domingo, abril 26, 2009

Ainda não li...

...Mas tenho a impressão de eu poderia ter escrito pelo menos parte deste livro.

O Ciclo da Auto-sabotagem, de S. Rosner e P.Hermes, mereceu uma sinopse interessante no jornal A Tarde deste domingo. Fala de um ciclo repetitivo comum a muitas pessoas e que, se tomamos consciência dele, podemos iniciar um processo de "libertação". O autor fala do risco de tornar-se "refém de si próprio". Teríamos medo de abandonar uma forma já conhecida de agir, mesmo que não nos traga, efetivamente, felicidade. Seria como se, pelo fato de sabermos o que vai acontecer, ficássemos mais seguros. Sim, medo do novo, do desconhecido. Medo de piorar o que já pode ser, razoavelmente, ruim. Suportavelmente ruim...

Cita exemplos de homens que escolhem sistematicamente mulheres com personalidades semelhantes e que nunca os satisfazem. Ou aqueles que reclamam não serem reconhecidos por seus chefes e fazem o mesmo com seus próprios subordinados.

No meu modo de interpretar, isto soa como a repetição de um script assimilado em tempos distantes, na primeira infância. Seria lá que teria se formado a nossa "forma de ver o mundo", ou nossa "forma de agir". Repetimos o enredo e trocamos os atores. Muitas vezes nem somos o personagem principal, somos meros coadjuvantes de nossa vida.

Este é um discurso que tenho utilizado com frequência. Principalmente ao tentar criar pactos para a recriação de novas pessoas, em especial aquelas que desejam adquirir novos hábitos -alimentação, exercícios, relacionamentos- e sentem-se impotentes para isso.

E todos me perguntam como conseguir algo tão difícil. Minha resposta é sempre a mesma. O primeiro passo, sugiro, é abrir as portas para a mudança. O segundo passo é aceitar que fomos sendo influenciados por todos -sim, todos- os fatos que aconteceram em nossa vida. Em seguida, propor-se a aceitar as mudanças que porventura acontecerem, independentemente de gostarmos delas ou não. E, sempre considerando que hoje já não somos mais aquela criança emocionalmente tão vulnerável e que podemos reconstruir nossa maneira de lidar com problemas e situações cotidianas. E, finalmente, estarmos abertos a perceber cada emoção -boa ou ruim- provocada pelos acontecimentos cotidianos.

Quais são as atitudes que você tem repetido sistematicamente? Estas atitudes têm provocado insatisfação, incômodo, frustração? Quem sabe não é hora de enfrentar este verdadeiro ciclo de auto-sabotagem?

sábado, abril 25, 2009

J. C. VIOLLA

Há alguns dias falei aqui de J. C. Violla, como um dos que me influenciaram pessoal e profissionalmente. Meu gosto pela expressão, pela dança e pela arte formou-se também durante as aulas que frequentei em seu estúdio.

Ele formava o trio que, tendo aprendido com D. Maria Duschenes, em SP, abriram seus estúdios e puseram-se a multiplicar seu conhecimento e sensibilidade. Além dele, Klauss Vianna e Ivaldo Bertazzo.

Com certeza há influência em meu olhar atento à postura, à simetria e, principalmente, à naturalidade do movimento.

A imagem mostra o cartaz de um espetáculo da época, Petruchka, que assisti na estréia e acompanhei ensaios e elaboração do cartaz, do figurino e cenário, obras do grande Naum Alves de Souza. A foto mostra o piso, tacos de madeira, de seu estúdio e o boneco representado por Violla.

Anemia

A notícia nos chama a atenção: no Nordeste, uma em cada três mulheres está carente de ferro. Quase 40%, para falar a verdade... Anemia total! O mais interessante é que nas cidades a situação é... Pior!! Sugerem que no campo a alimentação seja mais natural.

Estive em Mascote e Itapebi na quinta-feira. Cidades pequenas. Interior da Bahia. Interior do Brasil. Sim, América Latina, hemisfério Sul... Não quisemos almoçar. Estava quente, tínhamos pressa.

- Que tal um suco e um lanche rápido?

Iniciou-se a busca pelo impossível. Suco? Só "refri".

- Tem este natural, aqui, moço, Skinka, de fruta.

Natural. Está escrito: "laranja". Então é de fruta. E fruta é natural... Não encontramos um lanche razoavelmente saudável. Apenas salgados, enroladinhos e industrializados: biscoitos, biscoitos, biscoitos...

A dieta do brasileiro está na UTI. Foram-se os costumes alimentares que prolongaram a vida de nossas avós e bisavós. Hoje são os remédios que fazem isso. Às custas de sofrimento causado pela anemia, hipertensão, diabetes, doenças do coração, derrames, obesidade.

Além dos hábitos alimentares, como, por exemplo, servir a crianças apenas um lanche no lugar do jantar, nutricionistas indicam, ainda, outro fator que intensifica a "epidemia" de anemia: verminoses causadas por ausência de saneamento básico (água limpa) e péssimos hábitos de higiene. Fracasso das atuais políticas públicas.

A estrutura hospitalar estatal, de atendimento médico, de saúde da família, de exames, não suporta mais a enxurrada de vítimas desta situação.

Eu digo a quem quer ouvir:

- Vamos dar essa moleza às indústrias farmacêuticas? Vamos continuar pagando nossos impostos para, além dos tradicionais "desvios", serem desperdiçados com atendimentos à saúde que poderiam ter sido evitados e com um custo muito menor?

Só podemos, então, reclamar, se fazemos nossa parte. Como anda sua alimentação? O que você tem feito para não enriquecer as indústrias de remédios? Como você tem alertado as pessoas de sua família e seus amigos sobre esta situação? Couve (foto), símbolo máximo de alimento rico em ferro, cresce como mato!

Ou a anemia já afetou o raciocínio de todos e a vitória chegou aos poderosos?

quinta-feira, abril 23, 2009

Ela deu um basta aos remédios!

Sim, foi ontem que fiquei sabendo. Ela veio me contar, feliz da vida.

- Parei com os remédios! Vou emagrecer sem eles!

- Mas você está bem?!

- Sim! Eu não estava conseguindo dormir direito... Esta noite dormi como um anjo!

- E seus exercícios?

- Aos poucos estou aumentando o tempo. Já me sinto muito melhor! Minha frequência cardíaca está normal, agora!

E ela realmente precisava disso. Cheguei a ficar preocupado. Será que fui severo demais, ao insistir que sua saúde estava em risco?

O sorriso de satisfação disse tudo. Não tem preço.

segunda-feira, abril 20, 2009

MR MAGOO

Um exemplo que ilustra o texto a seguir. Mais diversão e... reflexão!

Cego na corda bamba...

Outro ensinamento de personagens de desenhos animados antigos...

Mr. Magoo -míster magú- é mais um daqueles tipos que dificilmente esquecemos. Figura simpática, este senhor careca, de olhos espremidos e que pensa não correr riscos nas mais arriscadas situações. Um inocente personagem que escapa de forma surpreendente de todas as "armadilhas" pelo caminho.

Ele vê no jornal a imagem de um bandido e conclui que é a de um detetive. Ele enxerga muito mal. E o pior: não assume esta deficiência e enfrenta grandes dificuldades. A graça é que elas acontecem sem que ele saiba, também!... Ele não percebe o risco e não percebe como se safa dele. No final, tudo acaba bem.


Sorte? Irresponsabilidade? Confiança?

Na ficção é assim. No desenho. Ele nos lembra que é bom abrirmos os olhos para os riscos e as armadilhas da vida. Não podemos fingir que eles não existem. Não podemos fingir estarmos preparados paa enfrentá-los.

Ao mesmo tempo, Joseph Murphy, nos ensina que é importante focarmos na solução e, não, no medo ou nos problemas em si. O medo seria a pré-materialização do fato temido, em nosso subconsciente, esta verdadeira "fábrica" do nosso futuro. Mr. Magoo não tem medo e isto pode explicar os "finais felizes"...

Às vezes é bom sermos um pouco "Mr. Magoo", aventureiros, meio cegos e confiantes.

Às vezes temos que tomar cuidado com o excesso de confiança e olhar bem para os lados e à frente e, decididamente, prepararmo-nos para o futuro!

domingo, abril 19, 2009

Otimistas, pessimistas e realistas

Uma amostra que ilustra o texto a seguir. Divirta-se e... reflita!

Ó, vida! Ó, azar!

Ou: como podemos aprender com os "tipos" dos desenhos animados de tempos atrás...

Uma hiena que, ao invés de rir, era mal-humorada. Sim, dizem que hienas, pelo seu jeito de mexer a boca, parecem sempre estar sorrindo. Mas havia uma, a "Hardy", que vivia reclamando da vida.

Mesmo os que não são "jovens há muito tempo" já ouviram a expressão que representa um tipo de gente que apenas vê o lado negativo dos acontecimentos.

