas dores. E, portanto, os primeiros caminhos a serem percorridos para tratá-las. Por que estarei triste? Por que seria difícil para mim assumir essa tristeza? Ela é real ou imaginária? Será que exagero a importância do que a causa e desprezo tantas outras situações que podem me fazer muito feliz?

Corrigir a postura, alinhar seu movimento, cuidar se si, pode ser um importante passo para observar o mundo a partir de um ângulo diferente. E, em resposta, ser observado por ele -e todos- também diferentemente. Tenho acompanhado, no dia-a-dia, pessoas que, ao assumirem posturas diferentes, redescobrem seu mundo. Um círculo virtuoso, pois ao ganharem uma renovada auto-estima, corrigem ainda mais sua postura e preservam sua coluna vertebral e sua imagem, para si e para todos à sua volta!

segunda-feira, junho 22, 2009

Emoção, repressão e doenças...


Em "Quem ama não adoece", Dr. Marco Aurélio Dias da Silva nos faz refletir sobre a origem das doenças. Na 40a. edição, e, agora, revista, o livro apresenta bases científicas para demonstrar a teoria contida em seu título.

Ao referir-se ao estresse, descreve-o como uma situação natural de desequilíbrio. Momentos -inúmeros, a cada dia- em que saímos da homeostase (como se descreve o equilíbrio total) e somos afetados por elementos externos ou internos. Da reação ao barulho intenso à sensação de desamparo, tudo que nos afasta do "equilíbrio" causaria estresse.

"Emoção" é definida em psiquiatria como o "sentir" e a "expressão" deste sentimento. Para o autor, o desencadear dos processos emocionais aproxima-se do conceito e do mecanismo do estresse. Emoções básicas, como medo, ira ou amor, seriam, então, compreendidas por nosso organismo, como algo anormal, um desequilíbrio. Estresse.

O corpo reage ao estresse. Agita-se, prepara-se para uma descarga energética e química. Envolve, portanto, o Sistema Nervoso e o sistema endócrino (as glândulas).

Dr. Marco Aurélio conclui que se esta preparação (a descarga "endócrina") não desaguar naturalmente na movimentação dos músculos sobre os quais exercemos controle (voluntários) acabará sendo descarregada naqueles de movimentação involuntária, como os que comandam a ação do estômago, intestino, coração e vasos sanguíneos.

Eu comparo com a preparação dos homens das cavernas perante a ameaça real e pressentida de ser atacado por um grande animal. Respiração acelerada, pois os músculos precisarão de oxigênio para correr ou atacar. Da mesma forma, o coração acelera para poder levar mais rapidamente os nutrientes e o oxigênio às células musculares. Músculos tesam-se para agir mais rapidamente. Ao encontrar a ameaça, reagem, efetivamente. Correm, lutam, escalam, gritam... E há o deságue natural da adrenalina e demais substâncias injetadas no sangue pelas glândulas. É a busca constante do equilíbrio...

Esta maneira de observar o estresse combina com a visão de que exercícios físicos são necessários para reduzir -ou eliminar- seus efeitos.

Dentre outras conclusões, o autor nos lembra da importância de refletir sobre a repressão das emoções. Para ele, e de forma clara e intensa, tal repressão é extremamente maléfica ao organismo e deve ser evitada "a todo custo". Reprimir emoções teria o efeito de represar substâncias ativadoras e, pior, permitir que atuem sobre partes frágeis do corpo, partes sobre as quais não temos controle e que comandam nosso equilíbrio: coração, estômago... Resultado? Doenças.

Por fim -neste assunto específico- reforça a idéia que "não reprimir emoções" não significa esbravejar, "explodir", simplesmente. Dá um excelente exemplo. Três pessoas em um barco que, pelo efeito da correnteza, está sendo levado a uma grande queda d'água. O primeiro, passivo, fica imóvel e contém suas ações. O segundo levanta-se e xinga, reclama, procura culpar alguém. O terceiro pega o leme, começa a remar, tenta fazer o motor pegar e, se não tiver sucesso, pula na água e tenta salvar-se. Este último assumiu o medo -a emoção- e agiu. Agiu em direção a um resultado efetivo.