sábado, maio 23, 2009

Importante, urgente, ou...

Como você ocupa seu tempo? Ao deitar-se, você está satisfeito com o que fez no dia ou tem a sensação de que coisas ficaram por fazer? Como desacelerar, se a cada dia tarefas e mais tarefas vão se acumulando?!...

Por que algumas pessoas parecem cumprir o que pretendiam e, ainda, vivem tranquilas?

Pense que, num todo, a sua forma de agir, de lidar com os problemas –ou fingir que eles não existem-, de criar estratégias, tudo isso foi criado ao longo de sua vida, mas pode ter origem nas influências que recebeu, nos modelos que observou, nas fantasias que criou. E que, se esta repetição de fórmulas assimiladas te atrapalha, restringe a sua ação no mundo, pode ser hora de descobrir novos horizontes. Sim, apagar modelos que lhe foram praticamente “impostos” e descobrir os autenticamente seus!

Em relação à apropriação do tempo, há técnicas para isso. Estudiosos elaboraram teorias e as testaram. É o caso de Stephen Covey, que criou a “matriz de gerenciamento do tempo”. Ela cruza o “importante”, na vertical, com o “urgente”, na horizontal. São, portanto, quatro quadrantes, I, II, III e IV.


No quadrante I está tudo que não pode ser deixado para depois: o cliente chamando, o vazamento no banheiro, as prateleiras vazias... Importante e urgente. Tarefas executadas com ansiedade, sem capricho, com pequenas possibilidades de serem prazerosas.

As ações do quadrante II são, igualmente, importantes, mas menos... Urgentes. Não há “pressão externa” para que nos concentremos nelas. Mas, segundo Covey, aí deve estar o foco de nossa atenção. Aí estará o tempo para a ginástica, o relaxamento, o planejamento pessoal e profissional. O lazer, o treinamento e o espaço para aperfeiçoar os relacionamentos. Se aumentarmos o tempo de planejamento, prevenção e preparação, teremos menos crises e precisaremos de menos tempo para o quadrante I.

No quadrante III, os eventos parecem importantes. Parecem porque são urgentes. Normalmente são importantes apenas para os outros e desnecessários à nossa missão. Imagine: você está concentrado num trabalho de planejamento. O telefone toca. Nesse instante atender o telefone passa a ser prioridade. Você para, atende, perde a concentração e, às vezes, consegue resolver algum problema. Dos outros. Assim como o I, este quadrante carrega pressões externas e, exatamente por isso, criamos a ilusão de estarmos envolvidos com tarefas importantes.

O quadrante IV é o do desperdício. Nada de urgente. Nada de importante. Longas reuniões improdutivas, conversas sobre a vida alheia, minutos valiosos lendo emails com mensagens de qualidade duvidosa...

Mas, então, como anda nosso senso de missão? Quais são, efetivamente, nossas prioridades? Pense e responda com honestidade: em qual quadrante tem passado a maior parte de seu tempo? É uma escolha real, ou como tem sido, simplesmente?

Lembre-se: o quadrante II é a chave para a libertação. Apague incêndios, se eles acontecerem, mas passe boa parte do seu tempo pensando e planejando como preveni-los. Permita-se desacelerar.

quinta-feira, maio 21, 2009

Desenvolvimento, Produção Agrícola, Meio Ambiente

O debate já dura alguns anos. Agora chegou à mídia.

Código Florestal, SNUC -a lei da áreas protegidas-, reserva legal, agricultura familiar, desmatamento da Amazônia...

A chamada "bancada ruralista" do Congresso e Senado Federal agita-se em defesa dos pretensos interesses de produtores rurais. O Código Florestal é uma Lei Federal antiga, bastante exigente, conhecida e respeitada por ambientalistas e questionada por alguns produtores rurais. Estes alegam que a lei é muito rígida e dificulta o crescimento das atividades agrícolas nacionais. Ambientalistas, por sua vez, dizem que há muita terra disponível para estas atividades e que não é necessário desmatar e utilizar áreas frágeis.

Carlos Minc, atual Ministro do Meio Ambiente, esclarece o tempo todo que, por exemplo, deve-se liberar a produção de uvas, maçãs, café -não disse, mas, obviamente aplicável ao cacau- em encostas de morros. A atual lei proíbe, mas, combinando-se com espécies nativas, ele considera viável a liberação.

