quinta-feira, março 26, 2009

Você sabe por que respira?


Tenho incentivado meus alunos -e amigos- a explorar seus pulmões. Estes órgãos costumam ser pouco compreendidos por seus donos. Por isso mesmo, muito pouco valorizados e utilizados.

Você sabe por que respira?

Poucos sabem que o ar que exalamos contém gás carbônico que estava no sangue há poucos segundos. Da mesma forma, o oxigênio contido no ar que respiramos passa ao sangue nos chamados bronquíolos, "fim da linha" das ramificações que compõem nossos pulmões.

Este oxigênio vai ser usado numa rotina importantíssima para a vida: todos sabemos que oxigênio é fundamental para que exista queima e é isso que acontece dentro de todas as células. Os nutrientes que estão, também, circulando no sangue são levados para dentro da célula e... Queimados. Sim, queimados como qualquer outro combustível. E, aí, o oxigênio é o agente que permite essa queima.

É fácil concluir que, se o suprimento de oxigênio for limitado, a queima -de calorias, sim!- também será deficiente.

Portanto, respire! Respire fundo! Infle seu pulmão com vontade! Há bronquios e bronquíolos que pouco têm sido utilizados, quase atrofiados, murchos como bexigas vazias... Que desperdício de possibilidades de "injetar" oxigênio no sangue e ajudar suas células a trabalhar com mais eficiência e queimar mais e melhor suas calorias!

"Sometimes, all I need is the air that I breath and to love you..."
The Hollies (ouça em minha postagem de 20 de dezembro de 2008)

http://desacelere.blogspot.com/2008_12_20_archive.html

Hábitos, saúde e subconsciente

Joseph Murphy (interessante: outro Joseph...) também se referia ao subconsciente como a mente subjetiva. Haveria a mente objetiva, que raciocina, tem visão crítica e funciona como o "porteiro", deixando entrar os convidados. E a mente subjetiva, que obedece comandos e cria circunstâncias para que eles sejam cumpridos.

Ele lembra que é no subconsciente que mora o hábito.

Ora, nós sabemos que nossos hábitos são os principais fatores que influenciam nossa saúde, nossa disposição... Irritabilidade, excesso de comida, má alimentação, cigarro, sedentarismo... Hábitos, hábitos, hábitos... Criados ao longo de nossa existência. E que podem nos salvar ou... Nos derrubar!

Murphy apresenta, em "O Poder do Subconsciente", um método simples e, por minha própria experiência, eficaz. Conduzir o subconsciente (o lar dos hábitos, lembra?!) a criar terreno fértil para a saúde, o equilíbrio, a felicidade... Como? Com bons pensamentos, boas palavras, repetidas como um auto-hipnotismo, principalmente para neutralizar efeitos de palavras e pensamentos negativos, que, como um vício, teimamos em expressar. Assim: quando você, por exemplo, sem perceber, disser:

- Eu nunca vou conseguir emagrecer!

Imediatamente, respire fundo e diga (ou pense):

- Meu corpo está conhecendo uma nova realidade. Meu metabolismo trabalha a meu favor. A cada dia, minhas células estão mais ativas e queimam o excesso que eu vinha acumulando. Assim, ganho energia e motivação para a vida!

Você estará ganhando tranquilidade e oferecendo comandos positivos ao seu subconsciente, que aceitará e o ajudará, com todo seu poder.

Pense e... Experimente!

Depois conte-me o resultado...

Ah, o outro Joseph é o Pilates!

quarta-feira, março 25, 2009

Conversas com o subconsciente


Estive relendo uma das obras que, agora tenho certeza, mais influenciaram minha maneira de pensar. O Poder do Subconsciente, de Joseph Murphy, que desde a década de 1960 foi republicado dezenas de vezes.

Dentre outros exemplos, achei especialmente interessante Murphy comparar o consciente e o subconsciente com o comandante de um navio e sua equipe. Assim: a tripulação encarregada de acionar as máquinas obedece cegamente as instruções do comandante. Da mesma forma, o encarregado do timão mantém o rumo por ele determinado, sem questionar. Portanto, se o navio navega rumo a uma colisão com toda a força, a responsabilidade não é da tripulação e, sim, do comandante.



