quinta-feira, setembro 03, 2009

Cuidar de si

Ao longo do dia há vários momentos em que estamos, literalmente, cuidando de nós mesmos.

Se nos permitimos dormir, dormir mesmo, dormir bem, profundamente, estamos cuidando bem de nosso corpo e nossa mente. Estamos focados em nós. Este é um exemplo. Pense, agora, em todos os momentos em que o foco deveria ser você. Apenas você.


Ao escovar os dentes, ao lavar as mãos, ao banhar-se, pentear cabelos. Nas refeições, ao ouvir uma música agradável, passear na praia, exercitar-se, silenciar-se. Ao corrigirmos a postura, ao respirar profundamente. No ajeitar de uma dobra na roupa, no espreguiçar, no observar a natureza. Pense nos seus momentos. Eles existem?

Mais do que isso: você os percebe? Você vive seus momentos em que o foco deveria ser você? Ou você apenas executa tarefas, mecanicamente e, erroneamente, orgulha-se dos "resultados"?


Experimente observar se é capaz de fazer destes momentos, rituais em homenagem a uma grande pessoa. Você.

quarta-feira, setembro 02, 2009

Lição de vida

Autor desconhecido

Dois homens, ambos gravemente doentes, com muitas dores, sofrendo muito, estavam no mesmo quarto de hospital. Um deles, podia sentar-se na sua cama durante uma hora, todas as tardes, para que os fluidos circulassem nos seus pulmões. A sua cama estava junto à única janela do quarto.

O outro homem tinha de ficar sempre deitado de costas. Os homens conversavam horas a fio. Falavam das suas mulheres e famílias, das suas casas, dos seus empregos, onde tinham passado as férias… Todas as tardes, quando o homem da cama perto da janela se sentava, ele passava o tempo a descrever ao seu companheiro de quarto, todas as coisas que ele conseguia ver do lado de fora da janela.

“A glória da vida é amar, não ser amado; dar, não receber; servir, não ser servido.” ( H. W. Bieber)

O homem da cama do lado, aquele que não podia se mover, começou a viver à espera desses períodos de uma hora, em que o seu mundo era alargado e animado por toda a atividade e cor do mundo do lado de fora da janela. A janela dava para um parque com um lindo lago. Patos e cisnes chapinhavam na água enquanto as crianças brincavam com os seus barquinhos. Jovens namorados caminhavam de braços dados por entre as flores de todas as cores do arco-íris. Árvores velhas e enormes acariciavam a paisagem, e uma tênue vista da silhueta da cidade podia ser vista no horizonte.

Enquanto o homem da cama perto da janela descrevia isto tudo com extraordinário pormenor, amor e carinho, o homem no outro lado do quarto fechava os seus olhos e imaginava a pitoresca cena; viajava e sonhava com o mundo lindo visto da janela.

“O que temos feito por nós mesmos morre conosco; o que temos feito pelos outros e pelo mundo permanece e é imortal.” (Alberto Pike)

Um dia, o homem perto da janela descreveu um desfile que ia a passar. Embora o outro homem não conseguisse ouvir a banda, ele conseguia vê-la e ouvi-la na sua mente, enquanto o outro senhor a refratava através de palavras bastante descritivas.

Dias e semanas passaram com este lindo ato de amor.

Uma manhã, a enfermeira chegou ao quarto trazendo água para os seus banhos, e encontrou o corpo sem vida do homem perto da janela, que tinha falecido calmamente enquanto dormia. Ela ficou muito triste e chamou os funcionários do hospital para que levassem o corpo.

“É quando esquecemos de nós mesmos que fazemos coisas que serão sempre relembradas.”(Eugene P. Bertin)

Logo que lhe pareceu apropriado, o outro homem perguntou se podia ser colocado na cama perto da janela. A enfermeira disse logo que sim e fez a troca. Lentamente, e cheio de dores, o homem ergueu-se, apoiado no cotovelo, para contemplar o mundo lá fora. Fez um grande esforço e calmamente olhou para o lado de fora da janela… Que dava, afinal, para uma parede de tijolo! Que surpresa…

O homem perguntou à enfermeira o que teria feito com que o seu falecido companheiro de quarto, lhe tivesse descrito coisas tão maravilhosas do lado de fora da janela. A enfermeira respondeu que o homem era cego e estava muito doente, sabia que estava no fim da vida e nem sequer conseguia ver a parede:

“Talvez ele quisesse apenas dar-lhe coragem para que você pudesse suportar tantas dores e sofrimentos…”, disse a enfermeira.

*Moral da História*: Há uma felicidade tremenda em fazer os outros felizes, apesar dos nossos próprios problemas. A dor partilhada é metade da tristeza, mas a felicidade, quando partilhada, é o dobro de alegria.

“O dia de hoje é uma dádiva, por isso é que lhe chamam presente.”

Cigarros, cigarros, cigarros...

Falamos há pouco tempo da nova lei paulista que restringe o fumo em locais fechados de uso coletivo. Falamos da imensa aprovação da população -mesmo entre fumantes- e da necessidade de técnicos -no caso, pesquisadores da medicina- intervirem em costumes sociais.

Mesmo assim, e no entanto, ainda me surpreendo ao encontrar fumantes.

Falamos, aqui, também, da minha "teoria dos pequenos suicídios" e este hábito talvez seja o mais evidente suicídio gradual em nossa sociedade. Hoje cheguei a assustar um rapaz durante uma avaliação física:

-A vida está ruim? Seus amigos não te interessam? Por que você quer deixar sua família sem sua presença? A cada cigarro que leva a boca, comete um pequeno suicídio. Deixa este mundo um pouco mais sem você.


Incrível, há agravantes. O pai teve 4 infartos. Ele, o filho, não faz exercícios, alimenta-se mal -perguntei como foi o café-da-manhã e a resposta foi "nada"-, está estressado, ansioso, elétrico, com sintomas como pontadas no peito e azia.

A boa notícia? Ele tem menos de 30 anos. Há tempo de sobra para uma virada, uma desintoxicação, uma "tomada de consciência"... Não é obeso, não tem dores nem lesões, sua pressão arterial está estabilizada. O mundo, para ele, ainda não caiu. Ainda. Apenas ele pode reverter esta trágica tendência. Eu ajudei um pouco, dei um impulso e vou acompanhá-lo nessa tarefa.

Após o susto, senti sincera gratidão pelo "tapa" que me senti impelido a oferecer a ele. Será que ele se afastará e se entregará à sedução dos sofás, das geladeiras e das tevês? Ou, decididamente, estará presente nos dias previstos e, pacientemente, aceitará o tempo necessário para a mudança definitiva?

Mais notícias a qualquer hora!

terça-feira, setembro 01, 2009

Respire, esta é a sua vida!...

Respiração. Um ato tão comum, necessário, repetido desde o nascimento. E tantas pessoas com tanta dificuldade para realizá-lo com equilíbrio, leveza, plenitude!