Minc defende, também, que pode-se pensar em incluir áreas de proteção permanente -as famosas APP, definidas no Código Florestal- nas reservas legais de pequenas propriedades, aquelas destinadas à produção familiar. Pela legislação atual, APP é APP. Reserva Legal é Reserva Legal. Não se misturam. Por exemplo, pelas atuais regras, se um pequeno proprietário possui um rio cruzando suas terras -ou uma nascente-, ele deve manter intactas suas margens, as duas faixas de 30 metros e, também, deve averbar sua reserva legal de 20% do total -sem incluir as APP-, que também deve ser mantida em estado original. O ministro defende que estes pequenos produtores poderiam, sob cuidados especiais, incluir em suas reservas legais a serem averbadas, as terras mais próximas ao rio -as APP-. A idéia é diminuir a restrição sem permitir derrubada de matas ciliares, das encostas ou topos de morros. A área aproveitável, para cultivo ou pastagem, destes pequenos produtores seria, então, legalmente maior. Espera-se efeitos positivos no nível de emprego e de produção familiar. Evidentemente, grandes propriedades não precisariam deste benefício.

A posição defendida para a Amazônia é a de "desmatamento zero" e reserva legal de 80%. Para este bioma e todos os outros, haveria espaço para "produzir mais e proteger mais". Ou seja: há muitas áreas já degradadas e outras de menor relevância ambiental que podem ser recuperadas e utilizadas para produção agrícola, poupando florestas e outros remanescentes importantes de todos os biomas. Os ruralistas, ainda assim, reagem e querem evitar um gesso em sua atividade.

As mais recentes notícias são preocupantes. A primeira cita possível decreto presidencial isentando de Licença Ambiental Prévia as obras de rodovias federais. A segunda, limita em 0,5% o valor a ser cobrado a título de compensação ambiental. O SNUC define esta porcentagem como a mínima a ser cobrada de qualquer empreendimento sujeito a licença ambiental e que, dependendo do porte e do tipo e dimensão do impacto, o IBAMA poderia -como já faz- determinar uma cobrança maior. Outra alteração pretendida é incluir naqueles 0,5% (compensação ambiental) todas as despesas com a própria licença ambiental e com o atendimento às condicionantes. Atualmente, os EIA RIMA -Estudo e Relatório de Impactos Ambientais- e os programas socioambientas exigidos pelos órgãos licenciadores -educação ambiental, resgate de fauna e flora, por exemplo- são subsidados pelos empreendedores. A compensação ambiental é uma das principais fontes de receita das áreas protegidas brasileiras. Resultado? Mais dificuldades para as nossas sofridas APAs, Parques, Reservas...

O que preocupa não é, exatamente, a atitude de deputados, senadores, ministros, presidente. É o fato de que a população "não está se lixando" para esse debate. As decisões refletem, sim, o desconhecimento geral sobre Unidades de Conservação, APP, licenças e impactos. Desperdiçamos décadas de improvisação e imenso amadorismo na "educação ambiental" e, agora que precisamos de conhecimento difundido para democratizar o debate, temos ruralistas e ambientalistas radicais, defendendo interesses obscuros e a população sempre à parte, excluída.

Estamos nas mãos, ainda, de alguns poucos. Resta-nos torcer para que eles cometam, também, poucos erros. Dificilmente quem usufrui do poder se preocupará em difundir conhecimento, ou diminuir a ignorância.

FLEXIBILIDADE


Sempre insisto. Alongamento é remédio. No começo você se sente o último dos homens (ou das mulheres). Depois de poucas semanas você olha para trás e vê que, na fila, há outros e outras, durinhos, travados, sofrendo como você sofreu ao iniciar um programa de exercícios de alongamento.

Embora haja, sim, alguns poucos especialistas que questionam a importância do alongamento antes e depois de exercitar-se, a experiência e a grande maioria dos artigos científicos a esse respeito unem-se para defender a necessidade dos exercícios de flexibilidade.

É durante o alongamento antes dos exercícios que você acalma, deixa para trás seu trabalho, preocupações, compromissos e entra em contato com seu corpo, seus músculos, ossos e órgãos. Equilibra a respiração, compreende seus limites. Você mentaliza, ali, uma melhora, um cuidado consigo mesmo. É o seu momento, de mais ninguém!