- Ó, vida! Ó, azar!

Há poucos dias comentei meu respeito por um autor que teria ajudado a compor minha maneira de ver o mundo. Ele -Joseph Murphy- escreveu sobre o poder de nosso subconsciente. Qual seria nossa análise sobre os efeitos do subconsciente de nossa querida e saudosa Hardy?

Ora, ela faz questão de assumir para todos que é "azarada" e que nada dá certo para ela... Joseph Murphy diria que as mensagens para seu subconsiente são claras e que ele (o subconsciente) provocaria reações e atitudes que "combinariam" com este clima e, assim, mais e mais "coisas erradas" estariam se preparando para acontecer...

Este Murphy não tem nada a ver com a Lei de Murphy -"If anything can go wrong, it will"- , mas, de alguma forma, explica-a. A lei, dizem, surgiu em 1949, por conta de experiências de um tal de Edward Murphy, da Força Aérea do Estados Unidos.

"Se alguma coisa pode dar errado, com certeza dará."

Joseph, o primeiro Murphy de que falei, diria que devemos nos concentrar nas respostas que nosso subconsciente já possui e abrir caminho para que elas apareçam. Hardy, nossa hiena, simplesmente desacredita de sua capacidade de resolver problemas e, mais ainda, faz disso seu ritual, sua marca registrada. É como se orgulhasse disso...

Quantas "hardys" você conhece? Quantas pessoas encontramos que seu script é fazer-se de vítima e colocar a culpa nos outros? Muitas... O maior risco, para elas, é deixar de caminhar em direção à verdadeira solução de seus problemas. Mesmo os menores deles.

Quem diria, ein? Aquela hiena aparece, agora, em 2009 para nos ensinar a ser um pouco mais felizes...

sábado, abril 18, 2009

PLANOS DIRETORES MUNICIPAIS - NOTA TÉCNICA

Versão 1.0.2009
Introdução

Planos Diretores têm o poder de influenciar a paisagem. Em meio urbano, ou seja, nas cidades, a paisagem é definida pelas construções, vias, remanescentes naturais e vazios. Na área rural, a paisagem é definida pelas estradas, florestas e outras composições de vegetação, ocupações agrícolas, rios, lagos.

O Plano Diretor é uma lei municipal que estabelece, entre outras coisas, limites e incentivos para a ocupação do território. E isto cria forças de expansão em alguns pontos do município, ou de contenção à ocupação, em outros locais. A partir do processo participativo, a população ajuda os técnicos a alcançar um modelo que seja mais próximo daquele que servirá para melhorar a vida da maioria. A lei que é desenvolvida em conjunto não garante as melhorias. No entanto, será muito mais provável que as ações tornem-se realidade se a população continuar participando, fiscalizando, apoiando.

Tudo o que se refere a paisagem tem a ver com Arquitetura e Urbanismo. Desde a largura das ruas e avenidas, passando pelas construções em si e a definição de suas localizações e características, até a escolha de que regiões deverão ser preservadas e transformadas em parques, por exemplo. Neste sentido, apresentamos um breve roteiro para auxiliar cidadãos e detentores de mandatos públicos a compreender estas questões quando presentes no Plano Diretor e dele aproveitarem o máximo.


Fotografia: Bairro do Pontal e Aeroporto de Ilhéus (fonte: Google Earth)

1. Crescimento ou Desenvolvimento?

No desejo por melhorias de condições de vida, há quem acredite que crescer é o único remédio. Mais casas, mais comércio, mais ocupação, mais pessoas, mais indústrias, mais plantações... É importante crescer, mas com planejamento. Muitas vezes crescer demais pode provocar aglomeração de pessoas e escassez de recursos. Muitas vezes os caminhos do crescimento provocam perdas irremediáveis de rios, matas, patrimônio histórico, que podem ser importantes para a qualidade de vida e para o equilíbrio econômico do município, a médio e longo prazo. O verdadeiro Desenvolvimento acontece lentamente e a partir de um planejamento que deve envolver os cidadãos, seus representantes e técnicos experientes. Para crescer, há condições especiais e uma delas é a disponibilidade de “equipamentos urbanos” ou “infraestrutura urbana” ou “serviços urbanos” ou, ainda, “serviços públicos”. São a rede de água e esgoto, sistemas de transportes (ônibus, por exemplo), iluminação pública, que devem ser dimensionadas e estar disponíveis para que o crescimento seja adequado.

2. Ocupação do território

Os cidadãos desejam melhorar de vida. Querem ampliar suas casas ou mudar para regiões em que possam viver melhor. Pessoas que chegam à cidade querem ter onde morar. Famílias querem ter um sustento, que pode ser uma roça ou um comércio, por exemplo. Para tudo isso eles precisam de espaço. Será que há este espaço na sua cidade? Se há, como ele deve ser utilizado? A cidade deve crescer em todos os sentidos, para todos os lados, ou há lados mais recomendados para este crescimento? A cidade cresce e invade a área rural. Isto é aceito pela população? Aquela área rural não está produzindo e já está preparada para receber ruas, escolas, praças, e virar um novo bairro?

3. Função social da terra e da propriedade

O Estatuto da Cidade procura incentivar a utilização da terra e da propriedade de forma a permitir que elas cumpram sua função social. Isto significa que um terreno ou uma propriedade não deveria valer-se dos investimentos públicos (em serviços, por exemplo) para aumentar seu valor. E que os “vazios urbanos” devem ser prioritariamente ocupados e utilizados. Estes vazios são aqueles terrenos na cidade que estão vazios, imóveis abandonados ou em ruínas, que estão servidos de energia elétrica, água, próximos a transportes e segurança, mas não mora e nem trabalha ninguém lá. Os Planos Diretores elaborados em sintonia com o Estatuto da Cidade devem apresentar e regulamentar diversos “Instrumentos” para garantir ao município o direito de intervir e promover esta intenção legal. São os “instrumentos de Gestão Urbana” descritos no Capítulo I do Título IV.

4. Desenvolvimento Urbano

Muitas vezes não cabe ao município apenas, a realização de ações importantes para os cidadãos. Mas o ponto de partida é, sim, no município. Elaborar “estudos”, “projetos”, “levantamentos”, pode auxiliar em muito na hora de realizar “articulações” com os Governos Estadual e Federal, incluindo Secretarias e Ministérios. É uma forma de “viabilizar recursos”. O fato do orçamento municipal ser restrito não o impede de investir em planos e programas de forma a apresentá-los a instituições financiadoras. A Lei do Plano Diretor define diretrizes, prioridades, objetivos e “ações prioritárias”. Estas ações estão listadas na lei e deverão, sim, ser as primeiras a serem contempladas por recursos e planejamentos específicos.

5. Conflitos e usos incompatíveis

Ao crescer, a cidade e seus cidadãos acabam escolhendo aleatoriamente como isso deve acontecer. O resultado é o aparecimento de “conflitos”, como a proximidade de escolas e indústrias barulhentas, de residências com criação de animais, de hospitais com vias de tráfego constante e ruidoso. Há, também, usos considerados incompatíveis, ou seja, instalações que não deveriam estar onde estão, como um aterro sanitário próximo a uma área turística, por exemplo.

6. Parcelamento do solo e adensamento

Há uma Lei Federal que propõe como deve ser efetuada a divisão dos terrenos e cria limites para isso. No município, também pode haver mais restritivas. A razão é tentar garantir “habitabilidade” e mínima “qualidade de habitação” às construções. Uma frente mínima de um lote para uso residencial não deve ser inferior a uma medida que permita um cômodo de dimensões razoáveis e iluminado e ventilado adequadamente. Ao mesmo tempo, ao parcelar o solo o cidadão está trazendo para viver mais pessoas onde antes moravam menos. Será que há capacidade de “infraestrutura urbana” suficiente para mais e mais pessoas naquele bairro? Aquela região da cidade aceita maior “adensamento”, que é justamente isso: mais pessoas morando e vivendo no mesmo lugar?

7. Áreas de risco e áreas de preservação

É comum ficarmos sabendo de desmoronamentos que causam prejuízos e ferimentos. Inundações, também. É importante localizar, no território do município onde estão as regiões sujeitas a riscos físicos e trabalhar para preveni-los e, até, impedir a ocupação por pessoas. Há, inclusive, situações em que o poder público precisa realizar projetos e programas para remover pessoas e realocá-las em regiões seguras.
Da mesma forma, há leis que definem quais são as regiões consideradas “áreas de preservação permanente”, as APP. Estas áreas devem ser desocupadas, recuperadas e preservadas. São as margens dos rios, as encostas e os topos de morros, as matas nativas, as restingas (praias). É importante o município localizá-las nos mapa e esforçar-se para cumprir a legislação, principalmente porque as leis ambientais existem para melhorar a qualidade de vida de todos e há espaço suficiente para moradias e atividades econômicas sem que seja preciso utilizar as APP.

