domingo, fevereiro 15, 2009

Lagoa Encantada, Ilhéus, Bahia



Participei, em 12/02, de um reunião convocada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Ilhéus sobre a Lagoa Encantada. Uma conversa necessária sobre fiscalização, monitoramento e ação coordenada entre secretarias municipais, CONDEMA, Câmara de Vereadores e instituições como Capitania dos Portos, IBAMA, Ingá, SEMA, Colônia de Pescadores Z-34, Associação dos Moradores do São Miguel...

Deixei claro que, além de uma ação imediata de fiscalização, especialmente da pesca predatória, é urgente a coordenação de um trabalho que faça a ligação entre turismo e meio ambiente. Este projeto já está pronto. Desenvolvi uma metodologia a partir de outra chamada "Ecoturismo de Base Comunitária". Na minha proposta, os investimentos são modulados e vinculados a um projeto central seriam efetivados à medida em que sensibilizasse investidores, tanto dos poderes municipal, estadual e federal, como da iniciativa privada e ONGs. Nenhum tema estaria deixado de lado e, no final, a estrutura seria entregue à gestão democrática, transparente e capacitada de forma permanente dos próprios moradores e membros das comunidades de Areias, Sambaituba, Aritaguá, por exemplo, sob supervisão de um conselho.

Saneamento, transporte, marketing, cozinha comunitária, artesanato, monitoramento ambiental, esportes náuticos, pesca esportiva e vários outros módulos seriam satélites de uma administração única. Os recursos captados seriam distribuídos de forma justa e de acordo com negociação prévia. É um projeto complexo, de complexa execução, mas, a meu ver, única saída para a degradação social e ambiental constante a que está sujeita a Lagoa Encantada, ainda um excepcional potencial de ecoturismo e de geração de ocupação e renda de forma organizada e permanente.

A reunião foi um primeiro passo. Vamos aguardar os próximos. Deve-se formar um "núcleo gestor" interinstitucional para coordenar as ações na Lagoa Encantada. Se a vaidade não atrapalhar, o futuro promete boas notícias!

Boa sorte a todos nós!

Diário de Luana - Apresentado na Conversa-criativa "Eu, o outro e todos nós.", na Tonus Esporte & Saúde, 14/fev/2009.



















Exemplo


Disseram que choveria canivete. Ninguém precisou de guarda-chuva de aço. Sim, voltei a dar exemplo de que nada como uma vida ativa para aumentar a produtividade.

Mais uma etapa rumo aos Planos Diretores Municipais





Estivemos nos municípios de Arataca, Jussari, Itapebi e Mascote para confirmar dados, coletar novas informações para finalizar os mapas que acompanharão o texto da minuta de lei dos Planos Diretores Municipais.

O interessante é que quanto mais aprofundamos, mais temos a sensação de que as informações são infinitas. Sempre "descobrimos" áreas importantes, características especiais ainda não percebidas, novos potenciais...

São municípios pequenos, mas possuem grande riqueza humana e natural.

sábado, fevereiro 07, 2009

Tênis, frescobol e o casamento


Este é um típico texto que sempre quis ter sido o autor. Faço uma homenagem a seu verdadeiro criador, Rubem Alves, e publico aqui, na íntegra.

Depois de muito meditar sobre o assunto concluí que os casamentos são de dois tipos: há os casamentos do tipo tênis e há os casamentos do tipo frescobol. Os casamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam sempre mal. Os casamentos do tipo frescobol são uma fonte de alegria e têm a chance de ter vida longa.

Explico-me. Para começar, uma afirmação de Nietzsche, com a qual concordo inteiramente. Dizia ele: ‘Ao pensar sobre a possibilidade do casamento cada um deveria se fazer a seguinte pergunta: ‘Você crê que seria capaz de conversar com prazer com esta pessoa até a sua velhice?' Tudo o mais no casamento é transitório, mas as relações que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de conversar.’

Xerazade sabia disso. Sabia que os casamentos baseados nos prazeres da cama são sempre decapitados pela manhã, terminam em separação, pois os prazeres do sexo se esgotam rapidamente, terminam na morte, como no filme O império dos sentidos. Por isso, quando o sexo já estava morto na cama, e o amor não mais se podia dizer através dele, ela o ressuscitava pela magia da palavra: começava uma longa conversa, conversa sem fim, que deveria durar mil e uma noites. O sultão se calava e escutava as suas palavras como se fossem música. A música dos sons ou da palavra - é a sexualidade sob a forma da eternidade: é o amor que ressuscita sempre, depois de morrer. Há os carinhos que se fazem com o corpo e há os carinhos que se fazem com as palavras. E contrariamente ao que pensam os amantes inexperientes, fazer carinho com as palavras não é ficar repetindo o tempo todo: ‘Eu te amo, eu te amo...’ Barthes advertia: ‘Passada a primeira confissão, ‘eu te amo' não quer dizer mais nada.’ É na conversa que o nosso verdadeiro corpo se mostra, não em sua nudez anatômica, mas em sua nudez poética. Recordo a sabedoria de Adélia Prado: ‘Erótica é a alma.’