Ao mesmo tempo, o que acontece é uma preparação ao que vem depois, o estresse muscular, a demanda por movimento e força, impactos, diversas solicitações físicas. O alongamento prepara músculos, tendões e ligamentos para esse pequeno e saudável "furacão" que é o exercício, seja uma corrida, natação, musculação... É o início do aquecimento.

E uma novidade: pesquisa recente de Estélio Dantas comprova que a prática de alongamento ajuda no ganho de força. Ou seja, exercícios de hipertrofia ou de resistência muscular localizada podem ser mais eficientes quando você tem o hábito de se alongar!

Após o exercício, você precisa, igualmente, observar e sentir as reações de seu corpo. Orgulhar-se de sua iniciativa de cuidar de si e sentir o suor, a respiração, as batidas do coração. Mais uma vez, é durante os exercícios de alongamento que esse contato acontece. E os músculos agradecem, preparando-se para o relaxamento. Para a desaceleração!...

Há, ainda, a necessidade de reduzir tensões. Especialmente aquelas nas costas, ombros, pescoço. Alongamentos ajudam a aumentar os pequenos espaços entre as vértebras, aliviando minúsculas pressões sobre os nervos que passam por ali, vindos do interior da coluna vertebral e do cérebro. Esses nervos, quando pressionados, provocam dor e comprometem os impulsos nervosos daquele ponto em diante. Ao alongar-se, você poderá estar evitando uma série de desequilíbrios em órgãos, articulações e músculos.

Esteja atento. Peça orientação. Frequente aulas de alongamento.

Ou... Aguarde sentado. Porque em pé... Vai doer!

terça-feira, maio 19, 2009

Pink Floyd - A Chillout Experience

Encontrei, por acaso, um CD com músicas de Pink Floyd com arranjo e voz em estilo "chillout". Fiquei impressionado... Vale a pena ouvir.

quarta-feira, maio 13, 2009

Joseph Pilates: um pouco de história


O criador da técnica que hoje é praticada por milhares de pessoas em todo o mundo para corrigir postura, enrijecer musculatura e definir abdomen nasceu em Mönchengladbach, uma cidadezinha próxima a Dusseldorf, na Alemanha. Seu pai era um ginasta de sucesso e sua mãe trabalhava na área de saúde.

Foi uma criança muito doente -asma, febre reumática...- e, para recuperar-se, praticou esportes com tamanha dedicação que, aos 18 anos de idade, já era modelo para cartas anatômicas, tal a perfeição de sua forma física.


Mudou-se para o Reino Unido em 1912. Trabalhava como artista de circo, boxeador e como treinador de defesa pessoal de detetives da Scotland Yard, a polícia inglesa. Com o advento da I Guerra Mundial, como cidadão alemão foi detido e levado à Prisão da Isle of Man. Foi nesse ambiente que começou a desenvolver o que, a princípio chamou de "Contrologia". Estudou Yoga e os movimentos dos animais. Com as molas dos colchões desenvolveu equipamentos rústicos para treinar a si e seus colegas. Há registros de que ele e seus companheiros escaparam de morrer devido à peste negra de 1918 fortalecidos pela energia produzida por seu novo método de treinamento.

Ao final do conflito, retornou à Alemanha e contribuiu com especialistas em dança e exercícios, como Rudolf Laban e foi chamado a treinar oficiais do exército alemão. Supostamente decepcionado com os caminhos políticos e sociais de seu país, migrou para os Estados Unidos em 1925. No navio conheceu sua futura esposa, Clara.


O casal fundou seu estúdio em Nova Iorque e ambos ensinaram pessoalmente até os anos 1960. Já era um método que utilizava a mente para controlar músculos e com foco no core, a região abdominal anterior, cujos músculos internos, ativados, formariam uma "casa de força", a power house, um eficiente sistema de proteção da coluna vertebral.

George Balanchine e Martha Graham (em foto de 1935), grandes nomes da dança na época, foram alunos de Pilates e sempre confirmaram que deviam muito a eles.