Há, também, áreas consideradas de “risco social”, ou seja, onde o poder público tem dificuldade de agir e crianças, jovens e adultos vivem desprovidos de serviços de segurança e sujeitos a seduções de álcool, drogas, prostituição e criminalidade. Estas áreas devem ser demarcadas e ser alvo de programas de recuperação e inclusão social.

8. Macrozoneamento e zoneamento

Para melhor compreender e monitorar o que está definido na lei do Plano Diretor, acompanha a lei os mapas com definição de áreas e pontos importantes e significativos. O mapa do Macrozoneamento Municipal abrange todo o território do município, são áreas de grande tamanho e, ainda pontos de interesse específico. As macrozonas definem, especialmente, as áreas em que a questão socioambiental é mais forte e deve ser considerada como prioridade em planos e programas e, ainda, as áreas em que a atividade agrícola deve ser intensificada, sempre de forma sustentável e prioritariamente utilizando Sistemas Agroflorestais, aqueles em que não se derruba maciçamente a floresta para produzir. O Zoneamento Urbano alcança a área urbana, a sede do município, a cidade e, eventualmente, algum distrito. As zonas urbanas existem especialmente para definir áreas mais adensadas na cidade, ou seja, em que se permite maior ocupação, edificações mais altas, com mais pessoas morando num quarteirão, por exemplo. Ou áreas de baixa densidade, com casas e maiores recuos umas das outras, permitindo maior insolação, ventilação e qualidade de vida. No zoneamento há as Zonas de Especial Interesse Social, referentes às áreas de risco físico ou social. Há zonas para preservação ambiental e outras reservadas para futura expansão da cidade. Em ambos os mapas há demarcação de pontos de interesse turístico ou histórico. São as Áreas Focais.

Deve-se compreender especialmente a questão dos coeficientes previstos no zoneamento. Se há desejo de adensar a região, permite-se coeficiente de aproveitamento (C.A.) maiores. Por exemplo, se o C.A. permitido é 2,5, isto significa que em terrenos de 300 metros quadrados, permite-se até 2,5 X 300 = 750 metros quadrados de construção. A Lei de Uso e Ocupação do Solo, futuramente elaborada, definirá recuos em relação à rua ou às divisas e isso caracterizará o padrão das construções daquele bairro. Lembre-se: mais recuo significa mais ventilação livre pela cidade, mais insolação, mais saúde e qualidade de vida. Não é uma questão puramente estética.

9. Conselho da Cidade

Além de todos os conselhos existentes e propostos, o Conselho da Cidade deve ser constituído com a finalidade de acompanhar e monitorar, justamente, a execução dos estudos, programas e ações previstos no Plano Diretor. Em especial as “questões urbanísticas”, que são os temas que envolvem conflitos de vizinhança, propostas de expansão de vias e bairros, definição de localização de equipamentos como rodoviárias, centros comerciais, prioridades de investimentos.

sexta-feira, abril 17, 2009

Planos Diretores de Itapebi e Mascote

As audiências finais serão nos dias 6 (Mascote) e 7 (Itapebi) de maio. Depois de muito trabalho e, principalmente, criatividade, os projetos de lei serão apresentados à comunidade.

Estão todos de parabéns! Não foi fácil. A metodologia para pequenos municípios não estava pronta. Tivemos que, simplesmente, elaborá-la. A população -e, mesmo, os políticos- desconfiaram, a princípio. Mas aderiram e deram demonstração de interesse coletivo. A equipe técnica superou dificuldades e apresenta, agora, um resultado magnífico.

Além de Mascote e Itapebi, foram concluídos os Planos Diretores Municipais Participativos de Barro Preto, Itapitanga, Arataca, Jussari, Ibirapuã e Itagimirim. Exemplos a serem seguidos.

Tempo criado

Há muito tempo me refiro com esta expressão a um dos mais espetaculares efeitos da prática regular de atividades físicas.

Pense assim: quando estamos sedentários -há muito tempo sem nos exercitar- o dia se arrasta. Acordamos cansados. O trabalho não rende. Às vezes temos que realizar uma tarefa várias vezes até que o resultado seja aceitável. No fim de tarde estamos acabados, quebrados, de mau humor. Exercícios? Nem pensar!

- Se já estou cansado sem, imagine com eles!...

Caímos na cama aguardando o novo dia, que será igual. Ou pior. É como se o dia tivesse 20 horas, apenas.

Se este é seu caso, ou de alguém que você conheça, proponho devolver a vocês as 4 horas que lhes foram tomadas. É o "tempo criado" pelo exercício. A princípio, existe, sim, uma cota de sacrifício -você já conseguiu algo importante sem esforçar-se?-, mas após alguns dias, o dia será maior. Se antes faltava tempo para o estudo, agora o tempo dedicado ao estudo renderá muito mais. As noites bem dormidas alterarão seu humor pelas manhãs. Os caminhos estarão mais livres e a sensação é unânime:

- Parece que o dia ganhou horas a mais...

É o tempo sendo criado.

segunda-feira, abril 13, 2009

Desenrola-se como uma fita

É assim que me refiro à coluna vertebral ao subir, lentamente, vértebra por vértebra. E sempre me reporto a um dos melhores livros que li. A autobiografia de Pablo Neruda: "Confesso que vivi".

O grande poeta chileno passou sua infância nos arredores dos grandes lagos daquele país. E conta como, ainda criança, encontrou um cisne fraco e doente. Cuidou dele dias a fio. Alimentava-o levando pequenos peixes a seu bico. E relata quando sentiu, "como uma grande fita que se desenrola, o pescoço cair por sobre seu ombro". E a frase, linda, fecha o pensamento:

- Assim eu descobri que os cisnem não cantam quando morrem.

Um poeta contando sua biografia.

Apesar da imagem com luzes de relativa tristeza, lembrem-se de desenrolar suas colunas ao levantar-se. Como uma fita.

domingo, abril 12, 2009

Sidney Poitier - To Sir With Love

O filme e a música foram emblemáticos para uma geração e, ainda, abriram portas...
Para lembrar...
E, para quem não assistiu, o filme contou a história de um professor negro que, ao assumir uma classe com alunos problemáticos, adotou métodos inovadores e foi incompreendido pelso superiores. Enfrentou dificuldades e discriminação, quase desistiu e, no final, conquista seus alunos. A cena mostra os momentos finais, em que ele se despede da turma. Eles, compuseram uma música em agradecimento. "O dia de fechar os livros chegou.(...) Como posso agradecer alguém que nos tenha afastado de um caminho errado." Esta música é bastante conhecida, mesmo pelos mais jovens, mas é daquelas que sempre retornam à mente e simboliza ousadia, superação e, principalmente, a importância de verdadeiros mestres para nossas crianças e jovens...

quinta-feira, abril 09, 2009

A prática da aceitação

Os livros "Pequenos Milagres" e "Pequenos Milagres II", de Yitta Halberstam e Judith Leventhal, parecem, à primeira vista típicos textos americanóides. Relatam histórias de incríveis coincidências que alteraram rumos de muitas vidas.

Além dos inevitáveis "perdeu o avião e houve um terrível acidente", há citações das quais podemos aproveitar muito mais do que imaginamos. A que mais me impressionou foi a história de uma pessoa com música em alto volume nos fones de ouvidos, ao aproximar-se para atravessar uma rua segurando uma criança em uma mão e um jornal na outra, lendo e distraída. Na outra calçada, algumas pessoas acenavam e gritavam em vão. Um grande caminhão em velocidade aproximava-se e seria atropelamento certo. Ela não ouviu. Naquela cidade raramente ventava e, exatamente naquele momento, uma lufada de ar formou-se, quase levando o jornal que ela estava lendo. Ela teria resmungado, esbravejado, e, voltando-se de costas para a rua, pôs-se a recolher as páginas que teriam voado. O caminhão passou e ela nem percebeu. Um risco altíssimo, um acidente certo, teria sido evitado por um pouco de vento na hora certa, no lugar certo.

Verdadeira ou não esta história, pode nos ensinar algo. Quantas "lufadas" podem ter nos salvado de situações de risco? Quantas vezes injetamos adrenalina -e outras substâncias- em nosso sangue por não aceitar acontecimentos que -quem sabe?- poderiam nos conduzir a melhores caminhos? Praticar a aceitação é "lei" em praticamente todas as religiões. Está presente em livros de auto-ajuda e, principalmente, nas orientações maternas. E, cá entre nós, alguém sabe mais da vida -da nossa vida, em especial- do que nossas mães?

domingo, abril 05, 2009

Qual é a importância da arte?

Sim. Arte. Serve para quê?