O tênis é um jogo feroz. O seu objetivo é derrotar o adversário. E a sua derrota se revela no seu erro: o outro foi incapaz de devolver a bola. Joga-se tênis para fazer o outro errar. O bom jogador é aquele que tem a exata noção do ponto fraco do seu adversário, e é justamente para aí que ele vai dirigir a sua cortada - palavra muito sugestiva, que indica o seu objetivo sádico, que é o de cortar, interromper, derrotar. O prazer do tênis se encontra, portanto, justamente no momento em que o jogo não pode mais continuar porque o adversário foi colocado fora de jogo. Termina sempre com a alegria de um e a tristeza de outro.

O frescobol se parece muito com o tênis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que, para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois perca. Se a bola veio meio torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior esforço do mundo para devolvê-la gostosa, no lugar certo, para que o outro possa pegá-la. Não existe adversário porque não há ninguém a ser derrotado. Aqui ou os dois ganham ou ninguém ganha. E ninguém fica feliz quando o outro erra - pois o que se deseja é que ninguém erre. O erro de um, no frescobol, é como ejaculação precoce: um acidente lamentável que não deveria ter acontecido, pois o gostoso mesmo é aquele ir e vir, ir e vir, ir e vir... E o que errou pede desculpas; e o que provocou o erro se sente culpado. Mas não tem importância: começa-se de novo este delicioso jogo em que ninguém marca pontos...

A bola: são as nossas fantasias, irrealidades, sonhos sob a forma de palavras. Conversar é ficar batendo sonho pra lá, sonho pra cá...

Mas há casais que jogam com os sonhos como se jogassem tênis. Ficam à espera do momento certo para a cortada. Camus anotava no seu diário pequenos fragmentos para os livros que pretendia escrever. Um deles, que se encontra nos Primeiros cadernos, é sobre este jogo de tênis:
‘Cena: o marido, a mulher, a galeria. O primeiro tem valor e gosta de brilhar. A segunda guarda silêncio, mas, com pequenas frases secas, destrói todos os propósitos do caro esposo. Desta forma marca constantemente a sua superioridade. O outro domina-se, mas sofre uma humilhação e é assim que nasce o ódio. Exemplo: com um sorriso: ‘Não se faça mais estúpido do que é, meu amigo'. A galeria torce e sorri pouco à vontade. Ele cora, aproxima-se dela, beija-lhe a mão suspirando: ‘Tens razão, minha querida'. A situação está salva e o ódio vai aumentando.’

Tênis é assim: recebe-se o sonho do outro para destruí-lo, arrebentá-lo, como bolha de sabão... O que se busca é ter razão e o que se ganha é o distanciamento. Aqui, quem ganha sempre perde.

Já no frescobol é diferente: o sonho do outro é um brinquedo que deve ser preservado, pois se sabe que, se é sonho, é coisa delicada, do coração. O bom ouvinte é aquele que, ao falar, abre espaços para que as bolhas de sabão do outro voem livres. Bola vai, bola vem - cresce o amor... Ninguém ganha para que os dois ganhem. E se deseja então que o outro viva sempre, eternamente, para que o jogo nunca tenha fim...

Amor que prejudica


Hábitos alimentares são considerados patrimônio cultural. O acarajé, por exemplo, é considerado oficalmente "patrimônio imaterial da cultura nacional". Ótimo. Mais um atrativo a turistas, maior movimento nas bancas de baianas pelo Brasil afora.

Arroz e feijão. Combinação genuinamente brasileira, motivo número 1 de melancolia saudosa de nossos compatriotas residentes no exterior. Carboidrato e proteína. Energia e aminoácidos. Combinação perfeita e recomendada por nutricionistas.

Em conversa com amigos, no entanto, descobri uma prática incrível de culinária. Não basta transformar em uma verdadeira feijoada o outrora saudável feijão nosso de cada dia. Nossa amiga queria impressionar o marido, mostrar que dominava a técnica de temperar alimentos. Um tablete inteiro de Caldo Knorr no arroz. Outro no feijão.

A composição oficial é "sal, gordura vegetal, amido, açúcar, cebola, cúrcuma, alho, salsa, pimenta do reino branca, aromatizantes, realçadores de sabor glutamato monossódico e inosinato dissódico e corante caramelo III". Um tablete pode chegar a 70 calorias.

Especialistas dizem que aquele glutamato, além de realçar sabor, adivinha: aumenta a fome! Além do sal já adicionado ao feijão, ou arroz, mais sal no tablete. Você adicionaria açúcar ao seu feijão? Pois é, neste teria, também, açúcar!

Mas Caldo Knorr é chique!

Não importa se o marido, em nosso exemplo, é hipertenso, de histórico familiar de... Doenças de coração... Seu feijão é chique.

A esposa, evidentemente, não tem culpa. A publicidade induz ao consumo de "coisas" das quais não precisamos -Quem atiraria a primeira pedra?!-. De boca em boca, a receita se transforma. O acesso à informação adequada, profissional, personalizada, é mínimo. Questão de saúde pública. Obesidade, câncer de intestino, hipertensão, infartos... Consumo de medicamentos, laxantes, "shakes de emagrecimento" e um desastroso efeito cascata de desequilíbrios na saúde.