Joseph Pilates faleceu aos 87 anos, em 1967. Num incêndio em seu estúdio. Conseguiu retirar todos seus equipamentos mas intoxicou-se com a fumaça.

Seus seguidores trataram de disseminar a técnica. A princípio houve disputa pela marca "Pilates", mas com a posição clara da Alta Corte americana de que "Pilates" era uma modalidade e, não, uma marca, a antiga "Contrologia" pode ser conhecida por praticantes em todo o mundo. Hoje, poucas são as academias que não oferecem Pilates como uma modalidade.

Em Ilhéus, tive o privilégio de ser o primeiro instrutor de Pilates. Muitos de meus alunos e amigos estão comigo há 6 anos. Resistem, permanecem e sabem que nossas aulas, nossos encontros são muito mais do que apenas "treinamento físico".

terça-feira, maio 12, 2009

Lembrando: espetáculo musical no Teatro Municipal


Sábado e domingo, 23 e 24 de maio, pontualmente às 19 hs! Anote e programe-se!

Esta é a hora de quem valoriza arte e cultura mostrar sua cara e... Comparecer!

segunda-feira, maio 11, 2009

domingo, maio 10, 2009

Bob Dylan, quem diria?!...


No topo das paradas no Reino Unido! A última vez foi na década de 1970! Criatividade à toda prova, retorna com uma produção impecável e músicas de qualidade. Dylan é uma referência a várias gerações e "Together Through Life" é um álbum que chega superando "artistas de 15 minutos de sucesso" e ensinando da melhor maneira que a arte -a verdadeira- é soberana.

Quantas estradas deve um homem percorrer antes de ser chamado de "homem"? A resposta, meu amigo, está no vento!

How many roads must a man walk down,
Before you call him a man?
The answer, my friend, is blowing in the wind,
The answer is blowing in the wind.


Com este álbum, Dylan abre uma nova estrada. Quantas ainda serão necessárias?

sábado, maio 09, 2009

Festival de Natação Tonus: os vencedores!











Eu me autorizo...


Acabo de ler -leitura dinâmica, de uma só vez!- "Cinderela de Saia Justa", de Chris Linnares. Emprestado com condições especiais -leia rápido e devolva! (obrigado, Gi!)-, foi a confirmação de que há uma verdade absoluta e várias versões.

Já falei aqui de auto-estima, poder do subconsciente, praticar aceitação, feminismo, importância do aprendizado subliminar, o inimigo criado, o respeito ao outro, auto-sabotagem, ó vida ó azar...

"Cinderela..." é um relato envolvente do ponto de vista de um personagem comum. Comum como quase todas as pessoas que você conhece. Comum como às vezes nós próprios nos transformamos. Comum-insignificante... Pelo menos é como esse personagem se vê. E, por força de um desafio indesejado no trabalho, entra em contato com pessoas que revelam caminhos antes escondidos. A princípio, como todas as pessoas "comuns", age com desdém, ironia e distância. Aos poucos vê revelar-se uma nova pessoa em si.

O conceito geral é o "Eu me autorizo a...". Seja perceber e assumir emoções, dar o melhor de si, viver o presente, aproveitar o máximo do dia e da vida, ser feliz.

E, para isso, numa história fictícia, utiliza as metáforas escondidas na fábula de Cinderela. Sim, aquela órfã maltratada por sua madrasta e irmãs, que sobrepõe-se às dificuldades e conquista nada menos do que o príncipe. Quais são suas "madrastas"? Quem ou o quê as representa na vida real? Como você lida com suas dificuldades? Você senta e espera uma solução ou levanta-se e busca sintonia com alternativas de cores e tamanhos variados? Em que desejos estão escondidos seus "príncipes"? Você deixa as portas abertas para que a felicidade te encontre?

Para mim, foi impossível deixar de traçar paralelos com tudo que já li, vivi e presenciei. Uma forma simbólica de emitir mensagens profundas. Uma forma usual e "romanceada", um formato palatável, simples e eficiente.

Útil. Para que trabalha com pessoas e para quem é uma delas.

sexta-feira, maio 08, 2009

Cidade Baixa, Itapebi, Bahia, Brasil


Crianças a caminho da escola.



Águas do Rio Jequitinhonha.