É uma forma de descrever sua teoria de que os comandos que nosso consciente (o comandante) envia ao subconsciente (a tripulação) são assimilados e assumidos como verdade e transformados em realidade pelas nossas ações, reações e comportamentos.

Os comandos podem ser palavras ou pensamentos:

- Eu tenho muito azar nos negócios!

- Eu nunca vou conseguir comprar uma casa para morar!

- Ninguém se interessa por mim!

Que, inevitavelmente, são "captados" pelo subconsciente. E ele, obediente, os transforma em ações, como a tripulação do navio. Todos os esforços são feitos para cumprir cada comando do consciente.

Murphy sugere que prestemos atenção às mensagens que enviamos a nosso subconsciente. Podemos escolher o que iremos colher ao selecionar as sementes. Quais são as sementes que você tem espalhado em seu subconsciente? Ops! Em seu jardim!

sábado, março 21, 2009

Diga ao povo que caminhe!

Diz a história que o povo, chamado por Moisés, aguardava pelo esperado milagre. Chegaram às margens do Mar Vermelho e interromperam sua caminhada. O obstáculo era imenso, desanimador, ameaçador. Moisés foi a Deus com a informação de que estavam agitados, aguardando o impossível.

- Diga ao povo que caminhe!



Alguns recuaram, outros sentaram-se descrédulos. Mas os que acreditaram, fizeram sua parte e, a passos firmes, dirigiram-se mar adentro.

A continuação, todos conhecem. O mar se abriu. O impossível aconteceu.

E Você? Quais são teus obstáculos? O que tem feito à frente deles? Tem esperado por soluções externas ou caminhado em direção a eles, de frente? Tem feito todo o possível?

Só podemos esperar o impossível se fizermos tudo que nos é possível.

Coloque teu pé nesse mar que te assusta. Acredita na solução! Não tenha medo de agir. Pior é ficar parado, inerte, com medo.

Baseado em palestra de Padre Fábio, na TV Canção Nova

sexta-feira, março 20, 2009

FALSAS MAGRAS


Com todo respeito, mas uma cheinha ativa é muito mais sadia do que uma magrinha sedentária...

E tenho encontrado muitas "magras sedentárias". Tiveram o privilégio de nascer com o metabolismo mais acelerado. Enquanto suas colegas mais "cheinhas" suavam nas esteiras, nos esportes, nas piscinas, elas sentiam-se atraentes simplesmente por serem... Magras.

Então, aos 30, 40 anos, percebem que o trem passou e elas ficaram de fora. Têm dificuldade para, simplemente, gostar de atividades físicas. São aparentemente magras, mas exibem incômodas gordurinhas no quadril, culote, abdomen... Seu sistema muscular é atrofiado. Ossos, ficaram frágeis. Dentre outras consequências, a pior: coração fraquinho... Nunca exercitou-se. As fibras cardíacas ficaram sem estrutura, sua energia é pequena.

Aí vem o sacrifício: iniciar um programa de exercícios. Cãibras, suor, fadiga muscular, calor, dores nas articulações... Enquanto o sofá, em casa, chama por elas. A geladeira. O controle remoto!

Adaptar a alimentação. Um drama!

- Mas eu não gosto de me alimentar pela manhã... só um cafezinho e um pão com manteiga.

Minha resposta é sempre a mesma, no mesmo tom:

- Se você está decidida, hoje será o dia da virada. Uma "nova você" está nascendo. Pode, até, ser parecida com a antiga, mas precisa de portas abertas para surgir e permitir avanços e, principalmente, felicidade! Criança é que só come o que gosta. Adulto precisa aprender a gostar do que deve comer. A virada precisa de espaço para acontecer, sem direcionamento. Não adianta uma mudança, se você tenta controlá-la. Espere que sua essência se manifeste e aceite-a, mesmo que tenha nuances que você nunca imaginou que veria em sua pele.