Nesta semana uma aluna disse, com todas as letras:

-Eu literalmente não respirei até 30 anos de idade. Como é possível aprender a respirar, agora?!

Eu repliquei na hora:

-Com certeza não é a única coisa errada que você fez até os 30 anos. Muitas delas você já caiu na real e corrigiu. Por que não fazer o mesmo com sua respiração?!


Ela ficou quieta, concordou, sorriu. Eu costumo dizer que "respiração curta" é um mal muito comum e de origem quase sempre semelhante. Faço analogias. É como uma criança a se esconder atrás do sofá ou de uma árvore. O perigo pode ser a mãe autoritária, o irmão briguento, o boi-da-cara-preta, o bicho papão, o banho, o jiló na mesa... Qualquer coisa que a imaginação permita. Imagine a situação. Você, escondendo-se de um perigo. Sua respiração pode ser a delação e qualquer ruído pode oferecê-lo ao perigo.


Sim, esta ausência de respiração afeta o metabolismo. A queima dos nutrientes por nossas células depende do oxigênio. Qualquer queima precisa de oxigênio. Sem ele, as células têm seu desempenho comprometido. A gordura em excesso no sangue não é completamente eliminada. Os órgãos -compostos por tecidos que, por sua vez, são formados por células- funcionam a "meia carga". Com o tempo, o risco de desequilíbrios mais graves e doenças passa a ser preocupante.


Várias modalidades esportivas são eficientes desinibidores da respiração. Pilates, para mim, é uma das mais poderosas. Sem a respiração correta os exercícios ficam mais difíceis de serem executados. Sim, o difícil é tornar prática esta consciência. Vícios de respiração têm origem no campo das emoções e diminuí-los passa pela revisão da "postura emocional" da pessoa. Nem sempre há esta disposição...


Procuro, então, estimular através da imagem do que acontece com o ar ao entrar nos pulmões: a troca gasosa -gás carbônico por oxigênio-, os brônquios, bronquíolos e alvéolos, antes atrofiados e, depois, ativos, energizados e promovendo intensa atividade e vitalidade. E, através da experiência da respiração intensa e plena, observar suas emoções, suas origens e "atualizá-las".

Aquela criança que queria se esconder atrás do sofá cresceu, estudou, passou por experiências e merece uma vida mais livre e sadia.

domingo, agosto 30, 2009

Lei Federal X “cultura” local

Unidades de Conservação –UC- são criadas para direcionar o desenvolvimento para um modelo em que recursos naturais sejam preservados e não faltem às gerações futuras. Algumas UC, por sua natureza, aceitam a presença de moradores, empreendimentos, comunidades, uso econômico, desde que de acordo com algumas normas que visam a utilização não-predatória daquele espaço.

Outras, pela emergência do risco, prevêem a desapropriação e desocupação. Nada de moradores, nada de exploração. Apenas preservação.

A criação de UC é um caso típico de intervenção necessária de técnicos na rotina e na vida de cidadãos. Estes –os cidadãos- não têm a obrigação de aprofundar seu conhecimento sobre ecologia, desenvolvimento socioambiental, espécies em risco de extinção, por exemplo. Ao eleger seus representantes, o cidadão delega a eles, de certa forma, o poder de formar equipes de técnicos, cientistas, pesquisadores, que serão responsáveis por políticas públicas, de forma geral, e por ações que, ao beneficiar o coletivo, podem incomodar o individual.

É o caso da Floresta Nacional do Jamanxim, no oeste do Pará. É uma UC criada em 2006 e já perdeu, desde então, 270 km2 em desmate ilegal. Moradores e proprietários locais estão em campanha para que seja revista a área definida em lei. Há relativo consenso de que não se deve punir ações anteriores à criação da UC, mas há evidências de que estão acelerando o desmatamento para criar um fato “consumado” e alegar que a área já está degradada e deveria estar fora da UC.

satelite

Carlos Minc, Ministro do Meio Ambiente, esteve em Novo Progresso, município onde esta Floresta Nacional se localiza. Detectou, com ajuda de satélites, cinco áreas preparadas para serem queimadas e evitou a ação, com participação de fiscais do Ibama. queimadaO “interesse” local rebelou-se. A “poderosa” Câmara de Vereadores de Novo Progresso –“cultura” local- declarou, semana passada, Minc persona non grata. E o mais interessante: um juiz estadual –outra “cultura” local-, imaginem, mandou prender o chefe da fiscalização! E, verdade, recebeu o título de “cidadão progressense”. 

A “cultura” local (desculpe se abuso da expressão e das aspas) insurge-se contra Leis Federais. Escancaram a situação e gritam por suas ações:

- Estamos nos lixando para o coletivo, para o Brasil, para as futuras gerações, para os técnicos, para os pesquisadores, para o risco de mudanças climáticas, para as leis!!!

Defendem seus particulares interesses e com apoio de forças legislativas, vereadores e juízes. A lei local adapta-se aos interesses locais. Se o governo ceder, abre a porteira, passa este boi e…


Qualquer semelhança com eventos recentes no Planalto Central -Senado, atos secretos, castelos, parentes, STF, Comissão de Ética...-, não é coincidência. É exemplo.

quinta-feira, agosto 27, 2009

O mundo nas costas

Incrível como há pessoas que refletem em sua postura, sua coluna e seu humor, a sensação de "carregar o mundo nas costas"...

Curvam-se à frente. Elevam os ombros. Dirigem o olhar ao chão. Respiração curta, quase ofegante. E tentam inspirar auto-suficiência e um certo orgulho. Afinal, carregam "um mundo" nas costas.


Mas as costas dóem. Um mundo é muito pesado. Nos mundos há pessoas, com seus próprios pesos e os de suas bagagens -se alguém nos carrega, não nos importamos com o peso de nossas malas-.

-Meu marido não vive sem mim!

-Meu departamento não funciona quando não estou lá!

-Organizo pessoalmente a vida de meus filhos!

-Minha empresa tem a minha cara!

Sentem-se importantes. Sentem-se amados. E desabam quando os habitantes do mundo à suas costas resolvem habitar outros planetas. Descobrem que a acomodação que aconteceu não tem nada a ver com amor. Ao contrário, os acusam de controladores, insensíveis, orgulhosos...

Ao "tratar" a postura, corrigimos o "ângulo de visão" da pessoa. O horizonte é a mira. Relaxamos os ombros, suavemente alocamos as escápulas em direção à cintura, acionamos o abdomen em direção à lombar, alongamos a cervical com o queixo na horizontal e... Respiramos lenta e profundamente... Neste quadro, fazemos exercícios, caminhamos, descemos escadas, dirigimos...


Com o tempo o mundo perde peso, a pessoa posiciona-se melhor em relação a ele e relaciona-se de forma mais completa com seus "habitantes". O alívio das dores nada mais é do que a sensação de leveza. O mundo não pesa.