Mascote e Itapebi: municípios do Sul da Bahia

Dia 6 de maio apresentamos a proposta de lei para o Plano Diretor Municipal de Mascote. No dia 7 foi a vez de Itapebi. Foram meses de oficinas, audiências, visitas técnicas, leituras comunitárias, reuniões, muita pesquisa e... Aí está. A Lei.

Estiveram na apresentação de Mascote bravos guerreiros, entre cidadãos incansáveis e alguns de seus representantes, vereadores municipais. Em Itapebi, tivemos presença do vice-prefeito, secretários municipais e vereadores, além de representantes da comunidade. De qualquer forma, um sucesso. Cumprir toda a programação e concluir com um texto completo e adequado à realidade local, aliado a mapas que completam a própria lei.


Mascote 06-05-2009


Mascote 06-05-2009

Não havia metodologia para elaboração de Planos Diretores para municípios pequenos. Muito pequenos. Nós a criamos. Com possíveis falhas e ausências de pontos importantes, mas, com certeza, refletem o pensamento da comunidade e possuem rigor técnico e profissional.


Itapebi 07-05-2009


Itapebi 07-05-2009

Próximo passo: vereadores devem reunir-se e aprovar o texto, com ou sem alterações. A partir do decreto do prefeito, a comunidade deve organizar-se minimamente para instituir o Conselho da Cidade e monitorar o andamento das ações previstas nas Políticas Setoriais descritas no Plano Diretor.

Parabéns a todos!

terça-feira, maio 05, 2009

Cultura de verdade em Ilhéus!!


Já vou avisando com antecedência: dias 23 e 24 de maio, pontualmente às 19 hs, sábado e domingo. Teatro Municipal de Ilhéus. Espetáculo musical em homenagem aos 50 anos da Bossa Nova!

A Escola de Música Clave de Sol traz seus alunos e seus artistas. Ninguém que tenha reclamado alguma vez que só temos "axé e arrocha" pode deixar de ir e divulgar!

Pode deixar. Mais para a frente vou lembrando...

segunda-feira, maio 04, 2009

Raul Seixas - Ouro de tolo

Cidadão respeitado... Vinte anos de ausência.
Ausência?!



Leia mais a seguir...

O que é que Raulzito tem?!


Em 2009 sua retirada de cena completa 20 anos. Raul Seixas era praticamente um artista "alternativo" e, ao longo destas duas décadas, transformou-se em porta-voz de multidões que abrigam metamoforseados de todas as idades.

Assisti pela TV, emocionado e extasiado, um verdadeiro mar de rauls cantando, gritando, transpirando suas músicas. Afinal, o que Raul Seixas tem?

Baiano como Glauber, Caetano e Gil, Raul produziu pérolas que tocam a alma humana.

Sua boca escancarada cheia de dentes esperava a morte chegar. Sem opinião formada sobre tudo, libertava porque amava. Incitava a ser sincero e, assim, sacudir o mundo. O bem e o mal, unidos num romance astral, pois para ele amor só dura em liberdade e o ciúme é só vaidade...

The Panthers e, depois, Os Panteras, era sua banda, o primeiro conjunto de rock com som elétrico na Bahia! Faziam cover de artistas do rock dos anos 50. Little Richard e Elvis -Let me sing, let me sing, let me sing my rock'n roll. Em 1967 tocaram com Jerry Adriani(!!) ao vivo em Salvador, que os convenceu a tentarem carreira no Rio de Janeiro. Ouro de Tolo, em 1972, foi seu primeiro grande sucesso.

Eu lembro, ouvindo no rádio do carro indo para o colégio, aquela música meio falada, meio cantada. Eu cantava junto, sabia a letra de cor. Os raps de hoje, incluindo, por exemplo, Gabriel -o pensador- devem muito a ele. Fez música para crianças, também foi censurado pela ditadura, utilizou palavrões e chamou à rebeldia pela rebeldia. Eclético, polêmico, trash, poeta, foi aonde o povo está.

Onde todo artista deveria estar...

Maluco beleza! Afinal, quem não quer ser uma metamorfose ambulante?!

domingo, maio 03, 2009

Sonho ou possível realidade?

Planos Diretores Municipais são direcionados pelo que determina o Estatuto da Cidade, de 2001. Foi uma revolução, pois a partir dali teriam que ser efetivamente participativos e abranger todo o território do município.