Ah, ela entendeu. Ficou assustada, mas feliz por poder, agora, ajustar sua culinária ao seu amor pelo marido. Já pensa em deixar a feijoada para ocasiões especiais, uma ou duas vezes ao mês. No dia-a-dia, nada de calabreza, paio, carne de sol ou carne seca no feijão. E, claro, vai deixar os tabletes de caldos para fazer sopas e molhos para pratos especiais. Sai desse feijão e desse arroz que não te pertence!

Mascote e Itapebi: questões para os cidadãos

Caro cidadão, estamos trabalhando na elaboração do texto e dos mapas do Plano Diretor de Mascote e Itapebi. Precisamos confirmar algumas informações e, como você tem participado e contribuído bastante, estamos enviando este pequeno questionário.

Saiba que estaremos, mais uma vez, em sua cidade, para respondermos juntos a essas questões. Levaremos os mapas para fazer anotações. Aí, teremos que ser bastante precisos, pois vamos localizar nos mapas várias informações. Se você não puder participar, envie suas respostas por alguém. Claro, você pode responder apenas algumas, se quiser.

Pretendo estar em Mascote e Itapebi no dia 13, sexta-feira e a reunião deve ser rápida e objetiva.

No entanto, recebendo antes estas perguntas, você pode se preparar melhor, conversar com outras pessoas e ajudar ainda mais. Se quiser enviar respostas antes da visita, por email, elas serão bem-vindas.

Por favor, leia com atenção e, se tiver dúvidas, estamos à disposição pelo email fred@parkia.com.br .

Obrigado e um grande abraço!



1. MACROZONEAMENTO

a. Em que regiões do território do município você considera deveria haver ações de preservação ambiental? Você poderia localizá-las no mapa, com precisão? Podem ser grutas, cachoeiras, nascentes, matas nativas etc. Qualquer informação pode ajudar.

b. Em que regiões do território do município você considera deveria haver ações de recuperação ambiental? Você poderia localizá-las no mapa, com precisão? Podem ser áreas degradadas, áreas abandonadas etc. Qualquer informação pode ajudar.

c. Além dos distritos, há vilas em formação que você conheça? Agrupamentos de casas, assentamentos etc. Você poderia localizá-las no mapa, com precisão?

d. Há potencial para uma Estrada-Parque, uma estrada que tenha atrativos ambientais, turísticos? O que falta para que ela exista? Qual seria, exatamente, seu trajeto?

e. Quais são os principais atrativos turísticos? Você poderia localizá-los no mapa, com precisão?



2. MICROZONEAMENTO (mapas da sede e distritos. Levarei na visita)

a. Quais são as vias (ruas ou avenidas) que podem ser consideradas os principais eixos de acesso e circulação na cidade e principais distritos?

b. Quais são as vias que podem ser consideradas como “comerciais”, na sede e principais distritos?

c. Para que regiões em torno da cidade e principais distritos você acredita ser mais adequado o crescimento da cidade? Para onde ela não deveria crescer? Você poderia localizá-las no mapa, com precisão?

d. Quais são as regiões na cidade e principais distritos que você considera de risco social, como favelas, invasões descontroladas, aglomerações etc.? Você poderia localizá-las no mapa, com precisão?

e. Quais são as regiões na cidade e principais distritos que você considera de risco como desabamentos, alagamentos etc.? Você poderia localizá-las no mapa, com precisão?

f. Quais são as regiões da cidade e principais distritos onde há invasões que deveriam ser desocupadas? Você poderia localizá-las no mapa, com precisão?

g. Quais são os principais vazios urbanos? Onde há terrenos vazios, construções vazias, que deveriam ser ocupados? Você poderia localizá-los no mapa, com precisão?

h. Quais são as construções de interesse histórico ou cultural, na cidade e nos principais distritos? Você poderia localizá-las no mapa, com precisão?

i. Quais regiões da cidade e principais distritos deveriam ser preservadas ou transformadas em praças ou parques? Você poderia localizá-las no mapa, com precisão?

j. Quais são as praças, áreas de lazer e parques da cidade e dos principais distritos? Você poderia localizá-los no mapa, com precisão?

k. Quais são os principais atrativos turísticos na cidade e principais distritos? Você poderia localizá-los no mapa, com precisão?

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Visita ao Costa Magica


Dois grandes navios simultaneamente no Porto do Malhado.


A praia da Avenida Soares Lopes ao fundo.


Mastros e equipamentos.

terça-feira, fevereiro 03, 2009

A Auto-estima de Aninha

(ou como a Educação Física pode fazer a diferença!...)

Publicado originalmente na edição número 0 do Jornal Mileto, Fev/2009

Aninha prepara-se para o movimento. Deverá correr, apoiar as mãos no solo, realizar um giro e terminar com pés no chão, pernas juntas, corpo ereto, braços estendidos, mãos para cima. Para uma criança de 7 anos é um grande desafio. Em instantes ela estará em evidência, o professor observando, seus colegas esperando um erro para rir, o chão duro deve doer, se cair... Mas em seu cérebro, os neurônios faíscam de excitação, alguns, até, estão se ligando pela primeira vez, através das sinapses. Seus olhos percebem distâncias, sua pele, a temperatura e a umidade, seus pés sentem o solo, e todos enviam sinais ao cérebro, que os processa e responde através de comandos de movimentos. Aninha realiza o movimento com precisão suficiente para receber elogios: vitória! Ela quer mais, ela confia ainda mais em sua capacidade, em seu poder de enfrentar os desafios e os perigos, de improvisar e resolver questões... Aninha está, ali, ficando mais inteligente. Está preparando-se para a prova de matemática, para escrever uma carta, para o vestibular, para aproximar-se de pessoas e cativá-las. Ela está criando referências para a vida.