Valor contemplativo, é isso?! Ficamos tocados ao ouvir uma melodia, observar uma pintura, ouvir uma poesia, assistir a uma peça de teatro... Muitas vezes consideramos "boa arte" aquela que digerimos com facilidade. Ou seja, se a sua estrutura é semelhante a modelos, padrões, que já possuímos, podemos compreendê-la e aceitá-la. Algo como ficarmos em nossa "zona de conforto"... Neste caso, não nos acrescenta nada, mas pode trazer sossego à alma. Seria esta, então, a função da arte, para um indivíduo e para a sociedade? Desculpe, mas me parece muito pouco.

Tenho aprendido que a arte é a expressão de culturas, o retrato de caminhos por elas percorridos e a suspeita de caminhos que elas percorrerão. A arte teria, então, a responsabilidade de prospectar caminhos, propor novas linguagens, novos matizes, novos ritmos. Além de evidenciar a história da cultura de uma sociedade, arte acaba sendo uma forma de vivenciar -experimentar- o futuro, de dar um passo e sentir a firmeza do solo. Claro, se for realmente Arte.

Neste cenário, arte deve instigar a reflexão e, claro, provocar. Chocar.

Sexta-feira, 3 de abril, foi a cerimônia de reabertura do Teatro Municipal de Ilhéus. Estivemos lá para prestigiar o trabalho da Fundação Cultural com apoio da Prefeitura Municipal e da Secretaria Estadual de Cultura. Um teatro repaginado, que já passou por períodos de glória e decadência, mas chega a 2009 com instalações refeitas e com aparência de novo.

Diversas apresentações, algumas de grande qualidade: poesia, música, pintura e dança. Com grande destaque, ao final apresentou-se o Grupo de Dança do Teatro Castro Alves, de Salvador. Na platéia, amantes da arte e leigos. Senhoras conservadoras e jovens com ares de ousadia. Políticos e cidadãos. Cultos e ignorantes. Até a apresentação deste grupo, pudemos observar aquela arte da zona de conforto. Músicas e poesias de aceitação fácil, daquelas sobre as quais qualquer um diz:

- Muito bom! Que qualidade, que expressão!

Ou seja: arte "adequada". No entanto, veio a arte que mexe, a arte que cumpre sua potencial função de provocar. Quarenta minutos contínuos de dança contemporânea, que, para muitos, parecia uma total improvisação. Nada de músicas melodiosas, nada de bailarinos apenas jovens e padronizados, nada de cenários e figurinos deslumbrantes.


Ao invés disso, correrias, movimentos ríspidos, descontrolados, chiados e ruídos... Música? Às vezes. Coreografias uniformizadas? De vez em quando. Mas, sim, uma atmosfera de criação, de verdadeira arte. Uma grande novidade, para a maioria dos presentes. Eu vi e participei de eventos há mais de 20 anos, como "100 cidadãos dançantes", de Klauss Vianna, em São Paulo, quando frequentava aulas de J.C. Violla. Violla, Klauss e Ivaldo Bertazzo eram os grandes "inovadores do movimento" naquela época. Fiquei orgulhoso de ver algo semelhante -uma evolução, uma sequência- em minha cidade. É bonito? Não sei, não interessa a subjetividade da beleza. Interessa a função de criar caminhos para a cultura, ao invés de apenas remexer nos caminhos que já foram trilhados...

Olhando bem, percebia-se claramente o resultado de laboratórios realizados em engenhos e plantações de cana-de-açúcar, e este era o tema: Engenho. Evidenciavam-se os momentos em que todos estavam em sintonia e ritmados, em contraposição à liberdade de movimentos segundos antes e segundos após. O conjunto e o resultado ficou, a meu ver, maravilhoso.

O prêmio a esta arte foi o fato de que algumas pessoas, talvez dez delas, levantaram-se no meio da apresentação e foram embora, com ares de "o quê é isso?!"... Arte que é arte provoca reação e não pode ser unânime.

Parabéns! Vocês fizeram arte!

E você?! Tem feito arte em sua vida? Ou tem apenas repetido velhas fórmulas e conceitos?

sexta-feira, abril 03, 2009

"Verdade nova": discernimento e fofoca

Criança acredita em tudo que os adultos falam. Especialmente se forem professores e, claro, seus pais. Que perigo! Às vezes, falamos por falar. Nem sabemos se é verdade, ou não.

Minha filha contou que a professora disse que encontrou um tamanduá na rua. Acreditar ou não?! Era tamanduá, mesmo? Era uma estrada rural? A professora viu, ou ouviu falar? Sim, temos que considerar que é uma verdade. Professoras têm a responsabilidade da honestidade.

- Ela disse que é por causa da construção do aeroporto...

E agora? Como desmascarar a professora? O aeroporto nem começou a ser construído e os animaizinhos, tendo lido a informação no jornal, estariam a invadir ruas da cidade!... A professora, simplesmente, juntou, como num quebracabeça, informações guardadas em seu imaginário. Animais fogem de seu habitat quando estes são destruídos. A construção de aeroportos promovem a derrubada de florestas. Um aeroporto novo está sendo planejado para a cidade. Conclusão? O tamanduá fugiu do aeroporto!

Sim, florestas são destruídas a cada segundo, no Brasil e no mundo. Um pecado. Uma ignorância. Isto afeta a biodiversidade, a disponibilidade de água, microclimas, atividades humanas... Normalmente são impactos causados pela invasão descontrolada, pela atividade agrícola -pastagens ou plantações-, empreendimentos "planejados", pela ignorância de como funciona a natureza, esta grande provedora da raça humana...


O tamanduá fugiu da mata. Fugiu porque deve estar faltando alimento para ele. Onde ele nasceu, agora devem existir pastagens -bois, vacas, cabras e, até, búfalos tem sido criados à margem do Rio Almada, por exemplo-, moradores expulsos da cidade ou de sua casinha na roça, plantações -muitas vezes na margem dos rios, nas encostas, nos topos de morros, áreas consideradas de proteção permanente (APP)-...

Um aeroporto pode, sim, ser mais um fator de degradação destes habitats. Mas pode ser, também, um importante elemento financiador de soluções para os problemas que citamos acima. A diferença vai estar no efetivo olhar participativo da sociedade.

E você? Qual são as pequenas e grandes "verdades novas" de hoje? Qual é a informação que você passou adiante sem a devida confirmação? Adultos agem, em muitas situações, como crianças e acreditam uns nos outros...

domingo, março 29, 2009

Liderança e motivação: veja e pense!

Uma teoria simples e envolvente. Reserve um tempo e assista.

Lula, Minc e o plano de habitações


Questionado se as habitações a serem construídas no ousado Plano Nacional de Habitação teriam características sustentáveis, Carlos Minc -Ministro do Meio Ambiente- foi evasivo.

- As casas terão coletores solares para aquecimento de água para banho, ao invés de chuveiros elétricos?

- A maioria.

- As casas terão cisternas, para coleta de água de chuva?

- Sim, menos da metade.

- A madeira será certificada?

- Será madeira "legal".

Não consigo imaginar construções habitacionais populares construídas com dinheiro público utilizando chuveiros elétricos. Participei de um curso na Coelba (concessionária de energia elétrica na Bahia) em que a excelente professora afirmou, com superior sabedoria:

- Desconfie de tudo que só tem no Brasil. Menos da jabuticaba!

Ela se referia, sim, ao... Chuveiro elétrico! Criação típica para onde há energia barata, abundante e ecológica, como se pensou que seria a matriz energética do Brasil. Hidroelétricas custam, sim, muito para serem construídas e o represamento de água significa florestas inundadas, totalmente cobertas pela água! Vegetação em baixo d`água não troca oxigênio com a atmosfera, como fazia antes de estar submersa. Pior: ao apodrecer produz metano, um gás dezenas de vezes mais prejudicial do que o gás carbônico à camada de ozônio. Metano também ocupa local de destaque na lista dos gases que aceleram o efeito estufa e o aquecimento global.

Coletores solares captam a energia do sol e são usados em todo o mundo para reduzir a demanda por energia elétrica. Isto é importante para a sociedade porque permite reduzir, também, os investimentos nas usinas e nas redes de distribuição de energia. Há outra vantagem: ajudam a reduzir os efeitos causadores do aquecimento global. O chuveiro elétrico, ao invés do coletor solar, acabou se transformando em símbolo de status, talvez como o celular.

- Ora, agora que eu tenho minha casinha, cadê meu chuveiro elétrico?

Não importa se a conta de energia será muito mais alta. Ele precisa mostrar aos vizinhos que, agora, tem um chuveiro elétrico. Para diminuir o valor da conta, para ele, é mais fácil colocar uma garrafa pet de dois litros cheia de água sobre o relógio da concessionária. Verdade. Fique sabendo que isso é prática comum por esse brasilzão!...