Dentre outras características, um bom exemplo é a demarcação das ZEIS, as Zonas Especiais de Interesse Social, para possibilitar a captação de recursos para intervenções.

Aí, vamos a campo, conversamos com a população, realizamos oficinas e definimos quais são as áreas no município em que há "risco". Risco social ou risco físico. Risco social é a situação em que crianças, adolescentes e jovens são expostos à sedução da droga, da prostituição, da criminalidade, do álcool. Risco físico é a possibilidade de inundações, desabamentos, erosões. Normalmente são áreas favelizadas das cidades, à parte da estrutura urbana organizada.

As propostas para ZEIS incluem programas de inclusão social, recuperação das moradias, realocação de moradores -se for o caso-, regularização fundiária -garantir a posse da moradia-, geração de ocupação e renda, saneamento básico, contenção de encostas, proteção de margens de rios, segurança pública, saúde, educação...

São programas que aparecem nos Planos Diretores. Serão executados? Depende. Depende da organização social local, da disposição e conhecimento dos componentes da equipe do governo municipal, da situação fiscal perante governos estadual e federal -inadimplência ou prestação de contas atrasadas ou inexistentes, por exemplo-...

Realmente é uma tarefa complexa e difícil, mas há casos de sucesso e acreditamos poder criar, como já disse, bolsões de "consciência" dentre nossos "alunos" nas cidades em que estivemos presentes. Alguns passos à frente e tentar evitar o mesmo número de passos atrás...

Audiência Pública

Dias 6 e 7 serão importantes para os municípios de Mascote e Itapebi, respectivamente. Estaremos apresentando o resultado de meses de trabalho. A população e seus representantes poderão conhecer a partir das 14 horas as propostas de minutas de Projetos de Lei dos PLANOS MUNICIPAIS DIRETORES PARTICIPATIVOS -PDMP.

A tarefa de apresentá-los de forma a serem compreendidos é difícil. Texto e mais texto. Definições, linguagem jurídica... Mapas (veja um detalhe do mapa de zoneamento de Itapebi)... Mas essa é nossa tarefa. Aproximar a população de suas leis, de seu destino, de seus representantes.

Missão cumprida, quais são as perspectivas de acontecer o que se prevê naqueles textos? Infelizmente, muito restritas. Nossa sociedade está travada em processos culturais, jurídicos, comportamentais... Sim, há esperança de que uma "movimentação diferenciada" aqui e ali desenvolva bolsões de consciência, participação, disposição e... Resultados!

E eu tento. Tento novamente. Falo de um jeito. Mudo, falo de outra maneira. Utilizo figuras, conto piadas... Desafio um por um! Mas ainda não encontrei um meio de tocar a alma humana e provocar mudanças concretas...

Ou será que sim?! De qualquer forma, não desanimo e continuo. Depois das audiências, conto aqui o resultado...

sábado, maio 02, 2009

Pequenos e imperceptíveis suicídios

É como me refiro a atitudes, no dia-a-dia, que podem nos destruir. Sim, uma lenta agonia, a vida escorrendo entre os dedos... Dias, meses, anos e, quem sabe, décadas, nos são extraídas por conta de comportamentos que assumimos hoje.

1. Fumar. Simplesmente fumar.
2. Álcool em excesso. Perder a consciência devido a ele. Ficar de ressaca.
3. Exagerar na ingestão de comidas gordurosas, artificiais.
4. Correr demais ao dirigir um automóvel, ultrapassar sem garantias, assumir a direção após beber ou com sono, brigar com outros motoristas.
5. Sexo irrresponsável.
6. Usar drogas.
7. Estressar-se a todo momento.
8. Amanhecer de mau humor.
9. Ceder à preguiça. Viver de forma sedentária. Ironizar os que fazem exercícios diários.
10. Maltratar pessoas, não dizer "-bom dia, obrigado, por favor".
11. Engolir suas próprias emoções, fingir a si mesmo que elas não existem.
12. Brigar com pai ou mãe, tratá-los mal, ignorá-los.
...

No seu último dia de vida, caso pudesse sabê-lo, quanto valeria usufruir outras 24 horas com seus familiares e amigos? E o que acharia de "ganhar" meses de vida, anos?... Algo como um "extra-time", um bônus! Muito não é?