A liberdade de escolher o que se leva às costas prevalece. Olhe bem. O que é isso aí atrás, sobre seus ombros?!

segunda-feira, agosto 24, 2009

Stop and Hear the Music

Joshua Bell. Ignorado no contexto...

VALOR E CONTEXTO

Reflexão recebida hoje, de Andrea (www.fotolog.terra.com.br/reflexoes_diarias)

Doze de janeiro de 2007. Aquela poderia ser mais uma manhã como outra qualquer. Eis que o sujeito desce em uma estação do metrô em Washington vestindo jeans, camiseta e boné, encosta-se próximo à entrada, tira o violino da caixa e começa a tocar com entusiasmo para a multidão que passa por ali, bem na hora do rush matinal. Mesmo assim, durante os 45 minutos em que tocou, foi praticamente ignorado pelos passantes.

Ninguém percebeu, mas o músico era Joshua Bell, um dos maiores violinistas do mundo, executando peças musicais consagradas num instrumento raríssimo, um Stradivarius de 1713, estimado em mais de 3 milhões de dólares. Alguns dias antes, Joshua Bell havia tocado no Symphony Hall de Boston, onde os melhores lugares custaram a “bagatela” de 1.000 dólares.

A experiência, gravada em vídeo (o vídeo que antecede esta postagem), mostra homens e mulheres de andar ligeiro, copo de café na mão, celular no ouvido, crachá balançando no pescoço, indiferentes ao som do espetáculo gratuito.

A iniciativa realizada pelo jornal The Washington Post era a de lançar um debate sobre valor, contexto e arte. A conclusão: estamos acostumados a dar valor às coisas quando estão num contexto.

Aquele talentoso músico era uma obra de arte sem moldura. Um artefato de luxo sem etiqueta de grife. Esse é um exemplo daquelas tantas situações que acontecem em nossas vidas que são únicas, singulares e a que não damos a menor importância porque não vêm com a etiqueta do seu preço. O que é que tem valor real para nós, independentemente de aparências, preços e grifes? É o que o mercado diz que você deve ter, sentir, vestir ou ser?

O que o Senhor Jesus Cristo nos ensina é que "a vida de uma pessoa não consiste na abundância dos bens que ela possui". Só que o mundo prega o contrário... Por isso, quando nos transformamos em pessoas materialistas e superficiais, o vazio que se cria dentro de nós é como uma ferida que não cicatriza nunca. Para curá-la, queremos mais e mais. Mas nunca chega...

sábado, agosto 22, 2009

Steinbrecher, Menezes, Gonzaga, Tiemi


Símbolos máximos da "raça brasileira". Merecem muito mais atenção e respeito. São mulheres. Em um mundo masculino. São brasileiras. Em um mundo de primeiro mundo. São atletas do voleibol. Em um mundo do futebol.

Mistura típica. Mari é Steinbrecher. Ana é Tiemi. Sassá é Gonzaga. Nada de uniformidade, monotonia, monocromia.

Grandes momentos de superação. Derrotas certas transformam-se em vitórias. O esporte inspira milhares de sassás, tiemis e steinbrechers e reforçam suas almas e auto-estimas.

Veja o esporte por ângulos renovados.

sexta-feira, agosto 21, 2009

Raul Seixas - Tente Outra Vez

Exatos 20 anos sem Raul. 21 de agosto de 1989. Raul Seixas deslizou entre plumas. Não diga que a canção está perdida.

Tente outra vez....

quarta-feira, agosto 19, 2009

Faca de dois gumes

Há pessoas sem tendência para engordar. Desde pequenas são magras. O metabolismo é acelerado e, rapidamente, eliminam excessos. Enquanto seus colegas esforçam-se e submetem-se a grandes sacrifícios para emagrecer, eles podem se dar ao luxo de faltar à educação física e evitar aulas de natação ou as caminhadas matinais.

Na adolescência a vaidade empurra as "gordinhas" para as academias, para os esportes, para as clínicas. Acostumam-se com a atividade física em sua vida. Passam, até, a sentir prazer com o exercício. Enquanto isso, as "magras por natureza" desfilam para os rapazes e atraem multidões.

Chega a idade adulta. A faca mostra seu outro fio. O que esteve durinho, apresenta flacidez. A pele envelhece mais rapidamente, o fôlego falha em momentos importantes. Coluna, pernas, articulações dóem e afetam a atividade cotidiana. O corpo começa a falhar.

Não, não é uma praga. É constatação. O sistema circulatório -incluindo o coração, claro!- esteve pouco estimulado. Músculos e ossos estão fracos. Articulações endurecidas. E o pior: estas pessoas, magras na infância e adolescência, não aprenderam a gostar de exercícios. A necessidade transforma-se em um verdadeiro drama, um sofrimento.

Daí a importância de bons profissionais -que entendam de... motivação- e, mais ainda, um ambiente diferenciado, acolhedor, estimulante, que reduza o impacto de iniciar algo desconhecido: praticar atividades físicas regularmente. Tem sido incrível e realizador vivenciar verdadeiros "renascimentos", transformações de antigas "falsas magras" em adultas ativas, fortes, lindas e realizadas.

Sempre digo:

- Prefiro uma gordinha ativa do que uma magrela sedentária!

terça-feira, agosto 18, 2009

Tai Chi, concentração e o mundo real

No final da aula, houve um comentário:

- Será que não tem uma sala mais isolada? Essa música da sala ao lado me desconcentrou!...

A princípio, faz sentido. Silêncio e concentração parecem caminhar juntos.

Pessoas passavam e podiam ser vistas através da parede de vidro. Olhavam, curiosas. Algumas de collant, shorts, roupas justas...

- Haja concentração!

Para mim, não fez muita diferença, mas confesso que teve um momento que vi alguém conhecido, do outro lado, e acenei. Perdi o ritmo, desconcentrei, quase caí.

Ao conversar com o professor, confirmei o que já imaginava. A verdadeira concentração independe do entorno. Feche os olhos, pense em si, em suas estruturas, em seus músculos. O mundo não é uma "zona de conforto" e podemos treinar o desligamento, relaxar, apesar de todo o movimento e energia a nosso redor.

- Você sabe onde meu instrutor me levava para aprender Tai Chi e a me concentrar? Ao centro de Salvador! No meio de todos. Ônibus, pessoas, edifícios... Pessoas?! Que pessoas?!



Mais uma função desta modalidade. Aprender a se desligar. Parece bom para... Desacelerar.

domingo, agosto 16, 2009

Minoria, maioria, democracia...

Há fumantes que consideram "leis antifumo" uma afronta à liberdade. São minoria. A ciência diz:

-Fumar faz mal. A quem fuma e a quem está por perto.

Cientistas também são minoria, mas, neste caso, são ouvidos, respeitados. Induzem o pensamento da maioria. Afinal, incríveis 88% dos paulistas apóiam a nova lei que proíbe fumar em locais fechados de uso coletivo. Está na Folha de São Paulo de hoje.