Sim, atividades motoras têm sido reconhecidas como importante componente do desenvolvimento afetivo de crianças e jovens. Há oportunidades na educação física escolar, na prática livre em praças, praias e terrenos vazios, e em escolas de esportes e academias. A orientação adequada irá provê-los de encorajamento positivo e ajudá-los a estabelecer metas realistas e sincera auto-avaliação. Gallahue e Donnely (2008) sugerem a utilização de “dilemas morais” como meio positivo de aprendizagem. Crianças são, segundo os autores, aprendizes cooperativos em constante autodescobrimento.

É o caso de Aninha que, ao passar por uma rica, empolgante, viva experiência de aprendizado, teve seu pensamento estimulado. O movimento cria a base para crianças tornarem-se pensadores críticos. McBride (1992) foi pioneiro ao considerar o incentivo ao pensamento crítico –ou complexo, como ele também se referia- em Educação Física. Diversos autores indicam condições favoráveis para que se desenvolva pensamento crítico e todas envolvem a “percepção do outro” num amplo sentido de visão verdadeira do coletivo. Estar bem informado, ser compreensivo, sensível às idéias dos outros, paciente e, principalmente, estar disposto para compartilhar idéias. Na Educação Física, em qualquer das suas manifestações, isto significa “reflexão para tomar decisões”. Decisões sobre o movimento. Sobre o próximo movimento, que deve ser razoável, deve ser defensável.

O educador deve estar preparado para identificar as estratégias dos professores de educação física para promover o pensamento crítico. Eles vão estruturar, organizar e avaliar o ambiente de aprendizagem, determinar metas e promover experiências que envolvam análise e contraste de habilidades. E aplicar em atividades desenvolvimentistas de jogo, dança e ginástica, por exemplo.

Não são apenas os educadores que devem estar atentos às estratégias. Mães e pais precisam estar engajados em um projeto conjunto de construção da auto-estima de suas crianças. Foi justamente Gallahue (2002) quem melhor definiu as etapas do desenvolvimento motor desde o nascimento e suas pesquisas são referência a educadores físicos de todo o planeta. Ele foi categórico: para crianças com idade aproximadamente até 11 anos, apenas atividades consideradas “pré-desportivas” são recomendadas. Isto significa que a criança vai se acostumando com regras, competições, eliminatórias, aos poucos. Ela vai experimentar a pressão da “vontade de ganhar” e do “medo de perder”. E percebe a importância do trabalho em equipe, de um técnico, de uma estratégia, a tática. Mães e pais precisam compreender isto. Precisam fazer o dever de casa e completar a estratégia. Realmente, não importa se o filho, na escolinha de esportes, ou na aula de educação física, ganhou ou não o jogo. Marcou um gol? Seu time foi campeão? O que importa é se a criança pôde experimentar sensações novas, praticar movimentos como “correr para trás”, “saltar”, “rebater”, por exemplo. Importa, sim, se ele trabalhou em grupo e aprendeu a melhorar o desempenho de suas ações a partir da cooperação com colegas.

Outra questão frequentemente enfrentada por quem convive diariamente com crianças é o desafio em “plantar” em suas consciências o prazer de exercitar-se com regularidade. Uma expectativa exagerada dos pais pode refletir em ansiedade e aversão a esportes. Pular etapas no desenvolvimento motor e acelerar o processo de amadurecimento emocional em relação a competições, por exemplo, pode precipitar o estresse físico e psicológico. É, justamente, assim que se cria grande resistência no futuro jovem em relação a aderir a uma vida ativa e excluir o sedentarismo de sua vida.

É assim: antes de “jogar tênis”, a criança deve aprender a “rebater” objetos, bolas, bexigas, meias, petecas. Deve aprender a correr para o lado, alterar a pressão de seu peso de uma perna para outra, isolar o movimento dos braços em relação ao quadril, ou tronco. E tudo isso deve acontecer em aulas estrategicamente elaboradas, com elementos atraentes, lúdicos, adequados ao momento e em crescente dificuldade. Nestas aulas podem, até, existir raquetes e bolas de tênis... Criar desafios e metas possíveis e atingíveis é um meio eficiente de cativar crianças e avaliá-las. Ao observar as aulas de tênis de seus filhos, em nosso exemplo, pais devem estar atentos ao ambiente criado pelo professor e ajudá-lo, concentrando seus elogios no esforço, na correta observação dos movimentos, na evolução decorrente da prática dos exercícios que desenvolvem os movimentos fundamentais e as habilidades correspondentes.