Então por que observamos esta sequência insana de atitudes suicidas, diariamente? O que faz as pessoas desistirem de viver e demonstrarem isso a todo momento? A quantas anda seu amor pela vida? O que pode fazer para resgatá-lo?

Observe suas atitudes e proponha-se a, simplesmente perceber se elas te fazem viver, ou...

sexta-feira, maio 01, 2009

Essência do espírito masculino


Os livros de Jean Sasson "Princesa Sultana","Princesa" e "As filhas da princesa" retratam a dura realidade das mulheres no universo muçulmano tradicional. No caso, a família real da Arábia Saudita. Contados como relatos proibidos, chegam a nossa consciência como um míssil. Derrubam qualquer eventual orgulho de ser "masculino" numa raça -a humana- em que homens são induzidos a pensar que são superiores às mulheres e as oprimem, humilham, descartam, mutilam...

Para nosso falso alívio, pensamos:

- Ora, a cultura deles é assim! Estão acostumados há milênios!

Não. Não me alivia pensar assim! Mesmo em nossa "evoluída" cultura ocidental observamos vestígios deste absurdo e potencial instinto masculino. Conhecemos o sorriso de um pai que acaba de saber que terá um filho homem. Estupros de meninas por seus pais são sistematicamente desconsiderados pela elite intelectual -a não ser aqueles praticados por senhores suíços insuspeitos-. Filhos são recebidos como força braçal em famílias da roça e a filhas são esperança de um casamento com um rapaz mais rico -são, na prática, como no mundo árabe, vendidas pelo melhor lance-. Rapazes "pegadores" são motivo de orgulho. As meninas? Apedrejadas em praça pública por comentários, olhares, discriminação... E mais, muito mais...

Respeito, democracia, igualdade são alguns conceitos modernos ainda não universalizados. Temos, no entanto, direito de intervir? Os europeus tinham direito de iludir indígenas com miçangas e espelhos e, depois, impor sua "cultura" e sua religião? Os contatos inevitáveis entre os povos -e suas culturas- não criará uma raça humana padronizada e sem identidade? Como respeitar a cultura e, ao mesmo tempo conviver?

Quaisquer respostas não vão aliviar minha atual e momentânea vergonha de ser homem, de ser humano...

quinta-feira, abril 30, 2009

Compartilho este link

Incrível o que este pessoal anda fazendo... Tente "pegar" a aranha com o mouse, pelas patas ou pelo corpo. Copie o endereço ou digite-o no seu browser...

http://www.onemotion.com/flash/spider/

domingo, abril 26, 2009

Ainda não li...

...Mas tenho a impressão de eu poderia ter escrito pelo menos parte deste livro.

O Ciclo da Auto-sabotagem, de S. Rosner e P.Hermes, mereceu uma sinopse interessante no jornal A Tarde deste domingo. Fala de um ciclo repetitivo comum a muitas pessoas e que, se tomamos consciência dele, podemos iniciar um processo de "libertação". O autor fala do risco de tornar-se "refém de si próprio". Teríamos medo de abandonar uma forma já conhecida de agir, mesmo que não nos traga, efetivamente, felicidade. Seria como se, pelo fato de sabermos o que vai acontecer, ficássemos mais seguros. Sim, medo do novo, do desconhecido. Medo de piorar o que já pode ser, razoavelmente, ruim. Suportavelmente ruim...

Cita exemplos de homens que escolhem sistematicamente mulheres com personalidades semelhantes e que nunca os satisfazem. Ou aqueles que reclamam não serem reconhecidos por seus chefes e fazem o mesmo com seus próprios subordinados.

No meu modo de interpretar, isto soa como a repetição de um script assimilado em tempos distantes, na primeira infância. Seria lá que teria se formado a nossa "forma de ver o mundo", ou nossa "forma de agir". Repetimos o enredo e trocamos os atores. Muitas vezes nem somos o personagem principal, somos meros coadjuvantes de nossa vida.

Este é um discurso que tenho utilizado com frequência. Principalmente ao tentar criar pactos para a recriação de novas pessoas, em especial aquelas que desejam adquirir novos hábitos -alimentação, exercícios, relacionamentos- e sentem-se impotentes para isso.