Mas, no mesmo jornal, há citação de uma frase de Hugo Chavez, sobre leis:

- Se a burguesia grita, é porque ela [a lei] é boa.

Chavez quer mudar a lei da educação da Venezuela, controlar o que se ensina e o que se divulga nos meios de comunicação. A minoria -no caso, os "burgueses" cientistas da educação, estão gritando. A ciência, espera-se, deve ser leiga e apolítica. Aqui e lá, também.

Trabalhos e pesquisas científicas são avaliados e contestados, se for o caso, internacionalmente. Fumo, educação... Fumar não faz mal apenas aos paulistas nem Chavez vai contrapor-se a todos os estudos sobre educação e "criar" uma nova abordagem pedagógica mais eficiente.

A democracia precisa desta minoria, precisa do livre debate baseado nas descobertas da ciência. Daí, são feitos ajustes nas regras sociais. As leis. Se este mecanismo funciona, há evolução e uma tendência a se evitar a "contaminação" social por princípios insustentáveis.

quinta-feira, agosto 13, 2009

Instantâneo

Momento único de uma aula de Pilates. A turma das 18:15 fazendo pose para a eternidade. Não importa a qualidade da foto e, sim, a vontade de ser feliz.

Momentos pelos quais vale a pena se entregar.

Obrigado!

domingo, agosto 09, 2009

"Fim de década é fogo!"


O artigo de Sérgio Augusto no Estadão deste domingo começa com esta frase.

Eu, que nasci em 1959 -último ano da década-, continuei a lê-lo com mais interesse. Surpresa: Fred Kaplan teria provado, em seu livro "1959: The Year Everything Changed" -1959, o ano em que tudo mudou- que aquele ano teria sido o início de uma mudança fundamental nos costumes e na vida do planeta.

O título é uma analogia ao quase homônimo de Rob Kirkpatrick. Este seria o autor de uma análise sobre o ano de 1969, com os mesmos objetivos. Sim, teria sido uma ano de mudanças importantes, o que nos leva a crer, sim, que "fins de décadas são especialmente marcantes".


1959 iniciou com a revolução cubana e terminou com John Kennedy dando seus primeiros passos rumo à Casa Branca. A Guerra Fria já acontecia no espaço sideral. Tudo isso aconteceu, segundo Kaplan, em meio a uma fartura impressionante de novidades culturais e inovações tecnológicas. Sempre tive um interesse especial por tudo que acontecia na época em que nasci e minha consciência foi estruturada. JK, para mim, sempre foi uma sigla especial: adivinha! John Kennedy? Ou Juscelino Kubitschek? Nasci praticamente sob influência do poder de ambos... Estrelas em ascensão no horizonte, agindo nos subconscientes individuais e coletivos. American way of life? Brasília em construção, Niemeyer em pleno processo criativo? Expansão das fronteiras do Brasil em direção ao Planalto Central? Depois, todos sabemos e estudamos: Jânio Quadros, Jango, ditadura, AI-5, Tancredo e, ai, Sarney.


O artigo mostra, também, a importância de 1969, que sucedeu ao que foi considerado "o grande ano" do século, 1968. Batalhas culturais cruciais foram travadas em 1969. Easy Rider -Sem Destino- chegou aos cinemas, Woodstock estremeceu os valores ocidentais, Charles Manson assassinou Sharon Tate, esposa do cineasta Roman Polansky, num evento que até hoje ultraconservadores julgam uma vitória contra inimigos dos valores tradicionais da América.

Sim, todos podem dizer que a cada ano fatos importantes acontecem. Mas destacados autores têm estudado os finais de décadas. E, como já perceberam, é onde nós estamos. 2009. Como nos lembraremos deste ano? Que mudanças estamos presenciando? Barack Obama? Lula, Sarney, Collor, Renan e a reengenharia da Câmara Alta (Senado)? Ameaças ambientais reconhecidas e combatidas? Consagração do cinema brasileiro, via Fernando Meirelles e colegas? Crise e ruptura na América Bolivariana?

Como já falei aqui, mudanças parecem acontecer em décadas. Lembra "And then one day ten years have passed behind you, no one told you when to run, you missed the starting gun"? Pink Floyd. Aproveite o fim de década e transforme sua biografia. Utilize seus conhecimentos e experiências e crie uma nova energia. Onde pretende estar daqui a dez anos?

sábado, agosto 08, 2009

Defenda sua saúde como defende seus centavos!


Ah, se as pessoas defendessem sua saúde como defendem seus centavos!...

Eles não perguntam:

- O ambiente é agradável?

- Qual é a formação dos instrutores?

- Qual é a filosofia de trabalho da equipe?

- Vocês me ajudam a definir objetivos e a alcançá-los?

- Os profissionais têm experiência com hipertensos, obesos, adolescentes, atletas, diabéticos, idosos? Reciclam sua formação? Fazem cursos?

Descem do carro -às vezes deixam o motor ligado- e, simplesmente perguntam, já meio emburrados, preparando para negociar:

- Quanto é "malhar" aí?

Ao saber os preços, continuam:

- Tem desconto? Somos dois e mais meu filho! E posso trazer todos lá do trabalho. Sabe como é, professor ganha pouco -e o carro zero lá fora com o motor ligado- e temos muita despesa com a criança e, sabe, né, lá na sua concorrência é mais barato...

Uma interminável fila de argumentos, pensados, planejados estrategicamente para o combate no front. O mais importante eles não querem saber.

Atividade física, exercícios, nutrição, tudo isso não é um commodity -ouro é sempre ouro, petróleo é sempre petróleo, soja é sempre soja...-, ou seja, tem diferenças grandes, sim, de lugar para lugar. Defendendo seus centavos, esquece de defender sua saúde, seu futuro, sua adesão definitiva a uma vida mais sadia, com hábitos mais saudáveis. O lugar importa, sim, sua equipe, sua filosofia.

Ou seus centavos são mais importantes do que seu futuro sadio?

quinta-feira, agosto 06, 2009

-Meu objetivo? Saúde.

Ao final de uma avaliação física sempre pergunto:

- Qual, então, é seu objetivo com suas atividades físicas? Quero ouvir de sua própria voz.

Na avaliação física, pelo menos a que me acostumei a realizar, há, sim, a inevitável sessão de medidas -circunferências corporais, dobras cutâneas, peso, altura, flexibilidade- e uma completa anamnese -várias perguntas sobre histórico familiar, medicamentos, lesões, cirurgias, alimentação, histórico esportivo... Mas o "ponto alto" é a pergunta acima.

A entonação de voz, os olhares, a respiração, trejeitos e linguagem corporal funcionam como um imenso canal de comunicação. Em segundos há uma retrospectiva de uma vida inteira e o enfrentamento da realidade. Mas há alguns que se surpreendem com o questionamento.

- Ué? Saúde, né?

E só. Mas eu investigo.

- Sim, saúde, ótimo. É um bom começo. Mas, o quê mais?

- Só isso. Saúde. Não é para isso que eu estou aqui? Me falaram que é bom para a saúde. Então eu vim.