O governo -no caso, o federal- pode acabar, então, não aproveitando a oportunidade de "popularizar" os conceitos de "casa sustentável". Para os usuários, isto significaria menos despesas de energia e água. Para a sociedade, vantagens ambientais.

Existe uma diferença entre madeira certificada e madeira legal. A certificada é fruto de uma "fazenda de madeira". O produtor aprovou seu "plano de manejo" e coleta madeira de forma a permitir o crescimento de outras árvores. Assim: se a árvore demora 15 meses para "amadurecer", ele pode dividir sua área em 15 lotes e a cada ano coletar madeira de um dos lotes. Neste lote, ele só vai mexer depois de 15 anos... Ou, marcar as árvores que, pela idade, já não estão trocando oxigênio e, ainda, estão prejudicando a insolação de árvores jovens. Aquelas estariam na hora do corte. Sim, estes projetos existem e permitem a "certificação" da madeira.

Já a "madeira legal" simplesmente é aquela que cumpre a legislação. Tem origem definida, seus produtores, transportadores e comerciantes recolhem impostos e o Ibama aprova tudo. É melhor do que aquela clandestina, que vemos, abismados, em imagens de programas de televisão flutuando às centenas em rios amazônicos. Mas, essa madeira legal é muito mais sujeita a fraudes e a corrupção. Todos sabemos que autorizações frias acabam usadas para acompanhar remessas de madeira.

Outra vez, o Plano de Habitação era a oportunidade do governo para criar "economia de escala" para produtos verdadeiramente sustentáveis. Incentivar o aumento da produção de coletores solares, madeira certificada, cisternas, bacias sanitárias de baixo consumo de água, por exemplo, iriam, sim, permitir que o preço desses produtos baixasse para todo mundo!

Isso, sim seria uma legítima "Política Pública"!

sábado, março 28, 2009

Casa sustentável: até quando será mais cara?

A notícia incomoda. Uma casa planejada para poupar o planeta custa 30% a mais. E o motivo é muito simples. Economia de escala somada à total ausência de incorporação dos custos ambientais nos materiais e processos construtivos tradicionais. Eu explico.

O que teria de diferente uma casa "ecológica"?

- Energia e água teriam seu consumo reduzido, com a mesma eficiência. Luz natural, equipamentos que gastam pouca energia, energia solar, ventilação e climatização natural, coleta de água de chuva, reúso de água, descargas sanitárias com baixo consumo de água...

- Materiais fabricados com baixo consumo de energia. Tijolos curados sem queima, madeira de reflorestamento, tintas naturais sem química, painéis divisórios e forros à base de materiais reciclados.

- Estilo, cores, materiais que respeitam a cultura local.


Pois é. Estas maravilhas custam mais caro do que os meios convencionais. Primeiro, porque a demanda ainda é pequena e empresas não se interessam em investir. Segundo, porque os "meios convencionais" não expressam seu custo real e competem de forma injusta com materiais e processos benéficos ao meio ambiente. Por exemplo: todos os materiais que, de alguma forma, incluem petróleo em sua fabricação, deveriam incluir em seu custo -e preço- o valor gasto pelos governos para construir aterros sanitários e tratar lixões devido ao acúmulo de plástico e outros produtos não reciclados. Os preços dos materiais que utilizam algum tipo de queima deveriam incluir o custo de hospitais e tratamento de doenças respiratórias. Materiais e processos de grande consumo energético deveriam compor seu preço considerando o custo de construção de usinas hidroelétricas e a emissão de carbono causada pela submersão de biomassa (vegetação, no caso).

Há muitos outros exemplos. O certo é que devemos buscar formas de incentivar a utilização maciça de materiais e processos benéficos ao meio ambiente e nada como utilizar a linguagem universal da economia para isso.

O custo ambiental deve, então, ser calculado e incorporado aos produtos. Os ecológicos serão mais competitivos, aumentará sua demanda, as indústrias se adaptarão e investirão e, pela economia de escala, ficarão mais... Baratos!

Apenas assim as casas sustentáveis serão mais acessíveis e atraentes à maioria da população!

quinta-feira, março 26, 2009

Você sabe por que respira?


Tenho incentivado meus alunos -e amigos- a explorar seus pulmões. Estes órgãos costumam ser pouco compreendidos por seus donos. Por isso mesmo, muito pouco valorizados e utilizados.

Você sabe por que respira?

Poucos sabem que o ar que exalamos contém gás carbônico que estava no sangue há poucos segundos. Da mesma forma, o oxigênio contido no ar que respiramos passa ao sangue nos chamados bronquíolos, "fim da linha" das ramificações que compõem nossos pulmões.

Este oxigênio vai ser usado numa rotina importantíssima para a vida: todos sabemos que oxigênio é fundamental para que exista queima e é isso que acontece dentro de todas as células. Os nutrientes que estão, também, circulando no sangue são levados para dentro da célula e... Queimados. Sim, queimados como qualquer outro combustível. E, aí, o oxigênio é o agente que permite essa queima.

É fácil concluir que, se o suprimento de oxigênio for limitado, a queima -de calorias, sim!- também será deficiente.

Portanto, respire! Respire fundo! Infle seu pulmão com vontade! Há bronquios e bronquíolos que pouco têm sido utilizados, quase atrofiados, murchos como bexigas vazias... Que desperdício de possibilidades de "injetar" oxigênio no sangue e ajudar suas células a trabalhar com mais eficiência e queimar mais e melhor suas calorias!

"Sometimes, all I need is the air that I breath and to love you..."
The Hollies (ouça em minha postagem de 20 de dezembro de 2008)

http://desacelere.blogspot.com/2008_12_20_archive.html

Hábitos, saúde e subconsciente

Joseph Murphy (interessante: outro Joseph...) também se referia ao subconsciente como a mente subjetiva. Haveria a mente objetiva, que raciocina, tem visão crítica e funciona como o "porteiro", deixando entrar os convidados. E a mente subjetiva, que obedece comandos e cria circunstâncias para que eles sejam cumpridos.

Ele lembra que é no subconsciente que mora o hábito.

Ora, nós sabemos que nossos hábitos são os principais fatores que influenciam nossa saúde, nossa disposição... Irritabilidade, excesso de comida, má alimentação, cigarro, sedentarismo... Hábitos, hábitos, hábitos... Criados ao longo de nossa existência. E que podem nos salvar ou... Nos derrubar!

Murphy apresenta, em "O Poder do Subconsciente", um método simples e, por minha própria experiência, eficaz. Conduzir o subconsciente (o lar dos hábitos, lembra?!) a criar terreno fértil para a saúde, o equilíbrio, a felicidade... Como? Com bons pensamentos, boas palavras, repetidas como um auto-hipnotismo, principalmente para neutralizar efeitos de palavras e pensamentos negativos, que, como um vício, teimamos em expressar. Assim: quando você, por exemplo, sem perceber, disser:

- Eu nunca vou conseguir emagrecer!

Imediatamente, respire fundo e diga (ou pense):

- Meu corpo está conhecendo uma nova realidade. Meu metabolismo trabalha a meu favor. A cada dia, minhas células estão mais ativas e queimam o excesso que eu vinha acumulando. Assim, ganho energia e motivação para a vida!

Você estará ganhando tranquilidade e oferecendo comandos positivos ao seu subconsciente, que aceitará e o ajudará, com todo seu poder.

Pense e... Experimente!

Depois conte-me o resultado...

Ah, o outro Joseph é o Pilates!

quarta-feira, março 25, 2009

Conversas com o subconsciente


Estive relendo uma das obras que, agora tenho certeza, mais influenciaram minha maneira de pensar. O Poder do Subconsciente, de Joseph Murphy, que desde a década de 1960 foi republicado dezenas de vezes.

Dentre outros exemplos, achei especialmente interessante Murphy comparar o consciente e o subconsciente com o comandante de um navio e sua equipe. Assim: a tripulação encarregada de acionar as máquinas obedece cegamente as instruções do comandante. Da mesma forma, o encarregado do timão mantém o rumo por ele determinado, sem questionar. Portanto, se o navio navega rumo a uma colisão com toda a força, a responsabilidade não é da tripulação e, sim, do comandante.



É uma forma de descrever sua teoria de que os comandos que nosso consciente (o comandante) envia ao subconsciente (a tripulação) são assimilados e assumidos como verdade e transformados em realidade pelas nossas ações, reações e comportamentos.

Os comandos podem ser palavras ou pensamentos:

- Eu tenho muito azar nos negócios!

- Eu nunca vou conseguir comprar uma casa para morar!

- Ninguém se interessa por mim!

Que, inevitavelmente, são "captados" pelo subconsciente. E ele, obediente, os transforma em ações, como a tripulação do navio. Todos os esforços são feitos para cumprir cada comando do consciente.