E todos me perguntam como conseguir algo tão difícil. Minha resposta é sempre a mesma. O primeiro passo, sugiro, é abrir as portas para a mudança. O segundo passo é aceitar que fomos sendo influenciados por todos -sim, todos- os fatos que aconteceram em nossa vida. Em seguida, propor-se a aceitar as mudanças que porventura acontecerem, independentemente de gostarmos delas ou não. E, sempre considerando que hoje já não somos mais aquela criança emocionalmente tão vulnerável e que podemos reconstruir nossa maneira de lidar com problemas e situações cotidianas. E, finalmente, estarmos abertos a perceber cada emoção -boa ou ruim- provocada pelos acontecimentos cotidianos.

Quais são as atitudes que você tem repetido sistematicamente? Estas atitudes têm provocado insatisfação, incômodo, frustração? Quem sabe não é hora de enfrentar este verdadeiro ciclo de auto-sabotagem?

sábado, abril 25, 2009

J. C. VIOLLA

Há alguns dias falei aqui de J. C. Violla, como um dos que me influenciaram pessoal e profissionalmente. Meu gosto pela expressão, pela dança e pela arte formou-se também durante as aulas que frequentei em seu estúdio.

Ele formava o trio que, tendo aprendido com D. Maria Duschenes, em SP, abriram seus estúdios e puseram-se a multiplicar seu conhecimento e sensibilidade. Além dele, Klauss Vianna e Ivaldo Bertazzo.

Com certeza há influência em meu olhar atento à postura, à simetria e, principalmente, à naturalidade do movimento.

A imagem mostra o cartaz de um espetáculo da época, Petruchka, que assisti na estréia e acompanhei ensaios e elaboração do cartaz, do figurino e cenário, obras do grande Naum Alves de Souza. A foto mostra o piso, tacos de madeira, de seu estúdio e o boneco representado por Violla.

Anemia

A notícia nos chama a atenção: no Nordeste, uma em cada três mulheres está carente de ferro. Quase 40%, para falar a verdade... Anemia total! O mais interessante é que nas cidades a situação é... Pior!! Sugerem que no campo a alimentação seja mais natural.

Estive em Mascote e Itapebi na quinta-feira. Cidades pequenas. Interior da Bahia. Interior do Brasil. Sim, América Latina, hemisfério Sul... Não quisemos almoçar. Estava quente, tínhamos pressa.

- Que tal um suco e um lanche rápido?

Iniciou-se a busca pelo impossível. Suco? Só "refri".

- Tem este natural, aqui, moço, Skinka, de fruta.

Natural. Está escrito: "laranja". Então é de fruta. E fruta é natural... Não encontramos um lanche razoavelmente saudável. Apenas salgados, enroladinhos e industrializados: biscoitos, biscoitos, biscoitos...

A dieta do brasileiro está na UTI. Foram-se os costumes alimentares que prolongaram a vida de nossas avós e bisavós. Hoje são os remédios que fazem isso. Às custas de sofrimento causado pela anemia, hipertensão, diabetes, doenças do coração, derrames, obesidade.

Além dos hábitos alimentares, como, por exemplo, servir a crianças apenas um lanche no lugar do jantar, nutricionistas indicam, ainda, outro fator que intensifica a "epidemia" de anemia: verminoses causadas por ausência de saneamento básico (água limpa) e péssimos hábitos de higiene. Fracasso das atuais políticas públicas.

A estrutura hospitalar estatal, de atendimento médico, de saúde da família, de exames, não suporta mais a enxurrada de vítimas desta situação.

Eu digo a quem quer ouvir:

- Vamos dar essa moleza às indústrias farmacêuticas? Vamos continuar pagando nossos impostos para, além dos tradicionais "desvios", serem desperdiçados com atendimentos à saúde que poderiam ter sido evitados e com um custo muito menor?

Só podemos, então, reclamar, se fazemos nossa parte. Como anda sua alimentação? O que você tem feito para não enriquecer as indústrias de remédios? Como você tem alertado as pessoas de sua família e seus amigos sobre esta situação? Couve (foto), símbolo máximo de alimento rico em ferro, cresce como mato!

Ou a anemia já afetou o raciocínio de todos e a vitória chegou aos poderosos?