É imenso o potencial de evolução individual a partir das experiências vividas ao praticar esportes ou atividades físicas. Foi-se o tempo em que “educação física” era apenas o aprimoramento da saúde e uma forma de disciplinar crianças rebeldes. Já é considerada o principal aliado de educadores de qualquer disciplina. Com a prática esportiva, Aninha, como vimos, aprimorou sua auto-imagem e seguiu fortalecida para enfrentar obstáculos que, com certeza, virão. Cabe a nós torcer por ela.

sábado, janeiro 31, 2009

Espaço público... Público?!


O que, afinal, lhes dá mais direito de que a outros de apropriar-se do espaço público?

-Eu preciso trabalhar, velho!

Eu também preciso. E pago impostos com dificuldade. Sim, mas esse motivo já está fora de moda. Dos flanelinhas ao camelô, está institucionalizado o "emprego informal".

Ao trabalhar com elaboração de planos diretores municipais compreendemos que a geração de ocupação e renda é uma das prioridades principalmente no interior. Veja que já não se fala "emprego e renda"... Temos, sim, que ocupar uma multidão e que eles sobrevivam e possam buscar oportunidades.

A crise mundial arrepia ambientalistas -com razão- com a possibilidade de recuperar o "desenvolvimento a qualquer custo". Da mesma forma, é assim que se justificam nas cidades verdadeiras invasões, dos mangues às praias, das ruas ao calçadão, das praças aos mirantes... E uma invasão não fiscalizada é uma invasão oficializada. E a cidade cresce como não querem seus cidadãos, contra as leis que os deveria proteger.

O Estatuto da Cidade diz que a terra e a propriedade devem cumprir sua função social e há eficientes instrumentos urbanísticos para isso. Ora, estou falando de leis? Por que apenas algumas é que devem ser cumpridas?

Uma saída? Várias. Espaços públicos para eventos, festas, feiras, comércio popular devem ser organizados, planejados e licitados, em locais estudados para que sejam atraentes. Mesmo assim, essa é uma opção imediata, pois só o desenvolvimento com sustentabilidade pode ser aceitável. Um plano estratégico voltado às vocações da cidade. É turismo? É agrícola? É industrial? E promover associativismo, incentivar cooperativas, fortalecer entidades que devem, sim, apropriar-se da responsabilidade de planejar e executar "planos estratégicos" setoriais. Se a cidade quer ser "turística", não pode permitir invasões de espaços que podem ser considerados "atrativos". A fiscalização é, nesse caso, um investimento.

Ok, estamos voltando a um assunto de que sempre falo: o espírito de coletividade. Ainda creio que é aí que reside a principal solução da crise das cidades. Como tema transversal em todas as disciplinas, em todas as séries. É mais do que "cidadania", é o exercício da convivência entre diferentes.

O espaço público é de todos. Deve ser cuidado e utilizado por todos. E não apenas pelos mais rápidos ou pelos amigos do rei.

quinta-feira, janeiro 29, 2009

Você já viu um velhinho gordo? (ou: Será que obesos têm amigos?)

Bem gordo? Ou uma velhinha obesa? É raro, não é?

Será que a gente emagrece quando envelhece? Será que a gente perde a fome? Não. A verdade é que obesos raramente ficam velhos. É fato. Morrem antes de ficar velhos.

Estive conversando com uma pessoa que tem uma amiga obesa. Eu disse a ela que tenho a impressão que obesos não têm amigos. Eu quero dizer amigos de verdade. Porque a obesidade não se conquista por opção e, também, não se elimina por desejar. Em meu pensamento -e experiência-, questões emocionais são as que devem ser, efetivamente, encaradas de frente e percebidas como as causadoras do excesso de peso.

- Mas ela gosta, mesmo, é de comer!
- A família é toda assim!
- Ih, já tentou emagrecer um monte de vezes!

O verdadeiro amigo, frente a um obeso, não deveria "se acostumar" com o problema. Não deveria deixar de se preocupar, se informar, buscar orientação de especialistas... E não sossegar enquanto um caminho não tiver sido escolhido. Mais: assumir algumas responsabilidades nesse caminho.

Claro, apenas se for... Amigo.

Não se trata de forçar, agredir uma natureza acomodada. Falei da escolha de um caminho. Ele pode ser longo, mas continua sendo um caminho.

Ok, sendo prático: converse com psicólogos, nutricionistas, educadores físicos, médicos. Escolha os que tenham experiência com obesidade. E que apresentem resultados. Depois, converse com sua amiga, com carinho, com respeito à dificuldade que ela enfrenta. Diga que vai estar com ela e tentar fazer diminuir o sofrimento com a obesidade e com a ansiedade de eliminá-la. Que têm todo o tempo do mundo e que o importante é escolherem, em conjunto, uma estratégia. Escolham, também, uma Nutricionista. Compreendam os gostos, as manias, os vícios alimentares e encontrem um cardápio progressivamente mais saudável, mais adequado. Vá com ela a um local onde possa praticar exercícios sem constrangimentos. Esteja com ela. Leve-a, se precisar. Nos fins-de-semana, vá com ela caminhar, ou nadar, passear com cães, caminhar na areia. Estabeleça metas, para você e para ela. Divirtam-se com isso!

Claro, apenas se for... Amigo de verdade! Só eles fariam isso...