Ficam animadas. Sinto que ganham maior aderência ao programa de exercícios a que se propõem. Sinto que sentem-se mais seguras e confiantes para descobrir uma nova vida.

Estou acompanhando-as e vejo evidentes sinais de sucesso. Mas não vamos relaxar! A qualquer momento o chamado do sofá pode ameaçá-la novamente...

segunda-feira, março 16, 2009

FEMINISMO



Em minhas postagens de 12 de janeiro e 4 de março falei de situações em que a experiência, a trajetória de vida, o conhecimento, fazem a diferença e, até, podem incomodar outros.

A revista Cláudia deste mês faz homenagens à mulher. A reportagem mais interessante é uma grande bronca nas mulheres mais jovens ou as que não se informam devidamente sobre as verdadeiras conquistas femininas nos últimos 50 anos...

Lembro-me de meu grupo de trabalho na faculdade de arquitetura. Éramos 5. Eu e quatro moças. Nossa tarefa: elaborar uma "família" de cartazes sobre algum tema social. Escolhemos o "feminismo". E, assim, acabei descobrindo que eu era mais feminista do que cada uma de minhas quatro colegas!... Eu tinha 19 anos.

Confesso que fiquei satisfeito ao ver a chamada à consciência da reportagem da revista. Ela denuncia, na verdade, mulheres que, ao serem chamadas de feministas, torcem o nariz, como se estivessem sendo ofendidas.

- Feminista, não. Feminina!

Como se apenas mulheres feias, gordas, peludas, mal-amadas, solitárias pudessem ser feministas. É um total desconhecimento das trajetórias de personalidades que sofreram para que as mulheres, hoje pudessem, por exemplo:

- Almejar funções de comando e igualdade de remuneração em qualquer organização
- Escolher por ser mãe ou não, assumindo o controle sobre seu corpo
- Denunciar agressões e, não, ver diversos agressores declarados inocentes pela "defesa da honra".

A reportagem, claro, assume que ainda há muito a se conquistar, mas que atitudes de desprezo e repulsa aos movimentos que mudaram a vida das mulheres apenas dificultarão novos passos. Não se perde femililidade ao lutar por direitos constitucionais e plenamente justos.

Comparo com meus comentários a respeito de jovens ingênuos que acreditam estar 100% preparados para a vida profissional, ou a respeito das pessoas que, ajudadas, revoltam-se contra seus benfeitores. É semelhante. Mulheres que acreditam ser maiores do que a história, mulheres que imaginam que as coisas sempre foram como são, hoje. Mulheres que não se orgulham de fazer parte de um movimento que já se iniciou há décadas e querem, então, "mostrar que têm personalidade". Estas, sim, estão fora da linha da história.

Vale a pena ler a reportagem.

PROFISSÃO

Comentários de Tuiávii, chefe da tribo Tiavea, nos mares do sul, aos seus irmãos, quando regressou de sua viagem à Europa:

É difícil dizer o que é “profissão”, mas todo europeu tem uma. É uma coisa que se deve ter muita alegria ao fazer, mas raramente isso acontece. Ter uma profissão significa fazer sempre a mesma coisa, uma só coisa, e tantas vezes que se consegue fazê-la de olhos fechados e sem esforço algum. Se com minhas mãos outra coisa não faço além de construir cabanas ou tecer esteiras, construir cabanas ou tecer esteiras é minha “profissão”.

Lá na Europa existem pessoas que já não podem correr, pois criam muita gordura no ventre, como os porcos, porque têm que estar sempre parados, obrigados pela profissão. É raro ver um europeu que salte, que pule como criança, depois que fica adulto. Pelo contrário, quando anda, arrasta o corpo, como se alguma coisa travasse o seu movimento. Ele disfarça, nega esta fraqueza, dizendo que correr, pular, saltar não são decentes para um homem importante. Hipocrisia: é que seus ossos estão duros, sem movimento e seus músculos não têm mais animação porque a profissão o fez sonolento e morto. Ela lhe destrói a vida, insinua-lhe bonitas coisas, mas na realidade lhe chupa o sangue.