Normalmente, são pessoas com pressão arterial alterada, ou sintomas de angina, excesso de peso, colesterol elevado, insônia, prisão de ventre, depressão, dificuldade de respirar, dores nas costas. Ou vários destes sintomas. Inclusive, durante a anamnese, falamos deles, dos medicamentos, das dificuldades que causam.

Mas são pessoas que temem enfrentar esta realidade. E, por não assumirem o que pretendem mudar, dificultam, justamente, o processo de transformação a que têm direito quando iniciam um programa de exercícios. Sim, eles obedecem filhos, esposas -ou maridos- e, pacientemente, propõem-se a ir à hidroginástica. Para quê?

- Saúde.

Ficam surpresos quando eu apresento uma série interminável de benefícios que eles deverão perceber conforme se dedicarem a suas atividades físicas. Mais do que prevenção -afinal, são pessoas que na maior parte dos desequilíbrios físicos precisam reduzir seus efeitos e, não, prevení-los-, vão sentir um sono mais tranquilo, pressão arterial mais estabilizada, ânimo, menos dores...

Faltam-lhes objetivos. A primeira necessidade para se obter sucesso numa tarefa. Daí a grande importância daquele momento, daquela resposta. Eu procuro, então, criar objetivos, mostrar que são possíveis. Que são necessários. Que há tempo para se experimentar resultados e, juntos, conseguiremos.

- Vamos acompanhar sua pressão arterial. Ela deve reduzir, estabilizar e, até, permitir uma redução da dose de seu medicamento. O sono deve melhorar. A respiração, então, muito, mesmo. Mas preciso de sua dedicação e paciência.

E fico torcendo.

domingo, agosto 02, 2009

O grupo ilheense Chorinho Brasil tocando "Murmurando"

Ilhéus tem música de qualidade. Música de verdade e com emoção. Meu amigo Agenor persiste e merece nosso total apoio. Estiveram presentes, contratados, na I Convenção da Tonus (2007) e os encontramos sempre em bares, restaurantes, no Bataclan... Neste domingo deram "o" show no restaurante de Maura, em Olivença.

sábado, agosto 01, 2009

De novo!

Cesar Cielo, campeão nos 50 m livre. Dobradinha (100 e 50 metros) e com os franceses, um em cada bolso!

Kleiton e Kledir - Maria Fumaça

Impagável. Música como não se faz mais. Ritmo, humor, astral...

Tai Chi Chuan


Tai Chi Chuan é um sistema de treinamento da energia interior. Sua prática diária acalma a mente e relaxa o corpo. Como arte marcial, é eficaz para autodefesa e como auxiliar na prevenção e cura de desequilíbrios corporais.

Através de uma seqüência de movimentos calmos e suaves, o Tai Chi Chuan promove o equilíbrio vital e a longevidade, ajudando o corpo a cumprir suas funções com maior eficiência, potencializando sua energia e abrindo a percepção sensorial.

AUTO-REGULAÇÃO

EXPLICAÇÃO CIENTIFICA DOS EFEITOS DA PRÁTICA DO TAI CHI CHUAN


Vivemos sob intensas cobranças em diversos setores de nossa sociedade. Como reação a estes estímulos e necessidades liberamos quase permanentemente adrenalina em nossa corrente sanguínea. Assim, ficamos agitados, compulsivos, nervosos na maior parte do dia. À noite, não conseguimos parar, aquietar, relaxar e dormir um sono leve, tranqüilo e reparador. Resultado: insônia e constante estresse; nossa imunidade é afetada e surgem doenças.

A prática semanal de Tai Chi Chuan promove o desenvolvimento da sensibilidade corporal. É um treinamento para auto-regulação, um aprendizado para a voltar à calma e substituir o indesejável auto-controle. Auto-controle pode gerar angústia, tensão, depressão e desregulação hormonal e emocional; o organismo tende a “explodir” e pode gerar sérias lesões físicas, mentais e emocionais.

Nas aulas de Tai Chi Chuan se aprimora a inteligência da auto-regulação, ou seja: regula-se o fluxo das emoções, do desejo, da ira, da mágoa, do medo, da fome, da ânsia, da dor, da preocupação...

A auto-regulação desacelera o organismo e produz endorfinas, que geram prazer, relaxamento, calma, harmonia, alegria e aumento da imunidade.

quinta-feira, julho 30, 2009

César Cielo - OURO -campeão mundial natação 100 m - Roma - 30 jul 2009 - freestyle

Vale a pena assistir várias vezes... Maravilha!!

Novos sabores

É incrivelmente comum eu ouvir das pessoas que não comem algo porque "não gostam".

- Ah, eu odeio feijão sem calabresa e carne de sol!

- Eu não gosto de salada!

- Berinjela? Não gosto, não!

- Leite desnatado?! Aquele negócio não tem gosto!


Isso parece demonstrar falta de criatividade e desconhecimento das verdadeiras necessidades do corpo humano. Quem me conhece sabe que uma das minhas frases prediletas trata deste assunto:


- Criança é que só come o que gosta. Adultos devem aprender a gostar daquilo que precisam comer!


Veja bem: não é comer forçado, engolir com raiva só porque "faz bem". É descobrir maneiras de sentir prazer em degustar determinados alimentos (e forma de preparo). Faça um suco diferente. Aprenda uma receita nova. Procure um tempero que "dê graça" ao alimento. Enfeite seu prato. Faça da refeição um momento especial. Apure seu paladar. Acrescente amor à receita.

Permita-se experimentar novos sabores na vida.

Na vida!

quarta-feira, julho 29, 2009

Ilhéus: 1960 e 2009

Faço aqui uma homenagem a meu amigo José Nazal Soub, do blog Catucadas, que tem feito uma "sintonia fina" para acertar o ângulo e permitir a comparação da cidade após quase 50 anos.

Vale a pena observar a grande ocupação do morro, do Pontal, do Nelson Costa, Nossa Senhora da Vitória e, claro, a imensa faixa de areia que se formou à frente da Avenida Soares Lopes após a construção do porto, afastando o mar daquela avenida.


sábado, julho 25, 2009

Planos Diretores - Final

Ontem aconteceu a entrega formal dos Projetos de Lei elaborados, com minha participação como urbanista, para oito pequenos municípios do Sul da Bahia. Este trabalho é parte das compensações sociais e ambientais exigidas pelo Ibama para que a Transportadora Gasene,da Petrobras, possa receber a Licença de Funcionamento do Gasoduto Catu-Cacimbas -GASCAC-, uma obra prioritária para o Governo Federal.

Criamos uma metodologia. Até então, apenas havia experiências e literatura voltados a municípios cuja população exceda 20.000 habitantes. São textos completos, simples, uniformes e que refletem diretamente o que foi debatido e definido em conjunto, comunidade local e nós, da equipe técnica.