Aí, eu perderia essa terrível sensação de que obesos não têm amigos.

domingo, janeiro 25, 2009

Educação em evidência


Recebi e aceitei convite para fazer parte do grupo de escritores do Jornal Mileto, que deve ser lançado em breve. Educação e Psicopedagogia. Parece uma proposta séria e muito bem intencionada.

Educação Física, educação socioambiental, vivência do coletivo. Meus temas se interligam e me desafiam. Ótimo. Adoro isso!

Você quer algo que nunca teve?

"Para obter algo que você nunca teve, precisa fazer algo que nunca fez".

Recebi esta frase, hoje, numa mensagem aleatória, de um primo que não vejo há muito tempo. Pus-me a pensar.

Uma das 7 Leis, que já descrevi aqui (Deepak Chopra) reforça o sentido e diz que somos responsáveis por tudo que nos acontece e que tornamo-nos resultado de nossas decisões no passado. Claro, seremos, então, o que estamos programando hoje, em nossas ações e, também, decisões.

A idéia é que para usufruirmos de algo novo, material ou não, teríamos que alterar nossa "programação".

Todos conhecem pessoas que reclamam de sua vida, sua rotina, seus amigos, seu emprego, sua conta no banco, de falta de carinho, de perspectivas... Ajude-as. Procure mostrar que o primeiro passo para receber, ou obter, o que deseja é abrir-se para a mudança, para a possibilidade de agir diferentemente do que tem agido. E, justamente, não insitir de maneira cega exatamente no mesmo "padrão de procedimento"...

Quando o resultado de uma ação é insatisfatório, devemos mudar a ação em si.

quinta-feira, janeiro 22, 2009

Itapebi e Mascote: 2 municípios em ascensão




Valeu o esforço!

A apenas duas audiências do fim do processo de elaboração de seus Planos Diretores Municipais, Itapebi e Mascote mostraram amadurecimento e reconhecimento da seriedade e importância deste processo participativo. Em Itapebi, a audiência do dia 21 teve presença significativa, com vereadores, vice-prefeito, secretários municipais e muita gente da comunidade. Em Mascote (fotografias acima) a audiência de hoje contou com a presença do prefeito, Ferreira, vice-prefeito, Roni, secretários municipais, Chefe de Gabinete, 5 vereadores, incluindo Vera, presidente da Câmara Municipal. Ainda há ausências importantes: Ministério Público, representantes de todos os distritos, mais pequenos produtores rurais... Mesmo assim, sem dúvida, foi um avanço! Parabéns a Silvana (Itapebi) e Laís (Mascote), incansáveis guerreiras, mobilizadoras, estagiárias locais.

Há alguns dias contei como tem sido difícil mobilizar a população e seus representantes. Contei a história de uma professora, já desanimada, de Itapebi. Ontem e hoje valeu a pena! Foi mais um passo. Mais uma conquista. Mas ainda há muitas outras, para fazer desses municípios uma referência na região, na Bahia, no Brasil.

Acho que todos ali sabem o quanto me esforço e o quanto eu gosto de estar com eles e poder ajudar, poder incentivar cada um. A todos, um grande abraço!

Plano Diretor Municipal: perguntas e respostas




MENSAGEM A PREFEITOS, VICE-PREFEITOS, SECRETÁRIOS MUNICIPAIS E VEREADORES
(fotografias: Audiência Pública em Itapebi, BA, 21/01/2009)

1. O QUE É PLANO DIRETOR?
É uma Lei encaminhada pelo executivo municipal à Câmara para que ela debata e aprove.
A Lei descreve as “Políticas Municipais” e suas “Diretrizes”, ou seja, as condições para que elas sejam aplicadas.
Por exemplo, a “Política Municipal de Desenvolvimento Econômico” pode escolher como “Diretriz” o apoio a “Programas” de formação de cooperativas e este “Programa” pode determinar “Ações” a serem coordenadas, como a articulação com entidades estaduais e federais para diagnosticar potenciais locais e preparar trabalhadores para organizarem-se em cooperativas.
O Estatuto da Cidade prevê que o processo seja “participativo” e que a função principal do Plano Diretor é “fazer com que a terra e a propriedade cumpram sua função social”.
Para isso, oferece “Instrumentos” que devem ser regulamentados na lei do Plano Diretor.

2. QUAL É A IMPORTÂNCIA DE UM PLANO DIRETOR...
a. ...PARA OS GESTORES E VEREADORES?
É a grande oportunidade de conhecer todo o território do município e o que os cidadãos pensam e esperam de seus representantes. Ao buscar atender estes anseios, o gestor e vereadores dividem a responsabilidade com a população e aproximam-se dela.
Além disso, cada vez mais a mídia e o Ministério Público exercem grande pressão sobre os políticos e seguir um plano elaborado de forma participativa pode fazer a diferença entre o sucesso e o fracasso.
b. ...PARA A POPULAÇÃO?
É a oportunidade de marcar a posição de todos em um único documento, que deve ser seguido pelos gestores atuais e seguintes. A população sente-se participando da gestão do município e compromete-se mais com os resultados. Todos passam a ver o município como um todo e, não, a sede, distritos e fazendas, descobrindo detalhes que não conheciam. A cidade pode melhorar na medida em que o crescimento acontece de acordo com um plano elaborado por todos, incluindo gestores e técnicos.