A profissão também prejudica o europeu de outra forma. Existe ódio ardente entre os homens que têm profissões diferentes. Todos estão sempre comparando as suas profissões, cheios de inveja e má vontade. Fala-se em profissões elevadas e baixas, embora todas sejam apenas atividades parciais. Por causa da profissão, o europeu vive confuso. É claro que não quer pensar nisso, mas ele nunca conseguiu nos fazer compreender porque havemos de trabalhar mais do que Deus exige para que possamos comer o necessário, cobrir a cabeça com um teto e nos divertirmos com as simples festas da aldeia. O europeu suspira quando fala no seu trabalho, como se uma carga o sufocasse. O Grande Espírito não quer certamente que fiquemos cinzentos por causa das profissões, nem que nos arrastemos feito as tartarugas e os pequenos animais rasteiros da lagoa. Ele deseja que continuemos felizes e firmes em tudo quanto fazemos; que não percamos a alegria dos nossos olhos e nem o contentamento com a simplicidade da vida.

Extraído do livro "O Papalagui", de Erich Scheurmann, escrito em 1920..

terça-feira, março 10, 2009

Tonus Aventura 1




Uma grande evento. Com direito a escolta da Polícia Rodoviária e carro de apoio, mais de 30 amigos, alunos e professores da Tonus foram pedalando desde a Praça São João, no Pontal, ao Batuba Beach, em Olivença! Manhã de 8 de março, dia internacional da mulher.

Lá, uma aula de alongamento e outra de Swing Brasil. Muita animação, suor e sorriso no rosto!

- Precisamos fazer isso outras vezes!

- Que delícia! Que turma legal!

As inscrições foram alimentos e material de limpeza, doados à Creche Bom Pastor. Responsabilidade Socioambiental.

Não é simples?!

quarta-feira, março 04, 2009

Será que eu já fui assim?

Parece que as situações vêm em bloco. Ou talvez eu é que veja as semelhanças entre elas. Personagens, locais, motivos sem nenhuma sintonia acabam assumindo pontos de encontro que permitem esta reflexão.

Criador e criatura. Professor e aluno. Provedor e provido.

Pense em ajudar alguém. Sim, ajudar de qualquer forma. Empreste seu ombro, ou seu dinheiro. Ou, ainda, ensine caminhos que você já percorreu. Acolha. Compartilhe seu teto. Seu conhecimento, sua experiência. Tenha paciência. Muita paciência. Estimule, não o deixe desistir, alegre-o nas dificuldades. Ouça suas lamentações, dê alguns conselhos, faça-o refletir, busque respostas. Ofereça sua força, sua energia, sua influência, seus amigos, sua família.

Pronto? É bem possível que você tenha conquistado, na verdade, um "inimigo".

Explico. É raro alguém que tenha equilibrio, desprendimento e discernimento suficiente para domar seu orgulho e aceitar pacificamente uma situação que, a ele, seja profundamente humilhante. Não se trata de, simplesmente, atribuir à inveja um eventual mau sentimento. Uma pessoa que, por qualquer motivo, em algum momento, tenha precisado de ajuda, corre o risco de sentir-se diminuída e, com isso, iniciar um processo interno de justificar uma "revolta" contra quem causou aquele sentimento. No caso, você. Você que o ajudou e o conheceu "no fundo do poço". Viu com imenso realismo suas fraquezas, do alto do que ele imagina ser um pedestal.

A força que você ofereceu é uma ameaça. O ser humano, envergonhado, pode reagir agressivamente. E acredita que tem razões para isso. Ele construiu mecanismos para aliviar seu sentimento de inferioridade e voltar-se contra seu benfeitor.