Autoridades de todos os municípos estiveram presentes. Na foto, o prefeito de Mascote, a presidente da Câmara de Vereadores(Vera), Sr. Juracy (profundo conhecedor da cidade e participante do Núcleo Gestor), uma professora local, um membro da equipe de governo e eu.

É o encerramento de um trabalho difícil, que exigiu várias estratégias que motivassem a indispensável participação popular. Foi suficiente, mas sabemos que o desafio, agora, é imenso. Não há, ainda, cultura de prevenção, planejamento e respeito as leis. Mas ali está minha contribuição.

Já estou com saudade. São cidades simples, mas com pessoas. Pessoas de verdade.

sexta-feira, julho 24, 2009

Cães e células


A técnica de adestramento de cães é muito simples. Cães não se importam em ser líderes ou liderados. Eles apenas assimilam as mensagens -diretas ou subliminares- que seus donos emitem. Ou seja, se você não assumir a liderança, ele -sim, seu cãozinho- assume. É assim: se você sempre caminhar atrás de seu cão, deixando-o puxar a coleira ou, mesmo, ir correndo à sua frente, isso é a mensagem de que ele é o líder. Aí, ele vai pular em você a hora que quiser, urinar em qualquer canto, latir sem controle, arrancar plantas... Afinal, ele não é o líder? Líderes fazem o que querem.

Com nossas células acontece o mesmo. Elas são "adestráveis".

Por que motivo iríamos adestrar nossas células? Pela qualidade do metabolismo. Um bom metabolismo significa tecidos e órgãos funcionando em harmonia, internamente e na relação entre eles. Significa melhor aproveitamento da energia disponível. Melhor eliminação de resíduos. Peso adequado, disposição, aparência rejuvenecida...

Pense. Que mensagens tem enviado a suas células? Que trabalhem à vontade, que continuem retirando de seu sangue o excesso de nutrientes -gordura, por exemplo-, que assumam uma velocidade desse processo plenamente adequada? Ou que atuem preguiçosamente, ocupem-se em "armazenar energia", com lentidão?

Grandes períodos em jejum, por exemplo, são recebidos por suas células como uma mensagem de que "vai faltar alimento". Resposta: reduzir a velocidade de processamento do que houver de nutrientes no sangue; "hibernar", pois haveria necessidade de se preparar para aquela falta. As células iniciam, aí, um processo preguiçoso e perigoso. Quando vier o alimento elas não estarão preparadas para processá-lo com eficiência, pois estarão em "marcha lenta"...

Outra forma de ativá-las é assumir em todo o equipamento -seu corpo- uma atitude positiva, ativa, enérgica, desperta. Pratique, sim, exercícios com disposição, não enrole na hora de levantar da cama, pela manhã, respire fundo, alongue-se, leia muito, esteja "suavemente alerta" no mundo... Assuma o comando de suas células. Senão elas serão as líderes e farão, simplesmente, o que quiserem...

quinta-feira, julho 23, 2009

Aprendendo com o esporte

Durante vários anos fui aluno de um excepcional professor de tênis. Ele era argentino, muito falante, mas brilhava pela didática. Além das indispensáveis aulas técnicas, com incansáveis repetições -saque, esquerda, direita, slice, top spin, smash...- ele ensinava tática.

Seriam inúmeros os exemplos, mas o mais interessante vale para toda a vida.

-Você errou. Errou feio. A bola pegou na fita, fez aquele barulhinho típico, e, teimosa, caiu do seu lado da quadra. Ponto para o adversário. O que as pessoas fazem? Ficam remoendo e visualizando sem parar a imagem da bola batendo na fita e caindo do lado de cá. O que você deve fazer? Apagar da memória aquele lance. Acabou. A bola caiu, então vai começar um novo lance, com milhares de possibilidades. Se conseguir, até, visualize a bola passando, certinha, caindo onde deve cair...

Ele dizia que, inclusive, estatisticamente, um erro nosso cria uma possibilidade maior de um acerto na próxima jogada. Ele mostrava no quadro:

- Você vai acertar, digamos, 60% das bolas. E errar os restantes 40%. Se você errou uma bola, é como se tivesse gasto um erro previsto. Maior a chance, então, de, na próxima, acertar!

E completava:

-Da mesma maneira, se o seu adversário conseguiu acertar uma bola impossível, aquela dificílima, no canto, no fundo, fique tranquilo. Às vezes ele acerta uma dessa por jogo. Foi aquela. Ele vai errar as próximas. Não se diminua perante aquele acerto.

Sim, a gente fica se martirizando com momentos ruins que teríamos vivido e deixamos de iniciar uma "nova jogada", com mais atenção, com mais experiência, com mais envolvimento, na vida. O sucesso do outro tende a nos fazer sentir menores do que somos, mas todos erram de vez em quando, mesmo aquele outro que teria alcançado sucesso, mas continua falível, humano...

Os outros não deveriam ser nossa referência. Nós somos nosso maior adversário. Nossos limites é que devem ser alcançados. Tanto que aquele técnico dizia que devemos olhar para a bola, que é com o que temos contato, e, não, a pessoa do adversário.

Match Point!

quarta-feira, julho 22, 2009

Exemplo...


É tudo de bom.

Voltar à forma com exercícios sem impacto e completos. Natação. Diariamente.

No livro "A Fonte da Juventude", de que já falei tanto (lembra dos ritos tibetanos?) há um capítulo sobre alimentação. Lembrei muito de um livro que li há muito tempo. "Fit for life" em inglês e "Dieta sem fome", em português (deveria ser "Entre em forma pela vida", mas...). A teoria é a mesma: apenas frutas pela manhã. Muitas frutas. Alimentos com alto teor de líquidos nessa fase do dia contribuiriam para a digestão e a absorção dos nutrientes, assim como pela adequada eliminação de resíduos. Nas refeições, a idéia é não misturar carboidrato com proteína. Nem os diversos tipos de proteínas. Essas misturas dificultariam a digestão. Por exemplo, se você quiser um filé de frango grelhado, deveria comê-lo com verduras e legumes. E evitar arroz ou macarrão (carboidratos) e outra proteína (queijos, peixe etc.). Se o prato for uma massa, a sugestão é combiná-la, também, com verduras ou legumes: macarrão com brócolis e molho de tomate!

A sensação, após alguns dias é de leveza e bem-estar. Naquela época eu já havia experimentado e, agora, sinto um efeito muito parecido. Vamos ver!

Na foto, meu prato do café-da-manhã: mamão, banana, quiwi, maçã, graviola, linhaça, aveia, mel, canela.

segunda-feira, julho 20, 2009

Tribos e nada mais


Geoffrey Blainey descreve "numa única conversa" tudo o que aconteceu desde que o mundo foi criado.

Seu livro, "Uma breve história do mundo" é um bestseller. Fácil de ler. É como se falasse de nossa família, de nós mesmos. E, na verdade, fala mesmo!

Por mais que saibamos do contrário, vivemos como se o mundo tivesse a nossa idade, como se o mundo fosse morrer assim que nós morrêssemos. Vivemos como se tudo que existe tivesse surgido com o nosso nascimento.