Murphy sugere que prestemos atenção às mensagens que enviamos a nosso subconsciente. Podemos escolher o que iremos colher ao selecionar as sementes. Quais são as sementes que você tem espalhado em seu subconsciente? Ops! Em seu jardim!

sábado, março 21, 2009

Diga ao povo que caminhe!

Diz a história que o povo, chamado por Moisés, aguardava pelo esperado milagre. Chegaram às margens do Mar Vermelho e interromperam sua caminhada. O obstáculo era imenso, desanimador, ameaçador. Moisés foi a Deus com a informação de que estavam agitados, aguardando o impossível.

- Diga ao povo que caminhe!



Alguns recuaram, outros sentaram-se descrédulos. Mas os que acreditaram, fizeram sua parte e, a passos firmes, dirigiram-se mar adentro.

A continuação, todos conhecem. O mar se abriu. O impossível aconteceu.

E Você? Quais são teus obstáculos? O que tem feito à frente deles? Tem esperado por soluções externas ou caminhado em direção a eles, de frente? Tem feito todo o possível?

Só podemos esperar o impossível se fizermos tudo que nos é possível.

Coloque teu pé nesse mar que te assusta. Acredita na solução! Não tenha medo de agir. Pior é ficar parado, inerte, com medo.

Baseado em palestra de Padre Fábio, na TV Canção Nova

sexta-feira, março 20, 2009

FALSAS MAGRAS


Com todo respeito, mas uma cheinha ativa é muito mais sadia do que uma magrinha sedentária...

E tenho encontrado muitas "magras sedentárias". Tiveram o privilégio de nascer com o metabolismo mais acelerado. Enquanto suas colegas mais "cheinhas" suavam nas esteiras, nos esportes, nas piscinas, elas sentiam-se atraentes simplesmente por serem... Magras.

Então, aos 30, 40 anos, percebem que o trem passou e elas ficaram de fora. Têm dificuldade para, simplemente, gostar de atividades físicas. São aparentemente magras, mas exibem incômodas gordurinhas no quadril, culote, abdomen... Seu sistema muscular é atrofiado. Ossos, ficaram frágeis. Dentre outras consequências, a pior: coração fraquinho... Nunca exercitou-se. As fibras cardíacas ficaram sem estrutura, sua energia é pequena.

Aí vem o sacrifício: iniciar um programa de exercícios. Cãibras, suor, fadiga muscular, calor, dores nas articulações... Enquanto o sofá, em casa, chama por elas. A geladeira. O controle remoto!

Adaptar a alimentação. Um drama!

- Mas eu não gosto de me alimentar pela manhã... só um cafezinho e um pão com manteiga.

Minha resposta é sempre a mesma, no mesmo tom:

- Se você está decidida, hoje será o dia da virada. Uma "nova você" está nascendo. Pode, até, ser parecida com a antiga, mas precisa de portas abertas para surgir e permitir avanços e, principalmente, felicidade! Criança é que só come o que gosta. Adulto precisa aprender a gostar do que deve comer. A virada precisa de espaço para acontecer, sem direcionamento. Não adianta uma mudança, se você tenta controlá-la. Espere que sua essência se manifeste e aceite-a, mesmo que tenha nuances que você nunca imaginou que veria em sua pele.

Ficam animadas. Sinto que ganham maior aderência ao programa de exercícios a que se propõem. Sinto que sentem-se mais seguras e confiantes para descobrir uma nova vida.

Estou acompanhando-as e vejo evidentes sinais de sucesso. Mas não vamos relaxar! A qualquer momento o chamado do sofá pode ameaçá-la novamente...

segunda-feira, março 16, 2009

FEMINISMO



Em minhas postagens de 12 de janeiro e 4 de março falei de situações em que a experiência, a trajetória de vida, o conhecimento, fazem a diferença e, até, podem incomodar outros.

A revista Cláudia deste mês faz homenagens à mulher. A reportagem mais interessante é uma grande bronca nas mulheres mais jovens ou as que não se informam devidamente sobre as verdadeiras conquistas femininas nos últimos 50 anos...

Lembro-me de meu grupo de trabalho na faculdade de arquitetura. Éramos 5. Eu e quatro moças. Nossa tarefa: elaborar uma "família" de cartazes sobre algum tema social. Escolhemos o "feminismo". E, assim, acabei descobrindo que eu era mais feminista do que cada uma de minhas quatro colegas!... Eu tinha 19 anos.

Confesso que fiquei satisfeito ao ver a chamada à consciência da reportagem da revista. Ela denuncia, na verdade, mulheres que, ao serem chamadas de feministas, torcem o nariz, como se estivessem sendo ofendidas.

- Feminista, não. Feminina!

Como se apenas mulheres feias, gordas, peludas, mal-amadas, solitárias pudessem ser feministas. É um total desconhecimento das trajetórias de personalidades que sofreram para que as mulheres, hoje pudessem, por exemplo:

- Almejar funções de comando e igualdade de remuneração em qualquer organização
- Escolher por ser mãe ou não, assumindo o controle sobre seu corpo
- Denunciar agressões e, não, ver diversos agressores declarados inocentes pela "defesa da honra".

A reportagem, claro, assume que ainda há muito a se conquistar, mas que atitudes de desprezo e repulsa aos movimentos que mudaram a vida das mulheres apenas dificultarão novos passos. Não se perde femililidade ao lutar por direitos constitucionais e plenamente justos.

Comparo com meus comentários a respeito de jovens ingênuos que acreditam estar 100% preparados para a vida profissional, ou a respeito das pessoas que, ajudadas, revoltam-se contra seus benfeitores. É semelhante. Mulheres que acreditam ser maiores do que a história, mulheres que imaginam que as coisas sempre foram como são, hoje. Mulheres que não se orgulham de fazer parte de um movimento que já se iniciou há décadas e querem, então, "mostrar que têm personalidade". Estas, sim, estão fora da linha da história.

Vale a pena ler a reportagem.

PROFISSÃO

Comentários de Tuiávii, chefe da tribo Tiavea, nos mares do sul, aos seus irmãos, quando regressou de sua viagem à Europa:

É difícil dizer o que é “profissão”, mas todo europeu tem uma. É uma coisa que se deve ter muita alegria ao fazer, mas raramente isso acontece. Ter uma profissão significa fazer sempre a mesma coisa, uma só coisa, e tantas vezes que se consegue fazê-la de olhos fechados e sem esforço algum. Se com minhas mãos outra coisa não faço além de construir cabanas ou tecer esteiras, construir cabanas ou tecer esteiras é minha “profissão”.

Lá na Europa existem pessoas que já não podem correr, pois criam muita gordura no ventre, como os porcos, porque têm que estar sempre parados, obrigados pela profissão. É raro ver um europeu que salte, que pule como criança, depois que fica adulto. Pelo contrário, quando anda, arrasta o corpo, como se alguma coisa travasse o seu movimento. Ele disfarça, nega esta fraqueza, dizendo que correr, pular, saltar não são decentes para um homem importante. Hipocrisia: é que seus ossos estão duros, sem movimento e seus músculos não têm mais animação porque a profissão o fez sonolento e morto. Ela lhe destrói a vida, insinua-lhe bonitas coisas, mas na realidade lhe chupa o sangue.

A profissão também prejudica o europeu de outra forma. Existe ódio ardente entre os homens que têm profissões diferentes. Todos estão sempre comparando as suas profissões, cheios de inveja e má vontade. Fala-se em profissões elevadas e baixas, embora todas sejam apenas atividades parciais. Por causa da profissão, o europeu vive confuso. É claro que não quer pensar nisso, mas ele nunca conseguiu nos fazer compreender porque havemos de trabalhar mais do que Deus exige para que possamos comer o necessário, cobrir a cabeça com um teto e nos divertirmos com as simples festas da aldeia. O europeu suspira quando fala no seu trabalho, como se uma carga o sufocasse. O Grande Espírito não quer certamente que fiquemos cinzentos por causa das profissões, nem que nos arrastemos feito as tartarugas e os pequenos animais rasteiros da lagoa. Ele deseja que continuemos felizes e firmes em tudo quanto fazemos; que não percamos a alegria dos nossos olhos e nem o contentamento com a simplicidade da vida.

Extraído do livro "O Papalagui", de Erich Scheurmann, escrito em 1920..

terça-feira, março 10, 2009

Tonus Aventura 1




Uma grande evento. Com direito a escolta da Polícia Rodoviária e carro de apoio, mais de 30 amigos, alunos e professores da Tonus foram pedalando desde a Praça São João, no Pontal, ao Batuba Beach, em Olivença! Manhã de 8 de março, dia internacional da mulher.

Lá, uma aula de alongamento e outra de Swing Brasil. Muita animação, suor e sorriso no rosto!

- Precisamos fazer isso outras vezes!

- Que delícia! Que turma legal!