É sempre assim? Não, mas depende, na minha opinião, de discernimento. E isto é, como já disse, raro. E, incrível, isso não impede meu instinto de ajudar, mas vejo com clareza o que acabo de descrever. Uma das leis de Deepak Chopra diz que devemos ser "um rio e não uma represa", ou seja, não segurar, estocar, mas ser um canal de distribuição de sorrisos, dinheiro, alegria... E assim eu faço. E vejo, com certa resignação, alguns "rebeldes" valorizando minha trajetória ao assumir uma atitude ingênua de "pequenos confrontos".

Obrigado. Estou lisongeado.

terça-feira, março 03, 2009

"Tropa de Elite" e a realidade à mostra



Eu sei, já saiu de cartaz há muito tempo e todos já viram até duas versões em DVD...

Mas eu tinha a sensação de que eu gostaria do filme e, pela primeira vez, assisti de ponta a ponta. E, realmente, adorei. Sim, há violência, sangue, imagens fortes. "A Paixão de Cristo" e "Gladiador" também. E, para mim, nestes, as cenas são ainda mais fortes. No caso do "Tropa", a gente vai ficando satisfeito pela forma altamente coerente e realista que o roteiro acontece. É como se a gente dissesse:

- Que bom que alguém viu e traduziu a realidade em um filme.

Agora, as pessoas podem debater, refletir, discordar ou concordar, mas a partir de cenas absolutamente realistas.

Como no mundo selvagem dos negócios, o consumidor pode ser manipulado, mas é, na verdade, o grande financiador das organizações. Inclusive as que produzem e vendem maus produtos. Sem consumidor, não há negócio.

No filme, povo é povo. A classe de faculdade é uma verdadeira classe de faculdade, a forma de debate, de "censura", de "corporativismo estudantil", é verdadeira. O professor parece verdadeiro!...

Não se propõe a apontar soluções. Convida à reflexão, sim, mas brilha pela iniciativa de abrir as janelas e as portas de uma estrutura misteriosa e ameaçadora. Terá solução? Para o filme, não importa. É como pesquisa pura: vocês que se virem para continuar a partir do que eu fiz!

segunda-feira, março 02, 2009

Em plena desaceleração!

Sim, rompemos essa barreira. Muita reflexão, muitos planos.

A escolha de caminhos, conforme vimos em uma das leis de Deepak Chopra (já publicadas aqui no Desacelere) reflete pelo resto da vida. "Somos resultado das escolhas que fizemos no passado".

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Eu sou mal educado.

A falta de educação é de quem defende seu espaço e reclama de invasores, ou invasores é que são deselegantes?

Devemos, em nome de nossa boa educação, aceitar os que invadem as calçadas e, educadamente, desviar? Ou serão eles que não receberam educação e devem ser corrigidos?

É sensato sorrir e, com educação, agradecer cada ambulante que nos força a parar o que estamos fazendo para nos mostrar produtos sem valor, e dizer que não estamos interessados? Ou eles é que, nas ruas, nas praias, nos bares e restaurantes, não sabem se comportar e acreditam que, assim, venderão mais?

É normal aguentar fumaça de cigarro em ambientes fechados, para não sermos mal educados? Ou aqueles fumantes é que deviam se tocar e... Escolher outro lugar?

É educado aguentar músicas de gosto duvidoso em volume máximo, à porta de casa ou em frente ao trabalho? Ou estes exibicionistas e autoritários da cultura vulgar é que deveriam voltar aos bancos escolares?

Pois é. Se reagimos, estes invasores já estão prontos para nos ameaçar e dizer:

- Nossa, se eu soubesse que o senhor seria tão mal-educado nem teria oferecido...

Ou:

- Você nem pediu "por favor"!

Ou, ainda:

- Os incomodados que se retirem...

Uma senhora nos abordou, na praia, apoiou sobre nossa mesa uma caixa imensa, pediu licença e, antes que disséssemos "não", foi retirando pequenas embalagens e colocando-as sobre a mesa. Atrapalhou a conversa, o descanso, o sossego. Mal educada. Sem dúvida, muito mal educada. Reagi, em defesa do bom senso e de tudo que tenho ensinado sobre abordagem de clientes, turismo sustentável, persuasão:

- Desculpe, mas não lhe dei licença. A senhora está invadindo nosso espaço e não tem direito para isso.