Será que compreendemos, por exemplo, o sentimento de um palestino ou de um cidadão de Israel? Será que alcançamos o significado da escravidão? Será que nos permitimos perceber como as religiões nasceram e se desenvolveram?

Este estado, quase mágico, de equilíbrio social é uma conquista e tanto. Sim, eu sei, há uma guerra religiosa, há uma crise econômica, há uma devastação dos recursos naturais, há crise moral... Mas, interessante, é bom observar o que aconteceu antes e o que permanece, apesar de tudo.

Há comércio entre as nações. Há trânsito entre os cidadãos. Fora casos de exceção, você pode ir à Europa, à América, Austrália, Ásia... Há uma União Européia, uma ONU... Há comunicação quase instantânea entre todos os povos. Sim, quase todos, mas, se todos os governantes quisessem, teriam essa comunicação possível a todas as pessoas.

Ao mesmo tempo, continuamos agindo como tribos. Nosso instinto é tribal. Tudo se conquistou, na história humana, devido à força, à união, à determinação coletiva dos participantes das tribos. Romanos, Otomanos, Chineses, Gregos, Turcos, Japoneses, Americanos...

E guerras. Muitas guerras. Como nem imaginamos. Hoje há uma "ética" (?) da guerra, até! Ao longo da história, guerra era... Guerra! Como são as guerras, hoje? Pela economia? Pelo petróleo? Pela água? Tribos...

E a ciência? Que papel teve na evolução da raça humana? Foguetes eram lançados, ou para destruir, ou, em tempos de paz, para levar satélites ao espaço. Simples, não é? Sempre haverá utilidade. E o choque da ciência com as religiões? Desde Copérnico aos cientistas atuais que pesquisam células-tronco, há o debate.

E os recursos naturais? Nunca se imaginou que ficariam escassos. Florestas sempre foram fonte de energia. Lenha. Desde o movimento dos continentes em direção ao desenho atual, as populações dependeram de energia e comida. Houve épocas, não muito distantes, que a agricultura produzia na proporção de 3 para 1. Ou seja, uma semente produzia outras três, após a colheita! Uma seria para replantio, duas para alimentação.

Vale a leitura. A gente se situa melhor no mundo e em nossa época.

Diana Krall - Fly me to the Moon

Já que a lua tem estado em evidência...

sábado, julho 18, 2009

É campeão!!


Fui cobrado e aqui corrijo: no disputado concurso nacional - Ballace - realizado em Camaçari, em junho, a Escola de Dança Tonus foi o máximo! Seu Grupo de Dança, com total suspense e direito a respiração presa até o anúncio da nota, foi 10 na categoria "Jazz". A melhor de toda essa região, o exemplo, a referência. Parabéns a todos.

Vamos sempre nos esforçar para a Dança ser uma carreira, uma possibilidade de inclusão social e um instrumento de verdadeira educação.

sexta-feira, julho 17, 2009

Assim como o vinho...

Quase 50 anos depois!


Pilates. Parece mágica.



Pelo menos o trabalho de Pilates em que eu acredito, que considera a realidade emocional para conquistar resultados físicos, é capaz de aproximar pessoas, umas das outras e, mais ainda, de si mesmas.

Depois de tanto tempo ao lado de "clientes", alunos e amigos, vejo uma incrível linearidade. Ou seja, é como se todos tivessem que passar pelas mesmas fases, até encontrar um estado de equilíbrio e prazer com os exercícios baseados nos ensinamentos de Joseph Pilates.

Duas frases que eles ouvem de mim, insistentemente:

-Meu trabalho de Pilates é 3 em 1. Sempre tem alongamento, sempre tem um trabalho muscular localizado e sempre tem trabalho abdominal. Sempre.

-É a única modalidade em que você paga por 2 horas por semana e pratica 24 horas por dia!

Hoje recebi o carinho de Lourdes, que vai passar algum tempo distante. Diz que retorna. Ela confirma o caminho correto desta minha proposta. Ela carrega, em si, um estímulo e um conhecimento insubstituíveis. Parabéns pelas conquistas!

quinta-feira, julho 16, 2009

Vida - Manual de instruções

A vida não vem com um manual de instruções.

Por algum motivo nos aproximamos e nos distanciamos das pessoas. Química. Interesses. Neuroses. Afinidades. A maior das afinidades me parece ser a forma de lidar com a própria vida. Com seus altos e baixos, com seus problemas, com suas soluções, fracassos e sucessos. A maneira de enfrentar limitações pessoais e dos outros diz muito de nós e de nossos relacionamentos. Do quanto nos identificamos com amigos, colegas, parceiros...

Você convive com quem te "eleva a alma"? Tuas companhias te alegram ou te deprimem? Você escolhe ou é escolhido? Como as pessoas à sua volta lidam com suas próprias vidas? Como elas enfrentam seus problemas e curtem seus sucessos?

Você observa o status de suas afinidades?

domingo, julho 05, 2009

Freud, liderança e política


Freud escreveu a Einstein, em 1932. O assunto era a guerra e ele especulava sobre o que poderia fazer um indivíduo realmente "destrutivo". E afirmou que havia dois tipos de homens: líderes e liderados. Muito poucos seriam os líderes e muitos seriam os liderados.

Sérgio Telles, psicanalista, escreveu, neste domingo no Estadão, referindo-se àquela correspondência e transportando-a aos dias de hoje. Ele recorda que, apesar de concordar que melhores níveis de escolaridade podem fazer diferença, escolher maus políticos não é exclusividade do subdesenvolvimento. Cita, como exemplos, Bush e Berlusconi.

Ele apresenta uma teoria em que a escolha do eleitor é "permeada por uma forte irracionalidade". Ou seja, seria uma escolha irracional, inconsciente. Portanto, Freud pode nos auxiliar a compreender esse processo. E ele explica.

Para Freud, o líder é pessoalmente identificado como uma forte figura paterna. E o grupo se reúne como irmãos a serem comandados por "esse pai poderoso de quem demanda amor e proteção".

Telles afirma, então, que Freud parece dizer que a grande maioria dos homens prefere e deseja ser comandada. Seriam desejos infantis -"infantilismo regressivo"- de um pai forte e poderoso, trocando, assim, independência e autonomia por proteção.

A escolha democrática, então, fica comprometida. Não pelo nível de escolaridade, mas pela tendência humana pela submissão em troca de afeto e proteção. A "destrutividade" citada por Freud na carta a Einstein, não seria bélica, nos dias de hoje. Para Telles, expressa-se como corrupção. Seria uma "manifestação predatória e fanática" do poder, desrespeitando a coletividade e colocando milhões na miséria e no desamparo.

Ainda assim, o psicanalista não vê sistema melhor que o democrático e que devemos lutar para que os eleitores se apropriem de seus direitos civis e que saibam reconhecer a diferença entre a escolha objetiva e a fantasia de reencontrar a proteção perdida.

sábado, julho 04, 2009

Pensamento em longo prazo?