As inscrições foram alimentos e material de limpeza, doados à Creche Bom Pastor. Responsabilidade Socioambiental.

Não é simples?!

quarta-feira, março 04, 2009

Será que eu já fui assim?

Parece que as situações vêm em bloco. Ou talvez eu é que veja as semelhanças entre elas. Personagens, locais, motivos sem nenhuma sintonia acabam assumindo pontos de encontro que permitem esta reflexão.

Criador e criatura. Professor e aluno. Provedor e provido.

Pense em ajudar alguém. Sim, ajudar de qualquer forma. Empreste seu ombro, ou seu dinheiro. Ou, ainda, ensine caminhos que você já percorreu. Acolha. Compartilhe seu teto. Seu conhecimento, sua experiência. Tenha paciência. Muita paciência. Estimule, não o deixe desistir, alegre-o nas dificuldades. Ouça suas lamentações, dê alguns conselhos, faça-o refletir, busque respostas. Ofereça sua força, sua energia, sua influência, seus amigos, sua família.

Pronto? É bem possível que você tenha conquistado, na verdade, um "inimigo".

Explico. É raro alguém que tenha equilibrio, desprendimento e discernimento suficiente para domar seu orgulho e aceitar pacificamente uma situação que, a ele, seja profundamente humilhante. Não se trata de, simplesmente, atribuir à inveja um eventual mau sentimento. Uma pessoa que, por qualquer motivo, em algum momento, tenha precisado de ajuda, corre o risco de sentir-se diminuída e, com isso, iniciar um processo interno de justificar uma "revolta" contra quem causou aquele sentimento. No caso, você. Você que o ajudou e o conheceu "no fundo do poço". Viu com imenso realismo suas fraquezas, do alto do que ele imagina ser um pedestal.

A força que você ofereceu é uma ameaça. O ser humano, envergonhado, pode reagir agressivamente. E acredita que tem razões para isso. Ele construiu mecanismos para aliviar seu sentimento de inferioridade e voltar-se contra seu benfeitor.

É sempre assim? Não, mas depende, na minha opinião, de discernimento. E isto é, como já disse, raro. E, incrível, isso não impede meu instinto de ajudar, mas vejo com clareza o que acabo de descrever. Uma das leis de Deepak Chopra diz que devemos ser "um rio e não uma represa", ou seja, não segurar, estocar, mas ser um canal de distribuição de sorrisos, dinheiro, alegria... E assim eu faço. E vejo, com certa resignação, alguns "rebeldes" valorizando minha trajetória ao assumir uma atitude ingênua de "pequenos confrontos".

Obrigado. Estou lisongeado.

terça-feira, março 03, 2009

"Tropa de Elite" e a realidade à mostra



Eu sei, já saiu de cartaz há muito tempo e todos já viram até duas versões em DVD...

Mas eu tinha a sensação de que eu gostaria do filme e, pela primeira vez, assisti de ponta a ponta. E, realmente, adorei. Sim, há violência, sangue, imagens fortes. "A Paixão de Cristo" e "Gladiador" também. E, para mim, nestes, as cenas são ainda mais fortes. No caso do "Tropa", a gente vai ficando satisfeito pela forma altamente coerente e realista que o roteiro acontece. É como se a gente dissesse:

- Que bom que alguém viu e traduziu a realidade em um filme.

Agora, as pessoas podem debater, refletir, discordar ou concordar, mas a partir de cenas absolutamente realistas.

Como no mundo selvagem dos negócios, o consumidor pode ser manipulado, mas é, na verdade, o grande financiador das organizações. Inclusive as que produzem e vendem maus produtos. Sem consumidor, não há negócio.

No filme, povo é povo. A classe de faculdade é uma verdadeira classe de faculdade, a forma de debate, de "censura", de "corporativismo estudantil", é verdadeira. O professor parece verdadeiro!...

Não se propõe a apontar soluções. Convida à reflexão, sim, mas brilha pela iniciativa de abrir as janelas e as portas de uma estrutura misteriosa e ameaçadora. Terá solução? Para o filme, não importa. É como pesquisa pura: vocês que se virem para continuar a partir do que eu fiz!

segunda-feira, março 02, 2009

Em plena desaceleração!

Sim, rompemos essa barreira. Muita reflexão, muitos planos.

A escolha de caminhos, conforme vimos em uma das leis de Deepak Chopra (já publicadas aqui no Desacelere) reflete pelo resto da vida. "Somos resultado das escolhas que fizemos no passado".

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Eu sou mal educado.

A falta de educação é de quem defende seu espaço e reclama de invasores, ou invasores é que são deselegantes?

Devemos, em nome de nossa boa educação, aceitar os que invadem as calçadas e, educadamente, desviar? Ou serão eles que não receberam educação e devem ser corrigidos?

É sensato sorrir e, com educação, agradecer cada ambulante que nos força a parar o que estamos fazendo para nos mostrar produtos sem valor, e dizer que não estamos interessados? Ou eles é que, nas ruas, nas praias, nos bares e restaurantes, não sabem se comportar e acreditam que, assim, venderão mais?

É normal aguentar fumaça de cigarro em ambientes fechados, para não sermos mal educados? Ou aqueles fumantes é que deviam se tocar e... Escolher outro lugar?

É educado aguentar músicas de gosto duvidoso em volume máximo, à porta de casa ou em frente ao trabalho? Ou estes exibicionistas e autoritários da cultura vulgar é que deveriam voltar aos bancos escolares?

Pois é. Se reagimos, estes invasores já estão prontos para nos ameaçar e dizer:

- Nossa, se eu soubesse que o senhor seria tão mal-educado nem teria oferecido...

Ou:

- Você nem pediu "por favor"!

Ou, ainda:

- Os incomodados que se retirem...

Uma senhora nos abordou, na praia, apoiou sobre nossa mesa uma caixa imensa, pediu licença e, antes que disséssemos "não", foi retirando pequenas embalagens e colocando-as sobre a mesa. Atrapalhou a conversa, o descanso, o sossego. Mal educada. Sem dúvida, muito mal educada. Reagi, em defesa do bom senso e de tudo que tenho ensinado sobre abordagem de clientes, turismo sustentável, persuasão:

- Desculpe, mas não lhe dei licença. A senhora está invadindo nosso espaço e não tem direito para isso.

- Mas o senhor está sendo muito mal educado! Eu tenho o direito de mostrar meus produtos!

Uma inversão ridícula de valores. Ela realmente acreditava naquilo. As pessoas no guarda-sol (é assim que se escreve, na nova gramática?) ao lado solidarizaram-se com ela, identificando-se com seu nível cultural. Sucesso. Ela vendeu quase tudo a eles.

E eu, quem diria, mal educado...

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Consumo sustentável em ... Dubai?!

Dubai, capital dos Emirados Árabes Unidos, vinha sendo a vedete do consumo. Mais de 1,5 milhão de habitantes e, diziam, 30% dos guindastes de construção do mundo... Shoppings Centers megalomaníacos, torres futuristas, cidades inteiras construídas onde antes era apenas água. Ou deserto. Verdadeiras hordas de bárbaros estrangeiros invadiam a cidade contratados pelas empresas ou em busca de valorizados empregos. Seduzidos, compraram automóveis, moradias, bens... Bom para a economia, não é? Não.



O jornal O Estado de São Paulo trouxe, neste domingo, uma reportagem intrigante. Lá, nos Emirados Árabes, quem não pagar suas dívidas é detido. Sim, vai para a prisão (se a moda pega por aqui...). Pois veio a crise mundial. Uma crise provocada, em suas entranhas, pelo desequilíbrio da sedução do consumo e do lucro. Uma crise que pode ser o sinal de que os recursos estão diminuindo. Uma demonstração de que, mais do que nunca, precisamos observar nossas decisões de consumo.

Sim: Dubai. A reportagem informa que o aeroporto está repleto de automóveis abandonados por proprietários que perderam seus empregos, não conseguiram outros e, para não serem presos, fugiram do país... Alguns, educadamente, deixaram até bilhetes no parabrisa, desculpando-se. Os jornais, que antes pareciam mais um informativo de agência de empregos, de tantas opções, afinaram. Quase não há demanda por novos trabalhadores.



O protecionismo, vilão momentâneo da economia mundial, também pode ser a representação da esperada "guerra pelos recursos", em função da previsão de escassez. Os estudiosos da economia do meio ambiente afirmam, há bastante tempo, que, independentemente da discussão de ser a ação humana causadora de variações climáticas e o aquecimento global, há ações preventivas urgentes. Uma delas é adequar o consumo à realidade e isso pode significar ajustes no custo, e preço, de produtos e bens dependentes de recursos naturais críticos.