- Mas o senhor está sendo muito mal educado! Eu tenho o direito de mostrar meus produtos!

Uma inversão ridícula de valores. Ela realmente acreditava naquilo. As pessoas no guarda-sol (é assim que se escreve, na nova gramática?) ao lado solidarizaram-se com ela, identificando-se com seu nível cultural. Sucesso. Ela vendeu quase tudo a eles.

E eu, quem diria, mal educado...

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Consumo sustentável em ... Dubai?!

Dubai, capital dos Emirados Árabes Unidos, vinha sendo a vedete do consumo. Mais de 1,5 milhão de habitantes e, diziam, 30% dos guindastes de construção do mundo... Shoppings Centers megalomaníacos, torres futuristas, cidades inteiras construídas onde antes era apenas água. Ou deserto. Verdadeiras hordas de bárbaros estrangeiros invadiam a cidade contratados pelas empresas ou em busca de valorizados empregos. Seduzidos, compraram automóveis, moradias, bens... Bom para a economia, não é? Não.



O jornal O Estado de São Paulo trouxe, neste domingo, uma reportagem intrigante. Lá, nos Emirados Árabes, quem não pagar suas dívidas é detido. Sim, vai para a prisão (se a moda pega por aqui...). Pois veio a crise mundial. Uma crise provocada, em suas entranhas, pelo desequilíbrio da sedução do consumo e do lucro. Uma crise que pode ser o sinal de que os recursos estão diminuindo. Uma demonstração de que, mais do que nunca, precisamos observar nossas decisões de consumo.

Sim: Dubai. A reportagem informa que o aeroporto está repleto de automóveis abandonados por proprietários que perderam seus empregos, não conseguiram outros e, para não serem presos, fugiram do país... Alguns, educadamente, deixaram até bilhetes no parabrisa, desculpando-se. Os jornais, que antes pareciam mais um informativo de agência de empregos, de tantas opções, afinaram. Quase não há demanda por novos trabalhadores.



O protecionismo, vilão momentâneo da economia mundial, também pode ser a representação da esperada "guerra pelos recursos", em função da previsão de escassez. Os estudiosos da economia do meio ambiente afirmam, há bastante tempo, que, independentemente da discussão de ser a ação humana causadora de variações climáticas e o aquecimento global, há ações preventivas urgentes. Uma delas é adequar o consumo à realidade e isso pode significar ajustes no custo, e preço, de produtos e bens dependentes de recursos naturais críticos.



Dubai transformou-se em maquete da realidade econômica mundial, uma espécie de visão antecipada. Aqui, no mundo dos mortais e dos comuns, vamos nos preparando para conhecer opções de novas formas de consumir. Educar nossas famílias, amigos, alunos, parentes, próximos, para uma nova realidade que, se for enfrentada a tempo e com realismo, pode ser melhor do que a atual...

terça-feira, fevereiro 17, 2009

Portas abertas para o bom-humor

Tenho refletido sobre esta arte: o bom humor. Meus filhos trocaram de escola e a pergunta foi inevitável, após o primeiro dia de aula:

- Gostaram?

- Adorei! As professoras são... Engraçadas!

E desandaram a descrever tudo que aprenderam. E aprenderam mesmo. Riram quando lembraram-se das professoras. Estavam felizes, verdadeiramente. Pensei: "como deveria ser antes? Será que a imagem deles de 'professoras' era de alguém carrancudo, de mal com a vida?". Como foi importante para eles esta constatação, a de que "professores podem ser engraçados"...

Eu, mesmo, uso e abuso do humor em minhas palestras, apresentações, dinâmicas. Aprendi e sei que uma piada é um risco, pois se a audiência já a conhece, você passa por tolo. E, pior, se eles não entendem a piada, você passa a explicá-la... Piada não se explica. Mas, de qualquer forma, acredito que tenho tido equilíbrio na dose de humor nos eventos. Mesmo os mais sérios.