Já há bastante tempo recorro a exemplos para tentar motivar obesos, diabéticos, hipertensos a adotar hábitos renovados para seus dia-a-dias. Um dos mais eficientes funciona assim:

-O que vocês adoram comer? Uma torta de chocolate? Uma lasanha? Então imaginem que aqui no centro há uma suculenta lasanha. Quentinha, borbulhando... E eu digo para vocês que podem comer à vontade. Quanto quiserem. Sem medo. E digo que não vão engordar, nem prejudicar sua saúde com isso. Bom, não é?

Todos salivam e respondem afirmamente como uma coreografia de cabeças.

-Mas, esperem um pouco. Tem uma condição. O sabor. Ela vai estar deliciosa, a melhor que já experimentaram. Mas o sabor, este vocês apenas vão sentir daqui a um mês. Sim, trinta dias. Mas eu garanto, vão sentir o melhor dos sabores. Daqui a trinta dias.

Desânimo geral. Quebrei a magia. Aí, inverto o raciocínio:

-Imaginem agora que estão fazendo exercícios. Uma caminhada na esteira. Simples, não é? Pensem que após alguns minutos vocês começam a reduzir seu peso. Logo passam a sentir-se melhor, animados, com mais fôlego e disposição. Antes de descer da esteira, vocês percebem a musculatura mais rígida. Olham-se no espelho e já estão mais bonitos, elegantes, atraentes... Verificam a pressão arterial e ela está estabilizada. Já podem deixar imediatamente de tomar os remédios. Alguns minutos de caminhada e tudo isso acontece.

Quase todos se mexem nas cadeiras como se quisessem iniciar seus exercícios antes de terminar nossa conversa. Eu, então, finalizo:

-O problema é que acontece justamente o inverso. O sabor, ele nos satisfaz no ato. Os exercícios têm um prazo para produzir seus efeitos. Nós acabamos nos rendendo ao curto prazo. E ficamos doentes no longo prazo. No início -especialmente para os sedentários de carteirinha- exercitar-se é um sacrifício. Os músculos dóem, ficamos suados, "perdemos tempo", temos que pagar "para sermos torturados"... No longo prazo -para aqueles que persistem- somos premiados por todos aqueles resultados de que falei. Imediatamente sentimos o doce sabor da torta, mas com o tempo instalamos doenças que nos fazem perder nossa produtividade como pessoas.

É como cartão de crédito. Usufruimos do prazer de comprar hoje. Só vamos passar pelo desprazer de pagar, depois. Ou, ainda com exemplos de finanças: se pudermos escolher, normalmente preferimos ficar com R$ 50 hoje, em vez de, digamos, R$ 100 daqui a dois anos.

Qual o peso que o curto prazo possui nas suas atitudes? O quanto você está preparado para os efeitos -positivos ou negativos- numa perspectiva de longo prazo?

sexta-feira, julho 03, 2009

Psicologia Humanista

Há muito tempo Abraham Maslow disse:

"Se o núcleo essencial (natureza interna) da pessoa for frustrado, negado ou suprimido, o resultado é a doença".

Deepak Chopra, já falei aqui algumas vezes, em "As sete leis espirituais do sucesso", nos convida a compreender nossa vocação especial e disponibilizá-la para a humanidade.

J. Reeve, ainda em "Motivação e Emoção", insiste que quando a cultura tenta substituir a natureza íntima da pessoa por um estilo apenas socialmente valorizado, o resultado é o "desajuste". Dá o exemplo de uma pesquisa realizada por Kasser & Ryer. As pessoas que dedicam a vida a perseguir dinheiro, fama e popularidade sofrem mais angústias psicológicas do que as pessoas que vão em busca de orientações internas, como a auto-realização. E pior: isto acontece mesmo quando alcançam dinheiro, fama e popularidade!

E os desajustes se manifestam em forma de doenças.

Quais são as suas "orientações internas"? O que sua saúde demonstra sobre o quanto você tem "se adaptado" ao que a sociedade espera de você? Quanto você respeita sua "natureza íntima"?

quinta-feira, julho 02, 2009

Dois caminhos, apenas uma escolha


Recordo sempre uma crônica de Luís Fernando Veríssimo em que ele descreve uma situação fictícia, claro, mas bem-humorada e que nos ajuda a aceitar a vida... Procurei nos "googles" e nos livros que ainda estão comigo e não encontrei, para, aqui, publicá-la integralmente. Segue "minha versão". Homenagem a uma de minhas referências literárias. Até porque na relação de admiração há um certo ódio... Odeio o fato de não ter sido o autor daquele texto...

Mas a história é simples. Ele encontra-se, só, em um bar, desanimado e desiludido com sua vida. Pensa em tantas coisas que poderia ter feito caso suas decisões tivessem sido diferentes... Aí, vê que há outra mesa ocupada. E reconhece a pessoa. É ele, mesmo. Um pouco diferente, mas não há dúvida. Seria ele próprio, na mesa ao lado!

Curioso, aproxima-se e puxa uma conversa. -"Quem é você?"

-"Eu sou você. O você que casou com a Ritinha."

-"O quê?! A Ritinha?! Todos queriam casar com ela! A mais desejada do bairro, da escola, da faculdade! Que maravilha! E como ela está?"

-"Não sei... No início foi ótimo, felizes, fogosos... Mas, depois de alguns anos ela se revelou. Sumia por dias... Sim, me traiu com todos do bairro, da escola, da faculdade... Entrei em depressão. Perdi o emprego. E, agora, estou aqui, jogado neste bar..."

Ainda sob o impacto da revelação, ele vê outra pessoa em outra mesa. É outro "ele", como o primeiro. Não resiste e aproxima-se.

-"Eu sou você. Só que defendi aquele penalti."

-"Não acredito! Escolhi o canto errado e aquilo arruinou minha vida! Larguei a carreira, meus amigos me culparam e muitos se afastaram... E depois?"

-"Foi ótimo! Fui contratado por um grande clube, ganhei muito dinheiro. Depois meu passe foi vendido para um time da Europa. As mulheres me assediavam. Aí, comecei a beber. Muito. Nenhuma droga me satisfazia. Fiquei viciado. Vários escândalos afetaram minha imagem. Em pouco tempo nenhum clube me queria, voltei ao Brasil, joguei na segundona, tentei carreira como técnico, mas nada me salvava... Agora, estou aqui, jogado, sozinho, neste bar..."

Assim, em cada mesa havia um "ele" e todos tinham histórias parecidas. A sala ficou lotada, todas as mesas ocupadas por vários "ele". Ele achava que as decisões que tomara tinham arruinado sua vida, mas as outras decisões haviam provocado problemas muito maiores. Problemas de verdade. O que ele achava que era ruim -sua vida- poderia ter sido muito pior.

Sem arrependimento e culpa. Sua vida passou a ter novo significado.