3. O QUE É GESTÃO DEMOCRÁTICA?
É uma forma organizada de a população participar da gestão da cidade. Acontece, principalmente, através dos “Conselhos”, que devem ter sua composição igualitária (poder público e cidadãos) e incluir representantes de instituições devidamente organizadas. O Plano Diretor define quais devem ser os conselhos e como devem agir.

4. COMO UM PLANO DIRETOR PODE ALTERAR A VIDA DAS PESSOAS QUE VIVEM NO MUNICÍPIO?
O Plano Diretor define, por exemplo, onde a cidade deve adensar, por onde deve crescer, onde precisa de ações de habitação social. Ao escolher as regiões que devem receber mais moradores e outras que devem aguardar para desenvolver, o Plano Diretor afeta, até, o mercado de terras.
Da mesma maneira, pode definir o desenho de novas vias de acesso, áreas de preservação ambiental, preferência pelo desenvolvimento do turismo, e tudo isso pode melhorar bastante a vida das pessoas se as ações forem executadas a partir de um único plano.

5. QUAIS SÃO OS OBSTÁCULOS QUE VIRÃO DEPOIS?
O Plano Diretor apresenta “Diretrizes” e indica “Ações”, apresenta “Instrumentos” e forma de “Gestão Democrática”. Isso não garante nada. Se não existir interesse da população em acompanhar o processo e dos gestores em fazê-lo acontecer, haverá uma crise e um conflito no município.

6. COMO OS REPRESENTANTES DO POVO PODEM AUXILIAR NO PROCESSO DE ELABORAÇÃO DO PLANO DIRETOR?
Ajudando a elaborar um plano que contenha realmente o que o cidadão quer.
Estando presente e permitindo, apoiando, todas as manifestações das pessoas.
Estudando, conhecendo o Plano Diretor e demonstrando interesse.
Ajudando na mobilização, convidando e convocando a população a participar. Quanto mais pessoas, maior a chance de dar certo.
Evitando se posicionar com radicalismo sobre qualquer tema, o que pode inibir a participação popular.
Juntando-se ao povo e participando dos encontros sem distanciamento.
Articular com todos os vereadores, para que a proposta não seja uma novidade para a maioria deles.
Estando em contato com o coordenador dos trabalhos do Plano Diretor em seu município.

domingo, janeiro 18, 2009

Rust Never Sleeps

Fui surpreendido por esta expressão, hoje. Ingenuamente foi traduzida como "água mole em pedra dura...", como uma referência ao ditado dos insistentes. Que desperdício. Que ignorância!

Rust never sleeps. A ferrugem nunca dorme.

Além do nome de um álbum memorável, talvez o melhor, de Neil Young (1979), a expressão é simbólica. Profundamente. Pense bem.

Mais do que a água que fura a pedra de tanto bater, a ferrugem nunca dorme. Nunca desiste. Está sempre em ação, atacando o que não é usado, o que não é valorizado, o que é deixado de lado...

Nos navios há uma equipe encarregada de pintar o casco. Ininterruptamente. Por quê? Porque a ferrugem nunca dorme.

Nós dormimos. O mundo dorme. Nossa disposição pela prevenção, também.

O que pode ser a ferrugem?! Uma artrose, por exemplo. Ou placas de gordura aderindo às artérias. Ou, ainda, literalmente, as articulações tornando-se rígidas pela falta de uso. Se esta ferrugem não dorme, nós podemos dar o troco. Sim: prevenção.

Agora, neste momento, sua "ferrugem" está acordada. O que você tem feito para combatê-la? Como anda sua alimentação? Tem praticado exercícicos com regularidade e devidamente orientado? Como tem evitado o stress e a ansiedade?

Desacelerar não deve significar ceder espaço às "ferrugens" e, sim, permitir-se prevení-las.

Ansiedade

Tenho refletido muito sobre a ansiedade. Alguns alunos têm se referido a ela com mais frequência e me dispus a... Pesquisar.

Interessante: a raiz da palavra vem do grego, "anshein", que significa "estrangular, sufocar, oprimir".

Especialistas se referem a ansiedade como um estado emocional que é despertado em determinadas situações -lugares, pessoas, atividades- e que são comparadas a alguma vivência anterior -memória- Gray, 1987.

Kaplan & Sadock (1995) afirmaram que a ansiedade é um sinal de alerta, que adverte sobre perigos iminentes e capacita o indivíduo a tomar medidas para enfrentar ameaças.

A ansiedade, portanto, é um acompanhamento normal do crescimento, da mudança, de experiência de algo novo e nunca tentado. Por outro lado, pode caracterizar-se pela excessiva intensidade e prolongada duração, de forma desproporcional à situação que a criou. Neste caso, ao invés de contribuir com o enfrentamento do que estaria causando a ansiedade, atrapalha, dificulta ou impossibilita a adaptação. É o que os especialistas chamam de "ansiedade patológica", que precisa de algum tratamento ou atenção especial.