Dubai transformou-se em maquete da realidade econômica mundial, uma espécie de visão antecipada. Aqui, no mundo dos mortais e dos comuns, vamos nos preparando para conhecer opções de novas formas de consumir. Educar nossas famílias, amigos, alunos, parentes, próximos, para uma nova realidade que, se for enfrentada a tempo e com realismo, pode ser melhor do que a atual...

terça-feira, fevereiro 17, 2009

Portas abertas para o bom-humor

Tenho refletido sobre esta arte: o bom humor. Meus filhos trocaram de escola e a pergunta foi inevitável, após o primeiro dia de aula:

- Gostaram?

- Adorei! As professoras são... Engraçadas!

E desandaram a descrever tudo que aprenderam. E aprenderam mesmo. Riram quando lembraram-se das professoras. Estavam felizes, verdadeiramente. Pensei: "como deveria ser antes? Será que a imagem deles de 'professoras' era de alguém carrancudo, de mal com a vida?". Como foi importante para eles esta constatação, a de que "professores podem ser engraçados"...

Eu, mesmo, uso e abuso do humor em minhas palestras, apresentações, dinâmicas. Aprendi e sei que uma piada é um risco, pois se a audiência já a conhece, você passa por tolo. E, pior, se eles não entendem a piada, você passa a explicá-la... Piada não se explica. Mas, de qualquer forma, acredito que tenho tido equilíbrio na dose de humor nos eventos. Mesmo os mais sérios.

Como no caso da mais recente audiência do Plano Diretor Municipal de Itapebi. Comandei o evento, apresentando todo o resultado do que chamamos de "cenário propositivo", ou seja, as propostas que deveriam estar contidas no projeto de lei. À minha frente, diversas autoridades, vice-prefeito, vereadores, secretários municipais... O clima foi muito bom, pois tentei fazer de uma leitura que poderia ser cansativa e entediante, uma conversa dinâmica e alegre. No final, perguntei a todos a nota que dariam à reunião. Em geral as notas foram, realmente, altas, o que mostrou que tinham estado atentos e satisfeitos. Aí, um vereador levantou-se e disse, tentando dar um ar solene ao que ia falar:

- Muito obrigado, sr. Fred, a gente aprendeu muito, foi bastante interessante. O que mais me chamou a atenção é que eu nunca esperava uma pessoa assim, como o senhor, assim... Engraçada.

Todos riram muito. Fiquei com a certeza de que consegui abrir portas para transmitir meu recado, assim como as professoras de meus filhos.

Por falar nisso: as portas andam abertas ou fechadas, para você? Experimente "bom-humor".

domingo, fevereiro 15, 2009

Conversa-criativa

Sucesso!

São eventos assim que nos fazem continuar e acreditar que podemos ajudar a fazer a diferença!


Fizemos um convite (lembra? Veja a imagem), enviamos a muitas pessoas, pais, mães, professores... O que ele dizia? Vamos conversar de forma criativa sobre como elevar a auto-estima de nossas crianças, adolescentes e jovens. Enviamos aos colégios, para que professores pudessem estar presentes e aprender conosco algo mais sobre um tema tão importante. Eles não vieram. Não fizeram falta, mas eles perderam uma oportunidade. Não tenho dúvida.

Veja as fotografias, a seguir. Estiveram mães, pais e até avós. A conversa foi agradável e muito produtiva. Eu achei, verdadeiramente, emocionante. Mas, aceito, eu sou suspeito...

Apresentaram-se de forma criativa e participativa. Em duplas, primeiro conheceram-se e depois apresentaram suas colegas ao grupo. Aconteceram revelações! Em seguida, assistiram, alguns emocionados, à apresentação de "O Diário de Luana", já publicado em primeira mão aqui no Desacelere. Depois, foram convidados a discutir, em grupos, como podem auxiliar as professoras da Escola de Dança Tonus em sua tarefa de "elevar auto-estimas". Os grupos fizeram breves, mas incrivelmente profundas, apresentações sobre suas conclusões. O resultado também já está publicado, aqui no Desacelere: Carta de Ilhéus pela auto-estima. Um documento elaborado por todas e todos que participaram da conversa-criativa. Um documento em permanente transformação e aperfeiçoamento, aguardando contribuições!

Em seguida, foram todos chamados a aprender uma sequência de "percussão-corporal", uma espécie de sapateado com o corpo todo (e, não, apenas com os pés...). Pais, mães e avós, divertiram-se muito e aprenderam os movimentos. Quase (!) com perfeição...

Para surpresa de todos, suas crianças entraram na sala e fizeram uma apresentação, com graça e emoção: a mesma sequência que os adultos tinham aprendido há minutos. A seguir, uma pequena apoteose: todos juntos, pais, mães, avós e... Suas crianças, adolescentes, todos! Uma delícia!

- Precisamos fazer isso outras vezes!

- Temos que fazer todos os pais e todas as mães passar por algo assim!

- Que diferença! Que carinho!

A todos que participaram, aos que ajudaram na organização, parabéns! Vocês são demais! E muito obrigado por confiar em nosso trabalho!

Trabalho em grupos: apresentando


Trabalho em grupos: concentração


Aprendendo a sequência de percussão corporal


Todos juntos: surpresa e diversão


Todos juntos: carinho na integração

Carta de Ilhéus pela auto-estima

Estiveram reunidos em Ilhéus, na Escola de Dança Tonus, na manhã de sábado, 14 de fevereiro de 2009, pais, mães, avós, professores e a equipe da Tonus, para uma conversa denominada “Conversa-criativa: Eu, o outro e todos nós”. Após as atividades previstas, todos chegaram às conclusões, de forma unânime:

1. O objetivo maior de todos que participam da educação de crianças, sejam seus pais, mães e parentes, sejam professores, é ajudar a abrir caminho para o desenvolvimento da auto-estima. A estrutura da auto-estima necessita de criatividade e sensibilidade. Um jovem com elevada auto-estima tem seu espírito crítico apurado e costuma apresentar atitudes equilibradas perante as encruzilhadas da vida e as falsas seduções.

2. Mães e pais, ao inscreverem seus filhos em aulas de atividades físicas, devem estar atentos ao método utilizado e à adequada utilização das características da modalidade para elevar a auto-estima de suas crianças.

3. A dança é reconhecida como uma modalidade que, além do aprimoramento físico, proporciona formas de expressão alternativas a seus praticantes, característica especialmente recomendada a crianças e adolescentes, que estão definindo sua forma de se comunicar com o mundo. É uma manifestação artística que estimula a criatividade e a comunicação através do movimento, atuando diretamente na redução de comportamento introvertido e na consolidação do espírito de grupo.

4. A prática da dança resulta em uma maior comunicação do jovem consigo mesmo, o reconhecimento de seus sentimentos e a consciência de que possui uma responsabilidade perante a sociedade.

5. Os “agentes educadores” (mães, pais, parentes, professores...) devem atuar em conjunto com as professoras da escola de dança e suas estratégias e metodologia, e...:

a. ...Sempre que possível estimular suas crianças a observar e compreender as diferenças (aparência, habilidade, nível social, por exemplo) e concentrar-se em seus próprios limites como referência de sua evolução na técnica que está aprendendo.

b. ...Incentivar a participação do pai. De forma honesta e autêntica, o pai deve definir o quanto estará presente em ensaios e apresentações e, também, o quanto apóia a participação de seu filho naquelas atividades. Em nenhuma circunstância a decisão de não estar presente em alguma ocasião pode ser interpretada pela criança ou adolescente como ausência de amor. O pai deve demonstrar que considera a felicidade de sua filha e que dedica verdadeiro interesse pelo que ela faz e gosta, no caso, a dança. A comunicação do pai com a jovem deve estar concentrada na evolução e não no resultado.

c. ...Elogiar muito. Elogios honestos dedicados a verdadeiros acertos, que sempre existem. Elogiar a coragem, a dedicação, o espírito de equipe... Se algo imprevisto aconteceu, comprometendo a qualidade técnica de uma apresentação, o jovem deve ser orientado a compreender que os acertos superam os erros e que sempre haverá oportunidade para aperfeiçoar sua técnica.

d. ...Aproximarem-se das professoras da escola de dança. Dividir com elas as ansiedades, informar acontecimentos relevantes na vida do aluno, perguntar sempre, estar disponível quando solicitada sua presença.

e. ...Cuidar muito bem de sua própria auto-estima. Pais e professores são “a” referência de crianças e jovens. Um educador precisa de auto-estima para ajudar a despertar a de seu educando. Educadores devem procurar diminuir o risco de uma situação em que a criança ou adolescente sinta-se obrigado a praticar uma modalidade devido, na verdade, ao desejo de sua mãe ou seu pai.

f. ...Evitar o estresse infantil. O tempo de brincar deve ser respeitado, assim como o cumprir suas obrigações. Mães e pais devem buscar compreender o prazer que seu filho demonstra por uma atividade e dimensionar adequadamente o número de atividades durante a semana.