Como no caso da mais recente audiência do Plano Diretor Municipal de Itapebi. Comandei o evento, apresentando todo o resultado do que chamamos de "cenário propositivo", ou seja, as propostas que deveriam estar contidas no projeto de lei. À minha frente, diversas autoridades, vice-prefeito, vereadores, secretários municipais... O clima foi muito bom, pois tentei fazer de uma leitura que poderia ser cansativa e entediante, uma conversa dinâmica e alegre. No final, perguntei a todos a nota que dariam à reunião. Em geral as notas foram, realmente, altas, o que mostrou que tinham estado atentos e satisfeitos. Aí, um vereador levantou-se e disse, tentando dar um ar solene ao que ia falar:

- Muito obrigado, sr. Fred, a gente aprendeu muito, foi bastante interessante. O que mais me chamou a atenção é que eu nunca esperava uma pessoa assim, como o senhor, assim... Engraçada.

Todos riram muito. Fiquei com a certeza de que consegui abrir portas para transmitir meu recado, assim como as professoras de meus filhos.

Por falar nisso: as portas andam abertas ou fechadas, para você? Experimente "bom-humor".

domingo, fevereiro 15, 2009

Conversa-criativa

Sucesso!

São eventos assim que nos fazem continuar e acreditar que podemos ajudar a fazer a diferença!


Fizemos um convite (lembra? Veja a imagem), enviamos a muitas pessoas, pais, mães, professores... O que ele dizia? Vamos conversar de forma criativa sobre como elevar a auto-estima de nossas crianças, adolescentes e jovens. Enviamos aos colégios, para que professores pudessem estar presentes e aprender conosco algo mais sobre um tema tão importante. Eles não vieram. Não fizeram falta, mas eles perderam uma oportunidade. Não tenho dúvida.

Veja as fotografias, a seguir. Estiveram mães, pais e até avós. A conversa foi agradável e muito produtiva. Eu achei, verdadeiramente, emocionante. Mas, aceito, eu sou suspeito...

Apresentaram-se de forma criativa e participativa. Em duplas, primeiro conheceram-se e depois apresentaram suas colegas ao grupo. Aconteceram revelações! Em seguida, assistiram, alguns emocionados, à apresentação de "O Diário de Luana", já publicado em primeira mão aqui no Desacelere. Depois, foram convidados a discutir, em grupos, como podem auxiliar as professoras da Escola de Dança Tonus em sua tarefa de "elevar auto-estimas". Os grupos fizeram breves, mas incrivelmente profundas, apresentações sobre suas conclusões. O resultado também já está publicado, aqui no Desacelere: Carta de Ilhéus pela auto-estima. Um documento elaborado por todas e todos que participaram da conversa-criativa. Um documento em permanente transformação e aperfeiçoamento, aguardando contribuições!

Em seguida, foram todos chamados a aprender uma sequência de "percussão-corporal", uma espécie de sapateado com o corpo todo (e, não, apenas com os pés...). Pais, mães e avós, divertiram-se muito e aprenderam os movimentos. Quase (!) com perfeição...

Para surpresa de todos, suas crianças entraram na sala e fizeram uma apresentação, com graça e emoção: a mesma sequência que os adultos tinham aprendido há minutos. A seguir, uma pequena apoteose: todos juntos, pais, mães, avós e... Suas crianças, adolescentes, todos! Uma delícia!

- Precisamos fazer isso outras vezes!

- Temos que fazer todos os pais e todas as mães passar por algo assim!

- Que diferença! Que carinho!

A todos que participaram, aos que ajudaram na organização, parabéns! Vocês são demais! E muito obrigado por confiar em nosso trabalho!

Trabalho em grupos: apresentando


Trabalho em grupos: concentração


Aprendendo a sequência de percussão corporal


Todos juntos: surpresa e diversão


Todos juntos: carinho na integração