De qualquer forma, parece sensato preparar-se para mudanças, aceitá-las sem instinto de controle. Além diso, reletir, buscar em fatos e situações no passado possíveis momentos que estariam provocando sintomas atuais de ansiedade. E saber que são situações totalmente anacrônicas, ou seja: estão lá no longínquo passado e continuam a influenciar sua vida. A "sua criança" reagiu de uma maneira específica. Mas como você reagiria hoje, com suas experiências vividas, com sua maturidade atual, com a estrutura que possui hoje?

O objetivo, então, pode ser a preservação da clareza ao enfrentar dificuldades, para planejar com realismo. Para localizar, dimensionar e... Neutralizar os "problemas" que causam a ansiedade. E... Desacelerar!

sábado, janeiro 17, 2009

Turismo sexual


Oportuno!
Atores populares circulavam, ontem, pelo calçadão, entre os turistas, com textos e performances sobre uma das pragas do turismo -em todo o mundo, é verdade-: o turismo sexual.
Parabéns!

Ilhéus e os turistas dos navios









Inevitável: a estátua de Jorge Amado faz sucesso. A rápida visita precisa ser registrada e fazem fila para fotografias. É uma movimentação interessante. A cidade fica, realmente, mais alegre.

quarta-feira, janeiro 14, 2009

Há 5 anos (2)


Algumas imagens para ativar a memória... Foi logo ali, em 2004! Assim que a primeira fase ficou pronta. A esquina estava vazia, ainda. As plantas estavam pequenas, tinham acabado de ser plantadas...

Há 5 anos (3) ...


A esquina limpa. O terreno todo sem nada. Vazio. Há 5 anos...

Há 5 anos (4) ...


As últimas caçambas de entulho, pedras e lixo estavam saindo, para deixar o terreno vazio... Os 3 coqueiros tiveram que ser retirados. Estavam cheios de cupim.

segunda-feira, janeiro 12, 2009

A tecnologia confunde

Os equipamentos estão muito evoluídos. Sim, há os "Bill Gates", mas gênios não aparecem o tempo todo. Uma máquina moderna, um software poderoso, fazem as pessoas sentirem-se prontas. Prontas para o mercado de trabalho. Prontas para a vida.

Tenho visto muitos recém-formados, inexperientes, jovens ou não, atuando de forma quase irresponsável. Em todas as atividades há equipamentos modernos, Internet, emails, Messenger, Orkut, blogs, que facilitam o trabalho, aproximam pessoas e criam sensação de poder. Sim, aquele que, todos sabemos, corrompe. E, no caso, corrompe a noção de realidade.

O resultado parece ser uma situação em que fica em segundo plano a necessidade de aprimoramento profissional. Se estamos prontos, se possuímos poder, por que precisamos fazer cursos, estagiar, aprender mais?! E há muito, muito mesmo, por aprender. Aprender de forma objetiva -cursos, leituras, treinamentos- e de forma subliminar -passar por experiências, viajar, conversar, ouvir, meditar-...

Por exemplo, todas as vezes em que estive num museu, em todo o mundo, as aulas de história da arte e da arquitetura, aulas e práticas de violão, tantas vezes fui ao teatro, ao cinema -O Cine Bijou, em São Paulo só programava fimes de arte-, quantos lugares visitei, a convivência com artistas verdadeiros (de Ricardo Almeida a Fernando Meirelles), o trânsito livre pelo popular -kitsch- e pelo sofisticado -chique-, as visões do mundo submarino, a herança artística de minha mãe, a experiência de professor de desenho em cursinho, e tantos, tantos outros registros em meu subconsciente estão refletidos em minha arquitetura, em minha produção visual, em meu senso de estética, cores, formas, combinações... Em minha disposição por aprender.

Sim, o mundo está diferente, menos romântico e muito mais ágil. Mas o processo de aprendizagem e assimilação continuam... Humanos. A tecnologia depende da criatividade humana, ao mesmo tempo em que a reprime, provocando pequena profundidade e grande mediocridade. O que estou defendendo, aqui, é a necessidade de aprimorar e valorizar o aprendizado subliminar. E, para isso, nada como o tempo.

É uma maneira de desacelerar...

domingo, janeiro 11, 2009

Há 5 anos...



Naquele terreno, na esquina da Praça São João, no Pontal, em Ilhéus, não havia nada há 5 anos. Absolutamente nada, por detrás de um muro alto, repleto de pixações e cartazes antigos de campanhas políticas antigas.

Atualmente há mais de 40 pessoas que, de alguma forma, ganham seu sustento ali.

Ontem foi inaugurado mais um local de bom nível, boa comida, gente bonita. Casa de bom gosto. A Temakeria. A seu lado, já vem brilhando o Armazém Quitã, pioneiro em orgânicos e naturais de vários tipos. Dá gosto ver. É uma sensação incrível ver se materializar algo que esteve em projeto, em planos. Frase de Adrián, empresário da Temakeria, minutos antes de abrir suas portas:

- Acho que está ao nível da Tonus, não é?

Está. E essa era a idéia. Pensamos num imóvel que, ao invés de "aproveitar todo o terreno", deixaria um grande recuo, um jardim para enfeitar a rua. Materiais naturais, um ar leve e agradável. E quem está se instalando ali conseguiu captar o espírito. Parabéns!